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Literatura Infanto

Apr 24, 2015

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PS-GRADUAO LATO SENSU EM LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

LITERATURA INFANTO-JUVENIL

PROF. MARCILENE PEREIRA REIS

BRASLIA 2009

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A literatura infantil antes de tudo, literatura, ou melhor, arte: fenmeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, atravs da palavra. Funde os sonhos e a vida prtica, o imaginrio e o real... (Sueli de Souza Cagneti)

Organizao: Marcilene Pereira Reis 2

SUMRIOO Conceito de Literatura Infantil_________________________________________________ O leitor: concepo de infncia __________________________________________________ A Literatura Infantil e a Escola __________________________________________________ O carter literrio na Literatura Infantil ___________________________________________ Afinal, o que Literatura Infantil? _______________________________________________ Origens da Literatura Infantil __________________________________________________ As Mil e Uma Noites _________________________________________________________ Livros e Infncia - As histrias infantis como forma de conscincia de mundo ____________ Fases normais no desenvolvimento da criana ____________________________________ Estudo das diversas modalidades de textos infantis _________________________________ Fbulas ______________________________________________________________ Contos de Fadas ______________________________________________________ Lendas ______________________________________________________________ Poesia ______________________________________________________________ Autores __________________________________________________________________ Esopo ______________________________________________________________ Hans Christian Andersen _______________________________________________ Irmos Grimm: Jacob e Wilhelm _________________________________________ Monteiro Lobato ______________________________________________________ Ziraldo ______________________________________________________________ Ana Maria Machado ___________________________________________________ Cultura Popular _____________________________________________________________ Par lendas ___________________________________________________________ Trava-lnguas ________________________________________________________ Adivinhaes ________________________________________________________ Formando Crianas Leitoras____________________________________________________ Referncias Bibliogrficas _____________________________________________________ 04 05 06 07 07 08 09 10 11 14 14 15 15 16 17 17 17 18 19 20 21 22 22 22 27 29 31

O Conceito de Literatura InfantilO conceito de Literatura Infantil bastante discutido entre os estudiosos do assunto. H aqueles que defendem que o objeto escolhido pelo seu prprio leitor, outros que o objeto de formao de um agente transformador da sociedade e h at aqueles que questionam o fato de existir uma literatura infantil ou dela ser uma questo de estilo. Temos abaixo algumas dessas idias e tambm declaraes de autores de literatura infantil para percebemos como essa uma rea conflituosa. Ver o objeto a partir de vrios pontos de vistas pode nos ajudar a entender melhor e formularmos nosso prprio conceito. "Literatura Infantil todo o acervo literrio eleito pela criana" (Brbara Vasconcelos Bahia)

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"Literatura Infantil so os livros que tm a capacidade de provocar a emoo, o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificao e o interesse da crianada." (Leo Cunha) "A literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformao: a de servir como agente de formao, seja no espontneo convvio leitor/livro, seja no dilogo leitor/texto estimulado pela escola" (Nelly Novaes Coelho) "O gnero literatura infantil tem, a meu ver, a existncia duvidosa. Haver msica infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literria deixa de se constituir alimento para o esprito da criana ou jovem e se dirige ao esprito adulto? " (Carlos Drummond de Andrade) "Se a falta estrutural, e se no se vive sem a base fantasmtica (o infantil que se atualiza), no seria possvel afirmar que, em toda literatura, h esse infantil, ainda que menos ou mais encoberto? O infantil na literatura, que no se confunde, certamente, com a Literatura Infantil, tampouco com relatos de infncia. Na particularidade de cada novo ato, a criana quem escreve no adulto. E ela o faz com estilo - assinatura pontual, estilo portador de sujeito" (Ana Maria Clark Peres) "Escrevo porque gosto. Com meus textos, quero botar para fora algo que no consigo deixar dentro. E escrevo para criana porque tenho uma certa afinidade de linguagem. Mas no tenho inteno didtica, no quero transmitir nenhuma mensagem, no sou telegrafista. Acredito que a funo da obra literria criar um momento de beleza atravs da palavra. ... Em momento algum eu acho que a linguagem deva ser simplificada. Em meus livros no h condescendncia, tatibitate nem barateamento da linguagem. A colocao dos pronomes consciente, a regncia e a concordncia so rigorosas. As rupturas so intencionais, tm uma funo estilstica. Acho essencial dominar uma gramtica para dom-la a partir de uma linguagem nova." (Ana Maria Machado) "Escrevo para dizer o que penso. Quero reclamar de governos autoritrios. Quero mostrar a existncia de desigualdade entre o homem e a mulher. No fujo muito de temas que, supostamente, no pertencem ao universo infantil. Acho que todo mundo capaz de aprender." (Ruth Rocha) www.sitedeliteratura.com

O leitor: concepo de infnciacrianas conviviam igualmente com os adultos, no havia um mundo infantil, diferente e separado, ou uma viso especial da infncia. No se escrevia, portanto, para as crianas.

Para pensar a literatura infantil necessrio pensar no seu leitor: a criana. At o Sculo XVII as

"...a concepo de uma faixa etria diferenciada, com interesses prprios e necessitando de uma formao especfica, s acontece em meio Idade Moderna. Esta mudana se deveu a outro acontecimento da poca: a emergncia de uma nova noo de famlia, centrada no mais em amplas relaes de parentesco, mas num ncleo unicelular, preocupado em manter sua privacidade (impedindo a interveno dos parentes em seus negcios internos) e estimular o afeto entre seus membros" 1

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A partir da Idade Moderna a criana vista como um indivduo que precisa de ateno especial e cuja demarcada pela idade. O adulto passa a idealizar a infncia. A criana o indivduo inocente e dependente do adulto devido sua falta de experincia da realidade. At hoje muitos ainda tm essa concepo da infncia como o espao da alegria, da inocncia e da falta de domnio da realidade. Os livros que trazem essa concepo so escritos, ento, com o objetivo de educar e de ajudar as crianas a enfrentar a realidade. A partir da Psicologia da Aprendizagem a infncia tratada como uma etapa de preparao do pensamento para a vida adulta. O pensamento infantil no tem ainda uma lgica racional. A literatura infantil , nesta concepo, adequada s fases do raciocnio infantil (que dividido em idade cronolgica). Essas duas concepes de infncia convivem at hoje e podemos v-las at no modo como os livros so selecionados e catalogados pelas editoras. No entanto, uma outra concepo de infncia tem sido defendida e com ela uma nova postura da literatura infantil. preciso entender que a criana tambm cheia de conflitos, medos, dvidas e contradies no por desconhecer a realidade, mas por trazer em si a imagem projetada do adulto:

"Se a imagem da criana contraditria, precisamente porque o adulto e a sociedade nela projetam, ao mesmo tempo, suas aspiraes e repulsas. A imagem da criana , assim, o reflexo do que o adulto e a sociedade pensam de si mesmos. Mas este reflexo no iluso; tende, ao contrrio, a tornar-se realidade. Com efeito, a representao da criana assim elaborada transforma-se, pouco a pouco, em realidade da criana. Esta dirige certas exigncias ao adulto e sociedade, em funo de suas necessidades essenciais"2Quanto ao seu desenvolvimento cognitivo, a nfase no pode ser naquilo que a criana ainda no d conta, mas sim naquilo que s ela capaz de fazer.

"Se lhe falta a completa capacidade abstrativa que a capacite para as complexas redes analticoconceituais, sobra-lhe espao para a vasta mente instintiva, pr-lgica, inclusiva, integral e instantnea que s opera por semelhanas, correspondncias entre formas, descobrindo vnculos de similitude entre elementos que a lgica racional condicionou a separar e a excluir. Correspondncias, sinestesias. Todos os sentidos includos."3Uma literatura que tenha essa concepo de infncia vai, ento, privilegiar " o lado espontneo, intuitivo, analgico e concreto da natureza humana "4 e ver seu leitor como um ser de desejos e pensamentos prprios.

"...os projetos mais arrojados de literatura infantil investem, no escamoteando o literrio, nem o facilitando, mas enfrentando sua qualidade artstica e oferecendo os melhores produtos possveis ao repertrio infantil, que tem a competncia necessria para traduzi-lo pelo desempenho de uma leitura mltipla e diversificada."5Partindo dessa viso d para entender a vertente que entende a literatura infantil como um estilo literrio (dominante estilstica), pois o objetivo no falar para uma de terminada faixa etria, mas trabalhar o texto para preencher desejos que existem em todos os seres humanos.

Citaes1 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola . So Paulo: Global Ed., 4 ed., 1985. (pgina 13) 2 - ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola . So Paulo: Global Ed., 4 ed., 1985. (pgina 18) 3 - PALO, M Jos e OLIVEIRA, M Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criana. SP: tica, 1986. (pg.7)

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4 - PALO, M Jos e OLIVEIRA, M Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criana . SP: tica, 1986. (pg.8) 5 - PALO, M Jos e OLIVEIRA, M Rosa D. Literatura Infantil - Voz de criana. SP: tica, 1986. (pg.11) www.sitedeliteratura.com

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