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Universitá Degli Studi Di Bergamo Facoltà di Scienze della Formazione Dottorato di Ricerca in Scienze Pedagogiche Ciclo XXIII Formação Contínua dos Docentes na Universidade Pedagógica Moçambique Crisalita Armando Djeco Funes Matrícula: 1004602 ANNO ACCADEMICO 2011 / 2012
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Universitá Degli Studi Di Bergamo - aisberg.unibg.it · ABRP- Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas ... Regulamento Avaliação da Universidade Pedagógica ... UCM- Universidade

Nov 30, 2018

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  • Universit Degli Studi Di Bergamo

    Facolt di Scienze della Formazione

    Dottorato di Ricerca in Scienze Pedagogiche

    Ciclo XXIII

    Formao Contnua dos Docentes

    na Universidade Pedaggica Moambique

    Crisalita Armando Djeco Funes

    Matrcula: 1004602

    ANNO ACCADEMICO 2011 / 2012

  • Formao Contnua dos Docentes

    na Universidade Pedaggica Moambique

    Autora: Crisalita Armando Djeco Funes

    Matrcula: 1004602

    Tutor: Prof. Doutor Walter Fornasa

    ANNO ACCADEMICO 2011 / 2012

  • NDICE

    ______________________________________________________________________

    Declarao de honra.....v

    Lista de siglas e abreviaturas..vi

    Lista de figuras...vii

    Lista de tabelas..........viii

    Lista de grficos..ix

    Dedicatria.......x

    Agradecimentos......xi

    Resumo......xiv

    Abstract..xv

    Abstratto....xvi

    CAPTULO I .................................................................................................................. 17 INTRODUO .............................................................................................................. 17 CAPTULO II ................................................................................................................. 30

    REFLEXES EM TORNO DA FORMAO DOS DOCENTES .............................. 30 2.1. Breve olhar sobre a formao dos professores em Moambique ........................ 30

    2.1.2. Segunda fase: ps-independncia ................................................................. 31

    2.2. Das Origens da Universidade .............................................................................. 33 2.3 Uma instituio superior vocacionada formao de professores ....................... 36

    2.4. Reflectindo em torno do conceito Formao ................................................... 37

    2.4. Papel dos intervenientes no PEA na universidade .............................................. 39

    2.4.1. Papel/funes do docente ............................................................................. 39 2.4.2. Papel do estudante ........................................................................................ 43

    2.5. Adoptar um ensino e aprendizagem construtivista .............................................. 44 2.6. Mtodo expositivo, o mais utilizado e o mais controverso ................................. 47 2.7. Uso dos seminrios no ensino universitrio ........................................................ 49

    2.8. Do conceito Qualidade de Ensino ....................................................................... 51 2.8.1. Indicadores de garantia da Qualidade do Ensino ............................................. 54

    2.8.1.1. Ambiente escolar ........................................................................................... 55 2.8.1.2. Prticas pedaggicas ...................................................................................... 56 2.8.1.3. Critrios da avaliao .................................................................................... 56

    2.8.1.4. Democraticidade de gesto do PEA. ............................................................. 57 2.8.1.5. Nvel de formao e condies de trabalho dos docentes ............................. 57

    2.8.1.6. Condies fsicas do estabelecimento de ensino ........................................... 58 2.8.2. Qualidade dos docentes versus qualidade dos graduados ................................ 59

    2.8.3. Repensando a formao do docente universitrio ............................................ 61 2.9. Superviso pedaggica no contexto universitrio ............................................... 63 2.10. Para qu e como avaliar na universidade........................................................... 66 2.10.1. Portflio como instrumento alternativo da avaliao ..................................... 71 2.10.2. Necessidade de auto-avaliao ....................................................................... 73

    2.11. Como desenvolver competncias na universidade? .......................................... 75 2.12. Formao inicial e formao permanente .......................................................... 77 2.12.1. Princpios norteadores da formao docente .................................................. 80

  • 15

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    2.12.1.1. Ter uma prtica reflexiva e de auto-formao permanente ........................ 81

    2.12.1.2. Ter uma atitude simultaneamente crtica e actuante .................................. 81 2.12.1.3. Tornar-se investigador e ser capaz de inovar ............................................. 82 2.13. O Currculo ........................................................................................................ 83 2.13.1. Um olhar ao currculo do ensino superior ...................................................... 84 2.13.2. Novas teorias sobre o currculo ...................................................................... 85

    2.13.2.1. Teorias da legitimao ................................................................................ 85 2.13.2.2. Teorias processuais ..................................................................................... 85 2.13.2.3. Teorias Estruturais ...................................................................................... 86 2.13.2.4.Teorias construtivistas .................................................................................. 86 2.14. Metamorfoses curriculares da Universidade Pedaggica .................................. 87

    Concluso ao captulo II ............................................................................................. 89 CAPTULO III ............................................................................................................... 91

    METODOLOGIA DE PESQUISA ................................................................................ 91

    3.1 Percurso metodolgico ......................................................................................... 91 3.1.1 Mtodos tericos ............................................................................................... 91 3.1.1.1. Mtodo histrico-lgico ................................................................................ 91 3.1.1.2. Modelao ..................................................................................................... 91

    3.1.1.3. Mtodo sistmico-estrutural: ......................................................................... 91 3. 1.2. Mtodos empricos .......................................................................................... 92

    3.1.2.1. Anlise documental ....................................................................................... 92 3.1.2.2. Observao .................................................................................................... 92 3.1.2.3. Inqurito ........................................................................................................ 92

    3.1.2.4. Entrevista ....................................................................................................... 92 3.1.2.5. Mtodo estatstico .......................................................................................... 92

    3.1.2.6. Pr-experimetao......................................................................................... 92 3.2. Universo e amostra .............................................................................................. 93

    3.3. Campo de estudo e razes da sua escolha ........................................................... 94 3.4. Operacionalizao das variveis .......................................................................... 95 3.4.1. Varivel independente ....................................................................................... 95

    3.4.2. Varivel dependente .......................................................................................... 95

    3.4.3. Variveis estranhas ........................................................................................... 96 3.5. Instrumentos de recolha dos dados ...................................................................... 96 3.6. Diagnstico da situao ....................................................................................... 99 3.6.1. Reviso documental .......................................................................................... 99 3.6.2. Questionrio ................................................................................................... 100

    3.6.3. Questionrio aos professores .......................................................................... 100 3.6.4. Entrevista semi-estruturada aos membros da Direco Pedaggica .............. 101

    3.6.5. Observao das aulas ...................................................................................... 101 3.7. Mtodo de apresentao e anlise dos dados..................................................... 103 Concluso ao captulo III .......................................................................................... 103

    CAPTULO IV ............................................................................................................. 104 PROPOSTA FORMATIVA DOS DOCENTES ............................................................ 104

    4.1. Componentes essenciais da formao ............................................................... 104 4.1.1. Formao Profissional .................................................................................... 105 4.1.2. Formao Psico-Pedaggica e Didctica ........................................................ 107 4.1.2.1. Adoptar um ensino e aprendizagem baseados em resoluo de problemas

    .................................................................................................................................. 108

  • 16

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    4.1.2.2. Grupos tutoriais como forma de potenciar a participao ......................... 110

    4.1.2.3. Explicao do uso de ficha de avaliao do trabalho em grupo ................ 112 4.2. Sistema de trabalho cientfico- metodolgico ................................................... 113 4.3. Estrutura do plano formativo cientfico-metodolgico ..................................... 117 4.3.1 Contextualizao ............................................................................................. 117 4.3.2. Diagnstico Inicial .......................................................................................... 119

    4.3.3. Objectivos gerais da estratgia ....................................................................... 119 3.3.4. Aces estratgicas especficas ...................................................................... 119 Concluso ao captulo IV ......................................................................................... 125

    CAPTULO V ............................................................................................................... 127 APRESENTAO E ANLISE DE DADOS PS- FORMAO ........................... 127

    5.1. Motivao para ingressar no ensino superior .................................................... 128 5.2. Sobre o perfil de sada profissional desejada..................................................... 130

    5.3 Caractersticas do docente universitrio na viso dos estudantes ...................... 131

    5.4. Caractersticas do estudante-ideal na viso dos prprios estudantes ............. 132 5.5. O que dizem os docentes de si prprios? ........................................................... 134 5.6. Qualidades do docente universitrio na viso dos docentes .............................. 136 5.7. Mtodos de ensino usados pelos docentes ......................................................... 137

    Concluso ao captulo V ........................................................................................... 140 CONCLUSES E PROPOSTAS ............................................................................. 142

    REFEERNCIAS BIBLIOGRFICA ..................................................................... 147 Anexos e Apndices ................................................................................................. 154

  • v

    DECLARAO DE HONRA

    Declaro que esta Monografia Cientfica resultado da minha investigao e das

    orientaes dos meus supervisores, o seu contedo original e todas as fontes

    consultadas esto devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final.

    Declaro ainda que este trabalho no foi apresentado em nenhuma outra instituio para

    a obteno de qualquer grau acadmico.

    Maxixe, 24 de Janeiro de 2012

    ___________________________________________________

    Crisalita Armando Djeco Funes

  • vi

    Lista de siglas e abreviaturas

    ABRP- Aprendizagem Baseada na Resoluo de Problemas

    CdE- Cincias da Educao

    CFPPs - Centros de Formao de Professores Primrios

    EFEP - Escolas de Formao e Educao de Professores

    E. S Ensino Superior

    E.S.G - Ensino Secundrio Geral

    FACEP Faculdade de Cincias da Educao e Psicologia

    FCLCA Faculdade de Cincias da Linguagem, Comunicao e Arte

    FCNM Faculdade de Cincias Naturais e Matemtica

    ESTEC Escola Superior Tcnica

    ESCOG Escola Superior de Contabilidade

    IES- Instituio de Ensino Superior

    ISP Instituto Superior Pedaggico

    IMP - Institutos Mdios Pedaggicos

    MEC Ministrio de Educao e Cultura

    MH - Mulheres e Homens

    MIC- Metodologia de Investigao Cientfica

    PEA Processo de Ensino e Aprendizagem

    PEUP Plano Estratgico da UP

    Pg. - Pgina

    Ps.E- Psicologia Escolar

    PPs - Prticas Pedaggicas

    QNQ- ES - Quadro Nacional de Qualificao do Ensino Superior

    RAUP Regulamento Avaliao da Universidade Pedaggica

    SNATCA Sistema Nacional de Acumulao e Transferncia de Crditos

    Acadmicos

    SNE- Sistema Nacional de Educao

    Trim.- Trimestre

    UCM- Universidade Catlica de Moambique

    UP Mo- Universidade Pedaggica - Moambique

    UP/SF Universidade Pedaggica / Sagrada Famlia

  • vii

    Lista de Figuras

    Figura 1 Funes da universidade e do docente

    Figura 2 Pirmide da aprendizagem

    Figura 3 Fases da concepo pedaggica do processo de profissionalizao do

    docente

  • viii

    Lista de tabelas

    Tabela 1 Varivel independente por categorias e indicadores

    Tabela 2 Ficha de avaliao do trabalho em grupo

    Tabela 3 Estrutura temtica da formao

  • ix

    Lista de grficos

    Grfico 1 Motivao dos estudantes da opo pelo ensino superior

    Grfico 2 Caractersticas do docente ideal, na opinio dos estudantes

    Grfico 3 Caractersticas do estudante universitrio ideal, dadas pelos

    estudantes

    Grfico 4 Motivao para ensinar no nvel universitrio

    Grfico 5 Qualidade do docente universitrio na viso dos docentes

    Grfico 6 Mtodo de ensino utilizado pelos docentes

  • x

    Dedicatria

    Ao Meu esposo Marcelo e minha filha Cecy!

    Eles do sentido a tudo o que fao.

  • xi

    Agradecimentos

    Embora uma tese de doutoramento parea uma obra individual, sempre fruto de um

    processo cooperativo no qual esto envolvidas muitas pessoas que nem cabem nestes

    pginas reservadas para os agradecimentos. Por isso quero manifestar a minha gratido:

    A Deus pela vida e proteco em todos os momentos e circunstncias individuais e

    familiares. pela Sua graa que sou o que sou e cheguei a esta etapa dos estudos.

    Aos Professores Doutores Walter Fornasa, meu orientador e Hans Saar, co- orientador

    da tese, pelo abnegado acompanhamento que permitiu com que o presente trabalho

    fosse uma realidade, por me guiarem e auscultarem as minhas inquietaes.

    congregao da Sagrada Famlia na pessoa do Superior Geral Padre Michelagelo

    Moiolli que me acolheu e sempre confiou que podia contribuir para a realizao do

    sonho da fundadora desta famlia que , evangelizar educando.

    Ao Padre Gianmarco Paris, Superior Regional da Congregao da sagrada Famlia em

    Moambique pelo estmulo e encorajamento para continuar a trabalhar e pela sua

    disponibilidade em ajudar.

    Ao Padre Ezio Lorenzo Bono, meu Director da Universidade, colega dos estudos, pai e

    amigo, que sempre me aceitou e acreditou no meu humilde trabalho na Direco

    Pedaggica, com quem juntos trocamos momentos alegres e menos alegres que a

    instituio passava e que com o seu encorajamento consegui chegar a esta etapa.

    Aos docentes da Universidade Pedaggica Sagrada Famlia companheiros do percurso

    na docncia com quem partilho as dificuldades e sucessos da tarefa de ensinar e as

    linhas de investigao atravs dos encontros mensais de formao contnua em que cada

    crtica e cada questionamento constituram um impulso para buscar mais sem

    enfraquecer.

    Ao Mestre Hctor Morales, pelo apoio incansvel em analisar comigo o fenmeno de

  • xii

    formao de professores, pois com as suas crticas me ajudou a formular a proposta de

    formao dos docentes da Universidade Pedaggica Sagrada Famlia.

    dr Margarida, voluntria portuguesa, pela leitura crtica e correco ortogrfica da

    tese.

    Ao dr. Ildio Macaringue pela ajuda na correco lingustica do trabalho.

    Ao dr. Daniel Muando e David pelo apoio na traduo do resumo.

    Ao dr. Mateus Chabai, por disponibilizar o material e pelo apoio tcnico na organizao

    dos dados.

    Aos docentes e colegas do curso de Doutoramento da Universidade dos Estudos de

    Bergamo pela pacincia, acolhimento e colaborao.

    A todos estudantes da Universidade Pedaggica Sagrada Famlia, de modo especial a

    primeira turma de Cincias de Educao, com quem despertou em mim a necessidade

    do estudo do tema, porque com as suas perturbaes positivas alteraram meus esquemas

    fixos e me ajudaram a crescer profissionalmente.

    s Famlias Panza, Carminatti e Fratus pela disponibilidade que sempre tiveram em

    acolher-me no tempo dos estudos presenciais, e em cuidar da minha filha quando tive

    que viajar com ela porque a idade assim o ditava.

    Ao meu esposo Marcelo, pela confiana incondicional em me deixar prosseguir com os

    estudos. Por aceitar acompanhar-me nesse desafio que muitas vezes significou

    ausncias e distncia, e por se fazer sempre presente com o seu apoio moral e

    observaes crticas ao trabalho.

    minha filha Ceclia, que aprendeu desde tenra idade o sentido de sacrifcio e que com

    o seu sorriso reanima as minhas energias.

    memria do meu querido pai que no colheu o fruto de todo apoio que sempre que

    me deu e que com a sua com a sua inteno para ver longe, foi sempre firme em

    incentivar me para avanar nos estudos. Que da eternidade aceite a minha sincera

  • xiii

    gratido.

    minha me que mesmo sem entender o que significa cada passo de estudo que dou,

    me tem apoiado e encorajado deveras, moral e espiritualmente.

    E a todos que directa ou indirectamente colaboraram comigo na materializao deste

    estudo, o meu sincero reconhecimento.

  • xiv

    RESUMO

    As mudanas que ocorrem em diferentes domnios da vida scio-cultural, poltica e econmica impe, s universidades em geral e aos docentes em particular, o desafio de

    uma actualizao contnua das suas competncias, com vista a um desempenho efectivo

    das suas funes de docncia, pesquisa e exteno, conforme as exigncias da demanda

    social.

    neste contexto que se analisa, na presente tese, o processo de formao contnua dos

    docentes universitrios. Dos vrios factores que impulsionaram a escolha deste tema,

    destaca-se o facto de ser cada vez mais elevado o nmero de candidatos ao ensino

    superior que vem na universidade a oportunidade de formao e colocao laboral

    como docentes universitrios, pelo que muitos deles so jovens em idade e em

    experincia de ensino a este nvel.

    Atravs de inqurito, da observao de aulas, do questionrio (aos estudantes, docentes e

    membros de direco pedaggica da Universidade Pedaggica), os dados colhidos,

    analisados e interpretados levaram-nos s seguintes concluses: h uma tendncia para

    o alargamento das oportunidades de acesso ao ensino superior a um nmero cada vez

    maior de candidatos, o que positivo. Todavia, este processo no est sendo

    acompanhado de uma formao contnua dos docentes que leccionam neste nvel, o que

    faz com que grande parte destes trabalhe apoiado em metodologias centradas no

    professor, enfatizando a exposio feita por eles e pelos estudantes divididos em

    pequenos grupos.

    Face a isso, propomos que se invista na formao contnua e sistemtica do docente

    universitrio, como forma de capacitar o docente a um desempenho cada vez mais

    eficiente e competente das suas funes, para mais eficazmente saber orientar os

    estudantes a aprender a aprender, evitando, deste modo, o perigo de converter a

    universidade em simples fbrica de diplomas.

    Palavras-chave: Docente Universitrio, Formao Contnua e Profissional.

  • xv

    Abstract

    The changes that take place in socio-cultural, political and economical fields of action

    enforce universities in general and particularly lecturers to undertake further training in

    order to perform effectively in lecturing, researching and extension, as a way of

    universities being cautions of social changes.

    In this context, it is discussed in the present thesis, the continuous process of university

    teachers training. Among the factors that impelled us to choose the present topic, it is

    that fact that there are many students wanting to undertake University courses

    stimulated by the growing number of prospective students who undertake university

    courses with the inspiration of becoming university teachers soon they complete their

    degrees. Therefore, most of the university teachers are young and novice in teaching at

    this level.

    For data collection method, we used observation, questionnaires for both students and

    teachers and conducted interviews with the members of Board of Directors from

    Pedagogical University. For data analysis, the data is grouped in categories for its better

    understanding. Basing on the collected information, we have noticed that there is an

    increase of prospective students with opportunity of doing university courses. However,

    this process does not happen alongside with service training or capacity building.

    Consequently, this situation leads to the use of teacher-centred approach.

    In this regard, we recommend a systematic and in-service training of University

    teachers as a way of developing their teaching skills and performance in order to guide

    their students to learn to learn, avoiding universities becoming enterprises of

    diplomas.

    Key words: University Teacher; In-service Training.

  • xvi

    Abstratto

    Gli innumerevoli cambiamenti che si verificano su pi fronti nella vita socio-culturale,

    politica e economica, inpongono, alle universit in generale e piu nello specifico ai

    docenti, la sfida costante e continua di un auto aggiornamento delle proprie competenze,

    allo scopo di milgiorare il proprio rendimento nellinsegnamento, la ricerca e

    lestensione, seguendo le esigenze della societ contemporanea.

    E in questo contesto che si analizza, nella presente Tesi, il processo di formazione

    continua dei Docenti universitari. Tra le varie ragioni che han portato alla scelta di

    questo tema, vi la domanda sempre crescente di persone che cominciano la

    formazione Universitaria, vedendo in ci una opportunit di crescita accademica e di

    una migliore collocazione nellambito lavorativo.

    Attraverso interviste, monitoria delle lezioni e di questionari fatti agli studenti, ai

    docenti e al corpo direttivo dellUniversit Pedagogica, abbiamo racolto ed elaborato

    dati la cui analisi ci h portato alle seguenti conclusioni: vi una tendenza allaumento

    di inscritti alluniversit ed alla formazione superiore in generale ed anche un

    ampliamento delle opportunit di formazione superiore, il ch risulta essere un dato

    fortemente positivo. Tutta via questo fenomento non accompagnato al contempo da

    una formazione dei proprio docenti universitari. Ci pu far s che gran parte della

    formazione sia basata solo sulle conoscenze del docente.

    Dinanzi a questa situazione la nostra proposta quella di investire sempre pi nella

    formazione continua dei docenti universitari, come forma di arrichimento delle capacit

    degli stessi, perch siano sempre pi efficienti e competenti nel formare gli studenti,

    riuscire a creare la volgia e la curiosit nello studente di sapere sempre pi, di

    apprendere ad apprendere, volendo con ci anche evitare dincorrere nel pericolo di

    ridurre luniversit ad una semplice fabbrica di Diplomi.

    Parole-chiavi: Formazione continua, docenti univeritari.

  • CAPTULO I

    INTRODUO

    La Sapienza e lignoranza sono sempre relative. Nessuno sa o ignora tutto. Chiunque, ricco o

    povero, giovane e vecchio, maschio o femmina, laureato o senza titolo di studio, conosce qualcosa e

    ignora molto pi di qualcosaltro1.

    O acelerado ritmo do progresso cientfico e tecnolgico que se verifica nos nossos dias,

    em todo o mundo, faz com que os conhecimentos que possumos fiquem rapidamente

    ultrapassados. Urge assim a necessidade de ressignificar as universidades e a formao

    docente para que o ensino superior (em Moambique) garanta aos cidados, no s a

    participao e o acesso, mas sobretudo uma educao de qualidade capaz de responder

    aos desafios do desenvolvimento social, cultural e econmico do pas e do mundo.

    Partindo do pressuposto de que ensino um servio que as instituies escolares

    prestam aos clientes (alunos), atravs dos seus serventes (professores), a formao

    docente aqui encarada como uma estratgia institucional para garantir as competncias

    dos seus agentes para que eles desempenhem as suas tarefas dentro dos padres

    exigidos, no s pelos utentes (estudantes), mas tambm pelas necessidades da

    sociedade que se v obrigada a um perptuo reajuste conjuntura regional e

    internacional. neste contexto que, sem ignorar os outros factores a influentes, neste

    trabalho prope-se a defesa da tese com o ttulo a formao contnua do docente

    universitrio um pressuposto para a garantia da qualidade de ensino.

    O Governo moambicano encara a educao e, mais concretamente, o ensino superior,

    como um direito fundamental de cada cidado, um instrumento para a afirmao e

    integrao do indivduo na vida social, econmica e poltica, um factor indispensvel

    para a continuao da construo de uma sociedade baseada nos ideais da liberdade, da

    democracia e da justia social, e como instrumento principal da formao e preparao

    1 A sabedoria e a ignorncia so sempre relativas. Ningum sabe ou ignora tudo. Seja rico ou pobre,

    jovem ou velho, homem ou mulher. Licenciado ou sem ttulo de estudos, conhece alguma coisa e ignora

    muito mais de outras coisas nossa traduo (Giuseppe BERTAGNA. Il nuovo quadro di riferimento.

    In: Annali dellistruzione no1-2: la formazione degli insegnanti nella scuola della riforma. Roma, Le

    Monnier, 2003: p. 5).

  • 18

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    da juventude para a sua participao efectiva na edificao do Pas

    2. Contudo, os mais

    recentes debates em torno da educao tm sido ocasies para denunciar o baixo nvel

    de ensino e aprendizagem, causado, em parte, pela falta de uma formao/actualizao

    contnua do corpo docente em exerccio.

    As universidades moambicanas, assim como as de outros pases da frica Subsaariana,

    nestes ltimos cinco anos, esto a passar por um processo de concorrncia caracterizado

    por uma tendncia para a massificao do ensino superior sem se ter em conta a

    qualidade. No obstante a preocupao por parte das autoridades governamentais em

    melhorar a qualidade do ensino oferecido, existem problemas que tm minado este

    desejo, tais como a) a fraca formao dos professores que se encontram a trabalhar; b)

    a insuficincia de materiais e c) a falta de materiais de apoio pedaggico3.

    Esta situao faz com que cada professor a trabalhe em condies e modalidades em

    que se sente melhor e como resultado disso, grande parte dos professores, de todos os

    nveis, incluindo o superior, passam a trabalhar apoiados em metodologias centralizadas

    em si mesmos, enfatizando a repetio e a memorizao em detrimento das

    metodologias centradas no estudante.

    Deste modo, a formao de professores uma problemtica de grande actualidade e

    relevncia nacional e internacional. Debate-se e estuda-se, por diferentes autores e de

    diversos pontos de vista, o processo de formao sobretudo no que se refere formao

    inicial e contnua dos professores. Este processo tratado por autores como

    desenvolvimento profissional do professor ou simplesmente formao de professores.

    Nesta linha, destacam-se autores como: Altet (2000); Galliani (2002); Galliani e

    Felisatti (2005); Garcia (1999); Gauthier (1999); Massetto (2005); Niquice (2005);

    Paquay (2001); Vasconcelos (2000) e Xodo (2002), todos na vertente formao inicial e

    contnua do docente, num mbito geral e pouco confrontado com a realidade de um

    docente duma universidade que se dedica, particularmente, formao de professores

    2 MINISTRIO DA EDUCAO. Estratgia para formao de professores 2004 2015. Maputo,

    MINED, 2004: p. 4. 3 Stela M. DUARTE et al. Formao de professores em Moambique. Maputo, Editora Educar, 2009: pp.

    235ss.

  • 19

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    (pedaggica).

    No marco da sua profissionalizao, a formao inicial um perodo de suma

    importncia, pois a que assentam as bases para o bom desempenho docente. o

    perodo em que se enfrentam as primeiras experincias sistematizadas na aprendizagem

    do seu papel como profissional competente.

    No nosso entender, a formao inicial significa um perodo determinante dentro do

    processo de apetrechamento profissional, j que constitui o primeiro momento de

    preparao para a aprendizagem das habilidades, com vista ao saber-fazer ensinar.

    Em geral, os docentes que do aulas nas universidades moambicanas possuem um

    curso superior (licenciatura, mestrado ou doutoramento), mas nem todos tiveram a

    oportunidade de passar por uma instruo inicial nos Centros de Formao para

    Professor de nveis primrio ou secundrio e no passaram pela UP4, dado que provem

    de cursos que no so vocacionados para o ensino. A nica experincia que estes

    possuem aquela dos seus professores, quando alunos, da a necessidade de unir a

    formao inicial quela contnua de modo a propiciar uma preparao psico-pedaggica

    do profissional e a sua aproximao progressiva ao mundo universitrio, desde os

    primeiros anos de trabalho, sem negligenciar os problemas que ao longo de toda a vida

    da docncia universitria ter de enfrentar.

    Neste sentido, o estudo em causa pretende contribuir para o aperfeioamento do

    processo de capacitao profissional, inicial e contnua, dos docentes novos (com

    experincia igual ou inferior a cinco anos na carreira universitria), propondo uma

    preparao pedaggica e didctica, sustentada nos modos de actuao profissional

    competente e eficiente, partindo da premissa de que o bom ensino universitrio depende

    muito da qualidade dos docentes que se tm e esta (qualidade) no um estado atingido

    e acabado, mas sim uma cultura de busca contnua da melhoria do prprio desempenho

    por meio de superao, investigao e criatividade.

    4 A Universidade Pedaggica (UP), criada em 1985, pelo Diploma Ministerial n 73/85 de 4 de

    Dezembro. uma Instituio de Ensino Superior (IES) estatutariamente responsvel pela formao de

    professores para todos os nveis do sistema de educao em Moambique (pr-primrio, primrio,

    secundrio, especial, tcnico-profissional e superior) e outros quadros da educao (UNIVERSIDADE

    PEDAGGICA. Bases e directrizes curriculares para os cursos de graduao da Universidade

    Pedaggica de Moambique. Maputo, 2008: p.6).

  • 20

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Se a aprendizagem se define como processo de aquisio de novos comportamentos ou

    conhecimentos5, ento o professor deve ser especialista na matria; mas se a

    aprendizagem for definida como uma descoberta pelo aluno, com um certo grau de

    autonomia em relao ao professor6, ento o professor deve ser um especialista no

    processo didctico (como aprender?), orientador do processo e no transmissor de

    conhecimentos. E sobre estas ideias que a autora se debrua ao longo de todo o

    trabalho, porque acredita ser importante a capacidade de unir as duas competncias, a de

    especialista na matria e a de especialista no processo didctico - porque tambm o

    professor que tem de sair formado da Universidade Pedaggica deve levar consigo o

    contedo, nunca acabado, e um leque variado de mtodos e estratgias para bem

    ensinar.

    Neste enfoque, fundamentado a partir das referncias tericas apresentadas no captulo

    I do presente trabalho, prope-se uma concepo sistemtica, integradora e

    contextualizada do processo de capacitao profissional dos novos docentes sustentada

    no modo de actuao competente, ao expressar a relao entre objecto de trabalho, que

    a disciplina leccionada e o modo como esse ensino est a ser levado a cabo, ao assumir

    uma docncia responsvel e, acima de tudo, profissional.

    Olhando para o historial da Universidade Pedaggica de Moambique, vocacionada

    formao de professores, vemos que esta tem a sua origem nos anos 80 como Instituto

    Superior Pedaggico (ISP), ligado Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em

    Maputo, cujos formadores no possuam nenhuma capacitao especfica para a

    instruo de professores, isto , a formao cingia-se mais ao mbito do contedo das

    disciplinas por leccionar e no ao mbito metodolgico7. Em 1985, a responsabilidade

    de formar professores nas universidades, passou da UEM para UP.

    Nestes primeiros dezoito anos, constatou-se que os currculos de formao de

    professores tinham quase 75% de teoria e apenas 25% de prtica8, obedecendo a um

    5 Raul MESQUITA & Fernanda DUARTE. Dicionrio de psicologia. Lisboa, Pltano Editora-S.A.1996:

    p.18. 6 Ramiro MARQUES. Dicionrio breve de Pedagogia. 2 Edio. Lisboa, 2004: p. 7.

    7 UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Plano estratgico da Universidade Pedaggica 2011-2017.

    Maputo, 2010: pp. 19-21. 8 Ibidem: p. 21.

  • 21

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    currculo de modelo sequencial

    9.

    Em 2004, h uma mudana no processo de formao de professores na UP, com a

    introduo do currculo integrado10

    ; a transformao dos cursos, na sua maioria

    bivalentes em monovalentes, obedecendo a duas fases de formao, Bacharelato e

    Licenciatura.

    Uma das grandes inovaes foi a introduo de Prticas Pedaggicas, a partir dos

    primeiros anos de formao, o que fez com que os formandos passassem a ter a

    possibilidade de entrar em contacto com a realidade da escola durante todo o percurso

    da sua formao. No entanto, o carcter formativo continua a basear-se em contedos

    tericos: constata-se uma persistncia no modelo de ensino baseado na transmisso de

    teorias, em detrimento da desejada educao pela prtica. Esta realidade verifica-se

    tanto na UP-sede, como nas demais faculdades que foram surgindo nesses anos: UP-

    Beira em 1989; UP- Nampula 1985; UP- Quelimane em 2001; UP- Niassa, Gaza e

    Maxixe em 2005; UP- Massinga em 2008, UP Manica e Montepuez em 200811

    .

    A UP, enquanto instituio formadora de professores (vocao primeira) e preocupada

    com a melhoria da qualidade da educao est, de 2007 a esta parte, num processo de

    renovao curricular, com vista a conformar-se com o Sistema Nacional de Avaliao,

    Acreditao e Garantia de Qualidade do Ensino Superior (SINAQES)12

    .

    Um trabalho pormenorizado concernente ao processo de capacitao profissional na

    formao inicial, avaliado pelos resultados das observaes das aulas dos docentes da

    universidade, cuja ficha figura no apndice I, realizadas pela autora deste trabalho em

    confronto com os dados do questionrio (anexo VII) que serviu de diagnstico,

    9 Modelo ou orientao sequencial modelo ou orientao em que a formao de professores faz-se pela

    justaposio de conhecimento e de prticas, operando uma compartimentalizao no tempo entre

    formao em Cincias da especialidade, Cincias da Educao e as actividades prticas (UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Op. cit., 2008: p. 21). 10

    Currculo integrado modelo ou orientao de formao de professores em que as componentes das

    Cincias da Educao, das Cincias da Especialidade e as actividades prticas esto integradas na

    organizao curricular (Ibidem: p. 20). 11

    UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Op. Cit., 2008: pp. 10ss. 12

    Sistema Nacional de Avaliao, Acreditao e Garantia de Qualidade do Ensino Superior (SINAQES)

    criado pelo Decreto n 63/2007 de 31 de Dezembro. O SINAQES um instrumento que o governo de

    Moambique criou de modo a responder aos desafios impostos pela crescente expanso de instituies de

    ensino superior aliada necessidade de adequar o ensino superior s necessidades internas e aos padres

    regionais e globais de qualidade.

  • 22

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    preenchido por 230 estudantes que frequentavam diferentes cursos, em comparao com

    os dados colhidos das diversas conferncias sobre Formao de Professores em

    Moambique (ver anexo II), Avaliao Educacional (ver anexo III) e sobre

    Didcticas e Prticas de Ensino em Moambique (ver anexo IV), levam a sustentar

    que o modo de actuao dos docentes na Universidade Pedaggica, sobretudo os mais

    novos na docncia, carece de um apoio pedaggico, por meio de uma capacitao

    direccionada a eles para suprir as seguintes dificuldades que os estudantes consideraram

    relevantes:

    Insuficiente domnio da prpria rea de conhecimento, apontado por 70%;

    Processo de ensino centrado no docente, com nfase nos contedos, sem

    utilizao correcta dos resultados do diagnstico, 75%;

    Uso de testes de reproduo, para a avaliao, 95%;

    Dificuldades em ajudar os estudantes a abraar a pesquisa como caminho para a

    aprendizagem. O docente limita-se a exigir que os estudantes adquiram a

    brochura (o estudante que no l, at chega a comprar a brochura em duplicado,

    sem se dar conta), mas depois disso nada faz para motiv-los a fazer uso dela,

    70%;

    Insuficiente enfoque profissional durante o desenvolvimento do processo de

    ensino e aprendizagem pelos docentes e dificuldade de utilizao de

    metodologias de ensino adequadas ao nvel em que se encontram a trabalhar

    (predominncia do mtodo expositivo da matria), 85%;

    Uso abusivo do seminrio como principal forma de docncia, que se reduz

    distribuio de temas a serem analisados e apresentao pelos estudantes em

    grupo do incio ao fim do semestre. Em geral, este trabalho acompanhado pela

    atribuio de nota colectiva aos membros do grupo, no obstante que tenham

    efectuado o trabalho apenas um ou dois estudantes, 95%;

    Incoerncia nos critrios de avaliao: s vezes um nmero excessivo de

    estudantes dispensa (seno mesmo todos numa turma) em certas cadeiras e

    noutras todos reprovam acabando, deste modo, por criar-se duas categorias: de

    docentes bons e de docentes maus, 75%;

  • 23

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Predomnio do esprito de superioridade do docente ante os estudantes, 90%,

    facto que se traduz nas ameaas, repreenses pblicas e at coaes13

    .

    Olhando-se pelos resultados deste diagnstico inicial pode-se avaliar que o modo de

    actuao do docente nas aulas incongruente com o desenvolvimento profissional

    desejado na Universidade Pedaggica, designadamente no comportamento tico-moral,

    na cultura de planificao das aulas e na modelao do PEA.

    No nossa pretenso imputar toda culpa dos problemas de ensino universitrio apenas

    aos docentes. O nosso actual estudante universitrio tambm responsvel pela

    situao, razo pela qual a autora situa o problema em dois nveis: o do professor

    (principal ponto focal) e o do estudante universitrio (ponto focal secundrio).

    Num outro inqurito dirigido a 130 professores da universidade pedaggica que

    trabalham em diferentes reas, temos:

    85% acha que os estudantes que frequentam o ensino superior esto

    preocupados, essencialmente, com o diploma do que com a aquisio do

    conhecimento;

    75% diz que os estudantes vm despreparados14 do o ensino secundrio o que

    dificulta a insero no mundo de investigao que caracteriza o estudo

    universitrio;

    80% afirma que os estudantes exigem que o professor dite os apontamentos nas

    aulas, o que demonstra a falta de capacidade de tomada individual de notas.

    Se por um lado, muitos dos professores que leccionam na Universidade Pedaggica so

    jovens, em idade e em experincia profissional, a maior parte dos docentes situa-se na

    faixa etria dos 30-40 anos e tem menos de 10 anos de ensino superior15

    , por outro

    lado temos estudantes universitrios no preparados para o nvel que se lhes compete

    13

    A estas atitudes tambm se d o nome de motivao negativa psicolgica (Imdeo G. Nrici.

    Introduo didctica geral. So Paulo, Atlas, 1991: p. 139), quando o aluno tratado com severidade

    excessiva, com desprezo ou lhe fazer sentir que no inteligente e que menos capaz bem como quando

    sofre crticas que o envergonhem o ridicularizem e at mesmo fazer-lhe entender que a sua vida est nas

    mo do docente, isto , o seu aprovar ou reprovar depende da vontade do docente. 14

    A palavra despreparado nossa criao a partir da compreenso das ideias que os professores

    transmitiam no debate em torno do tema Perfil do Docente e do Estudante Universitrio realizado antes

    do preenchimento do inqurito. 15

    Stela M. DUARTE et al. Op. Cit., 2009: p. 202.

  • 24

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    frequentar - no esto consciente de estar no nvel em que esto; o que significa que da

    parte do docente, as experincias por ele vividas quando estudante repetem-se numa

    cadncia cclica nos estudantes por ele orientados.

    O docente reproduz o pouco ou o incompleto conhecimento que conseguiu registar no

    seu caderno cansado quando estudante, e aquele tenta captar o que consegue de forma

    a sair-se bem nas avaliaes.

    Assim sendo, julgamos que altura de se repensar o papel do docente universitrio e se

    traar um programa de formao de um profissional que seja produtor de conhecimento,

    e no reprodutor, com grande preocupao na capacitao dos estudantes em mtodos

    de aprendizagem do que sobrecarreg-los de conhecimentos, na maior parte das vezes,

    desligados da vida e da realidade, ou seja o ensino deve estar adequado ao mundo da

    vida quotidiana, e s vlido o que se aprende para a superao das necessidades da

    vida como bem o afirma Bordenave que para o ensino se tornar econmico, o que se

    aprende deve ser aplicado nas diversas situaes (transferncia) e no somente em que

    se adquiriu a aprendizagem16

    .

    Enquanto os mtodos permanecero e sero sempre teis vida futura, o conhecimento

    tender sempre a cair no esquecimento, os mtodos permitiro a transferncia do saber

    para variadas realidades e desafios da vida, enquanto o conhecimento pode ficar

    ultrapassado. O conhecimento importante, mas mais importante ainda , conforme os

    autores supracitados, ensinar os estudantes a aprender, pois a cultura no est na

    quantidade do saber mas sim na qualidade.

    Analisando o sistema actual de recrutamento dos docentes para as universidades,

    verifica-se que um dos critrios de aceitao para leccionao (no ensino superior) a

    nota mdia do certificado que tem de ser igual ou superior a catorze (14) valores. Alm

    disso, os docentes tm sido recrutados, na sua maioria, segundo a lgica de que quem

    domina uma rea de conhecimento, tem capacidade para ensinar, mas depois disso,

    pouco ou nada se faz para o acompanhamento e desenvolvimento profissional deste

    docente que teve a base inicial para ser aceite. A experincia demonstra que os

    conhecimentos de base no so suficientes para garantir a qualidade no desempenho do

    16

    J. D. BORDENAVE & A. M. PEREIRA. Estratgias de ensino e aprendizagem. 26 Edio. So Paulo,

    Editora Vozes, 2005: p. 44.

  • 25

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    docente.

    Sobre a base deste reconhecimento das dificuldades, coloca-se como situao

    problemtica: a falta de reciclagens profissionalizantes contnuas dos docentes da UP,

    cuja misso formar a nvel superior, professores para todo o ensino (infantil,

    primrio, secundrio, especial, tcnico, profissional e superior) e tcnicos para as

    reas educacional e afins (cultural, social, econmica, desportiva etc.)17

    , resulta num

    deficiente processo formativo (baixa qualidade de ensino e, consequentemente, da

    aprendizagem), caracterizado por ser assistemtico e carente de uma concepo de

    Modo de Actuao Profissional (MAP).

    Desta anlise inicial, surge a seguinte questo: como contribuir para a formao

    contnua, dos docentes da Universidade Pedaggica, para o aperfeioamento do seu

    desempenho e garantia da qualidade superior em Moambique?

    A actualidade do problema acima exposto enquadra-se no contexto de Moambique a

    contar com mais de 38 (trinta e oito) Instituies do Ensino Superior que foram

    surgindo nestes ltimos quinze anos, exceptuando a UEM que existe, h mais de 30

    (trinta) anos e a UP h 25 (vinte e cinco) anos. O problema ainda mais actual para a

    realidade das delegaes de Gaza, Massinga e de Maxixe (nosso campo de estudo) que

    tm apenas seis, cinco e seis anos de existncia, respectivamente, e com um corpo

    docente completamente novo.

    Com esta pesquisa, pretende-se numa primeira fase analisar os problemas que os

    docentes universitrios principiantes sentem e vivem e, na segunda desenvolver uma

    proposta de capacitao contnua de docentes em modos competentes de actuao

    profissional e didctica, para um processo formativo tendente elevao da qualidade

    do seu desempenho e da do ensino na UP.

    Para esta investigao, o objecto de estudo a formao contnua do docente

    universitrio nas suas variadas necessidades (cientfica, pedaggica, tcnica, humana,

    tica e social) e tem como campo de investigao e principal foco a formao

    profissional dos docentes novos da Universidade Pedaggica de Moambique.

    17

    UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Op. Cit., 2008: p. 22.

  • 26

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    A investigao tem como principal objectivo analisar as dificuldades enfrentadas pelos

    docentes e desenhar uma estratgia metodolgica e implement-la na formao contnua

    dos docentes da Universidade Pedaggica em Moambique.

    Da anlise e da relao entre o problema, objecto, campo e objectivo da investigao,

    determinam-se as seguintes perguntas cientficas:

    1. Que fundamentos tericos e metodolgicos sustentam o processo de formao

    profissional e didctica contnua do docente, para a direco do PEA do ensino

    superior?

    2. Qual o estado actual do processo de formao profissional e didctica

    contnua, para a direco do PEA no ensino superior por docentes da

    Universidade Pedaggica -Moambique?

    3. Como implementar uma estratgia metodolgica para o desenvolvimento

    profissional e didctico contnuo do docente da UP- Moambique?

    4. Que resultados se obtm com a implementao duma estratgia metodolgica de

    desenvolvimento profissional e didctico contnuo do docente da UP-

    Moambique?

    Para dar resposta a estas perguntas cientficas acima colocadas, realizmos as seguintes

    tarefas:

    1. Estudo dos fundamentos tericos e metodolgicas que sustentam o processo de

    formao profissional e didctica contnua do docente, para a direco do PEA

    no ensino superior;

    2. Diagnstico (atravs da observao, entrevistas e questionrio) do estado actual

    do processo de formao profissional e didctica contnua, para a direco do

    PEA no ensino superior por docentes da UP- Moambique;

    3. Elaborao e implementao duma estratgia metodolgica para o

    desenvolvimento profissional e didctico contnuo do docente da UP-

    Moambique;

    4. Avaliao da efectividade (resultados da implantao) da estratgia

    metodolgica aplicada.

  • 27

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Em termos de contributo terico, nesta tese prope-se a apresentao de uma estratgia

    metodolgica para o processo contnuo de formao profissional e didctica dos

    docentes da UP- Moambique, condio para a desejada melhoria da qualidade de

    ensino universitrio, fundamentando-se nos seguintes pontos:

    1. A considerao da formao profissional como um processo permanente de dar

    ao formando capacidades, ideias, valores, desenvolvimento de operaes e de

    comportamentos, a forma requerida pelo formador ou pela instituio

    formadora18

    ;

    2. A convico de que a formao profissional competente do docente vai muito

    alm do bom senso, abrangendo toda a gama de conhecimentos sistematizados

    em base cientfica, filosfica e tecnolgica. O professor deve estar preparado

    para o seu ofcio, como alis se espera que esteja qualquer profissional, pois

    conhecer todas as nuances e possibilidades de sua profisso condio

    essencial para bem exerc-la19

    ;

    3. O papel mais importante do professor o de orientar os alunos, estimulando-os a

    pensarem por si prprios, num ensino que valoriza a pesquisa e a co-

    participao, pois a docncia existe para que o estudante aprenda20

    .

    4. A considerao dos nveis de ajuda como contributo para a estruturao do

    conhecimento pelos alunos21

    .

    J sobre o contributo prtico, a partir da fundamentao terica e do diagnstico

    inicial, poder ser possvel estruturar uma estratgia metodolgica e a sua

    implementao atravs das seguintes aces:

    1. Elaborao de um conjunto de actividades metodolgicas para a formao

    profissional e didctica dos docentes UP-Moambique.

    2. Desenho de workshops profissionais, integradores, de carcter interdisciplinar.

    18

    Giuseppe BERTAGNA. Dalleducazione alla pedagogia: avvio al lessico pedagogico a alla teoria

    delleducazione. Brescia, La Scuola, 2010: p. 379. 19

    M. L. M. C. VASCONCELOS. A formao do professor do ensino superior. So Paulo, Pioneira,

    2000: p. 24 20

    M. T. MASSETTO. Competncias pedaggicas do professor universitrio. So Paulo, Summus, 2003:

    p. 23. 21

    Isabel M. MAIA. O desenvolvimento profissional dos professores no mbito da reorganizao

    curricular. SA, Coimbra, Edies Almedina, 2008: p. 51ss.

  • 28

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    3. Desenho de cursos facultativos relacionados com o ensino e aprendizagem

    baseados na soluo de problemas de dimenso extracurricular.

    4. Elaborao de um sistema de trabalho metodolgico para a capacitao

    profissional do docente.

    A novidade cientfica da tese consiste em trazer uma proposta de formao contnua do

    docente universitrio como mecanismo de garantia da qualidade do ensino. Ao propor-

    se uma nova estratgia metodolgica de formao e acompanhamento da prtica

    docente para a UP-Moambique, torna esta pesquisa uma inovao para as cincias

    pedaggicas.

    Quanto estrutura, o presente trabalho est constitudo por uma introduo, que pela

    sua complexidade corresponde o primeiro captulo, seguido de quatro captulos do

    desenvolvimento, contendo a fundamentao terica, os pressupostos metodolgicos, a

    proposta da estratgia para a formao contnua dos docentes no contexto da

    Universidade Pedaggica de Moambique e apresentao e anlise dos resultados ps-

    experincia e, por ltimo, as concluses gerais e propostas, sequenciadas pelas logo

    aps os quais temos as referncias bibliogrficas que serviram de marco conceptual da

    pesquisa, os anexos e apndices.

    No segundo captulo apresenta-se a fundamentao terica, parte na qual esto

    colocados em debate os autores que se interessaram sobre o assunto da formao dos

    professores, dentro e fora da realidade moambicana;

    No terceiro captulo encontra-se a metodologia da pesquisa, a operacionalizao das

    variveis, a amostra, as principais tcnicas usadas para a recolha e anlise de dados e o

    diagnstico inicial.

    No quarto captulo apresenta-se a estratgia formativa dos docentes que se desdobra em

    formao profissional e formao psico-pedaggica e didctica numa perspectiva que

    parte do geral-particular-geral, ou seja, desde a dimenso mais ampla da universidade

    passando pelas faculdades e/ou departamentos at realidade individual do docente.

    No quinto e ltimo captulo apresentamos os dados recolhidos aps

    interveno/capacitao e sua interpretao para desse modo avaliar a validade da

    estratgia formativa usada e visualizar, em breves linhas, as mudanas resultantes da

  • 29

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    experincia.

    No fim de cada um destes captulos apresentada uma concluso parcial (sntese do

    captulo) e, no final de todo o trabalho, as concluses gerais nas quais esto patentes as

    principais dificuldades que os docentes universitrios, sobretudo os principiantes na

    carreira de docncia universitria, encaram no seu quotidiano de trabalho na liderana

    das turmas e na facilitao das matrias por carecerem de um acompanhamento e/ou

    capacitao contnuos em estratgias de ensino superior.

    Como alternativa para a superao das diversas dificuldades propomos a acreditao do

    programa e estratgia formativa dos docentes a ser desenvolvido anualmente para todos

    os docentes recm-integrados na carreira e ir-se aprofundando os temas at um perodo

    a ser acordada, cientes de que a formao dos docentes condio primordial para o

    incremento da qualidade e condio para tornar a UP numa instituio mais dinmica,

    mais acadmica, mais popular, mais universidade22

    .

    O trabalho apresenta anexos e apndices. Fazem parte dos anexos o mapa das

    delegaes da UP- Moambique, o relatrio de capacitao do corpo docente da UP e o

    calendrio acadmico 2012, com nfase nas datas previstas para a capacitao do corpo

    docente de toda a Universidade Pedaggica. Figuram como anexos o modelo de ficha de

    observaes de aulas; o guio de entrevista para os directores pedaggicos e as fichas de

    auto-avaliao dos docentes, acompanhadas do questionrio elaborado pela autora,

    alguns relatrios de actividade dos docentes e o modelo de ficha preenchida pelos

    estudantes.

    22

    In: Discurso do Magnfico Reitor da Universidade Pedaggica, Professor Doutor Rogrio Jos Utui, no

    lanamento do nmero zero do jornal UP-Notcias, Dezembro de 2008.

  • 30

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    CAPTULO II

    REFLEXES EM TORNO DA FORMAO DOS DOCENTES

    A vida o lugar da educao e a histria da vida, o terreno no qual

    se constri a formao23

    .

    Neste Segundo captulo abordam-se as primeiras manifestaes do objecto desta

    investigao e, para isso, realiza-se um processo de anlise que parte da considerao do

    fenmeno do processo de formao de professores em geral para o processo de

    profissionalizao do docente universitrio, com nfase na formao contnua dos

    docentes da Universidade Pedaggica.

    Desta maneira fazemos uma abordagem terica tendo como base os sub-temas: breve

    historial da formao de professores em Moambique at a entrada da UP como

    instituio superior dedicada especialmente formao de professores para o sistema

    nacional de educao em Moambique; conceito formao inicial e contnua; ensino e

    aprendizagem construtivista; formao docente e investigao; seminrios no ensino

    universitrio; a questo da qualidade de ensino, destacando alguns indicadores; sistema

    de avaliao no ensino universitrio; superviso em contexto universitrio e aprender a

    aprender. E todos estes aspectos aqui desenvolvidos tm um denominador comum, a

    nfase na formao do docente universitrio como condio para o incremento da

    qualidade do ensino na universidade.

    2.1. Breve olhar sobre a formao dos professores em Moambique

    Em Moambique tiveram espao vrios modelos de formao de professores, de acordo

    com a vontade poltica do momento e o tipo de cooperao internacional adoptado pelo

    pas para a formao do corpo docente. Diversas experincias foram aplicadas

    entretanto, pode-se distinguir duas grandes fases da formao dos professores, todas

    elas com maior enfoque para a formao de professores para os nveis primrios e

    secundrios e, ao longo deste percurso que surge a UP com a misso de formar

    professores com competncia para ministrar o ensino em todos os nveis: primrio,

    secundrio e superior.

    23

    Antnio NVOA. Vidas de professores. 2 Edio. Porto, Porto Editora, 1992: p. 24.

  • 31

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    2.1.1. Primeira fase: antes da independncia

    Nesta fase existiam dois tipos de escolas de formao de professores sendo:

    a) A primeira escola de habilitao de professores, segundo Niquice24

    , foi criada

    em 1930 para a formao de professores do ensino primrio rudimentar. Os

    mesmos professores podiam ser colocados nas escolas oficiais, particulares ou

    nas misses religiosas. Esta escola destinava-se formao dos indgenas.

    b) Magistrios Primrios (de 1962 a 1966), foram criados para formar professores

    do ensino primrio com habilitao legal para ensinar os filhos dos colonos25

    .

    Nesta primeira fase, os candidatos formao de professores tinham que possuir a

    quarta classe e, por sua vez, a formao tinha uma durao de trs anos.

    2.1.2. Segunda fase: ps-independncia

    Depois da independncia Nacional, em Junho de 1975, a situao mudou. Com isso,

    houve necessidade de formar um homem novo liberto dos pesadelos da colonizao e

    capaz de desenvolver o pas, como afirmava Eduardo Mondlane: o futuro de

    Moambique necessitaria de gente bem formada para desenvolver o pas26

    . Sendo

    assim, em 1976 formou-se o Ministrio de Educao e Cultura cujo desafio era de

    recrutar e formar professores. Nesta segunda fase, os professores passaram a ser

    formados em Centros de Formao de Professores Primrios (CFPP`s). Paralelamente a

    estes foram criadas as Escolas de Formao e Educao de Professores (EFEP), que

    passaram a designar-se Institutos Mdios Pedaggicos (IMP), em 1985". Todas estas

    instituies supra citadas destinavam-se formao de professores para o ensino

    primrio do segundo grau27

    .

    Para alm da mudana das instituies de formao de professores, houve tambm uma

    evoluo em relao aos requisitos para o ingresso formao, seno vejamos:

    24

    Adriano F. NIQUICE. Formao de professores primrios: construo do currculo. Maputo, Texto

    Editora, 2006: p. 25. 25

    A. F. NIQUICE. Op. Cit., 2005: p. 25. 26

    Stela M. DUARTE et al. Op. Cit., 2009: p. 163. 27

    Jos CASTIANO, S. NGOENHA & G. BERTHOUD. A longa marcha duma educao para todos

    em Moambique. 2 Edio. Maputo, Imprensa Universitria, 2005: p. 76.

  • 32

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    a) Em 1982 e 1983, foram introduzidos modelos de tipo 6 +1 e 6 +3 anos de

    formao, com os seguintes objectivos: adquirir conhecimentos que permitissem

    melhorar o ensino no pas; formar o professor com capacidades reflexivas e

    muni-lo de conhecimentos relacionados com a rea de pedagogia e didctica,

    sendo esta a base para a prtica docente28

    .

    b) Em 1991 introduziu-se o modelo de 7 +3 anos de formao. Esta mudana de 6

    +1 para 7 +3 anos de formao, como afirmam Golias e Tomo, citados por

    Guro29

    , deveu-se constatao segundo a qual os cursos de durao igual ou

    inferior a um ano no asseguravam aos futuros professores o desenvolvimento

    de um conjunto de habilidades e capacidades para exercer o seu ofcio com

    competncias mais adequadas ao ritmo do desenvolvimento do pas.

    Os princpios gerais que acompanhavam esse processo de formao eram segundo

    MINED30

    : a articulao da teoria com a prtica, isto uma interligao entre o que se

    aprendia na sala com o que acontecia realmente nas escolas (o estgio ajudava a viver

    essa interligao); a transferncia de conhecimentos, atitudes e competncisa

    profissionais para a profisso e o princpio da inovao e investigao, o que significa

    que sempre foi preocupao das instncias formadoras de professores, inculcar desde a

    formao a cultura da pesquisa porque acredita-se no conhecimento e na cincia sempre

    dinmicos e em construo.

    Neste novo modelo, a formao ajustou-se nova realidade de Moambique,

    caracterizada pelo multipartidarismo.

    c) Em 1996 entrou em vigor o curso de 10+2 anos de formao docente nos

    Institutos de Magistrios Primrios (IMAP`s). Introduziu-se este modelo para

    formar professores habilitados em matrias pedaggicas tendo em vista a

    inovao. Neste currculo privilegiou-se uma perspectiva integrada terico-

    prtica, facilidade na transmisso dos conhecimentos, atitudes e competncias

    para a prtica profissional futura, a inovao e a investigao31

    .

    28

    Idem. 29

    Jos CASTIANO, S. NGOENHA & G. BERTHOUD. Op. Cit., 2005: p. 76.. 30

    MINISTRIO DA EDUCAO. Poltica nacional de educao e estratgias de implementao.

    Maputo, MINED, 1995: p. 24. 31

    Stela M. DUARTE et al. Op. Cit., 2009: p. 166

  • 33

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    d) Actualmente esto vigor os modelos de formao de professores de tipo 10 +1 e

    12+1, em uso desde o ano de 2008, com o objectivo principal de formar um

    professor/educador com apetrechos profissionais, capaz de conciliar a teoria com

    a prtica e, acima de tudo, um professor pesquisador32

    .

    Ainda conforme Duarte e outros, a adopo destes ltimos modelos de formao de

    professores em Moambique prendem-se aos factores de ordem geopoltica, econmica,

    sociocultural33

    etc., o que coloca o Governo de Moambique no desafio de ampliar as

    possibilidades de acesso, para os cidados, ao ensino primrio e assegurar que mais

    moambicanos frequentem a escola, prevendo-se que, at 2015, a taxa de escolarizao

    seja de 97%34

    .

    O Governo moambicano reconhece que a formao de um ano para o futuro professor

    no suficientemente eficaz para responder s exigncias sempre mutveis da

    educao. Esta formao inicial no satisfatria o tipo de professores que desejamos

    (actualizado, reciclado e pronto para acompanhar as dinmicas do desenvolvimento).

    Deste modo, os professores, para alm da sua formao bsica, necessitam de uma

    continuada actualizao, atravs de reciclagens e capacitaes. Trata-se de uma

    formao contnua em reas-chave como: docncia de didcticas especficas, prtica

    pedagogia, profissionalismo, deontologia (tica), humanismo (cultural e social).

    2.2. Das Origens da Universidade

    Admite-se que dentre as vrias designaes que as instituies de ensino superior

    possam ter (Academia, Instituto, Escola, etc.), universidade o nome mais

    representativo. H uma tendncia tradicional de resumir o ensino superior

    universidade, talvez porque foi a primeira designao reservada s instituies de

    estudos superiores. Do Latim universitas, o conceito universidade traduz uma ideia

    de universalidade, totalidade, corporao, comunidade, associao: a instituio

    onde se ministra o ensino superior; ou o conjunto de escolas chamadas faculdades

    nas quais se difundem, de mestres para os alunos, conhecimentos cientfico-

    tecnolgicos e os valores da cultura nacional e universal; ou ainda, rgo mais alto

    32

    MINIST. DA EDUCAO. Estratgia para formao de professores 2004-2015. Maputo, 2004: p. 14. 33

    Stela M. DUARTE et al. Op. Cit., 2009: p. 166 34

    MINISTRIO DA EDUCAO. Plano estratgico de educao e cultura 2006-2010. Maputo, 2005.

  • 34

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    do sistema educacional de um pas que tem desempenhado, atravs dos tempos, um

    papel de relevo como instrumento de integrao e unificao nacional.35

    O sentido da universidade est nesse complexo esquema composto por docentes e

    discentes espalhados pelas vrias faculdades, bibliotecas e laboratrios, onde a

    disciplina, o sacrifcio, a honestidade e a cultura integral com que dirigem as actividades

    do instituio os aspectos humanstico, material e psicolgico. A universidade surgiu

    na Idade Mdia (sculos XII/XIII), da superao das escolas catedrais e monsticas que

    s preparavam indivduos para a vida religiosa, e foi muito intensa a sua influncia, pois

    ela forneceu os primeiros modelos de organizao puramente democrtica.36

    Em todos os tempos, a universidade foi concebida como uma porta segura para a

    ascenso social e profissional. Mas este papel histrico da universidade produzir cultura

    e uma elite acadmica entrou em crise quando surgiram novas presses da demanda do

    desenvolvimento. Se por um lado havia uma inteno de produzir conhecimentos

    capazes de servir s exigncias dos modelos de desenvolvimento; por outro lado, a

    universidade sentia a necessidade de se expandir, como forma de espalhar

    oportunidades de aprendizagem para todas as camadas sociais.

    As universidades saram da Europa para os outros continentes em consequncia da

    colonizao. Mas os pases do Ocidente ficaram divididos no tratamento dessa questo:

    enquanto uns compreendiam que expandir a rede do ensino superior era uma

    necessidade natural de educao para todos37

    ; outros achavam que fazer isso

    significava dispersar o prestgio de uma elite acadmica que se queria minoritria.

    Diferentemente da Espanha e da Frana que, a partir de 1520, j tinham polticas de

    implantar instituies de ensino superior nas colnias a fim de produzir um contingente

    de profissionais para assumir as tarefas administrativas e desenvolver as colnias,

    35

    AAVV. Enciclopdia luso-brasileira de cultura. Edies Sculo XXI. Lisboa/R. Janeiro, Verbo

    Editora, 2002: p. 11118 36

    Cf. Idem: 11119 37

    Educao para todos o princpio que fundamenta todas as polticas modernas de educao. Pensa-

    se que o pioneiro deste pensamento foi Comnius (1592-1671), grande pedagogo moderno. Para

    Comnius, Educao um direito natural e inalienvel para todos (cf. Roger GAL. Op. Cit., 2004: p.

    78). Foi inspirando-se nos ideais deste pastor e pedagogo que a ONU (atravs da UNESCO) estabeleceu

    as directrizes da Educao no mundo.

  • 35

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Inglaterra e Portugal continuavam a confinar o acesso universidade aos cidados da

    sua raa. Como prova disso, quando os EUA fundaram a primeira universidade

    (Harvard) em 1636, a Amrica espanhola j tinha mais de treze instituies de ensino

    superior: universidades de So Domingos (1538) e So Marcos (1551) no Per,

    universidades de Crdoba (Nicargua), de Mxico, de Lima, de Santiago de La Paz, de

    Buenos Aires, entre outras. Muitas colnias portuguesas chegaram s independncias

    sem formar em seu territrio um s estudante superior se quer, o que comprometeu

    grandemente o desenvolvimento.38

    Portanto, nas colnias, houve universidades que surgiram para servir aos interesses do

    Ocidente, procurando preparar indivduos capazes de dominar, discriminar e facilitar a

    colonizao; houve as mais tardias que surgiram para fabricar cidados autctones

    com conscincia da necessidade de lutar contra a dominao estrangeira e assumir a

    responsabilidade sobre o prprio destino.39

    Em frica pode-se citar algumas

    universidades de renome: El Azhar40

    (Egipto, 1960); Oram, Constantine e Argel

    (Arglia); Ibadan (Nigria, 1948); University College of Nairob (Knia); University

    College of Dar-es-Salaam. A frica do Sul dos pases africanos com mais

    universidades, mas lamentasse o facto de quase todas terem passado muito anos ao

    servio do regime racista do Apartheid.41

    Parte-se da ideia de que a universidade uma instituio que dispe de capacidades

    humanas e materiais para orientar o ensino, investigao cientfica e extenso em vrios

    domnios do conhecimento, proporcionando uma formao terica e acadmica,

    autorizada a conferir graus e diplomas acadmicos42

    .

    Formar nas diferentes reas do conhecimento, profissionais, tcnicos e

    cientistas com um alto grau de qualificao. Incentivar a investigao cientfica

    e tecnolgica como meio de formao dos estudantes, de soluo dos

    problemas com relevncia para a sociedade e de apoio ao desenvolvimento do

    38

    Bernardino UGOS. Educao para a colonizao. Porto, Porto Editora, 1990: p. 21 39

    Idem: pp. 22-23 40

    El Azhar pode ser considerada a mais antiga universidade de frica, mas passou muitos anos a

    funcionar como madraa, junto de uma mesquita, no Egipto, e s em 1960 que assumiu caractersticas

    mais tpicas de uma universidade. 41

    AAVV. Op. Cit., 2002: p. 11119 42

    Repblica de Moambique. Lei n 27/2009 de 29 de Setembro (Lei do Ensino Superior). Maputo, 2009.

  • 36

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    pas. Formar os docentes e cientistas necessrios ao funcionamento e

    desenvolvimento do ensino e da investigao 43

    .

    2.3 Uma instituio superior vocacionada formao de professores

    A Universidade Pedaggica (UP) de Moambique, foco do estudo desta tese, criada em

    1985, pelo Diploma Ministerial n 73/85 de 4 de Dezembro a Instituio de Ensino

    Superior (IES) estatutariamente responsvel pela formao de professores para todos

    os nveis do sistema de educao em Moambique (pr-primrio, primrio, secundrio,

    especial, tcnico-profissional e superior) e outros quadros da educao44

    .

    Um dos debates sempre presentes na UP, no concernente formao de professores est

    ligado adopo da formao integrada versus formao sequencial. Em 2003 foi

    planificado um currculo integrado, no qual os formandos tinham em paralelo as

    disciplinas das componentes de formao cientfica, geral e psicopedaggica. E em

    2004 implementou-se os novos currculos de formao de professores que se distinguem

    dos anteriores pelo seu carcter integrador dos conhecimentos tericos e prticos,

    possibilitando, desse modo, aos futuros professores, uma preparao para a profisso

    atravs das Prticas Pedaggicas (PPs).

    Definidas como sendo procedimentos curriculares articuladores da teoria e da

    prtica, num contacto experimental com as situaes psico-pedaggica e didctica

    concretas45

    , as Prticas Pedaggicas visam proporcionar ao estudante-praticante46

    oportunidades de entrar em contacto directo com as mais bsicas actividades do

    professor: conhecer a estrutura e o funcionamento de uma escola, assistir/observar uma

    aula, planificar e dar aula, usar os meios de ensino e outros componentes do Processo de

    Ensino e Aprendizagem (PEA). As PPs tm como objectivos: desenvolver capacidades

    de anlise e contribuio crtica e criadora para a melhoria da qualidade de ensino;

    possibilitar a convivncia entre os membros da comunidade escolar (estudantes,

    43

    Repblica de Moambique. Lei n 6/92 de 6 de Maio (Sistema Nacional de Educao). Maputo, 1992. 44

    UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Op. Cit., 2010b: pp. pp. 19-21. 45

    UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Regulamento Acadmico para os cursos de graduao e de

    mestrado. Maputo, 2010a. 46

    Estudante-praticante o discente da UP que realiza PPs na escola integrada (Idem).

  • 37

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    colegas de profisso, funcionrios, pais e encarregados de Educao) de modo a criar,

    no praticante, hbitos de colaborao e interaco47

    .

    Actualmente, a UP encontra-se estruturada em faculdades: Faculdade de Cincias da

    Educao e Psicologia (FACEP); Cincias da Linguagem, Comunicao e Arte

    (FCLCA); Cincias Naturais e Matemtica (FCNM) e Educao Fsica e Desporto. Para

    alm das faculdades existem duas escolas Superiores: Tcnica (ESTEC) e da

    Contabilidade e Gesto (ESCOG). Estas duas unidades orgnicas oferecem tambm

    outros cursos para alm dos de formao de professores, para a formao de outros

    profissionais. Os cursos so ministrados em diferentes modalidades (presencial, semi-

    presencial e distncia) em diferentes regimes (regular e ps-laboral).

    Para alm das faculdades existem delegaes da UP, em todas as provncias de

    Moambique, o que permite os estudantes se manterem com maior facilidade nas zonas

    de origem, diminuindo significativamente o fluxo migratrio em busca da oportunidade

    para frequentar o ensino superior.

    2.4. Reflectindo em torno do conceito Formao

    Aclarar noes ajuda-nos a comunicar. Ademais, nossa inteno aponta para a

    problematizao no somente do termo formao, mas sobretudo, o modo como este se

    interliga com a investigao, isto , interessa-nos colocar em anlise a possibilidade

    de haver j na formao do docente a nfase colocada no aspecto da formao do

    carcter investigativo.

    Ferry, citado por Garcia48

    , define formao como um processo de desenvolvimento

    individual destinado a adquirir ou aperfeioar capacidades; uma funo de

    transmisso de saberes, de saber fazer e saber ser que se exerce em benefcio do

    sistema socioeconmico ou da cultura dominante. A formao pode tambm ser

    entendida como um processo de desenvolvimento e de estruturao da pessoa que se

    realiza com duplo efeito de maturidade interna e disponibilidade de aprendizagem de

    sujeito atravs da experincia.

    47

    Hildizina N. DIAS at al. Manual de prticas pedaggicas. Maputo, Texto Editora, 2008: p. 15 48

    C. M. GARCIA. Formao de professores: para uma mudana educativa. Porto, Porto Editora, 1999:

    p. 22.

  • 38

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Fundamentando-se nessas ideias acima expostas, a autora desta tese considera a

    formao um processo de desenvolvimento que o sujeito humano percorre at atingir

    um estado de plenitude pessoal, ou ento, um processo que o indivduo se submete na

    procura da sua identidade plena, de acordo com os princpios para tal estabelecidos.

    A formao do pessoal docente constitui um ponto central no desenvolvimento integral

    e harmonioso de qualquer sistema educativo, pelo que foi historicamente motivo de

    preocupao de pessoas, organizaes e projectos internacionais, cuja aco incide na

    formao das futuras geraes de formadores. De acordo com Frnandez e outros, o

    professor o protagonista e responsvel do processo de ensino; um agente de

    mudana que participa com os seus saberes no enriquecimento dos conhecimentos e

    valores mais apreciados da cultura e da sociedade; aquele que assume a direco

    criadora do processo de ensino e aprendizagem, planificando e organizando a situao

    do aprendizado, orientando os alunos e avaliando o processo e o resultado49

    .

    Porque o estudo est voltado para o docente universitrio, esta definio de Frnandez

    no esclarece, no entender da autora, o que deve ser o docente universitrio, trata-se de

    uma definio muito genrica de professor, e um tanto quanto tradicionalista, pois

    coloca o professor como protagonista, enquanto o ensino universitrio e a educao

    moderna exigem que o centro do processo seja o aluno.

    O presente estudo est voltado para o ensino universitrio. Neste, o docente deve ser

    orientador do processo e o protagonista (ou deve ser) o estudante. No se quer de

    forma alguma justificar a ausncia do docente nas aulas, nem se pretende compartilhar a

    ideia de semestre inteiro preenchido com apresentaes dos grupos dos estudantes, que

    nem sequer os pontos essenciais da tal apresentao passam pela prvia censura do

    docente que do ltimo banco no diz palavra alguma, de forma a corrigir e/ou orientar o

    processo. E como pode faz-lo se depois de distribuir os tpicos pelos grupos de

    estudantes, o docente tem se desligado totalmente dos assuntos, aparecendo na sala

    apenas para marcar a presena e ver, simplesmente ver, a aula acontecer? Mas

    como bem afirmam Ferrari e Senz50

    , s pode ser orientador aquele que realmente est

    49

    Celso ANTUNES. Glossrio para educadores (as). 2 Edio. Petrpolis, Vozes, 2002: pp. 168 50

    Eduardo F. FERRARI & Jlia L. SENZ. Didctica prtica para enseanza media e superior.

    Montevideo, Magro, 2007: p. 192.

  • 39

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    no processo da aula e que consegue transform-la em espao onde se promove a

    investigao e a negociao de novos significados e novas compreenses.

    Para a melhor assuno do prprio papel, a formao e auto-formao devem constituir

    preocupao institucional e pessoal do docente, porque s assim se pode elevar a

    qualidade do ensino superior. E isso passa por proporcionar ao docente espao fsico e

    tempo para a investigao e para a reflexo e debate sobre a prpria experincia.

    2.4. Papel dos intervenientes no PEA na universidade

    Ao se definir escola (do grego schol) como a instituio de ensino onde se aprende

    vrias matrias, numa relao indissolvel entre o professor e o aluno, com a

    finalidade de promover mudanas desejveis nos indivduos51

    , ou seja, instituio

    social dotada de condies fsicas, materiais, financeiras, humanas e morais para a

    realizao do processo de ensino e aprendizagem52

    ; ao se conceber a universidade

    como aquela instituio que tem misso de alargar a mente dos estudantes, iniciando-os

    vida intelectual (algo mais do que cultura geral), prolongar a viso e a imaginao dos

    estudantes, desenvolvendo neles um saber humano de cultura comum (de solidariedade,

    caridade e humanismo) e uma atitude de busca desinteressada do saber53

    , urge a

    necessidade de fazer uma anlise sobre o papel dos seus principais intervenientes:

    docente e estudante.

    2.4.1. Papel/funes do docente

    No sentido tradicional do termo, professor qualquer pessoa que ensina ou transmite

    conhecimento ao outro achado pouco esclarecido sobre o assunto54

    . Mas no contexto

    da escola e na compreenso da autora deste trabalho, professor algum que, dotado de

    princpios morais e competncias didcticas, serve-se da sua formao psico-pedaggica

    para instruir e educar um aluno, dentro da modalidade estabelecida55

    . O Docente o

    principal recurso humano da escola/universidade: veculo atravs do qual as

    51

    Joo BARROSO. Organizao pedaggica e administrativa da escola. Lisboa, Almedina, 1995: p. 22 52

    AAVV. Enciclopdia luso-brasileira de cultura. Edies Sculo XXI. Lisboa/So Paulo, Verbo

    Editora, 2007: p. 671. 53

    Idem. 54

    AAVV. Dicionrio universal de lngua portuguesa. 3 Edio. Maputo, Moambique Editora, 2003: p.

    989. 55

    Rui CANRIO. O que a escola? Um olhar sociolgico, Lisboa, Coleco Educao, 1999: p. 57.

  • 40

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    informaes chegam ao aluno; mediador e orientador da aprendizagem do aluno

    56.

    Deste modo, o papel do professor , sobre tudo, orientar as aprendizagens dos seus

    alunos.

    Depois de defini-lo como aquele que professa ou ensina uma cincia, tcnica ou arte,

    Celso Antunes57

    faz a seguinte categorizao do professor: professor colaborador

    (aquele que contratado no ensino superior a ttulo de eventual e por tempo

    determinado); professor itinerante (que se desloca para prestar servios educativos

    periodicamente, em hospitais, no lar ou em comunidades carentes de profissionais

    especializados); professor leigo (que lecciona sem ter feito ou concludo o curso que lhe

    habilita ao exerccio do magistrio no nvel de ensino que actua); professor polivalente

    (degrau mais alto da carreira do magistrio no ensino superior); professor visitante (que

    contratado conforme a legislao trabalhista, depois da manifestao favorvel das

    autoridades competentes da instituio contratante)58

    .

    Por sua vez, o Regulamento da Carreira Docente da UP considera a seguinte

    classificao:

    1. Carreira de docente universitrio, com as seguintes categorias:

    a). Professor auxiliar;

    b) Professor associado;

    c) Professor catedrtico.

    2. Carreira de assistente universitrio:

    a) Assistente estagirio;

    b) Assistente.

    A passagem de cada uma dessas categorias para a outra feita mediante a verificao

    cumulativa de certos requisitos, como: o tempo de trabalho, mdia de classificao

    anual da avaliao do desempenho, aprovao em concurso pblico documental,

    avaliao curricular (de acordo com os qualificadores profissionais), existncia de

    56

    Conceito de professor proposto pela autora deste trabalho. 57

    Celso ANTUNES. Op. Cit., 2002: p. 168. 58

    Ibidem: pp. 168-169.

  • 41

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    disponibilidade oramental, o nmero de trabalhos cientficos publicados, entre outros

    59.

    Com as ideias aqui perfiladas, fica claro que a nossa inteno de apresentar o papel do

    docente universitrio na sua essncia e complexidade, evitando o reducionismo em que

    alguns camos de restringir as funes dos professores nas actividades que estes

    realizam quando esto com os estudantes na sala de aulas. Pelo contrrio h que se

    incluir outros contextos que antecedem o encontro na sala de aulas para assegurar que a

    aprendizagem acontea e o momento ps-aulas que a fase da verificao do alcance

    dos objectivos. Portanto, as competncias que o docente deve possuir para melhor

    desempenho da sua tarefa, no se referem apenas interaco directa com os alunos.

    O docente universitrio, no pensamento de Massetto, deve ser o assessor do estudante

    na sua busca do saber por vias e estratgias formativas prprias, estimulando a sua

    curiosidade na busca de conhecimentos ainda no obtidos60

    ; ou, conforme o mesmo

    autor, o docente deve, em conformidade com as propostas educacionais colectivamente

    constitudas, ser pesquisador de informaes mais relevantes, planificando, executando,

    avaliando e replanificando as suas actividades individuais e colectivas61

    .

    Neste sentido, tem de se entender a docncia como resultado de um forte trabalho

    contnuo da pesquisa, porque s assim ser possvel transformar a informao em

    conhecimentos terico-prticos, combatendo a corrente acadmica da acomodao e da

    repetio de ideias, pois atravs da investigao que os professores universitrios

    aprofundam os conhecimentos especficos da sua rea de estudo. De acordo com este

    pensamento, as relaes entre investigao, docncia e extenso, entre a produo do

    conhecimento, a sua comunicao e ligao com a realidade circundante, deviam, em

    boa lgica, ser consistente.

    O envolvimento de docentes e estudantes em pesquisas, sobretudo, acadmicas, uma

    forma de relacionar a teoria com a prtica, e estas pesquisas podem contribuir para a

    melhor compreenso, interpretao, adaptao e reformulao dos conhecimentos

    curriculares e programticos.

    59

    UNIVERSIDADE PEDAGGICA. Regulamento da Carreira Docente (artigo 20 e 23). Maputo, 2010. 60

    Marcos T. MASSETTO. Professor universitrio: um profissional da educao na rea docente. In

    _____. Docncia na universidade. 7 Edio. So Paulo, Papirus, 2005: pp. 9ss. 61

    Ibidem: p. 12.

  • 42

    Formao Contnua dos Docentes na Universidade Pedaggica - Moambique

    Figura 1: funes de universidade e do docente

    Fonte: adaptado pela autora

    O esquema acima exposto pretende ilustrar a necessidade de se reformularem as funes

    da universidade, e consequentemente do docente, de modo a criar entre elas novas