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Exceção 03

Mar 29, 2016

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Exceção n.03, dezembro de 2008

  • Publicao do Curso de Comunicao Social da UNISC - Santa Cruz do Sul - Ano 3 - N 3 - Distribuio gratuita

    HERIsavessas

  • Expediente 2008Exceo

    Gelson Santos PereiraJornalismo - 8 [email protected] - Edio de Arte

    Exceo 2006 Exceo 2007 Exceo 2008

    Amanda MendonaProd. em Mdia Audiovisual - 2 [email protected] - Ilustraes

    Daniele HortaJornalismo - 8 [email protected]

    Fernanda ZieppeJornalismo - 6 [email protected]

    Guilherme Mazui Roesler Jornalismo - 8 [email protected]

    Josilri Linke CidadeJornalismo - 9 [email protected] - Reviso

    Pedro Piccoli GarciaJornalismo - 4 [email protected]

    Daiane Balardin Jornalismo - 8 [email protected] - Produo

    Ana Flvia HanttJornalismo - 4 [email protected] - Opinio

    Marisa Feuerborn LorenzoniJornalismo - [email protected] - Reviso - Fotografia

    Luana BackesJornalismo - 3 [email protected]

    Letcia MendesJornalismo - 8 [email protected] - Reprter

    Raisa MachadoJornalismo - 2 [email protected]

    Sancler EbertJornalismo - 8 [email protected]

    Rozana EllwangerJornalismo - 7 [email protected]

    Thiago StrmerJornalismo - 5 [email protected]

    Wesley Braga SoaresJornalismo - 6 [email protected]

    Willian CeolinJornalismo - 3 [email protected]

    Lzaro Paz FanfaPublicidade e Propaganda - 8 [email protected] de Arte

    Demtrio [email protected] - Editor-chefe

    UNISC - Universidade de Santa Cruz do SulAv. Independncia, 2293Bairro UniversitrioSanta Cruz do Sul - RSCEP: 96815-900

    Curso de Comunicao SocialBloco 15 - Sala 1506Fone: 3717-7383Coordenadora do curso: ngela Felippi

    Publicidade: Agncia A4Impresso: GraphosetTiragem: 500 exemplaresAno 3 - Dezembro de 2008

  • O grande barato ser fake

    O dia em que o Avenida venceu o Grmio de Ronaldinho

    A cura que nasce das pirmides

    Quando o mocinho um bandido

    O lado humano do jornalismo

    Quem disse que os papeleiros so todos iguais?

    Dona Ondina deixou o hospital

    O padre que duvida de milagres

    Retratos do Santo Daime

    Longe de todos e de lugar algum

    O contador de histrias

    No tempo em que as novelas eram no rdio

    Como ser diferente em um mundo de iguais?

    O afiador

    Um esforo digno de notaOs professores de jornalismo opinativo costumam discutir as funes do editorial com seus alunos de duas formas. Na primeira, tradicional, usualmente se diz que o editorial representa uma polifonia de vozes que tm, no veculo em questo revista, jornal ou qualquer outro suporte uma espcie de lugar por meio do qual estas mesmas vozes estabelecem seus dilogos. O jornalista que escreve estes editoriais, por sua vez, interfere quase nada no texto: sua funo apenas escrever, ainda que, ao faz-los, como sabemos, estabelea sempre alguma interferncia.

    A outra forma de se explicar os editoriais, mais recente, leva em conta o fato de os sistemas, e nele o miditico, estabelecerem, tambm por meio dos editoriais, novos contratos de leitura a partir do que ocorre em seus interiores. Com isso, mais que dialogar com quem quer que seja, o que se faz ao escrever um editorial explicando o prprio contedo da publicao oferecer aos leitores e leitoras uma espcie de contrato de credibilidade. Ou seja, a operao, ao revelar seu contedo, diz de seu valor.

    Nesse sentido, para que esta edio da revista Exceo pudesse chegar s suas mos, foi necessrio mais que vontade de dar continuidade a um processo que se iniciou em 2006 - e seguiu em 2007 - quando alunos e professor acordaram que, ao final dos semestres letivos, fariam revistas, ao invs de provas convencionais. O contedo da publicao falaria pelo desempenho de cada um dos estudantes. O mais que vontade se explica medida que, como no houve oferta regular da disciplina, a opo, neste 2008, foi reunir um grupo extra classe e, por meio dele, elaborar mais uma edio da Exceo.

    Isso no apenas foi feito como revelou - e a revista que agora chega s suas mos demonstra isso - o grau de maturidade alcanado pelos alunos da Unisc. Por meio deste grupo, que se reuniu aps os perodos de aula, nos feriados e finais de semana para viabilizar o trabalho, a Exceo no apenas pde ser realizada como o foi com qualidade. Quando isso acontece; quando alunos no medem esforos para dar continuidade a um projeto desta envergadura, sinal que a universidade respira para alm da sala de aula. E, se isso acontece, porque ela est viva.

    Ser cosplay diferente

    SUmrio08

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  • Prometo que vou estudar libras

    Freqentemente somos bombardeados com esta histria de incluso. bvio, j que surdos, mudos, cadeirantes, caolhos e pernetas do mundo inteiro no s merecem, como devem estar inseridos em um cotidiano definido como normal. No entanto, essa histria gera cada situao...

    Quando eu iniciei a faculdade, meu meio de transporte para vir da querida Capital do Chimarro Venncio Aires era uma Topic. Uma maravilha, alis. Te pega na porta de casa e te larga no fim do turno no mesmo lugar. Supimpa! O curioso era a viagem: alm de levar alguns estudantes da Unisc, o veculo tambm transportava alunos que estudavam em uma escola de Santa Cruz do Sul para surdos-mudos. No sei se voc, leitor, tem a oportunidade de conviver com uma destas pessoas, mas, literalmente, elas falam mais do que qualquer um. Srio. Aquelas mozinhas delas no param um segundo.

    Ns, os normais, que temos naturalmente o dom da fala e da audio, passvamos a viagem ouvindo uma msica, lendo alguma coisa, ou somente pensando na vida. Eles no. Eles tinham assunto para a viagem inteira. E nem a escurido da noite atrapalhava. As luzes de non dos celulares iluminavam as faces que se expressavam conforme as mos iam e vinham, da direita para a esquerda, de cima para baixo, sem parar.

    Uma certa tarde de domingoRozana EllwangerAna Flvia Hantt

    O sol daquela tarde de 2007 iluminava to bem a grama que por alguns momentos esqueci das minhas responsabilidades. Estava aproveitando o dia, curtindo a brisa morna como no fazia j h algum tempo. Nesse dia a grama parecia especialmente macia. Tudo estava to perfeito que acabei perdendo a noo do tempo. Nem sei quantas horas fiquei simplesmente caminhando pelo gramado da Unisc. At me distra vendo alguns carros chegarem ao estacionamento coisa que normalmente me passava despercebida.

    Desses carros comearam a descer vrias pessoas. Era um movimento incomum para uma tarde de domingo. De incio, pensei que houvesse algum evento na universidade e os participantes estavam comeando a chegar. Ledo engano. As pessoas, a maioria jovens e bonitas, comearam a tirar cordas finas e brilhantes de dentro dos seus automveis. O brilho daqueles rolos quase transparentes sob o sol at me distraiu. Fiquei observando a movimentao, esperando que eles entrassem em algum prdio para eu poder continuar a minha deliciosa caminhada. Mas no foi isso que aconteceu.

    Um grupo comeou a se aproximar de mim. O olhar deles era ameaador. Com aquela linha transparente sendo esticada e reluzindo com o sol da tarde a cena me pareceu ainda mais macabra. Tentei me acalmar, lembrando que nunca haviam feito mal para nenhum de ns, moradores to pacficos do cmpus. Foi ento que lembrei dos meus filhos. Sa correndo de encontro ao grupo, na esperana de que seria possvel passar entre eles e chegar enfim ao meu ninho. De repente, tombei no cho. Debati-me, mas no consegui mais caminhar. Minha perna estava presa naquela fina corda. Pensei que ia morrer.

    O fim no chegou, mas sim uma jovem avisando: Pode soltar. Outro grupo j conseguiu um vivo para gincana. O ar alegre dos que seguravam as pontas da corda desapareceu e deu lugar ao desnimo. Eles ento me soltaram, mas no se deram ao trabalho de tirar a corda da minha perna. Com o tempo, a dor deu lugar a uma dormncia, at que um dia minha perna, j seca, desapareceu. Meus filhos cresceram e hoje tm suas prprias famlias, bem longe daqui. Eu continuo pelo cmpus. S que agora, para procurar comida, no uso minhas patas como os outros quero-queros. Hoje, eu bato o cho com o que sobrou da minha perna.

    Nesses momentos eu ficava me perguntando: o que eles esto falando? Ai, ai, ai, bichinho cruel da curiosidade... Eu ficava analisando as expresses deles. s vezes, me parecia que estavam zangados, o semblante fechado. Em outras, um meio sorriso rasgava de entremeio o rosto, culminado com o ensaio de uma gargalhada. Talvez, sem eu saber, eles diziam entre si: Tu viu a roupa que essa guria esta vestindo? H, h, h... como brega. Ou ento: Por que ela fica olhando para a gente?, obviamente se referindo a mim. Mas talvez no. Possivelmente conversavam coisas normais, como: Amiga, nem te conto o que me aconteceu!. Ou ainda: Hoje eu comprei uma blusa ma-ra-vi-lho-sa na liquidao.

    Pois bem. O que aconteceu foi que uma certa noite, talvez por j no agentarem mais me verem as observando, elas iniciaram uma conversa comigo. Sim, um dilogo, com todas aquelas mozinhas se mexendo de um lado para o outro. Emudeci. O que eu fao agora? O que elas esto me dizendo? Para essa pergunta, eu nunca tive resposta. Sorri, concordei com a cabea, sorri de novo. Fiquei olhando para elas com uma cara dbil e elas, gesticulando, gesticulando, gesticulando... At que as meninas se entreolharam, trocaram um sorriso cmplice e sentaram eretas em seus bancos. Eu, continuei com a mesma cara de quem no entendeu nada.