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A Galáxia NGC 5866, uma pose de perfil para a foto. · PDF fileprimordial. Estes previam abundâncias deste elemento 2 a 3 vezes superiores às efectivamente observadas....

Nov 08, 2018

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doankhanh

  • UMA PUBLICAO DO OBSERVATRIO ASTRONMICO DE LISBOA

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    A Galxia NGC 5866, uma pose de perfil para a foto.

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    ENSINAR ASTRONOMIA

    FICHA TCNICAO Observatrio uma publicao do Observatrio Astronmico de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-018 Lisboa, Telefone: 213616739, Fax:213616752; Endereo electrnico: [email protected]; Pgina web: http://oal.ul.pt/oobservatorio. Edio: Jos Afonso,Nuno Santos, Joo Lin Yun, Joo Retr. Composio Grfica: Eugnia Carvalho. Impresso: Tecla 3, Artes Grficas, Av. Almirante Reis, 45A,1150-010 Lisboa. Tiragem: 2000 exemplares. Observatrio Astronmico de Lisboa, 1995.

    ED

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    Joo Lin Yun, Director do Boletim O [email protected]

    EM AGOSTO PASSADO, estive presente na XXVI Assembleia Geral da UnioAstronmica Internacional (IAU). A IAU o rgo internacional que representaos astrnomos de todo o mundo. Para alm da muito meditica definiocientfica de planeta a adoptada, esta Conferncia incluiu dezenas de outroseventos, tais como Simpsios, Discusses Conjuntas, Sesses Especiais ereunies de Grupos de Trabalho especficos. Quero aqui salientar a Sesso

    Especial dedicada ao Ensino e Divulgao pblica da Astronomia, dada a suaimportncia e relevncia para todos ns que ensinamos Astronomia e procuramoslevar ao pblico o conhecimento do Universo.

    Foi salientada a resoluo da IAU de 2003 respeitante ao valor da Educao daAstronomia. Nela se recomendava que: 1) a Astronomia deve ser ensinada como disciplinaseparada nos currculos escolares; 2) preciso implementar um sistema de apoio etreino aos professores dos ensinos bsico e secundrio que ensinam Astronomia.

    Outro aspecto de grande relevncia, no s para o ensino da Astronomia mas para oensino de qualquer Cincia, consiste na nfase a colocar na parte experimental (ensinomais hands-on). Aqui, contudo, foi interessante ver como se reconhece agora queapenas hands-on no basta para manter o interesse dos estudantes bem desperto(no esqueamos que de acordo com as respostas de estudantes a inquritos realizados,a maioria diz que a cincia aborrecida). Hands-on pode servir para iniciar ointeresse. Mas mant-lo desperto exige uma abordagem minds-on. Isto significamanter o estudante continuamente envolvido no que se passa, pedindo a sua participaocontnua, por exemplo pedindo-lhe que preveja o que vai acontecer numa dada experinciahands-on, ou numa experincia imaginada. Um exemplo deste procedimento pedirao estudante que considere um automvel de cor azul estacionado por baixo de umcandeeiro de luz amarela. Qual a cor que o automvel exibe nessa situao a um transeunteque passa na rua? Hipteses: A) cor preta; B) cor azul; C) cor amarela; D) cor verde; E)cor branca. Para os mais picuinhas, convm acrescentar que as cores aqui devem serconsideradas puras, isto , monocromticas. A resposta dos estudantes depende umpouco do nvel etrio (ou de ensino), mas a maioria dos estudantes parece escolher aopo D! E voc?

    Ao nvel universitrio, a recomendao principal desta Sesso Especial foi sobretudoque se faa uma ligao entre o ensino e a investigao, levando os estudantes aparticiparem desde muito cedo no processo de descoberta e construo cientfica, comnfase portanto no na Cincia j feita, mas sim na Cincia a fazer-se.

    Com enorme interesse, a abordagem multicultural da Astronomia revela bem comoesta universal. Em todas as culturas aparecem interpretaes dos fenmenosastronmicos vistos por pessoas de todo o mundo. Os estudantes podem analisar asdiferenas e semelhanas entre elas, muitas delas baseadas na organizao dasactividades religiosas ou econmicas. Pode-se concluir do impacto que fenmenosastronmicos (como fases da lua, eclipses, estaes do ano, ciclos dia/noite) tiveramna organizao das vidas das pessoas. Por exemplo, o estabelecimento de calendriosfoi fortemente determinado pelas tradies culturais incluindo as observaes celestesfeitas pelos nossos antepassados. Povos de diferentes latitudes organizam as suasvidas de forma a adaptarem-se ao movimento do Sol no cu. Na sociedade egpciaantiga, era crucial prever a altura do ano em que ocorriam as inundaes do rio Nilo,do qual toda a vida dessa regio ainda hoje depende. Os egpcios recorriam estrelaSirius para fazer essa previso. Por sua vez, o desaparecimento anual das Pliadesera usado por algumas tribos ndias da Amrica do Norte como indicao de que tinhachegado o fim do Inverno e era pois seguro iniciar o cultivo de alimentos. Tambm aorientao de constelaes como as Ursas em certos momentos durante a noite, erausada como indicao de mudana de estaes. Com o auxlio de mapas e globoscelestes, planisfrios, software astronmico, etc., os estudantes podem verificarestas observaes e a sua utilidade para os povos de cada regio da Terra.

    O fascnio da Astronomia em aco!

    NA CAPA:

    Imagem de perfil da galxiaNGC 5866, obtida com o auxliodo Telescpio Espacial Hubble. possvel observar uma faixa depoeira que rodeia o ncleobrilhante e divide o tnue bojo dagalxia em dois. Esta faixa estligeiramente distorcida compa-rativamente ao disco de estrelas,de tom azul, que se pode observarparalelamente a esta. "Pequenos"filamentos de gs e poeira sovisveis em tom avermelhadosaindo perpendicularmente faixa central de poeira. A presenadestes filamentos um bomindicador da quantidade deestrelas que foram formadasrecentemente, pois estes sooriginados pelos processosenergticos de estrelas jovens ede grande massa.

    A uma distncia de 44 milhesde anos-luz, a NGC 5866 estlocalizada na constelao doDrago e possui um dimetro deaproximadamente 60 mil anos-luz.Cortesia: NASA, ESA e The HubbleHeritage Team (STScI/AURA).

    Cortesia: J.P. Harrington e K.J. Borkowski(Universidade Maryland), e NASA.

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    UM PROBLEMA COSMOLGICO RESOLVIDO? Nuno Santos CAAUL/OAL

    O estudo de um conjunto de estrelas doenxame globular NGC6397 parece mostrar queas abundncias dos vrios elementos presentesna atmosfera de uma estrela pode diminuir aolongo do tempo devido a processos desedimentao. A confirmar-se, este resultadoresolve uma importante discrepncia existenteentre a abundncia de ltio observada emestrelas muito antigas e os valores previstospela teoria do Big-Bang.

    Segundo os modelos actuais, o Big-Bang terdado origem a grandes quantidades dehidrognio, um pouco de hlio, e algunspozinhos de outros elementos. Entre estesltimos encontra-se o ltio. Se for possvelmedir a quantidade de ltio existente emestrelas muito antigas, que se formaram poucoaps o Big-Bang (ou seja, a partir de materialpouco ou nada contaminado pelo materialejectado por anteriores geraes de estrelas),podemos assim tentar comparar com os valores que os modelosprevm, e testar as teorias actuais. Em particular, segundo osmodelos espera-se que a quantidade relativa de ltio produzidono Big-Bang esteja intimamente ligada quantidade total dematria produzida, algo que foi recentemente estimado usandoestudos da radiao csmica de fundo.

    No entanto, a medio das abundncias de ltio em estrelasmuito velhas da nossa galxia parecia mostrar um desacordo emrelao aos valores esperados pelos modelos de nucleossnteseprimordial. Estes previam abundncias deste elemento 2 a 3 vezessuperiores s efectivamente observadas. Ser que o problemapode estar na teoria do Big-Bang, ou ser que os valores das

    Observaes detalhadas de estrelas, com oVery Large Telescope (VLT), do ESO, estoa revelar a histria da Via-Lctea, uma galxiaem que a parte central se formou muitorapidamente e muito antes do prprio disco.

    Este conjunto de (muitas) estrelas que incluio Sol, a Via-Lctea, uma galxia espiral,com um ncleo esferide (bojo) de ondepartem braos ricos em estrelas, gs e poeira.Entre as estrelas dos braos espiraisencontram-se representantes de todas asidades, mas no bojo existem essencialmenteestrelas muito velhas, com mais de 10 milmilhes de anos, possivelmente rema-nescentes da formao da prpria Galxia.

    Com o objectivo de estudar a formao daVia-Lctea, uma equipa de astrnomosutilizou o Very Large Telescope para obterespectros detalhados de 50 estrelas gigantessituadas no bojo da Galxia. A anlise destesdados permitiu-lhes determinar com grandepreciso a composio qumica destasestrelas, o que revela o enriquecimento domaterial interestelar na altura da sua prpriaformao. Ora, este enriquecimento dependeda formao estelar anterior, pelo que se torna possvel distinguir

    entre diferentes grupos de estrelas.A equipa de investigadores, comparando

    as abundncias de oxignio - produzidoprincipalmente na exploso de estrelas degrande massa e de vida curta, em explosesde supernova tipo II - com as abundnciasde ferro - produzido em grande parte emsupernovas tipo Ia, que nascem daacumulao de material em torno de umaan branca, num processo muito maisdemorado - nas estrelas estudadas,conseguiram mostrar que, para uma mesmaquantidade de ferro, as estrelas do bojopossuem muito mais oxignio que as estrelasno disco. Concluram assim que as estrelasdo bojo no se formaram no disco, migrandodepois para a parte central da Galxia, masque se formaram independentemente dasestrelas do disco e muito mais rapidamenteque estas ltimas.

    Os modelos tericos apontam para umbojo que se ter formado em menos de milmilhes de anos, muito provavelmenteatravs de uma srie de eventos de formaoestelar intensa, quando o Universo tinha

    apenas uma fraco da sua idade actual.

    abundncias medidas nas estrelas podem noreflectir o valor da abundncia de ltio inicial?

    Um estudo realizado por uma equipaeuropeia de astrofsicos parece ter dado agoraa resposta a esta questo. Os astrofsicosutilizaram o espectrgrafo FLAMES acopladoa um dos grandes telescpios do VLT (ESO)para obter espectros de estrelas do velhoenxame globular NGC6397. As estrelasobserv