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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LUCAS MELGAR BRAZ AS MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA Porto Alegre 2010
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As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

Jun 26, 2015

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Page 1: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

LUCAS MELGAR BRAZ

AS MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA

Porto Alegre 2010

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LUCAS MELGAR BRAZ

AS MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção da habilitação em Jornalismo, pela Faculdade de Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Orientadora: Mágda Cunha

Porto Alegre

2010

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LUCAS MELGAR BRAZ

AS MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA

Aprovada em _____ de ___________________ de ________.

BANCA EXAMINADORA:

_______________________________________

Prof. Mágda Cunha (Orientadora)

_______________________________________

Prof. André Pase

_______________________________________

Prof. Juan Domingues

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a meus pais, Antonio Luiz Braz e Mara Cecília

Chaubt Melgar, a mãe mais “mãe” do mundo. Ambos proporcionaram todas as

possibilidades para tornar possível esta monografia, com incentivo, conselhos,

carinho e o principal, educação. A Maria Geny Fontoura Souto, carinhosamente

chamada de Dadá, pelo jeito atrapalhado, porém sincero, de me apoiar durante

esta caminhada.

A minha filha Giovanna Braz, uma princesa responsável por uma

mudança radical em minha vida, dando ânimo suficiente para trabalhar, estudar

e ser feliz 25 horas por dia se fosse possível. A Thielle Wieliczko por, além de

aturar o meu mau humor, segurar a bronca de ser uma esposa e mãe

maravilhosa.

Aos meus irmãos, que não são poucos, que fazem do ambiente familiar

o principal lugar do mundo.

Ao meu compadre, Leandro Pizoni, vulgo Alemão, pelas dicas e ajuda

nas correções deste trabalho. A todos os meus amigos, responsáveis por

momentos de descontração muito necessários para conseguir tocar este

trabalho sem ficar estressado.

Ao Caju Freitas e Alexandre Esteves pelas entrevistas concedidas.

A professora Mágda Cunha, a qual orientou este trabalho com dicas,

conselhos, ensinamentos e “puxões de orelha” suficientes para não me deixar

perder o rumo. Ao professor Marques Leonan, pelo maior conselho que recebi

durante os quatro anos na PUCRS.

Finalizo esta parte agradecendo mais uma vez ao Cara. Sem dúvidas

meu pai é a pessoa mais incrível que existe. Um exemplo de humildade,

compaixão e perseverança, que levarei para toda a minha vida.

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RESUMO

O advento da internet possibilitou uma nova forma de comunicação.

Desta maneira, a sociedade criou uma independência na procura por conteúdo,

ou seja, pode escolher o assunto que deseja a qualquer momento, sem ter que

ficar fadado à programação dos veículos convencionais, jornal, rádio e

televisão. Logo após, surgiram as mídias sociais, que proporcionaram um leque

maior de possibilidades, facilitando ainda mais a busca do usuário por

informações e o principal, gerando interatividade.

Com isso, questões, como o MMA (Mistura de Artes Marciais, em

português), com pouca visibilidade na mídia tiveram uma nova alternativa. As

mídias sociais tornaram-se um veículo de comunicação e, em alguns casos,

fonte de informação com credibilidade.

Primeiro esta pesquisa analisou o MMA, desde os primórdios, passando

por uma evolução e confrontando com o preconceito da sociedade. Para

explicar a abordagem da mídia sobre este esporte, o trabalho verificou a

história do jornalismo esportivo e as dificuldades do mercado. A criação da

Web 2.0 e posteriormente o surgimento das Mídias Sociais também estão

presentes nesta pesquisa.

Esta monografia analisou quatro sites especialistas em MMA e

comprovou que a questão da interatividade, proposta através das mídias

sociais, ajudam a difundir este esporte. Esse novo caminho evidencia uma

possibilidade de a sociedade sanar suas dúvidas, publicar comentários e

acompanhar notícias sobre a mistura de artes marciais.

Palavras-chave: Jornalismo; mistura de artes marciais; mídias sociais;

esporte; interatividade.

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ABSTRACT

The advent of Internet has enabled a new form of communication. Thus,

society has created a demand for independence in the content, or you can

choose the subject you want at any time, without having to stay bound to the

lineup of conventional vehicles, newspaper, radio and television. Soon after

came the social media, which provided a wider range of possibilities, making it

even easier to search for user information and principal, creating interactivity.

Thus, issues such as the MMA (Mixed Martial Arts, in Portuguese), with

little visibility in the media had a new alternative. Social media has become a

vehicle for communication and, in some cases, a source of credible information.

First, this research analyzes the MMA since the beginning, going through

an evolution and confronting the prejudices of society. To explain the approach

to the media about this sport, the study examined the history of sports

journalism and the difficulties of the market. The creation of Web 2.0 and the

subsequent emergence of social media are also present in this research.

This monograph examined four sites in MMA experts and found that the

issue of interactivity proposed by social media, help to spread this sport. This

new route shows a possibility that the company answer certain questions, post

comments and follow the news about the mixed martial arts.

Keywords: Journalism; mixed martial arts, social media, sport;

interactivity.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Site de busca do Google................................................................38

Figura 2 - Twitter de Caju Freitas divulgando uma notícia de seu blog.....40

Figura 3 - Blog No Mundo das Lutas..............................................................41

Figura 4 - Comentários no blog No Mundo das Lutas..................................42

Figura 5 - Grupo no Facebook da revista Tatame.........................................43

Figura 6 - Postagem no twitter da revista tatame..........................................44

Figura 7 - Twitter da Revista Tatame realizando transmissão em tempo real sobre evento de luta.........................................................................................46

Figura 8 - Twitter da Revista Tatame divulgando texto sobre a luta............47

Figura 9 - Site da Tatame divulgando, em tempo real, notícias sobre os eventos de luta..................................................................................................48

Figura 10 - Comunidade no Orkut do Portal do Vale Tudo...........................50

Figura 11 - Enquetes na comunidade do Portal do Vale Tudo no Orkut....50

Figura 12 - Opções de voto na comunidade do Orkut do Portal do Vale Tudo..................................................................................................................51

Figura 13 - Resultado de enquete na comunidade do Portal do Vale Tudo no Orkut............................................................................................................52

Figura 14 - Vídeo no Youtube postado pelo Porto do Vale Tudo................53

Figura 15 - Blog da Paula Sack no site do Canal Combate.........................54

Figura 16 - Twitter do Canal Combate...........................................................55

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..........................................................................................9

2 MMA (MISTURA DE ARTES MARCIAIS)..............................................11

2.1 A EVOLUÇÃO.........................................................................................14

3 JORNALISMO ESPORTIVO..................................................................23

3.1 O MERCADO..........................................................................................27

3.2 PRECONCEITO......................................................................................29

4 MÍDIAS SOCIAIS....................................................................................31

5 MÍDIAS SOCIAIS COMO FONTE DE INFORMAÇÃO...........................37

5.1 CLICRBS................................................................................................39

5.2 REVISTA TATAME.................................................................................43

5.3 PORTAL DO VALE TUDO......................................................................49

5.4 CANAL COMBATE..................................................................................53

5.5 MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA..........................................56

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................58

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................60

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1. INTRODUÇÃO

Não é de hoje que a tecnologia ajuda no crescimento do esporte como

um todo. Desde a criação de novos equipamentos para a prática de uma

determinada modalidade até os novos softwares que mostram dados quase

impossíveis de serem vistos a olho nu. O que se vê agora são novas

plataformas de comunicação, novos meios de se encontrar informações sobre

assuntos muito específicos. Antes ficávamos dependentes do que a televisão

ou o rádio iriam transmitir, ou o que o jornal iria publicar. Com a internet, temos

condições de escolher qual o assunto que queremos ver, ouvir ou até mesmo

produzir. Com uma gama enorme de ferramentas, a internet domina cada vez

mais o mercado. Quem se vê embalado por esse crescimento é o MMA

(Mistura de Artes Marciais, em português) que, através das mídias sociais, tem

uma possibilidade maior de chegar ao grande público.

Marcado pelo preconceito, o MMA é um esporte que busca espaço na

mídia, como qualquer outro. O detalhe é que muitos leigos no assunto o vêem

como um meio de praticar vandalismo e não fazem questão de se

aprofundarem no assunto. Com o advento das mídias sociais, a grande

interação e instantaneidade do serviço fizeram com que hoje surgisse uma via

de duas mãos, entre emissor e receptor, facilitando a comunicação. Analisar

como isso funciona, através da Web 2.0, é o norte desse estudo. Verificar se

há espaço para o MMA no jornalismo esportivo também é uma questão que

deverá ser respondida.

Para isso, serão analisados casos de jornalistas e sites institucionais de

MMA que utilizam a ferramenta com foco nesse esporte. Assim como uma

pesquisa bibliográfica sobre temas que tenham relevância e algum tipo de

ligação com o jornalismo esportivo realizado na Internet. Esta pesquisa será

divida em cinco capítulos e buscará entender as mídias sociais não só como

mais um meio de comunicação, mas sim como uma das principais fontes de

informação sobre MMA.

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O primeiro capítulo tratará a questão do MMA, como surgiu e se

desenvolveu, qual a sua importância dentro do esporte e como é visto

atualmente. A segunda parte apresentará questões ligadas ao jornalismo

esportivo com uma exploração maior ao futebol, que foi um dos responsáveis

pelo crescimento da carreira. O preconceito ao esporte tema deste trabalho e o

jornalismo esportivo também aparecerão neste capítulo. O terceiro tópico será

responsável por verificar o surgimento e desenvolvimento das mídias sociais. E

por fim, o quarto capítulo trará uma análise das mídias sociais servindo como

fonte de informação em benefício das artes marciais mistas, que é o foco

principal desta pesquisa.

Será preciso entender sobre Web 2.0, interação na internet, a

importância das mídias sociais e por que elas atraem todos os dias mais

usuários; faremos ainda um amplo estudo sobre o jornalismo esportivo no

Brasil para analisar o amplo espaço dado, pela mídia, para o futebol e,

consequentemente, a falta de importância dada à Luta Livre.

O objetivo desta pesquisa é analisar o comportamento das pessoas

ligadas ao MMA junto a esta ferramenta de comunicação. Por que usá-la? É

realmente essencial para o MMA? De que maneira podemos utilizá-la como

fonte de informação sobre MMA? Ela pode ajudar a quebrar o preconceito que

ainda existe sobre este esporte? Respondidas estas questões, elas poderão vir

a modificar a maneira de pensar sobre este esporte, que tem brasileiros tão

aclamados no exterior e tão comuns, ou, até mesmo, desconhecidos no Brasil.

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2. MMA

Karatê, judô, capoeira, kung fu, jiu-jitsu, boxe, taekwondo e muay thai.

Estes são alguns dos muitos estilos de luta que formam o MMA (Mistura de

Artes Marciais, em português), uma variedade incrível de técnicas de combate

e habilidades distintas.

Os eventos que deram início ao MMA são de 648 a.C. e tiveram seu

início na Grécia. O pankration, criado pelos gregos, é a união de duas palavras

gregas: pan, quer dizer tudo ou vários, e kratos, que significa força. Este

esporte, que era o mix de boxe e wrestling, não levou muito tempo para se

tornar o evento mais popular dos jogos olímpicos. É o primeiro registro da

existência de algo semelhante ao MMA.

A queda do pankration se deu no momento de ascensão do Império

Romano. A mistura de lutas perdeu popularidade, cedendo lugar para outros

esportes, como o boxe e o wrestling, que tinham mais fama no Ocidente.

Em 1925 as lutas que misturavam diferentes artes marciais retornaram

ao cenário mundial graças a uma família de brasileiros. Pode-se dizer que a

história do moderno MMA está muito ligada à trajetória da família Gracie.

Carlos Gracie aprendeu judô com o mestre Mitsuyo Maeda, um japonês que

morava próximo a sua casa. Com o passar do tempo Carlos passou o

aprendizado a seus irmãos e depois foi adaptando as regras e golpes do

mesmo, criando então o jiu-jítsu brasileiro, conhecido como a modalidade mais

forte dentro do jiu-jítsu.

Não demorou muito e Carlos abriu uma academia no Rio de Janeiro. O

objetivo era chamar a atenção para a mesma, por isso, ele criou o “Gracie

Challenge”, para desafiar outros lutadores adeptos de qualquer outra arte

marcial. Estes confrontos serviam para que os Gracies divulgassem a sua arte,

provando que podiam derrotar qualquer adversário, sem importar qual a luta

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que praticasse. Os desafios ficaram, posteriormente, conhecidos como Vale

Tudo.

A escritora Reila Gracie comenta em seu livro “Carlos Gracie: o criador

de uma dinastia” sobre as lutas de seu pai ainda nos primórdios da luta livre.

As lutas nessa época eram muito desorganizadas, porque tudo era feito de improviso. Esse tipo de confronto ainda não era chamado de vale-tudo, mas, na prática, era mais brutal do que os que ocorrem hoje em dia. Até então, o que se via eram lutas esportivas de boxe e de outras modalidades, regidas por regras específicas que restringiam a variação de golpes. (GRACIE, 2008, p.72)

Aos poucos os combates ganharam uma notoriedade tal que

começaram a ser realizadas em estádios de futebol. O objetivo era provar que

qualquer adversário poderia ser derrotado, através do novo estilo, não

importando o seu porte físico. A investida dos Gracies deu tamanho resultado

que logo conseguiram levar a sua arte para os Estados Unidos, onde

montaram uma academia e passaram a ensinar o jiu-jítsu brasileiro.

Para explicar melhor o que acontece numa luta de vale-tudo,

especialmente aquelas de alto nível, uso a descrição do jornalista José

Amádio, em seu livro: “Hélio Gracie, um super-homem brasileiro”:

Dois homens, olhos nos olhos, transpirações frias e ácidas se misturando, ódio disciplinado contra ódio disciplinado. Ódio, sim. Nunca a raiva burra. A raiva é o maior inimigo de um lutador na arena. Com raiva ele briga! Não luta. E dessa raiva quase sempre se aproveita o adversário. Não obstante a platéia estar urrando, um silêncio penetrante envolve os lutadores. Um duelo de intenções que deve, de parte a parte, ser preciso. Já disse: um gesto em falso, um passo em falso... e pode ser o fim. (AMÁDIO, 1987, p.39)

O primeiro encontro entre um boxeador e um wrestler nos Estados

Unidos aconteceu em 1887, quando, o então pugilista campeão mundial dos

pesos pesados, John L. Sullivan, entrou no ringue com seu instrutor de luta

greco-romana, o campeão William Muldoon, e foi levado à lona em dois

minutos.

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Com o passar dos anos surgiram mais nomes importantes para a

história do esporte; estes, por sua vez, trataram de popularizar as artes

marciais mistas, que, pelo forte nível de contato físico, gerado durante a prática

das lutas, foram vistas como algo brutal e não como um esporte propriamente

dito; de fato havia e ainda há muito preconceito sobre o MMA, mas falaremos

mais sobre este preconceito em outro tópico desta pesquisa.

No final dos anos 1960 e início dos 1970, o ator e instrutor de artes

marciais, Bruce Lee, por meio de seu sistema de filosofia Jeet Kune Do,

acreditava que o melhor lutador não era um boxeador, judoca ou karateca, mas

aquele que conseguisse se adaptar a qualquer estilo, criando assim um estilo

próprio de luta. Em 2004 o presidente do Ultimate Fighting Championship

(UFC), Dana White, chamou Lee de “o pai das artes marciais mistas”. Hoje Lee

é conhecido como “o pai da moderna mistura de artes marciais”.

Em 1993 aconteceu o primeiro Ultimate Fighting Championship,

vendendo 86 mil cotas de per-pay-view já na primeira edição. Na terceira

edição do evento o número de cotas vendidas pulou para 300 mil.

Royce Gracie foi o grande nome da família de lutadores no UFC. Com

suas vitórias rápidas, sobre adversários mais pesados e mais fortes, divulgava

o nome de sua família pelo mundo todo.

Royce reafirmava para os americanos a soberania do clã Gracie, e suas vitórias eram exibidas não só para os americanos, como também para os telespectadores do mundo todo através das transmissões via satélite. Para avaliar o sucesso do Ultimate, basta dizer que a revista Forbes, a bíblia dos negócios na América do Norte, classificou o evento como “o programa de pay-per-view que teve crescimento mais rápido na história da televisão americana”. (GRACIE, 2008, p. 534).

Nos primeiros eventos do UFC havia poucas regras, não tendo divisão

de peso, limite de tempo ou qualquer equipamento de segurança. O combate

acontecia numa gaiola octogonal, chamada mundialmente de “The Octagon”. A

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partir de então o UFC teve grande evolução e atualmente é, com certeza, um

dos maiores acontecimentos da modalidade.

Geralmente os lutadores disputam eventos de menor expressão durante

cerca de cinco anos para poder então começar a competir em eventos maiores,

como o UFC, o Strike Force e o K-1.

A mistura de artes marciais é hoje um esporte de alta performance, sem

contar que é um verdadeiro show de entretenimento. As barreiras existem, mas

apenas dentro dos ringues. Fora da luta, não existe limite para a quantidade de

fãs deste esporte, que aumentam a cada ano que passa.

Como outro segmento qualquer, o vale-tudo se aperfeiçoou e hoje é um espetáculo. Cotas de patrocínio, produtos licenciados, atletas de confederações profissionais, arrecadações milionárias em pay-per-view e o que é melhor: milhões de apaixonados em todo o planeta. (Site ABC do esporte: http://abcdoesporte.wordpress.com/2010/04/24/mma-o-esporte-que-mais-cresce-em-todo-o-mundo/ acessado em 13/09/2010).

Atualmente os brasileiros são os mais temidos no mundo do vale-tudo.

No UFC, o país canarinho é dono de dois cinturões. Anderson Silva é o dono

do cinturão dos médios e Maurício Shogun Rua é o campeão entre os meio-

pesados. O detentor do cinturão dos médios é considerado uma unanimidade

dentro do MMA, sendo também tido como o melhor lutador, peso por peso, do

vale-tudo mundial. Anderson recebeu no ano de 2008 o prêmio de “Homem

mais perigoso do mundo”. Hoje em dia, os principais nomes brasileiros dentro

desta mistura de artes marciais são: Rodrigo Minotauro e Wanderlei Silva,

campeões do extinto Pride (o evento foi comprado pelo UFC em 2007), Junior

dos Santos “Cigano”, principal nome entre os pesos-pesados, dentro do UFC,

Lyoto Machida, ex-campeão do UFC, Anderson Silva, campeão do UFC,

Fabrício Werdum, campeão do Strike Force, Maurício Shogun Rua, campeão

do UFC e José Aldo, campeão do WEC.

2.1 A EVOLUÇÃO

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De acordo com o site especializado em Vale-Tudo, Brazil MMA, este

esporte é reconhecido como uma modalidade de luta onde é possível entender

que os praticantes não precisam necessariamente seguir um estilo específico

de arte marcial. O MMA, confirmando a filosofia adotada por Bruce Lee,

possibilita ao praticante utilizar qualquer golpe ou técnica das mais diferentes

artes marciais como o boxe, jiu-jítsu, caratê, judô, muay thai, entre outras,

construindo assim um estilo próprio de luta.

O esporte está em constante evolução, atingindo a profissionalização, e

suas regras também acompanham esse crescimento, ficando cada vez mais

rígidas. Toda essa evolução tem um objetivo, que é a preservação, cada vez

maior, da integridade física dos lutadores. Esta preservação da integridade dos

atletas, também ajuda, e muito, na venda de um produto mais aceitável e

civilizado para o público.

Atualmente, as competições de MMA estão adotando alguns critérios

para conseguir dosar o ímpeto dos lutadores; as principais regras são: divisão

de categorias por peso, obrigatoriedade em utilizar luvas, protetor (genital e

bucal), a possibilidade do árbitro interromper o combate caso o atleta não

consiga responder mais aos golpes, proibição de golpes baixos (cabeçadas e

cotoveladas), nem golpes que tenham intenção de furar os olhos do adversário,

vedação para golpes que acertem a nuca ou as costas dos adversários, e, em

alguns eventos, não é permitido chutar o adversário quando ele está no chão.

O nocaute pode ocorrer através de diferentes situações, sendo terminado o

combate quando um dos lutadores não conseguir mais se defender dos golpes

desferidos contra ele, ou quando o lutador bater no tatame indicando que não

suporta mais os golpes de seu oponente (normalmente uma chave), ou ainda

quando não tiver mais condições de prosseguir na luta; existem também casos

onde o treinador joga a toalha no ringue, quando o lutador desmaia, ou o juiz

de arena decide que este não pode mais continuar.

Quando o lutador começar a sangrar, o combate deve ser

imediatamente interrompido por alguns minutos, a fim de que haja atendimento

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médico; se o ferimento não estancar, a disputa será encerrada; quando o

lutador violar intencionalmente as regras acima listadas caberá ao juiz central a

decisão pelo final. No caso de esgotar o tempo pré-determinado para a luta, a

decisão ficará pra os jurados, que definirão entre decretar o empate ou

prorrogar o tempo, acrescentando um round extra.

Com essa evolução das regras, esse esporte atingiu crescimento

compatível com outras modalidades. No Brasil os números do MMA

impressionam. Existem sites profissionais jornalísticos, como o Premiere

Combate, lojas virtuais com vendas específicas de produtos voltados ao mundo

das lutas. Dentro destes sites é possível encontrar fóruns mantidos pelos

usuários que trocam informações e difundem o esporte. Os valores

arrecadados com a compra do pay-per-view de grandes torneios são imensos,

assim como a venda dos ingressos.

A modalidade acompanha o movimento observado em esportes mais

estabelecidos, que buscam, cada vez mais, se popularizar, aumentando assim

seus ganhos financeiros e conseqüentemente criando uma maior exposição na

mídia, que se empenha no aprimoramento da divulgação dos eventos e criação

de ídolos, ou seja, o processo de espetacularização do esporte.

Os esportes que não se adaptarem à televisão estarão fadados ao desaparecimento; da mesma forma, as televisões que não souberem buscar o acesso aos programas esportivos jamais conseguirão sucesso financeiro e de público. (NUZZMAN, 1996, apud PIRES, 2002: 92).

Falando especificamente de MMA, pose-se dizer que este não possui

uma entidade institucional com uma estrutura unificada a nível mundial, assim

como as tradicionais federações de futebol (FIFA), basquetebol (FIBA), voleibol

(FIVB) entre outras instituições do mesmo gênero. A sua organização é similar

a do boxe profissional que possui mais de uma instituição de nível mundial,

cada uma delas apresenta um ranking de competidores, campeões específicos

e com um padrão no que diz respeito à divisão de categorias por peso.

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No MMA existem organizações, mas, estas por sua vez atuam como

promotoras de eventos com seus lutadores. Atualmente temos o UFC (Ultimate

Fighting Championship), seguido pelo K-1, Dream, Strike Force, WEC, entre

outros que estão na lista dos mais importantes do mundo da modalidade, além

de organizações de menor expressão. Dentre esses é reconhecido que o UFC

é o maior evento realizado no mundo.

Para ajudar a divulgar, não só a marca do Ultimate Fighting, mas,

também o MMA, a organização dos irmãos Fertitta e do empresário Dana

White criou a UFC Fan Expo, em 2009. Com o mercado em ebulição na

América do Norte, a inauguração do evento contou com mais de 125 mil fãs,

que estiveram no hotel Mandalay Bay, onde funciona um dos maiores cassinos

de Las Vegas, para conhecer um pouco mais dos lutadores e bastidores do

mundo do MMA. Outra jogada de marketing do UFC para expandir o MMA pelo

mundo foi a criação de um reality show, onde os dois finalistas tem direito a um

contrato com o evento.

O reality show “The Ultimate Fighter” estreou no Spike TV em 18 de janeiro de 2005, com 16 lutadores aspirantes, competindo por dois contratos no UFC. Devido à grande audiência, o reality show foi um dos responsáveis pela ascensão meteórica do MMA nos Estados Unidos. (Site Brasil Combate http://www.brasilcombate.com.br/wec-planeja-reality-show-em-2009 acessado em 11/09/2010)

Esse processo pelo qual passou para se tornar referência dentro do

mundo do MMA fez o UFC sofrer algumas transformações que se confundem

em parte com a história e evolução da modalidade durante a década de 90 até

os dias de hoje. Essa organização foi uma das primeiras a começar a

estabelecer uma uniformização das regras e das categorias divididas por peso.

Logo no início os eventos tinham um bom incentivo comercial por parte

da TV, mas depois de algum tempo de glória o esporte caiu demais. Por ser

tratado como um esporte muito violento, por parte do grande público,

recebendo criticas inclusive de políticos. Essas pressões políticas levaram o

UFC à sua decadência e o evento teve de se reformular, de maneira muito

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lenta foram criadas algumas regras mais restritas e o evento começou a ser

sancionado por comissões atléticas, e ganhando o selo de um esporte legítimo.

Abandonando o slogan “there are no rules” (não há regras) e dando início ao

cartaz de Mixed Martial Arts, a organização UFC ressurgiu de seu isolamento

para se tornar mais socialmente aceitável, recuperando sua posição na

televisão a cabo.

Além disso, o colunista Gleidson Venga aponta que a violência contida

nas lutas dos eventos contribuía para o declínio:

Os motivos são vários, sendo o principal, sem dúvidas, o argumento de que o esporte é bárbaro e violento. Não há dúvidas a respeito de certa violência inerente ao esporte, pois qualquer arte marcial tem, em sua essência, a busca pela superação do oponente por meio da técnica aliada à força, o que geralmente resulta em machucados físicos. (VENGA. http://portaldovaletudo.uol.com.br/site/interna.php?id=60 acessado em 13/05/2010)

Com o isso, pode-se ver que o MMA atravessa uma fase de

desportivização, no qual existe a cautela em institucionalizar várias regras, nas

quais a divisão da lutas por assaltos cronometrados, a separação dos lutadores

por peso, a interrupção da luta quando o árbitro percebe que um dos lutadores

não tem mais condições de prosseguir, a declaração de um vencedor por

pontos, e a proibição de certos golpes.

As regras se aplicam e civilizam o esporte seja qual for sua natureza,

para Elias Norbert, o desporto (1992, p. 230) apud. Fábio Pellanda, “realiza-se

de acordo com regras conhecidas, que definem os limites da violência que são

autorizados, incluídos aqueles que definem se a forca física pode ser

totalmente aplicada”.

Então notamos que a modalidade visando adaptar-se a uma idéia

contida em outros esportes, busca ser extremamente organizada e

institucionalizada em suas regras, com sua evolução constante para restringir

os tipos de violência praticados durante o combate.

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Como relatei no início desta pesquisa, é possível buscar na antiguidade

a origem desses tipos de lutas, o pankration é um desses exemplos, essa luta

era uma espécie de vale-tudo, mas muito mais violenta, Elias (1992, p. 201)

apud. Pellanda, afirma que um dos lutadores “obteve suas vitorias não por

derrubar seus adversários e sim por lhes partir os dedos”. Se analisarmos o

MMA comparando com as formas de lutas da antiguidade se tem a noção de

que hoje o esporte está mais civilizado.

Elias (1992, p. 202) apud. Pellanda, exemplifica também outras

variações de lutas além do pankration, com modelos mais recentes como do

século XIX, com o início do pugilismo atual:

Tal como o tipo de luta do pancrácio, era muito menos limitado por regras, e por essa razão dependia em grau mais elevado da força física, da forca espontânea, da paixão e da resistência, do que do boxe. Não existiam distinções entre diferentes classes de pugilistas. (ELIAS, 1992, p. 202 apud. PELLANDA.)

Sobre essa afirmação, havia a preocupação de que o MMA crescesse

em comparação aos esportes que foram parecidos em outras épocas, e em

relação aos primeiros eventos comercializados no início da década de 90. Com

isso podemos ver algumas características que tornam o esporte mais civilizado

na direção da desportivização para que a modalidade tivesse nas suas lutas, o

máximo de equilíbrio entre os oponentes com a divisão dos atletas por

categoria e por ranking.

O MMA está na busca de um melhor desenvolvimento para o esporte,

pois, como diz Elias (1992, p. 231) apud. Pellanda, “o fato de ter atingido a sua

forma amadurecida, ou aquilo que se lhe pretenda chamar, não significa que

todo seu desenvolvimento social terminou; significa apenas, que esse encetou

outro estagio”.

Seria errado afirmar que o MMA alcançou o auge do seu

desenvolvimento, mas, com certeza, dentro do seu desenvolvimento social, a

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20

evolução das regras faz com que ele esteja num nível mais civilizado, pois

como já foi descrito, nas primeiras edições do UFC praticamente não existiam

regras e nem divisão por pesos, sem contar que a luta não tinha um tempo

estabelecido para o seu final. Então por pressões políticas, (entre eles o

candidato derrotado a presidência dos Estados Unidos, John McCain, onde ele

criticava e fazia campanha contra o MMA, devido a sua campanha ser

financiada por empresários ligados ao Boxe), que baniram o evento de alguns

estados, e queda na comercialização do evento pelo publico devido a violência

sem limites, iniciou-se processo de institucionalização das regras, que

auxiliaram na civilização do evento.

Toda a mistura de artes marciais sofreu com o fato de os combates não

terem regras, porque isso acabava afastando o público, que gosta de luta, dos

eventos. Elias alerta para a situação de que o interesse dos participantes e dos

expectadores é pela tensão e excitação, pelo resultado, mas, o seu em

demasia fazer com que haja repugnância, fato observado nos primeiros

eventos, e que fez com que surgissem algumas pressões políticas sobre o

evento.

É claro que este esporte tem como característica o combate entre duas

pessoas ou equipes, e não somente o equilíbrio entre os competidores, mas,

este equilíbrio, entre a emoção e a repugnância, passa a ser mais importante

para que se possa prender o interesse dos participantes e dos espectadores no

evento.

O crescimento do interesse do público sobre as lutas que misturam as

artes marciais tem uma explicação. Recentemente, o MMA deixou de ter um

único espaço para aparecer na televisão. Antes, no Brasil, o esporte era

abordado apenas pelo Combate, canal em sistema pay-per-view na Globosat.

Em agosto de 2008, passou a ser a principal atração do programa de lutas

"Sensei", exibido pelo Sportv aos sábados, à meia-noite. Em junho passado,

começou a ter destaque também no "UFC sem limites", que a RedeTV!, único

canal da televisão aberta que transmite vale-tudo, passa aos sábados, às

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21

23h30. Em vez das transmissões ao vivo, exclusivas do pay-per-view, as

atrações mostram reportagens e perfis de atletas.

Esta expansão do esporte, juntamente com a evolução das regras,

dentro do MMA fez com que o público tivesse mais conhecimento sobre o

esporte, conseguindo assim ter mais propriedade para analisar o que de fato

acontece nas lutas de vale-tudo. Só que é claro que apenas um canal aberto

de televisão, com um único programa não consegue divulgar suficientemente

um tema tão polêmico como o MMA.

O vale-tudo é uma modalidade de esporte que sofre muito com o

preconceito. Considerado um esporte violento, por ser livre em seus ataques e

defesas, já que abrange todas as lutas marciais, desde boxe até jiu-jitsu o MMA

passa por um processo de reformulação. Por causa do preconceito, apenas os

principais campeonatos são televisionados e divulgados, o UFC e o Strike

Force e alguns campeonatos nacionais que passam apenas no Combate. No

último mês de abril foi divulgada uma matéria sobre o deputado de José Mentor

(PT – SP) que propõe através de um projeto de lei a proibição da exibição das

lutas na televisão, alegando que os combates são uma violência gratuita.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5534/09, do deputado José Mentor (PT-SP), que proíbe a transmissão de lutas marciais não olímpicas pelas emissoras de televisão do País. Segundo a proposta, lutas marciais são todas as práticas de combates físicos pessoais. (Site da câmara dos deputados http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/COMUNICACAO/144251-PROJETO-PROIBE-TRANSMISSAO-DE-LUTAS-MARCIAIS-VIOLENTAS-PELA-TV.html acessado em 13/09/2010)

Com isso o único canal ainda livre para ter acesso a informações sobre

MMA são as mídias sociais. Através de discussões em blogs, comunidades do

Orkut, grupos no Facebook, ou pelo twitter é que o esporte consegue ter uma

maior visibilidade, já que nessas ferramentas podemos suprir a falta de espaço

dada nos outros veículos.

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Em entrevista ao site congressoemfoco.uol.com.br, o faixa-preta de jiu-jítsu, praticante de mauy thai e entusiasta dos esportes de combate, senador Arthur Virgílio (líder do PSDB-AM) manifestou sua opinião em relação a este projeto de lei:

Além de ser esporte, [o MMA] é indústria do entretenimento, dá emprego para preparadores, a treinadores de atletas de todas as modalidades, bolsas para atletas em todo o mundo. É um esporte praticado por pessoas preparadas, que têm o queixo duro, e que já têm regras mais humanas, que priorizam a técnica. Não há notícia de gente que teve sequela por ter praticado vale-tudo. (Site Congresso em foco http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=32357 acessado em 12/10/2010).

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23

3. JORNALISMO ESPORTIVO O preconceito com o esporte das artes marciais mistas já não é

nenhuma novidade, uma vez que praticamente todas as novas são vistas

sempre com uma resistência por parte da sociedade. Com o jornalismo

esportivo não foi diferente. Mesmo que nos dias de hoje ainda exista, dentro

das redações, uma vista grossa sobre o jornalismo esportivo, o preconceito já

diminui bastante.

Mesmo o futebol, tão aclamado pelo povo brasileiro, o esporte número

um da nação verde e amarelo sofreu críticas pesadas sobre a sua cobertura no

início.

“Futebol não pega, tenho certeza: estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho.” Provavelmente nenhum palpite de comentaristas antes da Copa do Mundo de 2002 foi tão furado quanto o do escritor Graciliano Ramos, no início do século XX. Graciliano parecia convencido de que o jogo dos ingleses não iria conquistar adeptos no Brasil. Talvez o maior engano da história do esporte brasileiro. (COELHO, 2003, p. 7)

Como é possível constatar na citação acima, até mesmos os grandes se

enganaram em relação ao esporte, tudo em função do preconceito. E foi em

meio a todo esse prejulgamento que surgiram as primeiras coberturas

jornalísticas sobre o esporte, nesse caso o futebol com maior destaque, mas é

bom deixar claro que futebol não é sinônimo de jornalismo esportivo. Nos

primeiros anos, pouca gente acreditava que o esporte fosse suficientemente

importante para ter assuntos que estampassem manchetes. De modo geral, o

que se pensava era que, até mesmo o remo, esporte mais popular no início das

coberturas esportivas, jamais marcaria presença nas primeiras páginas de um

jornal. Afinal, como poderia um gol, uma vitória de um clube ou um jogador

premiado ser mais importante do que uma decisão sobre a vida política de um

País? Na verdade não poderia.

Durante todo o século passado, dirigir redação esportiva queria dizer tourear a realidade. Lutar contra o preconceito de que só

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os de menor poder aquisitivo poderiam tornar-se leitores desse tipo de diário. O preconceito não era infundado, o que tornava a luta ainda mais inglória. De fato, menor poder aquisitivo significava também menor poder cultural e conseqüentemente ler não constava de nenhuma lista de prioridades. E se o futebol – como os demais esportes – dela fizesse parte, seria necessário ao apaixonado ir ao estádio, isto é, ter menos dinheiro para comprar boas publicações sobre o assunto. (COELHO, 2003, p. 9)

Apesar de todo este preconceito, o jornalismo esportivo foi um dos

primeiros gêneros a se firmar no rádio e até hoje atinge um posto de grande

destaque.

Em 1931, a radiodifusão no Brasil não havia se consolidado, pois tinha somente nove anos. O veículo de comunicação ainda parecia uma novidade exótica e mal começara a procura de uma linguagem própria do meio. Predominavam a improvisação e o amadorismo. Grande parte do noticiário no rádio dependia da tesoura, ou seja, os locutores liam na íntegra e comentavam textos recortados do jornal. (SOARES, 1994, p. 17)

O radiojornalismo impulsionou a cobertura sobre esportes no país,

mesmo que no início fossem proibidas as transmissões, pois os clubes ficavam

com receio de que as vendas na bilheteria fossem afetadas, diminuindo o fluxo

de torcedores no estádio. Edileuza Soares acrescenta que “a agilidade do rádio

em incorporar novas técnicas e tecnologias foi determinante na sua influência

no desenvolvimento da radiodifusão.”

Em 1930 a mídia impressa começou a divulgar informações esportivas,

mas, segundo Paulo Vinicius Coelho, 2003, nessa época, mesmo os veículos

de informação e os esportes praticados eram elitistas. O crescimento do

esporte com os meios de comunicação teve um crescimento notável com a

ligação do futebol com o rádio. Isto aconteceu em meio às décadas de 40 e 50.

Depois o rádio de pilha tornou-se o parceiro dos torcedores nos estádios, para

ficarem informados dos lances a todo o instante. Essa massificação do rádio na

cobertura de esportes possibilitou que surgisse um universo jornalístico

diferenciado, com gírias, jargões, termos mais comuns. O “nascimento” da

televisão em meados da década de 1950 criou outra transformação relevante

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no jornalismo esportivo, por que juntou as narrações criativas do rádio com os

recursos visuais, além de unir aspectos de mercado, como o patrocinador e o

marketing esportivo.

O esporte e a televisão estão muito ligados. Ambos afetam diretamente

a sociedade. Mesmo que haja um espaço privilegiado na mídia, o jornalismo

esportivo ainda é pouco analisado. Entretanto, é muito importante destacar o

papel da imprensa esportiva atuando na inovação da linguagem jornalística e

na conquista relevante da audiência.

O esporte proporciona uma grande emoção e consegue uma

identificação entre os que praticam e os que observam. Tudo isso graças ao

show proposto pelos narradores.

Parte do show está lá. O brilho individual dos jogadores, a disputa tática entre os técnicos, os gritos da torcida, quando ela existe. Tudo isso está lá. Assim como estão o mau estado do gramado, o erro do árbitro, a atuação bizarra de um jogador. Todos os elementos para construir uma boa matéria jornalística estão ali, à disposição das câmeras, dos locutores, dos comentaristas e repórteres. É só usar o microfone e salientar o que há de bom e mostrar o que há de ruim. (COELHO, 2003, p.64)

Os telespectadores acabam contagiados pelas imagens proporcionadas

pelo esporte. Em competições de maior grau, como, por exemplo, a Copa do

Mundo e Olimpíadas, esse tipo de espetáculo fica mais evidente. Pois, a partir

deste ponto quem passa a competir é o país e isso faz com que se crie uma

identificação do espectador.

Não há dúvida de que o futebol é o esporte mais popular do mundo. São bilhões de torcedores (e praticamente não profissionais) em todo o planeta. O evento esportivo mais lucrativo e esperado do mundo é a Copa do Mundo, ocorrida de quatro em quatro anos e acompanhada por mais da metade da população mundial, movimentando, anualmente, quantias imensuráveis de dólares, devido não só aos contratos televisivos e patrocínios, mas também à transação de jogadores. (VARGAS, 2006, pg.60)

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Por isso que o esporte é um dos negócios de maior movimentação de

recursos no mundo todo, então, consequentemente, impossibilita o fato de ser

visto como uma atividade sem nenhum tipo de interesse. Pelo fato de ser um

negócio que gera muito lucro, a mídia brasileira apropria-se de uma maneira

que afeta de maneira drástica na sua realização, como: o horário em que as

partidas serão realizadas depende da programação televisiva. Tanto que os

horários de transmissão, pela Globo, dos jogos do Campeonato Brasileiro,

geralmente iniciam às 21h45, ou seja, depois da novela das oito, interferindo na

ida dos torcedores ao estádio e o desempenho dos jogadores, que precisam se

sujeitar a trabalhar em horários inapropriados e que afetam o condicionamento

físico do atleta. A televisão chegou a modificar as regras de alguns esportes.

Um exemplo é a natação, as piscinas olímpicas, de 50 metros, passaram para

piscinas semi-olímpicas, de 25 metros, para disputa se tornar mais visível para

o telespectador.

Mesmo com um crescimento, a quantidade de modalidades esportivas

que passam na televisão diminui cada vez mais, menos os grandes eventos

como as Olimpíadas ou os jogos Pan Americanos. Os veículos que cobrem

esportes tratam, quase que com exclusividade de futebol. Está claro o

importante papel do futebol no Brasil, um esporte que representa e comove

multidões, mas existem outras muitas atividades esportivas no nosso país sem

nenhum ou com um mínimo espaço na mídia nacional.

A relevância da imprensa que trabalhava em prol do esporte começou

no ano de 1910, na cidade de São Paulo, quando havia espaço de divulgação

para esportes no jornal Fanfulla. Não era exatamente um periódico voltado

para as elites, nem mesmo formava opinião, mas atingia um público cada vez

mais numeroso na cidade de São Paulo daquela época, principalmente nas

região de colônia italiana. Um aviso não muito pretensioso de uma das edições

chamava-os a fundar um clube de futebol. Foi assim que nasceu o Palestra

Itália, que se tornaria Palmeiras décadas mais tarde.

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Mesmo hoje em dia a principal fonte de consulta sobre os arquivos do

Palmeiras é o jornal A Fanfulla, desde as primeiras décadas do futebol

brasileiro. Mesmo que o esporte ainda não tivesse grande impacto, sem

arrastar multidões para os estádios, nem coisas parecidas, o jornal trazia

relatos de páginas inteiras sobre futebol. Não existia o que se chama

atualmente de jornalismo esportivo, mas, se não fossem aqueles relatos não

saberíamos algumas coisas, como quando e onde foi o primeiro jogo do antigo

Palestra, nem do Corinthians, nem do Santos e nem que o Flamengo nasceu

para o futebol em 1911, apesar de o clube ter sido fundado 16 anos antes, para

a prática do remo.

3.1 O MERCADO

Apesar de todas estas barreiras as revistas e jornais esportivos foram

surgindo, mesmo que desaparecessem logo em seguida. No Rio de Janeiro, a

Revista do Esporte passou por bons momentos entre o final da década de 1950

até o início dos anos 60. Registrou o começo da carreira avassaladora de Pelé,

o Brasil ganhar títulos mundiais, viu o futebol, seu carro-chefe, viver momentos

gloriosos, mas, nem com todos esses acontecimentos a revista sobreviveu as

adversidades.

Escrever sobre gols, cestas, cortadas, diretos e cruzados nunca era

prioridade, nem mesmo no Brasil, dito país do futebol, que só teria revista

esportiva com vida regular nos anos 70. A Itália, por exemplo, lançou o seu

primeiro exemplar dedicado exclusivamente ao esporte em 1927.

O início do ano 2000 foi promissor para o jornalismo esportivo. A

internet, em franca ascensão, dava realce a sites dos mais variados assuntos,

tirando gente das redações mais importantes do país, profissionais qualificados

e com anos de experiência no mercado de trabalho, dando início assim a um

mercado em potencial no ramo do jornalismo esportivo.

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Mas, como historicamente aconteceu no jornalismo esportivo, o

processo de crescimento foi lento e delicado. Muitos bons profissionais, que

abandonaram as redações acreditando que os altos salários seriam

duradouros, quebraram a cara; não conseguiram mais retornar às antigas

redações, que substituíram jornalistas, considerados caros no passado, por

outros mais baratos, e esse tipo de troca nem sempre reflete a equivalência

entre profissionais qualificados e não-qualificados.

Diariamente jovens profissionais se apresentam nas redações, o que

dificulta ainda mais a briga por uma vaga no mercado do jornalismo esportivo.

Há os que querem uma primeira oportunidade, os que sonham em trabalhar em

qualquer área do jornalismo e os que ainda nem entraram na faculdade, mas já

querem exercer a sua paixão: escrever sobre esportes. Se os jornais

explorassem outros esportes, da mesma maneira que fazem com o futebol,

talvez o mercado tivesse um crescimento.

O poder do PC significa que as fileiras de “produtores” – indivíduos que hoje são capazes de fazer o que poucos anos atrás era feito apenas por profissionais – aumentaram em milhares de vezes. Hoje, milhões de pessoas têm a capacidade de produzir pequenos filmes ou álbuns e publicar seus pensamentos para todo o mundo – o que de fato é feito por quantidade de pessoas surpreendentemente grande. (ANDERSON, 2006, p. 52)

Quando os sites estavam em constante crescimento nos Estados

Unidos, Europa e Brasil o grande sinal de que o fenômeno começava a aguçar

a curiosidade dos grandes empresários foi dado quando a Warner comprou a

UOL em 1997 numa negociação multimilionária.

Eu ainda lembro quando foi anunciada a fusão da AOL com a Time Warner, a maior da história, com 160 bilhões de verdinhas americanas envolvidas. Foi o supremo fato confirmador do poder da internet sobre a mídia tradicional… e o início de um sem fim de prejuízos que a America Online presenciaria dali pra frente. Era o período da bolha da internet, onde um sem-número de especuladores e investidores apostariam suas vidas no ultra sucesso de empresas da internet. É claro que muitas delas dariam lucros, mas outras simplesmente puxariam a economia americana para o ralo ao se mostrarem menos lucrativas do que o esperado por lobos

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que queriam multiplicar sua grana. (Blog Nerds Somos Nozes: http://www.nerdssomosnozes.com/2009/11/fusao-aol-time-warner-chega-ao-fim-e.html acessado em 19/10/2010)

Mas foi só em 1999 que a internet se tornou um fenômeno tão grandioso

a ponto de atrair alguns dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro.

Luiz Augusto Mônaco, também do TJ, seguiu junto para o site da PSN. Os salários eram altíssimos. Três, quatro vezes mais do que as redações de jornais e revistas. O portal da PSN foi responsável também pela criação do site do Corinthians. E mais gente deixou as redações para ocupar vagas no novo veículo. (COELHO, 2003, pg. 60)

Atualmente há quatro redações de grande porte no país, três estão no

sudeste, O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e O Globo e apenas a

Zero Hora, no Sul. Estas concentram bons salários, investem na formação de

profissionais e tratam de substituir os experientes, que deixaram a profissão,

por outros recentemente formados, aproveitando então a companhia de

exemplos já consagrados.

Como de costume e pelo pouco caso que ainda se faz das editorias de

esportes, não é nelas onde se concentram os maiores salários nas grandes

redações, muito embora seja pra lá que vão os focas, os novatos que chegam

cheios de vontade de trabalhar e de crescer profissionalmente.

3.2 PRECONCEITO

Há muito tempo é comum o preconceito com as mulheres no esporte, o

que vem mudando aos poucos com o passar dos anos e o crescente destaque

das mulheres no esporte. Até o início dos anos 70 era muito difícil ver mulheres

no esporte, até mesmo no campo jornalístico. Não que atualmente as redações

esportivas se igualem no diz respeito ao número de profissionais masculinos e

femininos, mas é possível que o índice de mulheres na redação reflita o

interesse da população.

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E as mulheres, a outra metade da humanidade? “A preocupação de afastar as duas competições era de marcar uma distância nítida, bem como a de evitar às mulheres a tentação de assistir aos jogos dos homens. A proibição era formal, e a pena de morte aplicada às que fossem apanhadas a infringindo a regra. O que, tudo considerado, mostra bem a consideração atribuída as mulheres, numa sociedade tipicamente masculina e militarizada.” (VARGAS, 2006, pg. 35)

Não é certo nem comum que exista preconceito. Todos devem direitos

iguais, e os têm, os mesmos salários, pelo menos é isto o que se verifica nas

redações, ao contrário das demais profissões. É prática nas principais editorias

do país dar oportunidades iguais para os diversos profissionais existentes,

menos quando se trata de especialistas nas áreas esportivas. Não que isso

não exista; temos um exemplo bem claro em um dos canais de esportes de

maior especialização do país, a ESPN Brasil, na qual Kitty Baliero é a chefe de

redação, mas é sempre vista como uma curiosidade, ou seja, uma mulher

aparenta dominar assuntos sobre esportes. As mulheres, na maioria, vão para

as editorias, na faixa dos esportes amadores.

Como forma de reparar a discriminação que prejudica as mulheres ao longo da história olímpica, o COI resolvei promover uma campanha no sentido de incluir as mulheres, não apenas nas competições, mas também nos cargos de direção nos comitês olímpicos nacionais e federações e confederações. Foi apenas em 1981 que as primeiras duas mulheres, Pirjo Haggmann, da Finlândia, e Flor Islava-Fonseca, da Venezuela, ingressaram no COI. (RUBIO, 2009, pg. 54)

Este crescimento e destaque da mulher no ramo esportivo tende a ficar

ainda mais forte. Com o avanço da tecnologia o jornalismo ganhou um novo

veículo de comunicação, ampliando o mercado. O surgimento da internet e

posteriormente das mídias sociais criaram um novo produtor, o usuário.

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4. MÍDIAS SOCIAIS

Há 20 anos apenas universidades ou centros de pesquisa utilizavam a

internet, sem falar do governo dos EUA, é claro. O objetivo era trocar

informações entre esses centros de estudo, e não entre as pessoas. Desde o

final de 1994 o acesso a essa Era digital se multiplicou. Surgiram os primeiros

provedores para que se tivesse acesso privativo à internet. Mesmo assim,

alguns fatores, como o preço elevado da aparelhagem e a demora para

conseguir abrir um site na web, enfraqueceram a utilização em massa da

internet e fizeram com que a idéia de incluir novos conteúdos, com mais

atratividade, fossem pelo mesmo caminho.

A máxima Web ganha força de acordo com a evolução das mídias

sociais ou redes sociais, o que afasta a hipótese de que esta evolução está

ligada apenas a expansão da tecnologia.

Em 2004 surgiu o conceito Web 2.0 que caracterizou uma nova fase da

internet. Uma variedade de possibilidades fez com que se criasse um novo

conceito no fluxo e geração de informações.

O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web --tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo. (Site Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20173.shtml acessado em 01/11/2010).

A participação dos usuários se tornou essencial para a revolução da

rede. Com isso o usuário obteve mais força dentro da Internet, facilitando o

acesso aos mais diversos tipos de conteúdos e das mais diversas maneiras.

Ele também teve papel fundamental para o surgimento de novas maneiras de

se comunicar na rede, seja para difundir conteúdo ou para interagir com os

demais usuários.

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Como muitos conceitos importantes, o de Web 2.0 não tem fronteiras rígidas, mas, pelo contrário, um centro gravitacional. Pode-se visualizar a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios e que estão a distâncias variadas do centro. (Site O’REILLY - http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html2005 acessado em 01/11/2010)

Com o passar do tempo a internet evoluiu rapidamente e essa

transformação significou um upgrade das ferramentas e um aperfeiçoamento

de diferentes maneiras de interação através de um computador. Com esse

crescimento da web, graças a toda essa interatividade, pode-se se dizer que

esta se tornou um veículo de informação, virando concorrente direto de rádio,

TV e impressos.

Esta evolução do ciberespaço em forma de mídia social resultou na

construção de um mercado de comunicação diversificado e constantemente

presente na comunicação de massa. Se olharmos pelo lado social, este novo

campo da comunicação dentro da internet significa a criação de um processo

de conversação de modo geral, baseado de acordo com o aproveitamento da

inteligência coletiva.

O usuário ganhou força e transformou o meio ao qual pertencia. Depois,

o surgimento de blogs, sites, comunidades e redes sociais, fizeram com que a

Internet atingisse um grande grau de interatividade e de colaboração de

conteúdo.

As mídias se tornaram a grande tela da visibilidade das interações contemporâneas. De um lado, a relação comunicativa que tem nela lugar é integrada pelos destinadores, os grupos econômicos detentores das mídias, das marcas, as grandes instituições, o estado, a igreja. De outro, a integram os destinatários formados pela audiência massiva, pelo público-alvo, público segmentado. (OLIVEIRA, 2008, p. 27)

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Com esse crescimento da internet e de suas ferramentas, surgiu um

novo produtor, no caso, o próprio usuário. O mercado sofreu uma mudança

drástica, uma revolução, já que não apenas os novos produtos (frutos dos

usuários) podiam ser encontrados na Web, mas, também, trabalhos antigos,

esquecidos ou sem força de marketing. Ou seja, temos uma gama infinita de

opções através de apenas um clic. Esse efeito é denominado por Chris

Anderson de “A Cauda Longa”.

Em vez de avançarem como manada numa única direção, eles agora se dispersam ao sabor dos ventos, à medida que o mercado se fragmenta em inúmeros nichos. A única grande área em crescimento acelerado é a internet, mas nesse caso trata-se de um oceano sem categoria própria, com milhões de destinos, cada um desafiando, à sua maneira, a lógica convencional da mídia e do marketing. (ANDERSON, 2006, p.2)

Não é necessário ter muito conhecimento sobre a rede para publicar um

conteúdo. As ferramentas e plataformas utilizadas para a troca de experiências

e informações na Internet são conhecidas como mídias sociais. As mídias

sociais têm diferentes características, como por exemplo: Ferramentas de

comunicação: blogs, microblogs e redes sociais; Ferramentas de colaboração:

Wikis, Social bookmarking (agregadores de sites), Social News e Sites de

opiniões; Ferramentas de multimídia: compartilhamento de fotos,

compartilhamento de vídeos, transmissão ao vivo (livecasting) e ferramentas de

compartilhamento de música/áudio; Ferramentas de entretenimento: Mundos

virtuais (Second life) e jogos online;

Um dos precursores no mundo das mídias sociais foi o MySpace, um

ferramenta multimídia que teve início no ano de 2003. Com ela é possível que

os usuários compartilhem e-mails, e também a discutam informações dos mais

variados temas nos fóruns e grupos. Sem falar que este site tornou-se famoso

por disponibilizar um amplo espaço para que os grupos e artistas musicais

possam divulgar o seu trabalho, pois possui um player embutido no qual é

possível hospedar MP3 no site do usuário. Além disso, esta mídia permite que

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vídeos sejam divulgados. O MySpace evoluiu pelo fato de realizar todas estas

funções sem custo algum, agregando assim um maior número de usuários.

O MySpace foi um sistema lançado em 2003, que permitia a mostra de redes sociais e a interação com outros usuários através da construção de perfis, blogs, grupos e fotos, música e vídeos. Sua criação foi inspirada no sucesso do do Friendster, que era contemporâneo, e foi realizado por um conjunto de empregados da empresa eUniverse. De acordo com Boyd e Ellison (2007), o MySpace surgiu em um momento onde rumores sobre o início da cobrança pelo acesso ao Friendster estavam crescendo e angarriou muitos usuários daí. O MySpace era o side de rede social mais popular dos Estados Unidos, tendo sdo recentemente superado (em número de visitantes) pelo Facebook no início de 2008. (RECUERO, 2009, p. 173)

Em 2004, nasceu o Facebook, porém, a popularidade e o sucesso de

outra ferramenta com as mesmas características no Brasil fizeram com que o

primeiro ficasse para trás. Esta ferramenta que desbancou o Facebook é o

Orkut. Ele se destacou por ser um novo formato de interação na Internet. Como

no Facebook, é possível se comunicar, criar e manter contato dentro da rede

com inúmeros usuários, tudo através de um perfil. No Orkut também é possível

criar comunidades parar poder unir os usuários adeptos de um mesmo tema.

Partindo do mesmo pressuposto, as duas mídias deixaram claro que um novo

modelo de interação surgiria. A criação e compartilhamento de álbuns e

informações pessoais também contribuíram para o seu crescimento no país.

O Facebook (originalmente, thefacebook) foi um sistema criado pelo americano Mark Zuckerberg enquanto este era aluno de Harvard. A idéia era focar em alunos que estavam saindo do secundário (High School, nos Estados Unidos) e aqueles que estavam entrando na universidade. Lançado em 2004, o Facebook é hoje um dos sistemas com maior base de usuários no mundo, não tão localizado quanto outros, como o Orkut. (RECUERO, 2009, p. 172)

Ainda no mesmo ano surgiu o Flickr. Esta mídia possibilita que os

usuários publiquem fotos e criem álbuns para poder organizá-las.

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No ano seguinte surgiu o YouTube, que revolucionou de vez as mídias

sociais no que diz respeito a compartilhar conteúdo. No Youtube é possível

publicar vídeos caseiros e até as primeiras imagens feitas pela TV. Possuindo

uma quantidade expressiva de adeptos, o YouTube tem como foco principal a

reprodução na Internet de programas e trechos da programação veiculada na

TV. Sendo assim, é possível encontrar no site uma grande quantidade de

materiais raros.

Quando se pensava que as alternativas de interação na web e nas

mídias sociais haviam terminado, o Twitter surge como uma ferramenta

completamente diferente e imediata. Tornando possível para os seus usuários

a publicação de assuntos em sua página com no máximo 140 caracteres, essa

inovadora mídia social aproximou as pessoas das mais variadas classes

sociais e de distintos cantos do mundo. O Twitter é muito usado por meios de

comunicação e pessoas a fim de divulgar não apenas o que estão fazendo,

mas também assuntos dos mais variados segmentos.

O surgimento das ferramentas de Web 2.0, seria a comprovação da

Internet de que a grande interação entre os usuários seria o ponto alto. Sites,

redes sociais, fotologs, blogs, rádios online deram muito mais força a rede e

isso a tornou uma peça fundamental na comunicação atualmente. Com

diversas possibilidades e caminhos, a internet também conquistou força nos

seus nichos. O seu estilo livre faz com que a grande maioria dos assuntos

possa ser tratada. Uns com um leque maior de informações e outros com uma

pequena quantidade, entretanto, os dois podem ser encontrados. Tudo isso

tornou possível que os conhecimentos saíssem das prateleiras e entrassem

nos servidores de internet.

Examinado na sintaxe discursiva, o processo interativo ou comunicativo está instalado nos textos prontos e acabados, como aqueles da mídias impressa, de um documentário, de um filme, de um site, cuja configuração orienta o que vemos, ouvimos, tocamos, na elaboração do fazer interpretativo que recebeu um ponto final das instâncias enunciativas ao findar a imagem do enunciado. Mas ainda restam aquelas configurações comunicacionais que estão em processamento,

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36

assim como os enunciados que elas produzem, cuja marca distintiva é o fato de suas instâncias enunciativas continuarem a se desenrolar ao mesmo tempo em que com elas interagimos no nosso fazer interpretativo. (OLIVEIRA, p. 29).

A maior comprovação de que a colaboração pode realmente trazer

informação de qualidade é a Wikipédia. Sendo uma enciclopédia online, o site

é formado exclusivamente pela contribuição dos usuários. Nele qualquer termo,

verbete ou expressão ganha uma definição. A Wikipédia conta atualmente com

720 milhões de verbetes e tem mais de 620 mil artigos em português, além

disso, é considerada a grande fonte para busca de expressões na Web.

Page 37: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

37

5. MÍDIAS SOCIAIS COMO FONTE DE INFORMAÇÃO DE MMA

Pretendendo analisar o benefício das mídias sociais para o MMA,

realizei uma seleção de cinco sites que utilizam as mídias sociais a fim de

difundir as suas informações para o mundo. O período analisado foi do dia 5

até o dia 15 de novembro.

Para realizar esta escolha, procurei reparar de que maneira estes sites

divulgam informações através das redes sociais, o que é transmitido através

dessa ferramenta e qual o retorno obtido com esse trabalho para que ele se

torne essencial para a evolução deste esporte.

Existem alguns sites brasileiros e especialistas na mistura de artes

marciais com credibilidade suficiente para serem considerados fonte de

informação deste esporte. Pelo menos cinco páginas na internet produzem

conteúdo e ajudam a difundir esta modalidade de luta que é a que mais cresce

nos últimos anos, são eles: ClicRBS1; Revista Tatame2; Portal do Vale Tudo3;

Canal Combate4.

Estes sites ganharam força devido ao fraco incentivo e apoio dado pelos

veículos de comunicação para com este esporte. Atualmente, no Brasil,

existem seis canais de televisão que transmitem lutas ou programas

relacionados ao MMA, dos quais cinco são fechados e apenas um em TV

aberta, a Record!, com o programa semanal UFC Sem Limites.

Mesmo que o apoio ainda seja fraco, hoje o mundo do vale-tudo vive

tempos de glória. Se olharmos a 8 anos atrás, não havia nenhum canal que

transmitisse lutas de MMA para o Brasil. Foi quando a Globosat lançou o

1 http://www.clicrbs.com.br/ 2 http://www.tatame.com.br/ 3 http://portaldovaletudo.uol.com.br/pt/ 4 http://combate.globo.com/

Page 38: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

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primeiro canal especialista em lutas no país, o Combate. De acordo com o site

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/noticias/8663-publytape-

comunica-renova-contrato-com-premiere-combate- em 2002, quando surgiu

este canal, o número de assinantes se aproximava dos três mil, hoje possui

mais de 25 mil adeptos.

Como é de conhecimento comum, nem toda a sociedade brasileira tem

condição de contratar um serviço de TV a cabo, quiçá assinar um canal de TV

fechada apenas para se interar sobre um assunto específico. É aí que a

internet ganha força, com sites e mídias sociais, como visto anteriormente

nesta pesquisa.

Há pelo menos três anos, pouco se ouvia falar neste esporte, mesmo na

internet, mas, se formos realizar uma pesquisa sobre mistura de artes marciais

no Google1, encontraremos um número surpreendente de assuntos

relacionados ao vale-tudo, mais de 56 mil opções, como mostra a figura à

baixo:

Figura 1 - Site de busca do Google.

Fonte: (http://www.google.com.br/search?sourceid=chrome&ie=UTF-

8&q=mistura+de+artes+marciais acessado em 8/11/2010)

Page 39: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

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Essa difusão do esporte se deve, em grande parte, ao advento das

mídias sociais, onde o usuário passa a ser produtor de conteúdo, dando

liberdade de escolha aos demais, que anteriormente ficavam a mercê da

programação da TV.

5.1 CLICRBS

O site ClicRBS divulga suas informações sobre vale-tudo, jiu-jitsu, boxe,

muay thai, submission, judô e luta olímpica, através de seu blog, No mundo das

Lutas, comandado por Caju Freitas. O blogueiro é praticante de jiu-jitsu desde

1995 e advogado formado pela PUCRS. O espaço traz notícias sobre o que

acontece nos principais eventos de MMA do mundo, dando uma atenção

especial para os esportes nacionais. No dia 23 de setembro de 2010 o blog No

Mundo das Lutas, ganhou espaço também no veículo impresso.

Tive a oportunidade de conversar com o blogueiro de No Mundo das

Lutas5. Caju concorda que as mídias sociais sejam hoje um dos principais

caminhos para a divulgação do MMA, mas faz algumas ponderações. Ele

acredita que as mídias sociais não são as principais fontes de MMA, pois

existem hoje dezenas de sites de credibilidade e imparciais que divulgam e

noticiam o esporte, mas, crê que as mídias sociais são muito importantes para

a divulgação do esporte, mesmo que em alguns casos careça de

imparcialidade.

Hoje o blogueiro possui uma coluna do jornal Zero Hora, segundo ele

graças a sua mídia social. Caju vê o MMA num crescimento muito forte e a

ampliação para a mídia escrita demonstra a abertura do mercado e a

popularização do esporte. Outra questão destacada pelo advogado foi que o

MMA tem tudo para vir a ser o segundo maior esporte do Brasil (perdendo

apenas para o futebol). A seriedade que os lutadores demonstram nas lutas e

nas entrevistas, aplicando algumas regras, para Caju, seriam o caminho certo

5 Entrevista previamente marcada por Twitter e concedida ao autor por e-mail, no dia 01/11/2010

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para um melhor desenvolvimento do esporte, principalmente na parte

comercial.

Caju Freitas divulga as notícias de seu blog também através de outra

mídia social, o twitter. Nesta ferramenta ele divulga o título de suas notícias

postadas no blog, juntamente com o link que leva o usuário ao blog.

Figura 2 - Twitter de Caju Freitas divulgando uma notícia de seu blog

Fonte: (http://twitter.com/cajufreitas acessado em 7/11/2010)

Ao clicar no link que está junto com a mensagem o usuário é direcionado

para o blog, que contém a notícia completa.

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Figura 3 - Blog No Mundo das Lutas

Fonte: (http://wp.clicrbs.com.br/nomundodaslutas/2010/11/10/ufc-123-lyoto-machida-e-o-

preferido-nas-apostas/?topo=2,1,1,,,2acessado no dia 7/11/2010)

A cada postagem existe um número de comentários, para que os

usuários possam expressar suas opiniões ou esclarecer dúvidas.

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Figura 4 - Comentários no blog No Mundo das Lutas

Fonte: (http://wp.clicrbs.com.br/nomundodaslutas/2010/11/16/ufc-123-no-sabado-com-

cobertura-em-tempo-real/?topo=2,1,1,,,2#comments acessado 24/10/2010)

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5.2 REVISTA TATAME

Quem também utiliza o caminho das redes sociais para expandir suas

informações é a revista Tatame. Através do Facebook, a revista especializada

em lutas divulga, não apenas as matérias publicadas nas edições mensais,

mas promoções e demais novidades do mundo do vale-tudo.

Figura 5 - Grupo no Facebook da revista Tatame

Fonte: (http://www.facebook.com/pages/Rio-de-Janeiro-Brazil/TATAME/102812617794

acessado em 30/10/2010)

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Para que o usuário receba as informações do grupo da Tatame no seu

perfil do Facebook é necessário fazer parte do grupo, mas, é possível

acompanhar as postagens do grupo entrando na página do mesmo.

Já no twitter, a Tatame busca, além de divulgar as matérias do site e da

revista, esclarecer dúvidas sobre o mundo das lutas.

Figura 6 - Postagem no twitter da revista tatame

Fonte: (http://twitter.com/tatamemagazine)

Percebe-se na figura acima que dois usuários retweetaram a

mensagem, ou seja, publicaram para seus seguidores a postagem do perfil da

Tatame, ampliando assim o alcance da informação.

Da mesma forma que o blogueiro, Caju Freitas, a revista Tatame

adiciona um link, à postagem no twitter, que direciona o usuário ao próprio site

com a matéria completa.

Em entrevista com o diretor executivo da revista Tatame, Alexandre

Esteves6, conversei sobre a atuação das mídias sociais em benefício da

mistura de artes marciais. O foco foi o mesmo das questões abordadas com o

colunista do jornal Zero Hora, Caju Freitas. Alexandre não acredita que as

mídias sociais sejam o principal caminho para se obter informações de MMA,

6 Entrevista concedida ao autor por telefone, no dia 03/11/2010

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pois, nem sempre, passam muita credibilidade, ao contrário de alguns sites

institucionais. Mesmo assim, pensa que Twitter, Facebook e Orkut bem

selecionados são essenciais para a divulgação do esporte. Para o editor da

revista Tatame falta um pouco mais de profissionalismo no MMA, para se

tornar um produto mais vendável, mas a vinda o UFC para o Brasil pode mudar

esse cenário.

Como os eventos de vale-tudo, ao vivo, são transmitidos apenas por

canais fechados, nem todos conseguem acompanhar o desempenho dos

lutadores pela televisão. A revista Tatame “transmite” os momentos das lutas,

através do twitter, para que os usuários possam saber o que está acontecendo.

Quem está melhor, as tentativas de golpes, as vitórias, as derrotas, os números

do evento, tudo é relatado praticamente a todo o minuto pelo twitter. O que

prova que esta “transmissão” surte efeito, é a interatividade dos usuários com a

mídia social. Os usuários comentam os lances vistos na TV ou a narração via

twitter.

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Figura 7 - Twitter da Revista Tatame realizando transmissão em tempo real sobre evento de

luta

Fonte: (http://twitter.com/tatamemagazine)

Além da transmissão pelo twitter, assim que termina a luta, a Tatame

publica no seu site um resumo de como foi o combate. A divulgação acontece

através do twitter.

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Figura 8 - Twitter da Revista Tatame divulgando texto sobre a luta

Fonte: (http://twitter.com/tatamemagazine)

Além do resumo da luta, quem acessa o site fica sabendo também sobre

o resultado parcial das lutas que já aconteceram e também as que estão para

acontecer.

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Figura 9 - Site da Tatame divulgando, em tempo real, notícias sobre os eventos de luta

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Fonte: (http://www.tatame.com.br/2010/11/11/Cobertura-em-tempo-real-do-WEC-52 acessado

em 11/11/2010)

5.3 PORTAL DO VALE TUDO

O site Portal do Vale Tudo é um dos precursores no mundo virtual do

vale-tudo. Tendo começado as suas atividades em 2001, o site procura realizar

discussões sobre assuntos ligados a mistura de artes marciais, fazendo com

que o usuário interaja sobre estas questões e assim possa tirar suas dúvidas,

além é claro de poder divulgar o esporte. O site também produz conteúdo

sobre MMA e utiliza as redes sociais para divulgar o que passa no portal. Uma

das formas de divulgação de maior eficácia é o Orkut, onde são propostos

assuntos para a discussão do público e também enquetes. Estas discussões

acontecem através de uma comunidade no Orkut chamada Portal do Vale

Tudo.

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Figura 10 - Comunidade no Orkut do Portal do Vale Tudo

Fote: (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=246794acessado em 12/11/ 2010)

Para poder participar das discussões da comunidade é preciso possuir

um perfil no Orkut e ser membro da comunidade. Atualmente a comunidade do

Portal do Vale Tudo possui 7168 membros.

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Figura 11 - Enquetes na comunidade do Portal do Vale Tudo no Orkut

Fonte: (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=246794 acessado em 11/11/2010)

Como mostra a figura acima os temas são propostos pelo administrador

da comunidade ou também pelo próprio público, através da opção “nova

enquete”. Ao clicar no título da enquete o usuário é direcionado para as opções

de voto.

Figura 12 - Opções de voto na comunidade do Orkut do Portal do Vale Tudo

Fonte: (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=246794 acessado em 11/11/2010)

Após selecionar a opção e votar, o usuário vai para a página com os

resultados da enquete, comentários e os resultados dos outros participantes,

caso estes tenham escolhido divulgar o seu voto através da opção “Meu voto

está disponível para os outros usuários”.

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Figura 13 - Resultado de enquete na comunidade do Portal do Vale Tudo no Orkut

Fonte:

(http://www.orkut.com.br/Main#CommPollResults?cmm=246794&pct=1181309401&pid=209068

4923 acessado em 11/11/2010)

O Portal do Vale Tudo também utiliza outra mídia social para divulgar

suas informações, o Youtube. Através desta ferramenta de multimídia, o site

apresenta o quadro “Portal TV”, onde são realizadas entrevistas com lutadores,

treinadores e praticantes de artes marciais.

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Figura 14 - Vídeo no Youtube postado pelo Porto do Vale Tudo

Fonte: (http://www.youtube.com/watch?v=mNvIkUycv_E acessado em 11/11/2010)

5.4 CANAL COMBATE O principal veículo de comunicação que trabalha em prol do MMA, hoje,

é o canal Combate, da Globosat. O canal transmite os principais eventos de

lutas de todo o mundo e também está sempre presente nos eventos brasileiros.

O que o torna o veículo de maior relevância no mundo das lutas é o fato

de transmitir um conteúdo inteiramente voltado às lutas. No Brasil, é o único

canal com esta característica.

O combate possui um site. Nele são encontradas notícias variadas sobre

a mistura de artes marciais e, assim como os demais sites citados

anteriormente, divulga suas informações através das mídias sociais, com mais

ênfase nos blogs e Twitter.

Page 54: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

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Na parte de blogs, que faz a comunicação são os apresentadores

Luciano Andrade, Paula Sack e Daniel Fucs. Eles buscam mostrar ao público

informações além da programação do canal, como por exemplo os bastidores,

perfil de lutadores e demais eventos que não passam na televisão. Nos blogs

também é possível que o usuário tire suas dúvidas através de comentários nas

postagens.

Figura 15 – Blog da Paula Sack no site do Canal Combate

Fonte: (http://combate.globo.com/platb/paulasack/2010/08/17/expediente-no-ufc/ acessado em

11/11/2010)

O Twitter é uma das principais ferramentas de divulgação e

comunicação do Combate. Através do microblog é feita uma chamada para as

notícias do site, assim como para as postagens dos blogs. Com o twitter o site

também faz promoções e realiza uma interação com os usuários que estão

Page 55: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

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assistindo os programas na televisão. Os usuários mandam perguntas que são

selecionadas e respondidas no ar.

Figura 16 – Twitter do Canal Combate

Fonte: (http://twitter.com/canalcombate acessado em 11/11/2010)

Para que os interessados possam acompanhar os programas, é possível

encontrar alguns vídeos de edições passadas no Youtube. Os vídeos são

divulgados através do site e das outras mídias sociais do Combate.

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5.5 MÍDIAS SOCIAIS EM BENEFÍCIO DO MMA

Como visto nas analises acima é possível compreender o papel das

mídias sociais em relação ao MMA. A ferramenta é essencial para uma maior

exploração, compreensão, comunicação e divulgação do esporte. Cada site ou

instituição possui uma ou mais destas mídias para poder expor o que acontece

no mundo do vale-tudo e isso resulta numa interação com usuários.

Sites de redes sociais foram definidos por Boyd & Ellison

(2007) como aqueles sistemas que permitem i) a construção de

uma persona através de um perfil ou página social pessoal ii) a

interação através de comentários; e iii) a exposição pública da

rede social de cada ator. (RECUERO, 2009, p. 102)

A dificuldade em conseguir divulgar ou encontrar um conteúdo e a

grande variedade de assuntos existentes atualmente é o que motiva o público a

procurar uma maneira alternativa de buscar informações. No caso da mistura

de artes marciais, existem poucas possibilidades. O advento da internet mudou

esse cenário e as mídias sociais facilitam esta busca pelo restrito.

Ainda existe demanda para a cultura de massa, mas esse já

não é mais o único mercado. Os hits competem com inúmeros

mercados de nicho, de qualquer tamanho. E os consumidores

exigem cada vez mais opções. A era do tamanho único está

chegando ao fim e em seu lugar está surgindo algo novo, o

mercado de variedades. (ANDERSON, 2006, p. 5)

Hoje o MMA é considerado um esporte de verdade, que é aberto ao

público, pode ser transmitido via televisão e ser comentado nas mais diversas

mídias, mas nem sempre foi assim. Essa mudança se deve a evolução do

esporte, que acrescentou regras, se profissionalizou e buscou ser um produto

mais atrativo para o público. Também as possibilidades de divulgar este

esporte aumentaram, tornando-o mais acessível ao público. A evolução do

jornalismo esportivo tem uma grande participação nesta inserção do vale-tudo

Page 57: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

57

nas mídias. A criação de novos veículos de comunicação possibilitou uma

gama maior de possibilidades.

Mesmo com o predomínio do futebol nas redações, outros esportes vêm

ganhando seu espaço. A extensão do blog No Mundo das Lutas, do Caju

Freitas, para uma coluna semanal no jornal Zero Hora é uma mostra do

crescimento do MMA e também da importância de mídias alternativas, pois,

como o próprio dono da coluna diz, as mídias sociais têm participação

essencial no crescimento de seu blog.

O mercado do jornalismo esportivo também motiva a criação de novos

espaços de comunicação. O fato de a profissão ainda ser muito desvalorizada

dentro das próprias redações prejudica um crescimento ainda maior. Para se

trabalhar numa redação esportiva é exigida uma especialidade por parte do

jornalista, mesmo que este deva possuir um conhecimento em todas as áreas,

ainda mais se esta não for o futebol. Ai de quem for apaixonado por futebol e entrar na redação

pensando que irá escrever só sobre futebol. Ai mais ainda de

quem tiver loucura por outro esporte. Quem for louco por vôlei,

por basquete, que tiver paixão por tênis e sonhar ser

especialista no esporte de que gosta. Não, tal possibilidade não

está excluída. Mas, se já dá trabalho conquistar

reconhecimento na profissão trabalhando com futebol, é muito

mais feroz a luta para chegar ao topo com outro esporte.

(COELHO, 2003, p. 36)

Há muito tempo o Brasil tem grandes nomes dentro das artes marciais

mistas, como Royce Gracie citado anteriormente, mas, outros nomes surgiram,

mais eventos apareceram e a presença deste esporte na mídias foi diminuindo,

até que novas alternativas surgiram.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisando os quatro sites especialistas na mistura de artes marciais

escolhidos para esta pesquisa, percebi que o ponto principal foi a frequência de

participação dos usuários nas mídias selecionadas. Abordando questões

referentes ao MMA, as postagens no Orkut, Facebook, Twitter e blogs, mais os

vídeos no Youtube, foram uma maneira de aproximar o esporte do público.

O blog No Mundo das Lutas, do Caju Freitas, pôde trazer ao público sua

visão sobre os eventos de vale-tudo espalhados pelo mundo, possibilitando

que os freqüentadores de sua mídia postem comentários sobre as notas. A

extensão de suas informações no Twitter facilitou para que o usuário chegasse

ao assunto desejado. Assim como o site da Tatame, que também produz

conteúdo sobre lutas e divulga através de suas mídias. O fato de a Tatame

utilizar o Facebook, além de ampliar o leque de possibilidades de transmitir

informações, trouxe mais adeptos, pois se trata de uma nova mídia social, que

possibilita uma publicação com mais caracteres e também a inserção de

imagens nas postagens (ver figura 5).

Outra característica dentro da interação foi o uso dela para transmissão

de eventos. A revista Tatame publicou informações do que acontecia nas lutas,

em tempo real, e os usuários interagiram com comentários. Seja para criticar,

opinar ou sanar dúvidas. A notícia completa, com os resultados de cada

combate, logo ao final de cada luta, possibilitou um quadro completo de

informações.

Ficou claro o uso das mídias sociais como mais um meio de promover o

a mistura de artes marciais, seja pela interatividade, ou apenas pelo fato de

encaminhar os seguidores para as notícias apresentadas pelos perfis. O uso do

Youtube é uma forma de suprir a falta de espaço dado pela televisão. Através

desta ferramenta os usuários têm acesso aos programas que foram ao ar,

mesmo em canais fechados.

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Outra grande característica das mídias analisadas foi a questão da

divulgação das notícias através de retweets. Com esta opção, os usuários, que

seguem um determinado perfil, puderam transmitir estas informações para os

seus seguidores, dando uma maior visibilidade para a notícia.

Dentro destas postagens, foi possível conhecer mais sobre a mistura de

artes marciais e inteirar-se sobre o que acontece nos eventos, em tempo real,

mesmo sem possuir uma televisão ou rádio.

Outra mídia que obteve uma grande interação dos usuários foi o Orkut.

Através de enquetes e fóruns, o Portal do Vale Tudo pôde conferir a opinião de

seus adeptos (seguidores no caso do Twitter e amigos no caso do Orkut) sobre

quais as suas preferências no MMA. O número de votos nas enquetes

demonstra a força dessas mídias.

A utilização das mídias sociais entre os sites institucionais analisados

não foi muito diferente. As variações foram poucas e ficou claro que os sites

utilizam a ferramenta para a interação com o público e para a divulgação de

suas notícias. Esta pesquisa mostra que não existe uma utilização padrão entre

os sites. O interesse pela ferramenta e a vontade de interagir com seus

seguidores, assim como a divulgação dos blogs, foram os fatores que fizeram a

diferença entre as mídias sociais analisadas.

Esta pesquisa averiguou que as mídias sociais estão sendo utilizadas

como uma ferramenta de divulgação de notícias, opiniões e de grande

interação entre os sites institucionais especialista em MMA e o público em

geral, mostrando que estas ferramentas são grandes aliadas da Mistura de

Artes Marciais.

Page 60: As Mídias Sociais em Benefício do MMA - FINAL

60

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