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Reconhecimento Da Dor Em Grandes Animais

Jul 17, 2015

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Autoria da Publicao: Prof Dr Stelio Pacca Loureiro Luna e Prof Ass Dr Francisco Jos Teixeira Neto

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DOR EM EQINOS

Responsvel: Prof Dr Stelio Pacca Loureiro Luna

Autoria da Publicao: Prof Dr Stelio Pacca Loureiro Luna e Prof Ass Dr Francisco Jos Teixeira Neto

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RECONHECIMENTO DA DOR EM GRANDES ANIMAISNo existe nada pior que a dor. Ela fragmenta o ser e o incapacita para viverO que faz os animais sofrerem? O principio de analogia uma tima forma de responder esta questo de um modo simples. Todos os estmulos ou fenmenos que desencadeiam sofrimento no ser humano podem potencialmente desencade-lo em animais. Entretanto, devido s diferenas nos comportamentos de cada espcie, em muitos casos alguns estmulos que no causam sofrimento no ser humano, podem desencadear em animais e vice-versa. Os principais estmulos desencadeantes de sofrimento nos animais so a dor, ansiedade, medo, estresse, desconforto e injria ou trauma. Alm das injrias, traumas e doenas, os animais so susceptveis a outros estmulos que causam dor e sofrimento. Em eqinos as maiores causas de estresse so confinamento, alimentao inadequada causando desconforto abdominal e alteraes ortopdicas. Cavalos mantidos em Jockeys ou Hpicas apresentam acima de 95% de incidncia de lceras gstricas, demonstrando claramente o manejo inadequado a que estes animais esto submetidos. As causas principais de dor e sofrimento em animais de produo so: em ruminantes a marcao quente ou frio, castrao, descorna, mastite e laminite, onde mesmo aps a resoluo clnica da laminite, o limiar de dor destes animais est reduzido, dada sensibilizao central do sistema nervoso; em sunos a caudectomia e o corte de dentes. O prprio manejo dos animais pode ser uma causa considervel de estresse, tal como o transporte e confinamento, este ltimo particularmente importante em casos de criaes intensivas de sunos e baby beef. Alm de atividades relacionadas ao manejo para produo, muitos animais esto sujeitos a prticas de esporte que causam ao sofrimento, tais como algumas provas de rodeio e torneios ilegais de luta. Estas atividades no deflagram apenas a dor fsica, mas esto imbudas de um dano emocional devido ao estresse psquico e a frustrao que muitas vezes acarretam (Prada et al 2002). Contexto histrico-evolutivo da abordagem da dor e sofrimento e comparao entre o ser humano e os animais A dor tem sido historicamente negligenciada no ser humano, qui em animais, nos quais historicamente, a dor foi desconsiderada por muito tempo. A viso Cartesiana estabelecida por Ren Descartes no sculo XVII, propunha que os animais eram fisiologicamente diferentes do homem e que a reao destes seres a um estmulo doloroso seria puramente mecnica, sem haver conscincia da dor. A resposta demonstrada frente a um estmulo nocivo seria apenas um reflexo de proteo, determinado pelo sistema nervoso autnomo. Levando-se em conta que nesta poca no se conseguia provar que os animais sentiam dor, simplesmente se assumia que a dor no fazia parte das sensaes dos animais. Dentro da viso atual, graas teoria evolutiva de Charles Darwin no sculo XX, considera-se o homem descendente dos animais. Desta forma, estes so usados para estudar a fisiologia e a farmacologia de mecanismos da dor no homem. Assim estabeleceu-se o dilema que se o comportamento da dor puramente mecnico nos animais, sem haver conscincia da mesma, no seria necessrio tratar a dor, nem se preocupar com o bem estar dos animais. Entretanto, ao mesmo tempo, no haveria justificativa para se usar animais em modelos de dor para que os resultados sejam aplicados no ser humano. O bom senso sugere que a falha em provar alguma coisa no significa a no existncia do fenmeno, ou seja a ausncia de evidencia no significa a evidencia da ausncia (Prada et al 2002). Da mesma forma que no h dvida de que o homem sofre e sente dor, h evidncias claras de que os animais sofrem e sentem dor como o homem, tendo em vista a anatomia, a fisiologia e respostas farmacolgicas similares, reaes semelhantes um estmulo nocivo e comportamento de esquiva frente a uma experincia dolorosa repetida. O sofrimento subjetivo e a melhor forma de avali-lo em ns mesmos. Da a mxima, ponha-se no lugar do animal, pois est a melhor forma de avaliar o sofrimento alheio. Segundo Charles Darwin no h diferenas fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais... os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento. Implicaes e abordagem da dor em grandes animais Dentre os conceitos atuais, a dor pode ser classificada em nociceptiva (somtica ou visceral), neuroptica e psicognica. A dor nociceptiva a clssica dor aguda relacionada, por exemplo, a um trauma ou clica digestiva. A dor neuroptica na maioria das vezes origina-se a partir da dor aguda no tratada ou tratada de forma insuficiente, passando a ser crnica. Neste caso, a dor passa de sintoma, no caso da dor nociceptiva, prpria doena, no caso da dor neuroptica, caracterizando-se como uma forma de estresse. O componente psicognico da dor tambm muito importante no apenas no ser humano. Vinte e cinco por cento dos pacientes que procuram tratamento para dor, no apresentam nenhuma leso. Em animais, a situao talvez no seja diferente, tendo em vista que boa parte das fibras que transmitem impulsos nervosos relacionados dor conectam-se diretamente ao sistema lmbico, que

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o centro das emoes. Desta forma a dor em animais apresenta alm do aspecto fsico, um componente emocional importante. A dor considerada o quinto sinal vital, juntamente com a funo cardiorrespiratria e a trmica. Apesar de todo o avano tecnolgico da medicina, a dor um dos maiores escndalos desta especialidade, dada muitas vezes impotncia diante da obteno de um tratamento eficaz para a mesma. Do lado de quem prescreve, as razes pelas quais a dor no tratada apropriadamente se devem a falta de conhecimento e de objetividade, falha de prescrio, questes econmicas e temor de efeitos colaterais advindos do tratamento farmacolgico. Por outro lado, a medicina humana e veterinria muitas vezes impotente para o tratamento adequado da dor, mesmo quando o mtodo bem selecionado, dada a complexidade dos mecanismos envolvidos na deflagrao da dor. De forma geral, em animais, esta questo se agrava e, mais ainda, quando se trata de animais de grande porte. Nestes seres, o uso de analgsicos ainda restrito e de pequena magnitude. Alm da questo tica e moral do bem estar animal, a dor biologicamente danosa, por dificultar a cura de leses, devido resposta de estresse; causar emagrecimento, tanto pela reduo do apetite, como pelo aumento do consumo de energia; risco de automutilao; possibilidade de se tornar crnica; depresso da funo imune e em casos de ps cirrgico, aumento do tempo de recuperao e maior risco de complicaes ps-operatrias. Como exemplo, ratos portadores de cncer e submetidos a analgesia apresentaram 80% menor incidncia de leses de metstase que os que cuja dor no foi tratada (Page et al 1993). A questo puramente econmica tambm seria um argumento relevante para abordar este tema em animais com mais ateno. A produo dos animais pode ser profundamente afetada em presena de dor, interferindo no bem estar e no estado de sade dos mesmos. Em estudo recente (Sturlini & Luna 2006), observou-se que leites castrados sob efeito de anestesia local apresentaram maior ganho de peso na semana aps a cirurgia, que aqueles em que o procedimento foi realizado sem anestesia. Este aumento de peso superou os gastos com o procedimento anestsico, demonstrando a vantagem e a viabilidade econmica de se evitar o sofrimento desnecessrio de animais. comum o argumento de que o tratamento da dor em animais submetidos a procedimentos ortopdicos deve ser limitado dada possibilidade do animal forar o membro e interferir na recuperao da cirurgia. Entretanto, ces submetidos correo de fratura de fmur apresentaram melhor recuperao do ponto de vista cirrgico, em termos de melhor cicatrizao, consolidao da fratura mais rpida e menor edema, infeco e migrao de pino, quando tratados com analgsicos antiinflamatrios do que os no tratados (Cruz et al 2000). Em eqinos, cujo uso de analgsicos opiides polmico dada possibilidade de excitao, o risco de efeitos adversos com o emprego de morfina inversamente proporcional intensidade da dor (Muir, 1981), podendo a mesma ser indicada para esta espcie em casos de dor. Assim, frente a diversos estudos, irrefutvel que a dor seja prevenida e tratada nos animais. Meios da avaliao da dor em grandes animais A avaliao da dor em animais difcil, pela ausncia de entendimento de sua capacidade de comunicao ou pela prpria falta de sonorizao, da mesma forma que os neonatos humanos. As atitudes com relao ao uso de analgsicos em animais variam de acordo com o sexo e idade dos veterinrios. As mulheres so mais sensveis na avaliao da dor e normalmente estabelecem escores de dor mais altos que os homens, da mesma forma que veterinrios com menor tempo de graduao em relao aos graduados h mais tempo (Dohoo & Dohoo 1996ab Capner et al 1999, Lascelles et al 1999). O comportamento o componente principal na avaliao, j que normalmente est alterado. H diversos estudos referentes a mtodos de interpretao de dor em animais, onde se descrevem escalas de avaliao, que apesar de aparentemente subjetivas so extremante teis na prtica (Holton et al 2001, Price et al 2003). Dentre as escalas, normalmente utilizam-se escores, escala analgica visual, onde se traa uma linha de zero a dez cm, sendo zero correspondente a um animal sem dor e dez a pior dor possvel e escala de contagem varivel, onde se associam vrios parmetros de avaliao. Para uma avaliao mais abrangente da dor, as alteraes comportamentais devem ser complementadas com a observao das alteraes fisiolgicas. Os cavalos ao sentir dor podem apresentar movimentos de arra

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