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Oficina comunicacao

Jul 09, 2015

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  • FUN

    ASA EDUCAO EM SADE

    Oficinas de

    Educao em

    Sade e

    Comunicao

    Oficinas de

    Educao em

    Sade e

    Comunicao

    Vamos fazer juntosVamos fazer juntos

  • Oficinas de Educao emSade e Comunicao

    Vamos fazer juntos

    Braslia, setembro de 2001

  • 2001. Ministrio da Sade. Fundao Nacional de Sade

    1 Edio

    Editor:Assessoria de Comunicao e Educao em Sade/Ascom/Pre/FUNASASetor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bloco N, Sala 517Fone: (0xx) 61 - 314644070070-040 - Braslia/DF

    Distribuio e InformaoCoordenao de Educao em Sade/Ascom/Pre/FUNASASetor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bloco N, Sala 511Fone: (0xx)61 314-6457E-mail: coesa@funasa.gov.br70070-040 - Braslia - DF

    Tiragem: 5.000 exemplaresImpresso no Brasil/Printed in Brazil

    Oficinas de educao em sade e comunicao. - Braslia:Ministrio da Sade: Fundao Nacional de Sade,2001.80 p.: il.; 21 x 14,5cm1. Educao em sade. 2. Comunicao. I. Ministrio

    da Sade. II. Fundao Nacional de Sade.

    Ficha Catalogrfica

  • Agradecimentos

    Os nossos agradecimentos aos participantes das oficinasrealizadas nos Municpios de Afu/PA e Manacapuru/AM,

    s Secretarias de Sade desses Municpios e dos Estados doPar e do Amazonas, s Coordenaes Regionais da

    Fundao Nacional de Sade desses Estados, quecontriburam de forma decisiva na construo e

    aprimoramento deste processo.

  • Dedicatria

    Dedicamos este trabalho s comunidades da AmazniaLegal para que ampliem sua qualidade de vida e viso de

    mundo.

  • Apresentao

    Os altos ndices das doenas transmissveis na Amaznia Legal febreamarela, hepatite B, leishmaniose tegumentar americana, leishmaniose visceral,malria, hansenase, tuberculose, levam ao necessrio desenvolvimento deaes eficazes para a sua preveno, controle e eliminao. Nestas circunstn-cias, cada vez mais vm sendo incorporadas estratgias de educao em sadee comunicao, que tm como sujeitos e parceiros tanto a populao usuriaquanto os tcnicos dos servios, organizaes sociais, instituies. Esse fatoilustra como se faz oportuna a instrumentalizao dos atores sociais envolvi-dos no uso dessas estratgias, no s no campo da produo das aes comotambm seu planejamento, desenvolvimento e recepo.

    Soma-se a essa questo a observao de que, apesar da reconhecidaimportncia da educao em sade e da comunicao, as experincias nestesetor encontram-se dispersas, necessitando de aglutinao, planejamento, ava-liao e difuso. Em conseqncia, a educao em sade e a comunicaoso chamadas a intervir de maneira pontual, tendo como expectativa aresolutividade instantnea e como prtica as estratgias massivas.

    Para que essas aes tenham o cunho estratgico que lhes cabe dentrodo mundo contemporneo, importante identificar que, para realiz-las, necessrio incorpor-las agenda dos gestores e gerentes e nas estratgiasdos diferentes atores sociais, percorrendo diversas fases que vo desde apactuao de compromissos e responsabilidades, anlise de demandas, pro-duo, acompanhamento, avaliao, difuso das experincias.

    Este material construdo pela ASCOM/ FUNASA com a participao dosEstados do Par e do Amazonas e respectivos municpios de Afu e deManacapuru, mediante a realizao de duas oficinas, vislumbra percursos subs-tanciais para um processo de educao em sade e comunicao coerentecom os princpios e diretrizes do SUS, de eqidade, integralidade e controlesocial, dentro da perspectiva da realidade cotidianamente vivenciada pelaspopulaes em seu territrio. Essas oficinas tm a finalidade de construir di-retrizes e no modelo para produo de estratgias e disponibilizar

  • metodologia e tecnologias aos gestores estaduais e municipais. Todo percursonele contido tem o carter integrativo e processual, expresso no desenho deuma metodologia que permite um espao tempo para a negociao dasdiferenas e dos distintos saberes tcnico e popular e a partir dessa interaoconstruir sentidos coletivos na resoluo dos problemas.

    A expectativa de que a incorporao dessa proposta metodolgica aoplanejamento das instituies, grupos e indivduos, subsidie uma gesto cida-d do Sistema nico de Sade, diminuindo, assim, a distncia entre intenoe gesto.

  • Sumrio

    1- Introduo ............................................................................ 112 - Passos para operacionalizao das oficinas ......................... 13 2.1 - Pr-oficina ................................................................... 13 2.2 - Oficina ........................................................................ 15 2.3 - Ps-oficina ................................................................... 223- Relato de Experincias .......................................................... 23 3.1 - A malria .................................................................... 23

    Peas produzidas ...................................................... 27 3.2 - A febre amarela .......................................................... 38

    Peas produzidas ...................................................... 434 - Anexos ................................................................................. 53

    Anexo 1 - Programao ....................................................... 55Anexo 2 - Relao de materiais para a oficina ..................... 59Anexo 3 - Ficha de cadastro ................................................ 61Anexo 4 - Ficha de avaliao ............................................... 62Anexo 5 - Relao das necessidades e responsabilidades .... 64Anexo 6 - Textos bsicos ...................................................... 661. As dinmicas de construo do conhecimento ................. 662. Os meios de comunicao eleitos .................................... 68

    2.1. A comunicao oral ................................................. 702.2. A comunicao visual .............................................. 712.2.1. O mergulho nas cores .......................................... 72

    3. A histria de Marlene ...................................................... 74

    5. Referncia bibliogrfica ......................................................... 77

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    1 - Introduo

    O Projeto VIGISUS, na rea Programtica III, tem como eixo estruturantea preveno e controle de doenas na Amaznia Legal (febre amarela, hepati-te B, malria, tuberculose, hansenase, leishmaniose tegumentar americana eleishmaniose visceral). A educao em sade, neste projeto, consideradacomo processo potencializador da descentralizao de aes e servios narede hierarquizada do Sistema nico de Sade- SUS e o exerccio do controlesocial sobre esses servios, no sentido de que estes respondam s necessida-des da populao e esta de forma consciente, o procure para melhoria daqualidade de vida, sua e da coletividade.

    Ao se desenvolver uma ao sistemtica e comprometida com estesprincpios d-se maior visibilidade ao sistema, permite o exerccio da cidada-nia, possibilitando que a sociedade atue, tambm, na construo de um siste-ma de vigilncia sade, estando atenta aos eventos que ocorrem e agindo nocontrole dos eventos adversos.

    A educao em sade e a comunicao nesta proposta tm o sentido de:

    formar o pensamento crtico das pessoas para reconhecer seus pro-blemas e atuar individual e coletivamente para solucion-los;

    trabalhar as relaes institucionais que acontecem nas diversas ins-tncias do Sistema nico e deste com outras organizaes governa-mentais e no governamentais na busca de parcerias para o desem-penho de suas funes; as relaes entre os profissionais de sade edestes com a comunidade medida que eles, com conscincia desuas responsabilidades, dentro e fora do sistema, melhoram aqualidade do atendimento e socializam as informaes; e da popu-lao com os servios, quando, de posse das informaes, buscaestes servios em resposta s suas necessidades para preveno,promoo de sua sade e controle das doenas e exerce o controlesocial sobre o mesmo sistema;

    buscar e disponibilizar aos gestores das Secretarias Estaduais deSade metodologias e tecnologias facilitadoras de prticas de educa-o e formas de comunicao que respeitem a cultura local e aparticipao real dos grupos sociais na mobilizao social.

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    Este processo educativo aqui proposto desenvolvido via oficinas deeducao em sade e comunicao que reforar a capacidade gerencial etcnica das Secretarias de Sade na descentralizao e reorganizao de aes,na construo coletiva do conhecimento, na apropriao de metodologias etecnologias que permitam o resgate da cultura local e estimule os produtoresculturais da regio e formadores de opinio, no seu agir coletivo, desempe-nharem o seu papel nas aes de preveno, controle e vigilncia de agravospreconizadas pelo projeto. Os tcnicos e populao so sujeitos (atores) que,debruados sobre a realidade, procuram compreend-la, desvend-la e atuarsobre ela para transform-la. E, medida que vo transformando esta realida-de vo se transformando tambm.

    As oficinas assim pensadas e criadas pela ASCOM/ FUNASA junto com oVIGISUS/ rea Programtica III, e amplamente discutidas e rediscutidas numprocesso de idas e vindas , desde 1998, com os setores e reas tcnicas quecompem o projeto, foram aperfeioadas e, agora, disponibilizadas aos gestoresestaduais e municipais.

    A formulao destas oficinas no Estado inicia- se pela pactuao tcnicae poltica da FUNASA com a Secretaria de Sade do Estado e posteriormentedeste com o municpio identificando interesse e firmando compromisso e apoioinstitucional realizao e manuteno do processo e o fomento de parceriascom a sociedade civil que facilitar a realizao da oficina e a permanncia deinfra estrutura tcnica para sua recriao e expanso aos demais municpios.Em seguida, realizado o levantamento no municpio pelos tcnicos consulto-res junto com os da Secretaria Estadual e Municipal de Sade, onde se tem umretrato da situao, teia de relaes, recursos locais e se delineia toda aoficina com seleo de participantes previstos com a garantia de pelo menos50% da sociedade civil. Neste momento, com o trabalho compartilhado, es-pera-se que j se inicie um processo de aprendizado e organizao coletiva.

    O segundo momento o da oficina propriamente dita onde se esperaque, alm da viso global do SUS, do processo que fundamenta a prtica deeducao em sade e comunicao e contedos especficos do agravo emquesto, os participantes produzam suas peas de comunicao de apoio prtica educativa.

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    O terceiro momento a utilizao do processo e dos instrumentoscriados no controle da doena selecionada conforme indicadoresepidemiolgicos e acompanhamento da proposta via indicadores criados naprpria oficina para tal fim e de um sistema de monitoramento e avaliao.

    As oficinas tm um efeito cumulativo e, a cada aplicao, a propostadever ser melhorada num processo constante de construo e reconstruoda metodologia.

    A educao continuada poder ser feita atravs de superviso e demonitoramento dos Estados e Municpios.

    Este material composto desta introduo que define tcnica e politi-camente a opo pelo tipo de educao e comunicao defendida , a oportu-nidade dessa discusso, a necessidade de desenvolver tecnologias de constru-o coletiva e de estratgias de educao em sade e comunicaocontextualizadas, os caminhos a serem percorridos desde a preparao dasoficinas, sua operacionalizao composta por diversos momentos que seentrelaam e se interrelacionam e descrevem o produto da vivncia de duasoficinas utilizando a metodologia eleita.

    2 - Passos para operacionalizao das oficinas

    2.1 - Pr-oficina

    A montagem de uma oficina requer negociaes prvias para que opessoal tcnico/poltico manifeste seu interesse em realizar o evento, traba-lhando em parceria com os diversos atores sociais, disponibilizando recursose estrutura. Os critrios de escolha do Municpio sede da oficina so decunho epidemiolgico e organizacional.

    Este momento a base para a realizao da oficina porque a negocia-o prvia com as Secretarias e a visita de reconhecimento e diagnstico localdo sustentabilidade ao processo. Pactuao igual a compromisso no forta-lecimento de parcerias, antes, durante e depois. O levantamento de informa-es nesta fase feito junto a diferentes fontes:

    informaes j disponveis como pesquisa bibliogrfica, internet, do-cumental, dados do sistema de informao local , estadual e nacional;

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    informaes elaboradas e sistematizadas pelo tcnico como entre-vistas com diferentes segmentos da populao, representaes po-pulares, polticas, religiosas, ONG, observao participante, visita instituies, reunies;

    Ele constitudo das seguintes etapas:

    pactuao tcnico-poltica com o Secretrio Estadual de Sade paraapoio realizao da oficina;

    reunio tcnica com os responsveis das reas de Vigilncia em Sadeou Vigilncia Epidemiolgica, Programa de Imunizaes ou reatcnica do agravo especfico objeto da ao, Educao em Sade eComunicao Social e outros tcnicos e instituies e organizaessociais convidadas pelo gestor estadual, para conhecimento e anli-se da proposta, anlise dos indicadores epidemiolgicos;

    escolha do Municpio que sediar a realizao da oficina segundocritrios epidemiolgicos e de cunho operacional;

    pactuao do Estado com o Municpio verificando interesse rea-lizao do evento;

    visita ao Municpio para reconhecimento da realidade local comobjetivo de:- apresentar a proposta aos gestores municipais (prefeito, secret-

    rio de sade, tcnicos do nvel central da Secretaria Municipal deSade e outros definidos pelo Municpio);

    - integrar com os tcnicos do Estado e do Municpio para discutir ametodologia do trabalho de campo, analisar as informaes dis-ponveis (documentos, dados do sistema de informao de sa-de);

    - caracterizar a populao e seu territrio; traar o perfil de sadedo Municpio;.

    - identificar os recursos estruturais existentes no Municpio, pararealizao da oficina;

    - identificar e contatar representaes populares, instituies deinfluncia no Municpio, organizaes governamentais e no go-vernamentais, representantes de diversos segmentos da popula-o;

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    - realizar levantamento dos aspectos culturais, formas de organi-zao, informaes;

    - identificar pessoas e grupos formadores de opinio para cederinformaes e participar das oficinas (representantes dos diver-sos segmentos da populao devem compor o corpo de alunos:organizaes sociais, polticas, religiosas, conselhos, agentes co-munitrios, produtores culturais, curadores populares, setor deproduo, associaes, empresas, setor de prestao de servi-os, alm das instituies pblicas);

    - programar a oficina e agend-la de acordo com o calendrio doMunicpio;

    - checar espaos para a realizao da oficina.

    Todos os dados coletados devem ser registrados em um dirio de cam-po e na forma audiovisual; como memria da pesquisa de campo devem serorganizados, catalogados, sumariados e iro subsidiar todo o processo deorganizao e realizao da oficina.

    Outro aspecto importante o envolvimento do pblico alvo na elabo-rao do processo, de forma que mude seu papel de ator para o de autor, deespectador e receptor para co-autor e co-produtor, o que fundamental paraproduzir mudanas.

    2.2 - Oficina

    A realizao desta oficina requer certos cuidados para definir aesconcretas de educao e comunicao como processo continuado, como, porexemplo,no desperdiar tempo e dinheiro para que se produza um materialque respeite as caractersticas epidemiolgicas e socioculturais da regio ondeser aplicado. Alm disso, para que essas aes constituam um processo demobilizao social, deve-se garantir a participao efetiva dos diferentes seg-mentos sociais.

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    Objetivo geral da oficina:

    Promover o desenvolvimento de mtodos e processos de educao emsade e comunicao para acesso e apropriao do conhecimento em sadee produo de materiais de apoio prtica educativa desenvolvida nos servi-os e na relao destes com a comunidade, estimulando e valorizando oscanais existentes de comunicao.

    Objetivos especficos da oficina:

    Identificar os atores locais visando pactuao de apoios e parceri-as polticas, administrativas e tcnicas, integrando os vrios segmen-tos da sociedade e instncias gestoras.

    Contextualizar as aes de educao em sade e comunicao. Discutir o conceito de processo enquanto ato contnuo imprescin-

    dvel eficincia, eficcia e efetividade dos resultados em educaoem sade e comunicao no controle do agravo.

    Participar na promoo do resgate da identidade cultural local, uti-lizando-a como suporte aos processos de criao de produtos decomunicao e de atitudes educativas.

    Instrumentalizar a gerncia das aes de educao em sade e decomunicao pelo municpio.

    Estrutura da oficina (programao da oficinano anexo 1, pgina 53)

    1o. Momento

    Contextualizao da atividade: mesas e painis sobre o SUS - nacional elocal, doenas da Amaznia Legal, a malria, ou febre amarela, ou outroagravo na Amaznia e importncia das estratgias de educao em sade ecomunicao no seu enfrentamento.

    Esta mesa tem a finalidade de situar os participantes sobre os motivosda atividade do ponto de vista tcnico e no aspecto poltico. No nvel poltico

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    desenvolvido atravs de um painel que debate o SUS. No nvel tcnico atravsda descrio da situao epidemiolgica dos agravos que esto em pauta,relacionando-os com as estratgias de educao em sade e comunicaopara o seu enfrentamento.

    Todos estes momentos so interativos, havendo dinmica prpria paracada um deles.

    2o. Momento

    Como desenvolver aes de educao em sade e comunicao.

    Faz-se aqui o levantamento do conceito de educao em sade e comu-nicao para que os participantes analisem a educao e a comunicao quetemos e a que queremos ter e identifiquem as diversas opes pedaggicasque orientam a prtica educativa e as diferentes formas e processo de comu-nicao. Podem ser utilizadas as tcnicas de dramatizao, trabalho em pe-quenos grupos, dinmica de construo do conhecimento, a esttua viva, asesculturas, a linha da vida, Jri simulado, entre outras .

    3o. Momento

    Criao coletiva do texto: diferentes segmentos Integrao; Sensibilizao; Produo.

    Divide-se a equipe em pelo menos trs grupos para facilitar a interaoe o trabalho de grupo, intercalando momentos em conjunto no grande grupo.Utiliza-se a dinmica da fofoca e a dinmica do desenho. Logo aps, para acriao do tema central e o mote, trabalha-se no grande grupo resgatando oconhecimento popular e sistematizando o conhecimento do agravo sob o pontode vista epidemiolgico a partir do conhecimento de cada um, reconstruindocoletivamente o saber . Depois, subdividem-se novamente nos mesmos gruposformados anteriormente, para criao de textos e peas, culminando no mo-mento seguinte.

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    4o. Momento

    Criao das imagens e som: artistas locais; Arte-finalizao: artista grfico local.

    Utiliza-se o trabalho em pequenos grupos de acordo com a escolha dapea a ser trabalhada tendo como eixo o tema central que foi escolhido empainel no momento anterior.

    5o. Momento

    Reproduo: empresa de xerox local.

    Neste momento, enquanto se finalizam e se reproduzem as peas paraapresentao, resgatam-se todos as situaes e os momentos educativos emque elas podem ser utilizadas, de acordo com a opo feita pelos participantespara o tipo de educao e comunicao eleita.

    6o. Momento

    Capacitao dos multiplicadores do Estado para a reproduo das ofi-cinas em outros Municpios e dos multiplicadores do Municpio para uso dosinstrumentos nas aes planejadas de educao em sade e comunicao nocontrole da malria ou febre amarela, ou outro agravo: diferentes segmentoscomo participantes na criao do texto coletivo.

    Planejamento das aes e elaborao dos indicadores e instrumentosde avaliao e monitoramento.

    Neste momento afina-se a capacitao dos monitores, confluindo para aescolha coletiva destes, levando em considerao critrios preestabelecidos:

    - facilidade de comunicao,- habilidade em ouvir opinies e de estimular a sistematizao do

    conhecimento e de propostas,- viso critica e criativa,- participao em todo o treinamento,- capacidade de monitoramento estimulando a livre manifestao de

    idias sem atitudes preestabelecidas.

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    Logo aps, intercalando dinmica de grupo com plenrias, planejam-se as aes e estratgias para a reedio das oficinas nos demais municpios ea utilizao das peas produzidas como apoio prtica educativa no controledo agravo. Constroem-se aqui os indicadores para acompanhamento das aes.

    Momentos paralelos:

    Oficinas de artes, cultura, reciclagem, etc.

    Produtos esperados:

    Criao de um processo de educao em sade e de comunicao parao controle de agravos (malria, ou febre amarela, ou outro) baseado na valo-rizao da comunicao oral, predominante na regio.

    Estratgia: O uso de histria, para situar a comunicao no contosociocultural da regio - Palmiteiro, lenhador, caador, mosquito, linguagem:msica, teatro de bonecos, cartum.

    Peas: dramatizao usando teatro de bonecos - para ser exibido nasreunies de vacinao, ou outra ao de controle, em escolas; camiseta, paraos participantes; folder com histria infantil e cartaz para apoiar a comuni-cao interpessoal, nas reunies, escolas, etc., jingle para veicular no rdioe no sistema de alto-falantes.

    Finalizao das peas utilizando os meios de produo locais. Camisetas e cartuns; Bonecos; Arte do cartaz e folder, no computador; Musicalizao do jingle;

    Pblico alvo:

    20 participantes- 10 do governo estadual e/ou municipal e 10 representantes da

    sociedade civil.

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    A oficina tem um carter preponderante de instrumentalizao tcnica,mas seus desdobramentos dependero do apoio poltico e logstico dos dife-rentes segmentos sociais.

    Para tanto, o primeiro momento dos trabalhos - na noite de aberturado evento, ter por objetivos, alm de contextualizar a atividade e dar os devidoscrditos, promover sensibilizao. Isso ser feito atravs de uma mesa deabertura composta pelas instituies de sade e afins, pelos gestores municipaise representantes da populao, seguida de um painel sobre o SUS - nacionale local, as doenas da Amaznia Legal e a importncia das estratgias deeducao em sade e comunicao no seu enfrentamento. Dessa forma, estar-se- garantindo a discusso tcnico-poltica sobre o SUS, a descentralizaodas aes entre os diferentes nveis e segmentos, a partir da problemticalocal, caldo de cultura onde ocorre o agravo e/ou o risco da malria, febreamarela, hepatite B ou outro agravo.

    Isso feito, continuam-se os trabalhos, promovendo-se a apresentaoentre os diferentes participantes, com o objetivo de facilitar conhecimento decada um e identificar a que vieram.

    A fase seguinte de liberao que contm atividades que se caracte-rizam, principalmente, por solicitar uma grande participao fsica: mobilida-de, agilidade, reflexo, coordenao, desinibio e que tem como objetivo al-canar uma fluncia expressiva e minimizar as barreiras individuais e grupais.Assim integrados, ser facilitado o trabalho de sensibilizao que tem comoobjetivo desenvolver a percepo sensorial do participante e faz-lo vivenciardiversas formas de contato com a temtica1 - insumos para os momentos pos-teriores.

    Para tanto, a primeira tarefa de identificao do que educao emsade e comunicao, como podem ocorrer na prtica, como a priorizao eexplicao da problemtica de sade do Municpio. Esse recurso necess-rio para que possamos enfocar malria, febre amarela, de forma

    1 As referncias s fases de liberao, sensibilizao e produo foram extradas e/ou baseadas no Manual de

    Criatividades de autoria de Paulo Dourado e Maria Eugnia Viveiros Milet, publicado em Salvador pela Secretaria de

    Educao e Cultura da Bahia, em 1984.

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    contextualizada, fazendo com que a sua discusso ganhe sentido, inclusivepela no identificao desse agravo enquanto problema de sade significante,conforme avaliado na visita de reconhecimento.

    A partir dessa discusso, um tcnico sistematizar os conhecimentossobre as doenas da Amaznia Legal, caracterizando-as de forma didtica eobjetiva. Observa-se aqui que os detalhes necessrios qualidade da informa-o contida nos produtos/peas sero trazidos por esse tcnico durante mo-mento subseqente, onde se qualificaro as peas de comunicao. O segun-do momento da sensibilizao temtica de contato e anlise com diferentesmeios de comunicao, bem como as estratgias pedaggicas neles contidas.Para isso, sero apresentadas, analisadas e discutidas, peas em circulao,das mais variadas formas: cartazes, folders, vdeos, teatro, informativos, etc.

    A partir desses momentos de integrao, liberao, sensibilizao esubsidiao temtica e tecnolgica, j haver condies para que a produ-o coletiva se processe atravs de grupos de trabalho que tero se conforma-do pelas identidades, ento, construdas.

    A tarefa dos grupos ser conceber a idia central da ao educativa ecampanha e textos de referncias, que tero sua verso final definida apsexerccio de consenso no grande grupo. Para isso, devero definir, primeiro,o pblico sujeito das aes e, segundo, o mote da campanha e os passos daao educativa, ou seja, qual o objetivo, o que se pretende com este trabalho. muito importante definir o pblico pois este perfil que nos vai orientar,tambm, para a construo das peas de comunicao. preciso estar atento linguagem, crenas, costumes e necessidades do referido pblico, sob penade no se conseguir a completa compreenso do que se est fazendo.

    Em relao ao mote, preciso eleger um aspecto importante doque se quer comunicar. Uma idia de cada vez, seno o pblico receptor fica-r confuso. No caso da malria, o que mais importante: O diagnstico preco-ce ou o combate ao vetor? No caso da febre amarela, a vacinao? Sabe-seque praticamente impossvel evitar o contato com o mosquito em rea comaltos ndices de infestao. Assim, fica bvio que o diagnstico precoce e otratamento a melhor preveno, para quebrar a cadeia epidemiolgica damalria e, na febre amarela, a vacinao.

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    Retornando aos grupos, cada um trabalhar num tipo de pea. Assim,haver mensagens de rdio, cartaz, folhetos, teatro de bonecos. Cada grupotrabalhar em cima do tema central e dos textos, adequando-os a cada pea ecriando imagens e sons para seu suporte audiovisual. Em relao s peaseleitas, sabe-se que a Amaznia uma regio com forte cultura oral, cujasformas mais eficientes so o rdio e a comunicao interpessoal. Dessa for-ma, sugere-se o rdio como grande difusor local; os folhetos e cartazes comomaterial de fixao e imagtico - ambos orientadores da comunicaointerpessoal, alm do teatro de bonecos como elemento sensibilizador, en-quanto potencial espao de criatividade e adaptao.

    2.3 - Ps-oficina

    Indicadores de acompanhamento e avaliao douso das estratgias

    Os indicadores criados durante a oficina e outros j consagrados eescolhidos sero utilizados para avaliar e monitorar as aes educativas e decomunicao, bem como o material de apoio s estratgias planejadas e colo-cadas em prtica. Eles podero ser enriquecidos e at modificados conformeo agravo objeto de controle e a realidade a ser transformada.

    Nmero de pessoas que procuram os servios para diagnstico etratamento.

    Nmero de pessoas com tratamento concludo. Nmero de pessoas que procuram informaes sobre a doena:

    - nos servios de sade (agentes comunitrios de sade, PSF, pos-tos de sade)

    - junto s lideranas. Aumento da demanda de diagnstico e tratamento na unidade local

    de sade. Nmero de pessoas que procuraram os servios para ser vacinadas. Das pessoas que procuraram os servios, de onde receberam a in-

    formao?

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    Aumento da notificao. Cobertura vacinal. Nmero de vezes que o material foi usado.

    - nas escolas (nas atividades transversais).- nas rdios (insero das chamadas, programa, temtica).- nas igrejas (insero nos avisos, temtica de sermes, cultos,

    reunies, pastorais). Nmero de pessoas presentes amostragem do material.

    - nas escolas (nmero de alunos presentes em sala onde a temticafoi abordada).

    - nas rdios (audincia).- nas igrejas e templos (nmero de pessoas presentes).

    Conhecimento da populao sobre a malria, febre amarela ou ou-tro agravo, ou ao de sade.- aplicar questionrio antes e depois do uso das estratgias.

    Diminuio do nmero de casos de malria no municpio. Aplicao de pesquisa de opinio ps desenvolvimento das aes.

    3 - Relato de experincias

    3.1 - Uma experincia de atuao em um agra-vo com mudana de foco do controle paradiagnstico precoce e tratamento - A ma-lria.

    Prefeitura Municipal de Manacapuru- AmazonasSecretaria Municipal de Sade de Manacapuru

    Histrico

    Manacapuru est situada s margens do rio Solimes e dista de Manaus84 km. Ligada por via terrestre e balsa.

    Tem uma populao de 73.000 habitantes com 65% na rea urbana e35% na rea rural.

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    As atividades so de extrao de madeira, produo de malva ehortifrutigrangeiros.

    As doenas mais prevalentes so a malria e a hansenase.

    A oficina

    A Oficina de Educao em Sade e Comunicao no controle da Mal-ria em Manacapuru, desde a sua fase preparatria, foi construda passo apasso com o municpio, com a participao dos comunitrios. A suametodologia demonstrou que possvel fazer as coisas sem obedecer a umpacote de idias pr-elaborado, e todos, tcnicos e comunidade, podem pro-duzir as suas prprias peas e traar suas aes para atuar no controle dedoenas, utilizando as suas expresses culturais e formas de organizao paramobilizar pessoas e instituies.

    Nessa oficina, o tema bsico foi o controle da malria.

    Houve ampla participao dos nveis federal e municipal.

    O objetivo para o tema base, de acordo com o diagnstico realizado napr-oficina, foi fixar na populao a informao de que o carapan, ao picar,transmite a malria; a importncia do diagnstico precoce e o no abandonoao tratamento para interrupo da cadeia epidemiolgica. Trabalhou- se namudana de paradigma do controle da malria cujo enfoque era o combateao mosquito. Relacionou- se a preveno da malria com os horrios em queo mosquito mais ataca, de manh e ao anoitecer.

    As peas produzidas para apoiar o trabalho do municpio foram:

    Programa de rdio Cartazes Cartilha em desenho para escolares Calendrio Pea de teatro de bonecos Camisetas Jingles Textos foguetes.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 25

    Ao final da oficina, as peas produzidas foram apresentadas popula-o em uma reunio coletiva com a comunidade presente.

    Ps-oficina, este material foi reproduzido e a cartilha, como os demaismateriais cuja arte final ficou pronta na oficina, foi impressa para ser trabalhadanas escolas. As fitas K-7 reproduzidas foram enviadas para as rdios, inclusive deManaus, ouvidas em Manacapuru, para serem inseridas e veiculadas.

    Todo este material est sendo trabalhado com as instituies e pessoas,e no simplesmente entregue.

    Nos dias 11, 12 e 13 de abril, a proposta e os produtos gerados naoficina sero apresentados na reunio dos Secretrios Municipais de Sadedo Amazonas, como efeito demonstrao e estratgia para os demais munic-pios do Estado.

    Est planejado, tambm, trabalhar os professores como multiplicadores.

    Os agentes comunitrios de sade j treinados em tuberculose,hansenase e malria, sero envolvidos nas aes.

    Ser utilizado o COSEMS do Amazonas para apresentar o material pro-duzido, nos dois temas, para evitar nos outros Estados novos motes das mes-mas enfermidades.

    Como desdobramento da oficina de Manacapuru, a Vigilncia em Sa-de da Secretaria Estadual de Sade do Amazonas articula a reproduo daspeas para o prprio Estado no controle da malria. Considera, antes de maisnada, que as estratgias para o conhecimento e apropriao deste trabalhopelos gestores deve ser primeiro no Estado. Preocupa- se com a reproduoda oficina em outros municpios, que no tm a estrutura de Manacapuru. Aparticipao da Secretaria Estadual deu-se na fase de pactuao com escolhado municpio, baseada em dados epidemiolgicos, interesse e condies deinfra-estrutura, sendo impossvel participar da fase de sua execuo. Comofruto destas experincias, a Vigilncia em Sade vai verificar estratgias para oprprio Estado do Amazonas, identificando a vantagem de no ser um pacotepronto e a necessidade da formao de multiplicador da prpria Secretaria.

  • Peas produzidas

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 29

    Programa de rdio

    Caracterstica: Informativo especial

    Programa: A Hora da SadeDurao: 15 minutos

    Apresentao: Hliton Nogueira e Larissa Ferreira

    Vinheta de Abertura : rap malria.

    Loc. 1: Bom dia! Estamos iniciando mais um programa A HORA DA SADE /// Hoje 13 dedezembro de 1999 /// Apresentao Larissa Ferreira e Hliton Nogueira.

    Loc. 2: Nosso programa de hoje muito especial /// hoje falaremos sobre uma doena muito

    grave.

    Loc. 1: A malria. E para falar sobre esta doena, ns contamos, em nosso estdio, com a

    presena da mdica da Secretaria Municipal de Sade, Edleusa Costa, o Inspetor de

    Endemias de malria da Fundao Nacional de Sade, Augusto Carneiro e a Coorde-

    nadora dos Agentes de Sade, da SEMSA, Enfermeira Nazar Campos.

    Loc. 2: Vamos fazer a primeira pergunta. Dra. Edleuza Costa

    Perguntas mdica:

    1) O que a pessoa sente quando est com malria?

    2) E o que deve ser feito?

    3) Por que as pessoas morrem de malria?

    Loc. 1: Agora, vamos ouvir uma msica. Daqui a pouco, ns voltamos com mais informaes

    sobre a Malria.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 30

    Msica: rap da malria

    Agora vou lhe falarPreste bastante ateno...

    Malria problemaVamos encontrar a soluo

    Para no ficar doente melhor se cuidar

    No deixando o carapan te picarRefro: Malria ....

    Malria .....Malria no..no..no

    Ento, desta forma que vamos conseguirTratando logo cedo

    E indo por aFalando de casa em casa

    Vamos comunicarA doena tem cura e vamos acabar

    Refro:...

    Loc. 2: Estamos de volta com nosso programa A HORA DA SADE /// E agora vamos entre-vistar o Inspetor de Malria da FUNASA e a Enf. Coordenadora dos Agentes de Sade.

    Inspetor Augusto Carneiro...

    Perguntas:

    1) Como se pega malria?

    2) Quantos casos ns temos de malria aqui em Manacapuru?

    3) Quais so os problemas enfrentados pela sade?

    Enfermeira Nazar Campos...

    1) Qual seria a participao dos Agentes de Sade, no combate malria?

    Loc. 1: Nosso programa fica por aqui. Bom dia!!

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 31

    Loc. 2: Bom dia!!! Mais para encerrar.. vamos deixar uma msica.

    Vinheta de encerramento: Boi-Bumb

    Msica: boi-bumb

    Refro: Quero ver meu povo se cuidando pra valer e..e..ee..!Quero ver meu povo fazendo acontecer e..e..e..!

    Quanta emooBate corao

    Voc vai se cuidarPreste ateno

    Malria a doenaVamos acabar

    Tratando at o fimSem se relaxar

    Refro: Quero ver meu povo se cuidando pra valer e..e..e!Quero ver meu povo fazendo acontecer e..e..e..!

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    Cartazes

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    Cartilha em desenho para escolares

    Certo dia o Pedrinho veio logome contar que seu pai teve febre,frio e tremedeira de no poder

    suportar

    Foi ento que eu lembrei o que oagente falou, que o Carapan daMalria pode esta febre causar.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 34

    Calendrio

    Pea de teatro de bonecos

    Pea teatral

    Tema: Malria uma estria real

    Narrador: Uma dia Pedro Pescador resolveuvisitar seu compadre Z da Canoa.

    Pedro Pescador: Oh de casa! Bom dia coma-dre! Cad o compadre.. tabem?

    Comadre Maria: Entre compadre. Olha! O meuvelho no anda muito bemno, no sabe?

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 35

    Pedro Pescador: O que ele tem comadre? O compadre Z da Canoa to macho e agora tdando moleza.

    Comadre Maria: No isso no. Pra falar a verdade, eu acho que deve ser uma gripe ou amalria. V l com ele.

    Narrador: Pedro entrou e encontrou Z da Canoa muito plido e abatido. Esticado no fundode uma rede, tremendo e com voz fraca.

    Pedro Pescador: Ol Z da Canoa! Como vai meu compadre? No to nem te reconhecendo.Tu t parecido com uma alma penada.

    Z da Canoa: Ah compadre! Eu nem vou e nem venho, eu s t nessa: bem mal, com febrealta e vmitos, acho que estou com malria.

    Narrador: Pedro fica preocupado e logo, comenta:Pedro Pescador: mesmo. Essa deve ser essa tal de malria.Z da Canoa: isso mesmo. a malriaPedro Pescador: Isto uma doena. Um dia, numa dessas reunies da nossa comunidade,

    dona Josefina, que agente comunitria de sade, falou sobre esse assun-to e deu alguns exemplos pra ns. Ela disse que a malria parecida comisso a que voc est sentido. uma tal de malria, maleita, sezo, impalu-dismo, tremedeira, tudo uma coisa s. Tem tanto do nome que eu nemsei todos. Agora o senhor me deculpa, mas a culpa sua, pois t a todomolengo. Quem sbio no adoece.

    Comadre Maria: (Entra com cafezinho) E a compadre, j conversou com meu velho. Eutrouxe um cafezinho aqui pra ns.

    Pedro Pescador: Puxa vida, que bom! Muito agradecido pelo neguinho.Comadre Maria: No h de qu. Mas compadre e a, o que ser que meu velho tem?Pedro Pescador: Comadre, eu acho que a malria. Eu no tenho certeza, mas vamos

    chamar a agente de sade de nossa comunidade. Ela vai ter que resolver,pois, eu escutei no radinho l de casa que o pessoal que trabalha furandodedo foram pegos por um temporal medonho era gua que no paravade cair um forte banzeiro. E pra completar, o barco que eles vinham, foiatingindo por um raio. Foi gente caindo ngua e outros at parece quepegaram choque.

    Comadre Maria: Ave Maria! Minha Nossa Senhora! Ser que morreu algum?Pedro Pescador: Graas a Deus que no. Mas, a gente daqui da nossa comunidade j foi

    treinada para o servio de combate a essa doena.Comadre Maria: Tomara que sim, pois eu no agento mais ver meu velho sofrer. Mas, j

    tarde compadre vamos dormir e amanh, bem cedinho, vamos chamar aagente de sade.

    Narrador: No dia seguinte, bem cedinho, quando o galo ainda cantava, eles foram chamar osagentes. Minutos depois... entram dois agentes de sade na casa de Z da Canoa.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 36

    Agente: Bom dia! Viemos ver o seu Z da Canoa, disseram que ele estava doente, com febre. verdade?

    Comadre Maria: sim, Graas a Deus que vocs chegaram. Meu marido est com muitafebre e tremedeira. Vamos entrando.

    Agente: Oi, Seu Z. Ns viemos lhe ver. mesmo, o senhor est com febre alta. D licena, euvou furar seu dedo para fazer o exame, s assim a gente pode saber se o senhor estcom a malria.

    Narrador: O agente colhe o sangue e faz o exame na hora.Agente: Seu Z, o senhor est com malria mesmo.Z da Canoa: E agora? Como eu fao para me curar?Agente: facil. s o senhor seguir a nossa orientao e fazer o tratamento todo, sem inter-

    romper, tomando todos os comprimidos que ns vamos lhe passarZ da Canoa: Mas, como foi que eu peguei essa danada?Agente: Ah! Isso uma doena transmitida por um carapan prego, chamado Anophelino.

    Esse tal carapan, depois de chupar o sangue de uma pessoa doente vai passando adoena para todos que for picando.

    Narrador: Depois de medicado Z da Canoa agradeceu agente de sade. Elas se despedem,orientando o paciente.

    Agente: Seu Z, lembre que importante que o senhor no pare de tomar o remdio. Mesmodepois que a febre passar o senhor tem que continuar tomando os comprimidos ato final. No esquea, para o senhor se curar definitivamente, ter que tomar todo oremdio.

    Z da Canoa: Vou seguir seu conselho, no quero passar por uma dessas de novo. Obrigado,os senhores salvaram a minha vida.

    Todos os atores: Malria Trate cedo e v at o fim

    Elaborado na Oficina de MalriaAutor: Francely Sales dos Santos (Frana)Perodo: Dia 05 a 13 de dezembro de 1999Local: Manacapuru Amazonas.

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    Camiseta

    Jingles

    Boi bumb

    Refro: Quero ver meu povo se cuidando pra valer e..e..ee..!Quero ver meu povo fazendo acontecer e..e..e..!

    Quanta emooBate corao

    Voc vai se cuidarPreste ateno

    Malria a doenaVamos acabar

    Tratando at o fimSem se relachar

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 38

    Texto foguetes

    1 Malria! Trate-se cedo e v at o fim.

    2 O carapan da malria tem horrio.

    3 Seja inteligente no abadone seu tratamento.

    4 O carapan da Malria pica qualquer pessoa, no seja uma delas!

    5 Para controlar a Malria preciso se cuidar. Ao primeiro sinal de febre, procureo posto de Sade mais prximo de sua casa.

    6 Malria. Entre nesta luta conosco, colabore e faa seu tratamento at o fim.

    7 A Malria uma doena grave, e para curar melhor tomar todo medicamentoat o final.

    3.2 - Uma experincia de atuao cujo foco docontrole do agravo a imunizao - febreamarela.

    Prefeitura Municipal de Afu- ParSecretaria Municipal de Sade de Afu

    Histrico

    Afu localiza-se margem direita do rio Afu, na zona fisiogrfica dosfuros. Limita- se ao norte pela Ilha Caviana, a leste pelos municpios de Chavese Anajs, ao Sul pelo municpio de Breves e a oeste pelo Estado do Amap,cuja capital Macap sua referncia mais prxima: 4:30 a 5:00h de barco .Da capital do Par Belm, sua segunda maior referncia, dista 254 km, delinha reta, que corresponde a uma hora de txi areo ou 36 horas de barco.

    Sua populao de 26. 981 habitantes, com 7.150 na rea urbana e19.831 na rea rural (que se espalha na microrregio dos furos).

    Possui seis distritos: Ilha do Par, Charapucu, Jurupari, Cajuuna, Baturite Sede, distribudos em um territrio de 5.438 km.

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    O Municpio apresenta peculiaridades, possuindo um extenso volume degua, banhado pela baa do Vieira, que ocupa grande parte do Municpio e odivide praticamente ao meio, justificando a baixa densidade demogrfica. Emvirtude dessas peculiaridades e populao do distrito da Ilha do Par, encontra-se mais prxima do Estado do Amap em relao sede de Afu, utilizando-sedos recursos do recursos deste Estado. Em contrapartida, os moradores dosMunicpios vizinhos (Chaves e Anajs), demandam para a sede de Afu.

    Afu construda sobre palafitas interligadas por pontes. O terreno influenciado pela dinmica das enchentes das guas barrentas, o que d as-pecto peculiar ao solo de vrzea (igaraps) igaps.

    A atividade mais expansiva na estrutura produtiva est no setor prim-rio: no extrativismo animal, destaca-se a pesca do camaro, no vegetal, a ex-trao de madeira em toras e a industrializao do palmito de aa.

    Apresenta 216 escolas, uma unidade mista, 23 postos de sade e 36agentes comunitrios de sade (A. C. S.) com seis na sede e 30 na zona rural.

    FFFFFicha de situao vacinal contra febre amarelaicha de situao vacinal contra febre amarelaicha de situao vacinal contra febre amarelaicha de situao vacinal contra febre amarelaicha de situao vacinal contra febre amarela

    VVVVVacinao de bloqueioacinao de bloqueioacinao de bloqueioacinao de bloqueioacinao de bloqueio

    Nmero de dosesNmero de dosesNmero de dosesNmero de dosesNmero de doses AnoAnoAnoAnoAno

    2.361 1999

    MunicpioMunicpioMunicpioMunicpioMunicpio Nmeros de casosNmeros de casosNmeros de casosNmeros de casosNmeros de casos bitosbitosbitosbitosbitos AnoAnoAnoAnoAno

    17

    16

    03

    04

    1998

    1999

    Afu

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 40

    A oficina

    Em agosto de 1999, de 23 a 30, Afu contou com a presena de umaequipe de profissionais da Secretaria de Sade e Assessores da Fundao Na-cional de Sade - Projeto VIGISUS, que tiveram por objetivo o estudo e levan-tamento local para realizao de uma oficina de educao em sade e comu-nicao em febre amarela e, atravs de entrevistas individuais e coletivas, pes-quisas relatrios, obtiveram contedos e estratgias metodolgicas coerentescom o perfil encontrado na comunidade afuaense.

    Em outubro de 1999, os referidos tcnicos retornaram para a realiza-o da oficina, no perodo de 09 a 13 de outubro. Foram convidadas 20 pes-soas representantes do governo municipal, estadual e membros da comunida-de. O objetivo da oficina seria a construo de estratgias de educao emsade e comunicao para preveno da febre amarela com a coordenaoda Fundao e monitoria de Darlan Manoel Rosa e Terezinha Marques daSilva, consultores do projeto.

    A oficina foi repassada em cinco dias. A cada, dia tendo de incio umarecreao, para descontrair, foi obedecida toda a programao, que apresen-tava horrios estabelecidos e intervalos.

    O contedo programtico, apresentao terica pelos tcnicos emetodologia empregada corresponderam ao esperado.

    Os trabalhos em grupo com os participantes divididos por temticaescolhida, com posterior apresentao em plenria e avaliao obtiveram bonsresultados.

    Ao trmino da oficina, com a presena da comunidade e autoridadeslocais, foi apresentado o produto, constando de uma pea de teatro sobrefebre amarela, um programa de rdio ao vivo falando sobre a doena referida.No perodo ps-oficina, foi realizado pela secretaria de sade um plano deao para preveno de febre amarela e neste consta:

    Camiseta Cartaz Msica da febre amarela a ser tocada nas zonas urbana e rural.

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    Posto de vacinao fixa na orla da cidade. Vacinao de bloqueio na rea de risco. Programa de rdio com mensagens foguetes. Jingle. Montagem de peas teatrais na sede do municpio e na zona rural

    (atravs das escolas). Formulrio a ser preenchido nos hotis para cadastramento dos

    hspedes.O mote escolhido para a produo das peas foi baseado no levanta-

    mento de onde havia mais resistncia para vacinar, os mais velhos, com gran-de influncia sobre a populao.

    Slogan: J viveu muito? viva mais!vacine-se contra a febre amarela

    A montagem de peas teatrais com escolas e professores um trabalhoconjunto com a Secretaria Municipal de Educao como estratgia de integraode polticas, para atingir as 127 localidades nos furos e por entender quesade e educao so responsabilidades compartilhadas e extrapolam os li-mites da Secretaria. Um grupo apenas na sede do municpio no cobriria aslocalidades distantes. Portanto, cada escola ter o seu grupo cobrindo as es-colas e localidades.

    A msica composta para tocar nos barcos foi gravada e distribudas 70fitas para os barcos que percorrem toda a regio do municpio.

    A insero dos programas e mensagens foguetes na Rdio ComunitriaFM de Afu, Rdio Difusora de Macap, em todas as aes para o controle defebre amarela (oferta da vacina, bloqueio) tem um alcance mais extenso atin-gindo, tambm, as populaes distantes da sede.

    O formulrio para hotis, para cadastro de hspedes, utilizado paraverificao do estado vacinal dos clientes.

    O posto de vacinao na orla, com seu funcionamento permanente emlocal de maior afluxo da populao, passa a cobrir melhor as necessidades dapopulao e um resultado concreto no redirecioamento do servio. Ressal-ta-se, tambm, como positiva a elaborao do planejamento estratgico, ps-

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 42

    oficina, com vistas ao enfrentamento de problemas identificados, onde todasesta aes esto integradas s operaes.

    A oficina trouxe-nos uma nova abordagem como estratgias deenfrentamento para trabalhar na preveno de doenas. O entrave hoje iden-tificado a insuficincia de recursos financeiros.

    Houve um aumento de cobertura vacinal ps-oficina e de novembro ata presente data, no h registro de casos de febre amarela.

  • Peas produzidas

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    Camiseta

    Cartaz

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 46

    Pagode da vacinaAutor: Piska

    Olha a baranda chegandopra vacinar esse povochama Rosinha e Maria

    o Man, o Tonico e o JooPorque a Febre Amarela est a minha gente

    aproveita pr se vacinarquero ver esse povo sorrindo, feliz

    numa boa de papo por arSe voc j viveu muito

    viva mais que no nada malvamos juntos para esse combatee a Amaznia vai ficar mais legal

    Msica da febre amarela a ser tocadana zona urbana e rural

    Programa de rdio: O Minuto da Sade

    Locutor: Bom dia, estamos iniciando...Vinheta: Sarito tocando improviso da 9 Sinfonia de BethovenSlogan: Voc j viveu muito? Viva mais!Msica: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te picarLocutor: O mosquito est rondando Afu. Est rondando os aaizeiros, est na copa das

    rvoes, nos troncos e beira dos rios. Este mosquito o transmissor da FebreAmarela. Voc sabe o que Febre Amarela? uma doena febril aguda causadapor um vrus que compromete vrios rgos, sendo os rins e o fgado os maisatingidos.

    Slogan: Voc j viveu muito? Viva mais!Msica: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te pegar.Locutor: Voc sabe como a Febre Amarela se manifesta?

    Primeiro o doente apresenta dor de cabea acompanhada de febre alta, vmitose ictercia (pele amarelada). Os casos graves apresentam hemorragia, que osangramento pelo nariz, boca, ouvido e ainda convulses, delrios que levam morte. Se voc apresentar alguns destes sintomas, procure a unidade de sade ouposto de sade mais prximo de sua residncia.

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    Slogan: Voc j viveu muito? Viva mais!Msica: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te pegarLocutor: Voc sabe como se transmite a Febre Amarela?

    A Febre Amarela transmitida pelo mosquito que mora nas matas, bem pertinho dens. Este mosquito pega a Febre Amarela do macaco doente.Voc sabe quem pode se vacinar? Todas as pessoas, desde o beb de seis meses deidade at o vov e a vov.E para voc meu amigo papudinho que adora uma caipirinha, no se assuste. Avacina no tem contra-indicao, ou seja, pode tomar vacina e saborear a suacaipirinha.

    Slogan: Voc j viveu muito? Viva mais!Msica: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te pegarLocutor: Voc sabe se prevenir contra a Febre Amarela?

    Tomando uma dose da vacina que protege voc contra a febre amarela por umperodo de dez anos.Devemos eliminar criadouros de mosquito, que gostam de gua limpa e parada,como: garrafas, pneus, pratos de plantas, latas, caixas dgua sem tampa.

    Slogan: Voc j viveu muito? Viva mais!Msica: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te pegarLocutor: Apresentando a cantora Selma Nobre e a msica Doutor (verso, da msica Garon,

    nessa mesa de bar... de Reginaldo Rossi).Locutor: Apresentando a reprter Selma Nobre

    Reprter Selma Nobre, entrevista D. Vernica sobre a dificuldade dela para levar omarido para se vacinar.

    Locutor: Mensagem para o Rio PiraiauaraVov Joel, Ficamos felizes porque o Senhor tomou a vacina contra a Febre Amarela.Atenciosamente, seus filhos, genros, noras, netos e bisnetos.

    Locutor: Encerrando o programaSlogan: o bicho, o bicho, mosquitinho eu sou, vim pr te pegar

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    Mensagens foguetes

    1. Amigo viajante

    A Febre Amarela causa dor no corpo, sangramento pelo nariz, boca e ouvidos, levando opaciente a morte. Cuidado.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    2. Vov e Vov, vocs sabem o que Febre Amarela? uma febre alta que causa cor amarelada no corpo.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    3. Minha comadre e meu companheiro.Voc sabia que o mosquito transmissor da Febre Amarela mora perto de ns, nas florestase nas matas?Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    4. Voc sabia quais as pessoas convidadas para se vacinarem contra a Febre Amarela?Todas as pessoas a partir de seis meses de idade.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    5. Voc sabia que a vacina contra a Febre Amarela tem durao de dez anos?Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    6. Aps se vacinar, no esquea de andar com o seu carto de vacinao.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    7. Se voc vai viajar para qualquer regio do pas, no esquea de verificar se j tomou avacina contra a Febre Amarela.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

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    8. Amigo extrativista, s entre na mata se estiver vacinado. Trabalhe com sade.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    9. A Febre Amarela uma doena.S entre na mata vacinado.Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.

    JingleAutor: Piska

    No precisa chamar o enfermeiroNem precisa chamar o doutor

    O agente aplicou a vacinaO mosquito foi quem se ferrou.

    Peas criadas para a febre amarela

    Esquete da pea de teatro: Amarela a febre, vacina vida2.

    Personagens: Dois rapazes palmiteirosDona Quita (a av)O enfermeiroUma mocinha (neta)Um menino (neto) RaimundoA agente comunitria de sade

    1 Ato

    Cenrios: A frente de uma casa interiorana. Jovens e crianas conversam; ouve-se o barulhodo motor.

    2 Texto, encenado com bonecos foi escrito pela Professora e Vereadora Anamita Silva de Moura, partir das discus-

    ses coletivas da Oficina de Comunicao e Educao em Sade, realizada em Afu, de 09 a 13 de novembro de 1999.A histria verdica e foi relatada/confirmada aos consultores por diferentes pessoas da comunidade afuaense.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 50

    Maneco: - Ih! Pessoal escutem... o barulho de motor.Joo: mesmo! E a baranda. a tal da vacinao. Eles vm vacinar a gente!Maneco: , cara, mas eu que no vou ficar aqui pra isso. Vou me mandar. Esse negcio de

    furada no comigo. Vamos embora JooJoo: melhor a gente se mandar. Vamos correr para o mato que eu quero ver se eles vo

    achar a gente.

    (Os dois saem correndo)

    Raimundo: Ei, gente, pera! gua dos cara froxo!

    (Ouve-se voz de fora) (cachoro late)

    Enfermeiro: O de casa! D licena?

    (A av aparece)

    Av: Pode vir que os cachorro j caiu os dentes!

    (O enfermeiro aparece juntamente com os ACS)

    Enfermeiro: Bom dia pessoal! (Dirigindo-se a Av) Dona Quita, estamos trazendo a vacinacontra a Febre Amarela, que uma doena transmitida pelo carapan quemata as pessoas picadas por ele. E ns viemos justamente para prevenir contraessa terrvel doena. Nessa regio j est fazendo muitas vtimas e vocs, seno forem vacinados, tambm podem ser atingidos por ela. Onde esto osoutros moradores?

    Av: Pera que eu vou chamar.- Maneco! Joo! Cad essas pestes que no aparecem?

    Neta: Ih v, pois num que os dois correram para o mato. Eles disseram que no vo vacinar no!Av: (DIRIGINDO-SE AO ENFERMEIRO) - Pois ento, nem tem jeito! Eles no querem n?

    Pode vacinar esses outros a.Enfermeiro: Ento, vamos l pessoal!

    (A ACS vacina os dois netos)

    ACS: E a senhora, dona Quita, no vai vacinar?Av: Eu? Eu no! Num preciso no. J vivi muito e at agora nunca precisei disso. Num quero no!Enfermeiro: Pois Dona Quita os seus netos no esto fica para outra vez. At outro dia!Todos: At

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 51

    (Os personagens saem de cena, ouve-seo barulho do motor )

    (Aparecem os dois rapazes)

    Maneco: Cad o pessoal? Eles j foram? J era tempo. Esse negcio de furada no coisa pramacho!

    Joo: Ainda bem que ns corremos para o mato. Eles que vo furar os bestas l da cidade.Ah, Ah, Ah...!

    2 Ato

    (Ambiente de trabalho dos dois rapazes:no meio da mata os dois cercados por mosquitos, tentando

    cortar as rvores)

    Maneco: Caramba! Esses diabos de Carapan no deixam a gente trabalhar. gua macho!Joo: E ns precisa de levar esses parmitos pra vender que a farinha t acabando!Maneco: , mas desse jeito num d. Olha, como eu j tou todo ferrado! melhor a gente ir

    pra casa! J a boca da noite.Joo: macho, melho mmo!

    3 Ato

    (Casa onde mora) (Tempos depois)

    Maneco: A meu Deus! Que dor! No aguento mais! V! Essa dor no figo est demais. Ai! Ui!Joo: Estou morrendo de febre e dor no corpo! Ai! V vem c.Av: Meu Deus, o que eu fao? O Maneco e o Joo esto cada vez pior! febre, dor no figo, no

    corpo, tanta coisa que nem d pra entender! J dei todo o tipo de remdio e nada!Tomara que o compadre Didi no demore pra lev eles pra Macap. o jeito. Meu Deus!Que castigo!

    4 ATO

    (A av est desesperada)

    Av: Meu Deus! Meus netos morreram! Ai, meu Deus, essa mardit da Febre Amarela. Quandoque ns pensava que isso mata. Os meus meninos se foram. Eles que trabalham pra nosdar o que comer. O que vai ser de ns agora?

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 52

    (Ouve-se o barulho do motor)

    Menina - V a baranda!

    (De fora ouve-se a voz)

    Enfermeiro: O de casa! D licena?Av: (Chorando) - Pode subir.

    (Eles aparecem)

    Av: Ah! Seu doto essa amardioada da Febre Amarela matou os meus netos. Eu criei elesdesde gitinhos, quando a me morreu. Eles trabalhavam para ns sustent! Ai meu Deus...

    Enfermeiro: Calma Dona Quita, ns entendemos. Voltamos aqui para lhe vacinar. A senhorano pode correr o risco de ser atingida pela Febre Amarela. Vamos vacinar?

    Av: Eu? Eu no! Pra qu? Ja estou no fim da vida! Quem precisava era os meus netos!ASC: dona Quita! Eles se foram, mas a senhora ainda tem duas crianas para cuidar! Eles

    precisam da senhora.Av: Isso verdade. Seu eu faltar o que vai ser deles? (CHORA)ACS: Ento, vamos vacinar?Neta: sim vov! Deixa vacinar!Av: T bom! Ento pode fura! Mas devagar heim!ACS: Pode deixar, no vai doer nadinha!

    TODOS: VIVA!

    Enfermeiro: isso a!

    Voc j viveu muito?Viva mais!Vacine-se contra a Febre Amarela.A febre Amarela, mas a vida cheia de outras cores, e a vacina vida!

  • Anexos

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 55

    Anexo 1

    Programao

    1o. Dia - noite (aberto ao pblico em geral)

    19h00 : Mesa de Abertura das Atividades:Representaes da FNSPrefeito Municipal e secretariadoLideranas religiosasOrganizaes popularesConselhos Municipais

    19h30 : Painel - As doenas da Amaznia Legal e o papel dos diferentesatores sociais no seu enfrentamento Representante do MS - O que o SUS e qual o papel dos nveis

    federal, regional e municipal no enfrentamento das doenas daAmaznia Legal

    Representante do Governo Municipal - A gesto do SUS nomunicpio

    Representante do Conselho Municipal de Sade - O que oCMS e qual o papel da comunidade na gesto do sistema localde sade

    Tcnico de Educao em Sade: A importncia da Educaoem Sade e da Comunicao na gesto do SUS

    21h30 : Debates

    22h00 : Encerramento

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 56

    2o. Dia (pblico especfico)

    8h00 : Exerccio de Integrao

    9h00 : Trabalho em grupo: Identificao dos problemas de sade do muni-cpio

    10h00 : Intervalo

    10:15 : As doenas da Amaznia Legal - tcnico da FNS nvel regional

    12:00 : Almoo

    15h00 : Exerccio de sensibilizao temtica

    16h00 : Mostra de estratgias de educao em sade e comunicao

    16h45 : Intervalo

    17h00 : Anlise crtica das estratgias de educao em sade e de comunica-o

    19h00 : Encerramento das atividades

    3o. Dia

    8h00 : Exerccio de integrao

    8h30 : A educao que temos e a educao que queremos ter. Princpios queorientam a prtica de educao e de comunicao

    9h30 : Trabalho em grupos para criao da idia central

    10h00 : Intervalo

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 57

    10h15 : Apresentao e consensualizao da idia central

    12h00 : Almoo

    15h00 : Trabalho em grupos para a criao dos textos

    16h00 : Apresentao comentada dos produtos dos grupos

    17h00 : Trabalho em grupo para qualificao dos produtos

    19h00 : Encerramento

    4o. Dia

    8h00 s 12h00: Oficinas de criao de imagens e sons

    12h00 : almoo

    15h00 s 19h00 : Oficinas de criao de imagens e sons

    5o. Dia

    8h00 s 12h00 : Arte-final dos materiais

    12h00 : almoo

    15h00 s 19h00 : Arte-final dos materiais

    6o. Dia

    8h00 : Capacitao dos multiplicadores para uso dos instrumentos

    11h00 : Capacitao dos monitores para reproduo da oficina em outrosmunicpios

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 58

    12h00 : Almoo

    15h00 : Continuao da capacitao

    16h00 : Intervalo

    16h15 : Planejamento das prximas oficinas e das aes de educao emsade e comunicao; definio de indicadores de monitoramentoe avaliao das aes

    18h00 : Avaliao escrita e oral dos trabalhos

    19h00 : Encerramento com confraternizao e apresentao dos produtos acomunidade

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 59

    Anexo 2

    Relao de materiais para a oficina

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  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 60

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    (continuao - Relao de materiais para a oficina)

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 61

    Anexo 3

    Oficina de trabalho: ficha de cadastro

    01. Nome completo: ________________________________________________

    02. Apelido: ______________________________________________________

    03. Data de Nascimento: ____/____/____ Idade: ___________________________

    04 . Local de Nascimento: Cidade _____________________ Estado: ____________

    05. Local de Residncia: _________________ Tempo de Moradia: ______________

    06. Voc Trabalha? Sim ! No !

    07. Em que atividade voc trabalha?______________________________________

    08. H quando tempo voc trabalha nesta atividade? __________________________

    09. At que ano voc estudou ou que ano est cursando?

    a) 1 Grau 1 ! 2 ! 3 ! 4 ! srie 5 ! 6 ! 7 ! 8 !

    b) 2 Grau 1 ! 2 ! 3 o ano profissionalizando-se _________________________

    c) Universidade: Sim o oNo Curso de: ___________________________________

    11. O que voc espera dessa oficina de trabalho? _____________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    Muito obrigada por sua ateno!!!

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 62

    Anexo 4

    Oficina de trabalho: ficha de avaliao

    1. Assinale qual a sua opinio sobre a organizao da oficina

    a) Excelente b) Muito Boa c) Boa d) Regular e) Ruim

    Por qu? ________________________________________________________

    2. Assinale qual a sua opinio sobre o local da oficina.

    a) Excelente b) Muito Bom c) Bom d) Regular e) Ruim

    Por qu? ______________________________________________________

    3. Os temas abordados foram adequados aos objetivos estabelecidos? ____________Sim ! No ! Por qu _________________________________________________________________________________________________

    4. As atividades realizadas foram adequadas aos objetivos estabelecidos

    Sim ! No ! Por qu _________________________________________________________________________________________________

    5. Cite trs palavras que, na sua opinio, definem esta oficina. __________________

    ____________________________________________________________

    6. Assinale qual a sua opinio sobre cada um dos monitores.

    Por qu? ______________________________________________________

    Nome do monitor

    a) Excelente b) Muito Bom c) Bom d) Regular e) Ruim

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 63

    Nome do monitor

    a) Excelente b) Muito Bom c) Bom d) Regular e) Ruim

    Por qu? ________________________________________________________

    7. Assinale a sua opinio sobre a sua participao nas discusses durante a oficina.

    a) Excelente b) Muito Bom c) Bom d) Regular e) Ruim

    Por qu? ________________________________________________________

    8. Assinale a sua opinio sobre a sua aprendizagem na oficina.

    a) Excelente b) Muito Bom c) Bom d) Regular e) Ruim

    Por qu? ________________________________________________________

    9. Sugestes:

    ____________________________________________________________________________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

    ______________________________________________________________

  • FUNASA

    - setembro/2

    00

    1 - pg. 6

    4

    Relao das necessidades e responsabilidade para a realizao da oficina

    Anexo 5

    AtividadesAtividadesAtividadesAtividadesAtividades PPPPPerodoerodoerodoerodoerodo NecessidadesNecessidadesNecessidadesNecessidadesNecessidades RRRRResponsveisesponsveisesponsveisesponsveisesponsveis

    1 - Divulgao, Registro

    2 - Convites e/ou folders

    Produo de faixa p/o local do evento e de rua, convo-cando para a abertura;

    Produo de releases, agendamento e monitoramentode entrevistas para os meios de comunicao;

    Telo ou vdeo com operador; Registro do evento: fotografia, vdeo e gravador

    (cmera, operador, fotgrafo, fitas VHS e K7, filmes erevelao);

    Mestre de cerimonial (com texto para abertura do even-to e registro das autoridades presentes com nome com-pleto e titulao, instituio e cargo).

    Listagem c/nomes e dados dos convidados (vide ane-xo);

    Produo e reproduo e envio dos convites por car-ta, telefone, rdio.

    Pr-evento

    Pr-evento Enviada pelo consultores ao nvelcentral da FNS;

    Secretaria Mun. Sade.

  • FUNASA

    - setembro/2

    00

    1 - pg. 6

    5

    Relao das necessidades e responsabilidade para a realizao da oficina

    Anexo 5 (continuao)

    Atividades Perodo Necessidades Responsveis

    Evento

    Evento

    Evento

    Ps-evento

    Material educativo utilizado na regio (grfico eaudivisual);

    Painis para afixar material; Material de consumo para montar a mostra.

    Reservar pousada.

    Cavalete, papel metro, pincel piloto; Quadro negro/giz Retroprojetor Telo ou vdeo com operador; Equipamento de som com deck e microfone; Pastas com bloco, caneta e material; gua, caf, lanche; Xerox com operador disponvel; Computador com digitador disponvel; Certificados de participao.

    Revelao, edio, clipagem e arquivamento de todo omaterial;

    Produo de relatrio.

    Secretarias Estadual e Municipalde Sade.

    Secretaria Municipal de Sade.

    Coordenao e afins.

    3 - Mostra de MateriaisEducativos

    4 - Hospedagem dos monitores

    5 - Recursos/equipamentos

    6 - Memria do evento

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 66

    Anexo 6 - Textos bsicos

    1. As dinmicas de construo do conhecimento

    Ao contrrio da comunicao de massa, onde o pblico alvo, nosprocessos educativos o pblico parceiro nessa construo. Assim, o primei-ro passo resgatar junto aos autores/atores sociais o conhecimento que elestm sobre o tema. Para este objetivo, foram sistematizadas as duas dinmicasque seguem.

    Dinmica da fofoca

    Com o objetivo de conhecer a percepo que os participantes tm so-bre os agravos sade, morte, preveno e tratamento, e de como eles osrelacionam com os determinantes sociais, econmicos, culturais, feita umadinmica em forma de dramatizao. Nela, o monitor procura, durante 30minutos, discutir com o grupo como a vida no municpio, quais so as prin-cipais dificuldades, doenas que mais preocupam, quais as solues necess-rias e a quem cabe adotar.

    Depois desse mapeamento so formados cinco subgrupos e cada umdeles estar encarregado de escrever uma dramatizao onde duas vizinhasou vizinhos discutem na porta de casa, em forma de fofoca, os assuntos esco-lhidos pelo grupo tais como doenas, acidentes, atendimento hospitalar, etc.

    Enquanto cada grupo apresenta a dramatizao produzida, os outrosfazem anotaes para depois comentarem e, assim, sucessivamente, at o lti-mo grupo se apresentar. Esse olhar deve ser o mais livre possvel pois ele queir dar subsdios sistematizao dos elementos de comunicao lanando-semo para o desenvolvimento, de estratgias e de prticas pedaggicas embu-tidas nos discursos e na prpria conduo do exerccio. Porm, deve haveruma pergunta geradora que estimule a expresso do sentido.

    Depois, feito um painel, onde os grupos comentam e, com a ajuda deum relator, os monitores fazem um mapa da realidade do municpio, de acor-do com a tica dos participantes.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 67

    Dinmica do desenho

    O grupo dividido em trs subgrupos, com cada um de seus partici-pantes representando um dos trs personagens principais da doena: no casoda Febre Amarela fica assim: Grupo A mosquito; Grupo B populao; eGrupo C Agentes de Sade.

    Cada grupo tem 15 minutos para elaborar situaes de seu conheci-mento popular sob a tica do seu personagem. Assim, o grupo dos mosquitostenta imaginar quais as necessidades, estratgias e dificuldades que os mos-quitos teriam para picar, a populao constri situaes de como evitar ocontato com o mosquito e o grupo dos agentes cria situaes do ponto de vistade sua interveno, em especial a vacinao.

    Na etapa seguinte, os representantes dos subgrupos tm trs minutospara desenhar numa folha de papel de metro a situao imaginada. A medidaque o desenho vai se desenvolvendo, os subgrupos que representam os outrospersonagens vo tentando adivinhar a cena construda.

    medida que o jogo se desenrola, os participantes, no af de decifrar odesenho, verbalizam todo o conhecimento sobre a doena, independente docerto e do errado. Esses dados sero trabalhados mais adiante, por um relator,que, durante todo o processo, anotou os pontos tecnicamente relevantes sob oaspecto epidemiolgico. A partir destes, expostos atravs de um painel, faz-sea sistematizao das questes que surgiram no exerccio anterior, tais como:mitos e crendices, formas de transmisso, vacina, etc.

    Ao final do jogo, com ajuda do monitor, as situaes a serem utilizadaspara a construo de um processo de educao em sade e comunicaocontinuada, bem como a linguagem e conexes com o meio socioculturalcomporo essa construo do processo.

    A criao do tema central

    Com o resgate do conhecimento popular do grupo, a sistematizaodeste conhecimento do ponto de vista epidemiolgico, o mapeamento de situa-es de resistncia e pblico definido, passa-se criao do mote ou tema

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 68

    central, ou ainda slogan que ir unir todas as peas de comunicao a seremcriadas.

    Os mesmos subgrupos se renem e cada um cria vrias frases que maistarde sero discutidas em grupo.

    A exemplo de Afu/Par, analisando a frase de resistncia do pblicosujeito da ao que se vivi at agora sem vacina, pr que vou vacinar ago-ra?- fica claro que existe uma incerteza: Pr que vacinar agora?- Para vivermais foi a resposta criada pelo grupo. Assim, a frase escolhida foi: J viveumuito? Ento viva mais! Vacine-se contra a febre amarela.

    importante ressaltar que todas as peas criadas devem ter o mesmotema central. Assim, quando o agente de sade chegar numa residncia nointerior do municpio estar usando o mesmo tema veiculado pelo rdio edemais peas criadas, tornando, assim, o processo de educao /comunica-o interativo.

    2. Os meios de comunicao eleitos

    Em relao s peas eleitas, sabemos que a Amaznia uma regiocom forte cultura oral, sendo o rdio e a comunicao interpessoal as formasmais eficientes de comunicar. Dessa forma sugere-se o rdio como difusorlocal; os folhetos e cartazes como material de fixao e imagtico ambosorientadores da comunicao interpessoal, alm do teatro de bonecos comoelemento sensibilizador, enquanto potencial espao de criatividade e adapta-o.

    Quanto reproduo de material, a idia trazer os microempresrioscomunitrios e privados para dentro da oficina e buscar parcerias, para quepossa haver um produto final bem realizado. Alm disso, estariam sendo ca-pacitados a produzirem novos materiais dentro do projeto concebido pelaoficina, aprofundando a compreenso do processo de trabalho.

    Quando se fala em educao em sade e comunicao como processocontinuado, pressupe-se que as aes desencadeadas no sofram hiatos noacompanhamento, avaliao e retroalimentao das atividades inerentes sa-de. Na rea da comunicao, especificamente, esse processo se d inclusive

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 69

    pelas sucessivas exposies do pblico s mensagens disseminadoras de in-formaes que estimulem mudanas ou manuteno de comportamentos. oque em comunicao chamamos de GRP (gross rating point) que vem a seruma frmula usada pelo profissionais de mdia para calcular a quantidade demensagens necessrias para atingir todo o pblico alvo necessrio, de formaque, lanadas em sucessivas ondas, as mensagens acabam por expor todo opblico.

    Como a populao analfabeta ou semi-analfabeta as peas grficas de-pendem de outras pessoas para serem decodificadas. Relatos dos agentes co-munitrios em Afu - Par, narram que eles se renem com a comunidadeadulta para a leitura de folhetos e cartazes.

    Na Amaznia as casas, os barcos e as comunidades tm solues pr-prias, feitos a partir da madeira disponvel e adaptadas s necessidades espe-cficas da regio. Ao longo dos anos, estes bens foram constantemente aperfei-oados, de gerao em gerao, at chegar sua forma atual. Este deve ser omesmo raciocnio para se influir nas redes de comunicao da regio. Atra-vs do envolvimento dos representantes da comunidade, sero identificados oimaginrio, a verbalizao e o grafismo a serem utilizados na construo des-se processo de comunicao, onde se reuniro estes representantes da culturalocal, com os tcnicos de comunicao e sero construdas as peas decomunicao, que com os barcos descero o rio e entraro em contato comas populaes ribeirinhas, levando os suprimentos de informao necessriospara a transformao da realidade. medida que estes produtos decomunicao entrarem em contato com a populao, eles geraro respostasque vo alimentar o aperfeioamento dessas peas de comunicao durante otempo em que elas forem utilizadas.

    A partir dos anos 30, quando a comunicao comea a ser usada comintensidade para vender produtos e mudar comportamentos, os anncios in-seridos em revistas tinham um sistema de cupons, onde o cliente respondia oanncio e podia assim fazer a sua compra pelo correio. Estas respostas medi-am tambm a eficincia dos anncios e orientavam seus criadores paraaperfeio-los. Assim, cada vez mais os anncios eram aperfeioados e houvecasos de anncios que sobreviveram por 20-30 anos.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 70

    A Amaznia hoje, pelas suas caractersticas, ainda no est exposta auma presso de comunicao, como as grandes cidades. No porque na regiono haja tecnologia disponvel, mas, principalmente porque o poder aquisiti-vo e a geografia da regio no permitem a muitos ter acesso a energia eltrica,aparelhos de TV, jornais e revistas. Desta forma, uma campanha de comunicaopara a regio pode ser repetida anos seguidos, sem que ela venha saturar apopulao. Um erro muito comum na administrao brasileira nunca apro-veitar o que vinha sendo feito na administrao anterior. Assim, muitos pro-cessos continuados de comunicao tem sua continuidade e aperfeioamentointerrompidos a cada vez que muda a administrao. Uma vez criadas as peasde comunicao, elas devero ser testadas e aperfeioadas ao longo de seuuso no processo educativo. Alm de ser um processo eficiente, mais baratodo que a cada ano serem novamente recriadas.

    2.1. A comunicao oral

    Hoje, as populaes ribeirinhas do Rio Amazonas tm como sua prin-cipal fonte de informao a comunicao pessoa a pessoa e o rdio. Isto sig-nifica que a oralidade uma forma predominante da comunicao local. Ashistrias contadas de pai para filho, as fofocas entre vizinhos, o sermo naigreja so formas de comunicao caractersticas da oralidade. As histriasgiram em torno do imaginrio local e so cheias de dramaticidade. Este pro-cesso de contar histrias traz uma cumplicidade entre o contador e o ouvintede forma que a comunicao se d por descobertas mtuas e, portanto, temum valor de aprendizado muito grande. Um folheto sobre a febre amarela que,por exemplo, conte a histria de um coletor de palmito ou de um lenhadorque diariamente trabalha na floresta, onde h o contato com o mosquito trans-missor da febre amarela, ter muito mais interesse que simplesmente a infor-mao tcnica da doena.

    Rdio

    O rdio um dos meios de comunicao mais expressivos que temos.O locutor recorre impostao de voz, fundos musicais de vinhetas para criarum elo emocional entre ele e o ouvinte. Dessa forma, cria-se uma empatia

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 71

    entre o locutor/apresentador e o ouvinte e este se transforma em um membro dafamlia que todos os dias adentra sua casa trazendo entretenimento, orientaese conselhos. Assim, uma mensagem dita por um apresentador de um programapreferido pela populao local mais eficiente que textos lidos por locutoresdesconhecidos ou mensagens em forma de comercial. Uma das formas de seutilizar o rdio, que tem sido feito pelo UNICEF com grande sucesso, a ediode um boletim mensal, onde disponibilizada uma srie de pequenos textospara serem lidos pelo locutor/apresentador. Desta forma, o UNICEF fornece ocontedo e o locutor usa seu carisma para passar a mensagem.

    Teatro de bonecos

    O teatro de bonecos vem sendo utilizado com grande sucesso namobilizao comunitria, pois ele capaz de reunir o som e a imagem a servi-o das mensagens e capaz de encantar adultos e crianas.

    Escola

    Outro canal importante para se chegar a esta populao atravs daescola. Tudo que acontece na escola as crianas partilham com os pais emcasa. Assim, alm de formar novas geraes, a escola tem esta funo impor-tante de ser espao de interlocuo.

    2.2. A comunicao visual

    Nem sempre foi assim, claro. Mas, at mesmo na idade primitiva domundo, o homem das cavernas, ainda sem o poder da palavra, ou seja, dacomunicao oral, j insinuava um maneira de entender-se com seu seme-lhante, utilizando-se, para isso, de gestos e associando os fatos de sua vidadiria aos desenhos que fazia nas paredes das cavernas. Rarssimas destaspinturas rudimentares, reflexos de uma poca longnqua, ainda existem emostram, em sua maioria, cenas de caadas, a luta pela sobrevivncia, o sol, alua, o fogo. De uma maneira ou de outra, o nosso ancestral j se comunicava,tomando conhecimento do seu meio ambiente e mostrando-o atravs de suarstica pintura.

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 72

    Foi exatamente esta forma de se expressar que deu origem a todo osistema de comunicao visual conhecido hoje em dia. Seja um desenho, umacor, uma letra, ou uma forma qualquer em destaque, em algum lugar, a comu-nicao visual tem, no prprio conceito do termo, um nico e fundamentalobjetivo: dizer alguma coisa, silenciosamente. Expressar um significado. Defi-nir um local, uma situao, dar uma orientao a quem olha.

    2.2.1. O mergulho nas cores

    Junte o azul do cu, o verde das plantas, o colorido das flores, enfim, anatureza, e ver que diariamente voc est participando intensamente de ummundo colorido. Apesar do cinza do mundo moderno visualizado na esma-gadora e poderosa presena do concreto vivemos mergulhados dentro deum cromatismo intenso: no podemos nos separar dele porque ele j faz partede ns, dando-nos satisfao e amor.

    Atualmente, vivemos perfeitamente integrados numa civilizao visual,proporcionada pela tecnologia que avana mais e mais. A eletrnica tem pa-pel importante neste estgio de civilizao: afirma-se que o homem passa,anualmente, mais de mil horas diante de imagens eletrnicas. Isso tende aaumentar, com a utilizao dos novos recursos que invadem nossa casa, comoo vdeo-game, os microcomputadores, etc. Na fora comunicativa da imagem,o que predomina o impacto da cor: ela que envolve, prende a ateno,emociona, cria sensaes.

    Devemos, portanto, ter conscincia da importncia da cor nos proces-sos de comunicao visual e utiliz-la se os oramentos permitirem. Estudosmostram que o uso de cores em peas grficas aumenta em at 50% a percep-o da mensagem.

    Cartazes

    Um cartaz divide-se em quatro partes a) Ttulo ou chamada; b) Ilustra-o; c) Texto; d) Assinatura. O primeiro cuidado que devemos ter ao planejarum cartaz estabelecer uma hierarquia entre as partes, de forma a criar umaprioridade e um roteiro de leitura. Isto quer dizer que uma das partes do

  • FUNASA - setembro/2001 - pg. 73

    cartaz deve ter maior destaque que a outra e as outras partes numa ordemdecrescente de tamanho. Para o pblico de baixa instruo, o mais indicadoseria que a ilustrao fosse a parte com maior destaque, seguida pelo ttulo,texto e assinatura.

    Ttulo: O ttulo de um cartaz deve ser muito conciso, mas dar uma idiaao leitor do que se trata; no caso de uma campanha para a febre amarela,deve-se, obrigatoriamente, fazer referncia doena. Nunca usar trocadilhosou fazer humor, pois este tipo de comunicao pode causar vis.

    Ilustrao: A imagem deve ser fiel ao objeto representado e deve-se ater escala. muito comum ver cartazes com o mosquito da febre amarelaocupando todo o cartaz, o que pode dificultar o seu reconhecimento, pois otamanho uma referncia importante. O ideal agregar imagem do mosquitoalgum outro elemento identificador, como o ambiente.

    Texto: Como vimos antes, o ttulo deve dar uma idia do assunto e,assim, o texto s ter informaes complementares como locais de vacinao,horrios, etc.

    Assinatura: A assinatura deve vir no rodap do cartaz em letras midas,pois a sua funo to-somente informar o rgo responsvel.

    Folhetos

    Ao escrever um folheto para uma populao do Amazonas precisolevar em conta que esta pea de comunicao servir de apoio para o Agentede Sade passar as mensagens para a populao adulta e, na maioria dasvezes, analfabeta, ou servir para as crianas na escola, que por sua vez, aochegarem em casa, repassaro a informao para os pais. Assim sendo imagi-ne-se um agente de sade na casa de um habitante da regio passando essasinformaes. Uma das caractersticas da oralidade a histria e os exemplosque so desenvolvidos com o auxlio dos mitos e crenas locais. Ao escrevereste texto, escreva uma histria, como se fosse uma histria infantil. E umaboa histria tem que ter uma boa idia, uma narrativa simples e sobretudo teremoo. Uma histria sem emoo como comida sem tempero, a gentecome e nunca mais lembra. Outro ponto importante, que a histria deve ser

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    apoiada por desenhos simples, mas sugestivos e que, principalmente,complemente o texto passando uma idia dos personagens e ambiente. Comoas fbulas, a histria tem que ter um final tipo: moral da histria.

    3. A histria de Marlene

    O exerccio seguinte um treinamento de consenso. A conclusounnime praticamente impossvel de se conseguir. preciso, pois, que osparticipantes tomem em considerao a subjetividade de cada qual, para quese torne possvel uma deciso.

    O texto narra a histria da jovem Marlene. Cinco personagens entramem cena: Marlene, um barqueiro, um eremita, Pedro e Paulo. Cabe a voc esta-belecer uma ordem de preferncia ou de simpatia para com esses personagens.

    Na primeira fase, cada qual indicar o seu grau de simpatia para comcada um dos personagens, colocando-os em ordem de um a cinco, atribuindoo nmero 1 ao personagem mais simptico, o nmero 2, ao segundo maissimptico e o nmero 5, ao menos simptico. Em seguida, cada um dar asrazes que o levaram e estabelecer esta preferncia e, com a ajuda dessasinformaes, procede-se a nova ordem que, ento, estabelece a ordem depreferncia do grupo.

    Marlene, Pedro e Paulo so amigos desde a infncia. Paulo j quis ca-sar com Marlene que recusou, alegando estar namorando com Pedro.

    Certo dia, Marlene decide visitar Pedro que morava do outro lado dorio. Chegando ao rio, Marlene solicitou a um barqueiro que a transportassepara o outro lado. O barqueiro, porm, explica a Marlene ser este o seu nicoganha-po e pede-lhe certa soma de dinheiro, importncia que Marlene nodispunha. Ela explica ao barqueiro seu grande desejo de visitar Pedro, insis-tindo que a transportasse para o outro lado. Por fim, o barqueiro aceita, coma condio de receber em troca o manto que a moa usava. Marlene hesita eresolve ir consultar um eremita que morava perto. Conta-lhe a histria, o seugrande desejo de ver Pedro e o pedido do barqueiro, solicitando, no final, umconselho. O eremita respondeu: Compreendo a sua situao mas no posso,na atual circunstncia, dar-lhe nenhum conselho. Se quiser, podemos dialo-gar a respeito, ficando a deciso final por sua conta. Marlene retorna ao

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    riacho e decide aceitar a ltima proposta do barqueiro. Atravessa o rio e vaivisitar Pedro, onde passa trs dias bem feliz. Na manh do quarto dia, Pedrorecebe um telegrama. Era a oferta de um emprego muito bem remunerado noexterior, coisa que h muito tempo aguardava. Comunica imediatamente anotcia a Marlene e, na mesma hora, a abandona. Marlene cai numa tristezaprofunda e resolve dar um passeio, encontrando-se com Paulo a quem contaa razo de sua tristeza. Paulo compadece-se dela e procura consol-la. Depoisde certo tempo, Marlene diz a Paulo: Sabe que tempos atrs voc me pediuem casamento e eu recusei, porque no o amava o bastante, mas hoje pensoam-lo suficientemente para casar com voc. Paulo retrucou: tarde de-mais; no estou interessado em tomar os restos de outro.

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    Referncia bibliogrfica

    DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos humanos e cidadania.So Paulo, Moderna, 1998. Cap. 3 (pgs. 14-16); Cap.12 (pgs. 47-51, Cap. 13 (pgs. 52-55) e Anexo (pgs.72-77).

    DOURADO, Paulo & MILET, Maria Eugnia. Manual deCriatividades. 4 . Ed. Salvador: EGBA,1998. P. 16 a 32.

    FREIRE, Paulo. O ltimo fragmento. In.: Folha de So Pau-lo, maio/97.

    MINISTRIO DA SADE. O SUS e o controle social: guia dereferncia para conselheiros municipais. Braslia. Mi-nistrio da Sade. 1998. P. 07-17.

    SOUZA, Herbert Jos de. Informao pela informao nobasta. In.:Sade e imprensa: o pblico que se dane. p.21-23.

    ______________________. O impossvel na poltica. Folha deSo Paulo. SP Cad. Opinio 1, p. 3. 17/nov/96.

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    Coordenao e organizaoDarcy de Valadares Rodrigues Ventura - Coordenao de Educaoem Sade/Coesa/Ascom/FUNASAFlvia Tavares Silva Elias - Projeto VIGISUS/rea Programtica III/Cenepi/FUNASA

    Equipe elaboradoraDarcy de Valadares Rodrigues Ventura - Coordenao de Educaoem Sade/Ascom/Pre/FUNASADarlan Manoel Rosa- ConsultorFlvia Tavares Silva Elias - Projeto VIGISUS/rea Programtica III/Cenepi/FUNASAJos Itturri- Projeto VIGISUS/ rea Programtica III/Cenepi/FUNASAMaria de Lourdes Oliveira - ConsultoraTerezinha Marques da Silva - Consultora

    Diagramao, normalizao bibliogrfica, reviso ortogrficae capa:Ascom/Pre/FUNASA

    CopidesqueWaldir Rodrigues Pereira - Vigisus/Cenepi/FUNASA

    AgradecimentosDedicatriaApresentaoSumrio1 - Introduo2 - Passos para operacionalizao das oficinas2.1 - Pr-oficina2.2 - Oficina2.3 - Ps-oficina

    3 - Relato de experincias3.1 - Uma experincia de atuao em um agra- vo com mudana de foco do controle para diagnstico precoce e tratamento - A ma- lria.Peas produzidasPrograma de rdioMsica: rap da malriaMsica: boi-bumbCartazesCartilha em desenho para