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Obesidade infantil - enciclopedia- · PDF file Acompanhando o aumento da incidência de obesidade infantil, vêm sendo identificadas mais consequências dessa...

Jan 20, 2019

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Obesidade infantilAtualizado: Julho 2011

Traduo: B&C Reviso de Textos | Reviso tcnica: Fernando Cupertino, CONASS | Reviso final: Alessandra Schneider, CONASS

ndice

Sntese 4

Obesidade na infncia e seu impacto sobre o desenvolvimento da criana 18JEAN-PHILIPPE CHAPUT, PHD, ANGELO TREMBLAY, PHD, FEVEREIRO 2006

Preveno precoce da obesidade 29JOHN J. REILLY, PHD, JANEIRO 2006

Preveno da obesidade em crianas pequenas 34MARTIN WABITSCH, PHD, MD, FEVEREIRO 2006

Preveno da obesidade em crianas de zero a cinco anos de idade 44CONNIE L. VANVRANCKEN-TOMPKINS, MA, MELINDA S. SOTHERN, PHD, ABRIL 2006

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Tema financiado por

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http://www.conass.org.brhttp://www.fmcsv.org.br/pt-br/Paginas/default.aspx

SnteseQual sua importncia?

A obesidade tornou-se uma pandemia, com mais de um bilho de pessoas afetadas em todo o mundo. Ao

longo dos ltimos 30 anos, triplicou a frequncia de crianas com sobrepeso, definidas como aquelas que tm

um ndice de massa corporal (IMC) acima do 85o percentil em relao idade e ao sexo. Dados da

International Obesity Task Force (Fora-tarefa Internacional sobre Obesidade) indicam que 22 milhes de

crianas menores de 5 anos em todo o mundo tm sobrepeso ou so obesas. A obesidade chegou a substituir

a desnutrio como o maior problema nutricional em algumas partes da frica, com uma incidncia at quatro

vezes maior do que a desnutrio.

Os primeiros anos de vida so um perodo crtico para o desenvolvimento de preferncias por alimentos e

sabores, para a capacidade de autocontrole na ingesto de alimentos, para a transmisso de crenas culturais

e familiares sobre alimentos e alimentao, e para a suscetibilidade a sobrepeso e obesidade mais tarde. O

sobrepeso nos primeiros meses de vida tende a aumentar o risco de sobrepeso na mdia infncia, e esse risco

parece aumentar com a idade. Aos 4 ou 5 anos de idade, a obesidade preocupante porque tende a persistir.

Acompanhando o aumento da incidncia de obesidade infantil, vm sendo identificadas mais consequncias

dessa condio, entre as quais a apneia obstrutiva do sono (episdios de interrupo da respirao durante o

sono, devido obstruo das vias respiratrias), problemas ortopdicos, diabetes tipo 2 e doena

cardiovascular. Problemas psicolgicos por exemplo, depresso ou pior qualidade de vida tambm so

corolrios graves da obesidade. Para crianas com sobrepeso, preconceito e discriminao fazem parte da

vida cotidiana. Alm disso, as consequncias de atitudes induzidas pelo preconceito, como isolamento ou

retraimento social, podem contribuir para a exacerbao da obesidade, por meio de vulnerabilidades

psicolgicas que aumentam a probabilidade de comer em excesso e de atividades sedentrias.

O que sabemos?

O desenvolvimento de sobrepeso e de obesidade nos primeiros anos de vida influenciado tanto por

caractersticas da criana como por fatores relativos aos pais e ao ambiente familiar. A obesidade infantil

desenvolve-se quando o sistema de autorregulao do corpo no consegue modular influncias ambientais

relacionadas propenso gentica do indivduo. Uma vez que no possvel modificar a carga gentica em

menos do que uma gerao, provvel que mudanas na nutrio e no estilo de vida sejam os principais

fatores responsveis pela atual epidemia de obesidade.

A obesidade desenvolve-se quando h um desequilbrio entre a ingesto e o consumo de energia: entre as

causas primrias esto o aumento de ingesto de alimentos especialmente aqueles com alto teor de gordura

e calorias, como petiscos, bebidas adoadas com acar e produtos para refeies rpidas e pouca

atividade fsica. Em crianas pequenas, nveis de atividade fsica abaixo dos 60 minutos dirios recomendados

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e excesso de permanncia diante da televiso (mais do que duas horas por dia) tendem a ter efeitos adversos

sobre a sade ssea e cardiovascular, e possivelmente sobre a funo cognitiva e o desenvolvimento

socioemocional.

Fatores pr-natais que podem resultar em sobrepeso em crianas entre o nascimento e os 5 anos de idade

incluem tabagismo materno, diabetes materno e sobrepeso da me antes e durante a gravidez. No entanto, o

aleitamento materno pode proteger as crianas contra a obesidade. Entre os possveis mecanismos desse

efeito de proteo esto a programao metablica e a aprendizagem precoce de autocontrole na ingesto de

alimentos. Outra explicao possvel que a amamentao pode influenciar o controle dos padres de

consumo da criana pelos pais. Bebs amamentados ao seio tambm experimentam uma variedade de

sabores por meio da dieta da me, o que pode torn-los mais receptivos posteriormente a alimentos que

tipicamente so rejeitados (como verduras e legumes).

A introduo de alimentos complementares (cereais, frutas, verduras e legumes ou carne) antes de 16

semanas de vida, combinada com menor durao do aleitamento materno (menos de 20 semanas), foi

associada a maior ganho de peso entre o nascimento e 1 ano de idade. Os estudos sugerem que a introduo

tardia de slidos depois de pelo menos 15 semanas de idade pode ter um efeito benfico sobre a

obesidade infantil e reduzir o risco de reaes alrgicas. O ganho rpido de peso em bebs e crianas

pequenas parece ser um fator de risco para obesidade mais tarde.

Os pais tm um papel fundamental a desempenhar para ajudar seus filhos a desenvolver hbitos alimentares

saudveis e um estilo de vida ativo. Como as crianas imitam o que vem, no surpreende que os

comportamentos alimentares dos prprios pais estejam associados aos comportamentos alimentares das

crianas e a seu status de peso. As crianas preferem naturalmente os sabores doces e salgados e no

precisam aprender a gostar desses alimentos. No entanto, quando tm a oportunidade de experimentar

repetidamente novos alimentos, como frutas, verduras e legumes, as crianas aprendem a gostar de alimentos

que antes rejeitavam. Os estudos demonstram que podem ser necessrias de cinco a 16 exposies at que

uma criana aceite um alimento novo.

Embora seja aconselhvel que os pais limitem o consumo pelas crianas de petiscos que no so saudveis, e

as encorajem a comer mais frutas, verduras e legumes, a restrio excessiva ou a presso para que comam

podem, na verdade, ter efeitos negativos sobre a ingesto de alimentos e sobre o peso da criana, por

perturbar a capacidade natural da criana de controlar sua ingesto de alimentos. A presso dos pais para que

a criana coma certos alimentos pode reduzir a preferncia da criana por esses alimentos, ao passo que a

restrio excessiva pode encorajar o consumo exagerado dos alimentos proibidos quando estiverem

disponveis.

Por fim, os fatores psicossociais que tm o potencial de aumentar o risco de obesidade da criana incluem

baixo status socioeconmico, ser filho nico e viver com apenas um dos pais.

O que pode ser feito?

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A primeira linha de tratamento deve ser a preveno da obesidade infantil. Isto requer um programa amplo de

sade pblica.

necessrio desenvolver servios de sade e educao para possibilitar um monitoramento mais eficaz do

sobrepeso e da obesidade na primeira infncia, a correta identificao de crianas obesas e com sobrepeso, e

um apoio maior e mais eficaz s famlias para prevenir e tratar a obesidade.

Os pediatras so estimulados a defender a preveno da obesidade, por meio da identificao e da busca de

especialistas influentes por exemplo, profissionais de sade, nutricionistas e especialistas em

desenvolvimento infantil para a educao a respeito de obesidade. Em sua prtica diria, devem tambm

encorajar, apoiar e proteger o aleitamento materno, promover hbitos alimentares saudveis e atividade fsica,

e recomendar a limitao da exposio televiso. Alm disso, muito importante a recomendao sobre

boas noites de sono, considerando-se que a literatura emergente demonstra que o sono insuficiente est

associado com sobrepeso e obesidade, especialmente em crianas.

As intervenes devem focalizar comportamentos passveis de modificao que podem melhorar a sade e o

desenvolvimento da criana, e comportamentos importantes para o estabelecimento e a manuteno de um

peso saudvel isto , reduo de exposio TV, promoo do aleitamento materno, reduo do consumo

de refrigerantes e de acar, aumento de atividade fsica.

Pais e cuidadores devem ser modelos positivos para os comportamentos alimentares e fsicos das crianas.

Devem moldar comportamentos alimentares saudveis e disponibilizar alimentos saudveis para as crianas,

de forma a reduzir seu risco de obesidade. Neste aspecto, o conhecimento insuficiente dos pais sobre nutrio

saudvel, comportamentos alimentares no saudveis e inatividade fsica podem resultar em comportamentos

inadequados por parte dos filhos em relao alimentao e s prticas de atividade fsica. Os tratamentos

tm maior probabilidade de serem eficazes se seu foco for a famlia (e no apenas a criana obesa), se a

famlia estiver