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CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE JI-PARANÁ CEULJI MAYCON DEL PIERO DA SILVA ELABORAÇÃO DE UMA NOVA PROPOSTA PARA O SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA DO MUNICÍPIO DE OURO PRETO DO OESTE/RO Ji-Paraná RO 2014
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Monografia - TCC - Arquitetura Sacra

Feb 18, 2017

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  • CENTRO UNIVERSITRIO LUTERANO DE JI-PARAN CEULJI

    MAYCON DEL PIERO DA SILVA

    ELABORAO DE UMA NOVA PROPOSTA PARA O SANTURIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA DO MUNICPIO DE OURO PRETO DO OESTE/RO

    Ji-Paran RO 2014

  • MAYCON DEL PIERO DA SILVA

    ELABORAO DE UMA NOVA PROPOSTA PARA O SANTURIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA DO MUNICPIO DE OURO PRETO DO OESTE/RO

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao Centro Universitrio Luterano de Ji-Paran CEULJI, para obteno de grau acadmico em Arquitetura e Urbanismo, sob orientao da Professora Ms. Nadine Lessa Figueredo Campos.

    Ji-Paran RO 2014

  • MAYCON DEL PIERO DA SILVA

    ELABORAO DE UMA NOVA PROPOSTA PARA O SANTURIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA DO MUNICPIO DE OURO PRETO DO OESTE/RO

    Trabalho apresentado ao Centro Universitrio Luterano de Ji-Paran - CEULJI, em 29/11/2014, para obteno de grau acadmico de Arquiteto e Urbanista, sob

    orientao da Professora Ms. Nadine Lessa Figueredo Campos.

    AVALIADORES

    ________________________________________________ - _________ Nadine Lessa Figueredo Campos - CEULJI Nota

    ________________________________________________ - _________ Hariane Helena F. da Rocha Teles - CEULJI Nota

    ________________________________________________ - _________ Wiverson de Oliveira - Arquiteto e Urbanista Nota

    ________________________

    Mdia

    Ji-Paran RO 2014

  • Dedico Deus e unicamente a Ele.

    Sabendo que todo meu esforo e

    dedicao para enfim concluir o presente

    trabalho foi proveniente de pura graa

    divina. Pois at aqui o Senhor me

    sustentou e me ajudou a levantar nos

    momentos de desnimo ao qual por vrias

    vezes eu pensei em desistir de tudo, mas

    que sempre Ele veio at mim com sua

    misericrdia infinita e me levantou.

  • Agradeo minha me, que no

    apenas foi motivo de inspirao e fora

    durante os momentos difceis, mas

    tambm limpou minha bunda quando eu

    carecia das faculdades motoras para

    realizar tal ato.

    Ao meu pai que sempre me apoio

    em minhas decises e me deu carona as

    vezes que eu perdia o nibus.

    minha irm preferida que eu amo

    mais que todos os outros irmos, afinal de

    contas, s tenho ela, ficando desta forma

    sem muitas opes.

    E a todos os meus outros amigos

    que eu sei que vo cobrar o nome deles

    neste trabalho, mas quem me ajudou a

    pagar as contas foi minha famlia, ento

    parem de reclamar.

  • A arquitetura cria a possibilidade da espiritualidade, porquanto no deixa indiferente o fiel, mas o envolve, suscitando-lhe profundas emoes espirituais

    (Richard Meier)

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - Imperador Constantino............................................................................. 16

    Figura 2 - Imperador Nero ........................................................................................ 16

    Figura 3 - Quadro Victor Meirelles A primeira missa no Brasil, 1861 ..................... 20

    Figura 4 - Sede da Igreja Matriz - antes do incndio ................................................ 22

    Figura 5 - Baslica de So Joo Laterano, Roma. .................................................... 24

    Figura 6 - Igreja de Notre Dame la Grande, 1140 .................................................... 25

    Figura 7 - Catedral de Milo, vista frontal. ................................................................ 25

    Figura 8 - Catedral de Milo detalhes 2 ................................................................. 26

    Figura 9 -Santurio de Las Lajas- Colmbia ............................................................ 26

    Figura 10 - Capela Sistina ........................................................................................ 27

    Figura 11- Interior da Capela Sistina ....................................................................... 27

    Figura 12 -Igreja So Francisco de Assis Ouro Preto/MG ..................................... 29

    Figura 13 - Catedral Helsinki - Islndia..................................................................... 30

    Figura 14 - Detalhamento de um templo neoclssico ............................................... 30

    Figura 15 - Catedral So Joo Batista ..................................................................... 31

    Figura 16 - Igreja Evanglica de Confisso Luterana de Santa Cruz do Sul ........... 31

    Figura 17 - Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores So Paulo ........................ 32

    Figura 18 - Catedral Duomo de Milano..................................................................... 32

    Figura 19 - Igreja de So Francisco de Assis, Pampulha ......................................... 33

    Figura 20 -Baslica de Santa Maria Maior, em Roma ............................................... 34

    Figura 21- Baslica de Santa Maria Maior - Roma7 .................................................. 35

    Figura 22- Ctedra da Catedral de Santana/BA ....................................................... 35

    Figura 23 - Santurio de Guadalupe - Mxico .......................................................... 36

    Figura 24 - Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro .............................................. 37

    Figura 25 - Capela Sistina, Vaticano ........................................................................ 38

    Figura 26 Maquete Eletrnica da Baslica de So Pedro ...................................... 39

    Figura 27 Cpula................................................................................................... 40

    Figura 28 Piet ...................................................................................................... 41

    Figura 29 - Igreja do Jubileu em Roma Fachada Principal .................................... 42

    Figura 30 - Igreja do Jubileu em Roma Fachada Posterior .................................... 43

    Figura 31 - Fachada Frontal ..................................................................................... 43

    Figura 32 Vista Frontal .......................................................................................... 44

  • Figura 33 Igreja Sagrada Famlia Terminada ........................................................ 45

    Figura 34 - Vista interna ........................................................................................... 46

    Figura 35 - Vista Frontal ........................................................................................... 47

    Figura 36 - Planta do primeiro piso .......................................................................... 47

    Figura 37 - Corte Longitudinal .................................................................................. 47

    Figura 38 - Vista a longa distncia ........................................................................... 48

    Figura 39 - Detalhe do telhado ................................................................................. 49

    Figura 40 - Estudo Volumtrico - Vista Noroeste - Bayeux - PB ............................... 50

    Figura 41 - Estudo Volumtrico - Vista Sudoeste ..................................................... 51

    Figura 42 - Vista Noroeste Atual ........................................................................... 52

    Figura 43 - Vista Noroeste Proposta ..................................................................... 52

    Figura 44 - Antes e Depois....................................................................................... 53

    Figura 45 - Pia Batismal ........................................................................................... 54

    Figura 46 Ambo................................................................................................... 54

    Figura 47 - Vista Frontal ........................................................................................... 55

    Figura 48 - Escada de acesso ao Santurio ............................................................. 56

    Figura 49 Interior ................................................................................................... 57

    Figura 50 - Santurio Nacional de Aparecida ........................................................... 58

    Figura 51 - Catedral de Nossa Senhora Aparecida .................................................. 60

    Figura 52 - Esboo da fachada ................................................................................ 61

    Figura 53 Interior ................................................................................................... 61

    Figura 54 - Vista area do Santurio N S Aparecida ............................................. 70

    Figura 55 - Fachada Frontal ..................................................................................... 71

    Figura 56 - Planta Baixa ........................................................................................... 71

    Figura 57 - Fachada com Vitrais .............................................................................. 73

    Figura 58 - Isotelha EPS .......................................................................................... 75

    Figura 59 - Extra Quartzo Brilhante .......................................................................... 75

  • LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

    CNBB Confederao Nacional dos Bispos do Brasil

    PNE Portador de Necessidades Especiais

    NBR Norma Brasileira

    ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas

  • SUMRIO

    INTRODUO ......................................................................................................... 14

    1 DESENVOLVIMENTO DA IGREJA CATLICA ........................................... 15

    1.1 A origem e a histria do Catolicismo ......................................................... 15

    1.1.1 Cisma do oriente e os conclios ecumnicos ............................................. 17

    1.1.2 Conclio de Trento ..................................................................................... 18

    1.1.3 Conclio do Vaticano II ............................................................................... 19

    1.2 A origem da Igreja Catlica no Brasil ......................................................... 20

    1.3 A origem da Igreja Catlica em Ouro Preto do Oeste ................................ 22

    1.4 As Igrejas e seus estilos arquitetnicos ..................................................... 23

    1.4.1 Romnico .................................................................................................. 24

    1.4.2 Gtico ........................................................................................................ 25

    1.4.3 Renascentista ............................................................................................ 26

    1.4.4 Barroco ...................................................................................................... 28

    1.4.5 Neoclssico ............................................................................................... 29

    1.4.6 Revivalismo ............................................................................................... 30

    1.4.7 Modernismo............................................................................................... 32

    2 TIPOLOGIA DAS IGREJAS .......................................................................... 34

    2.1 Baslica ...................................................................................................... 34

    2.2 Catedral ..................................................................................................... 35

    2.3 Santurio ................................................................................................... 36

    2.4 Igreja Paroquial (Matriz) ............................................................................ 37

    2.5 Capela ....................................................................................................... 37

    3 REFERNCIAS ARQUITETNICAS INTERNACIONAIS ............................. 39

    3.1 Baslica de So Pedro Vaticano ............................................................. 39

    3.2 Igreja do Jubileu Itlia ............................................................................. 41

    3.3 Igreja da Sagrada Famlia Espanha ....................................................... 44

    3.4 Igreja da Transfigurao Nigria ............................................................. 45

    3.5 Igreja de Seed China .............................................................................. 48

    4 REFERNCIAS ARQUITETNICAS NACIONAIS ....................................... 50

    4.1 Matriz da Sagrada Famlia Bayeux- PB .................................................. 50

  • 4.2 Interveno Igreja Matriz da Santa Cruz Areias, So Jos, Santa Catarina

    53

    4.3 Santurio de Santa Paulina Nova Trento/SC .......................................... 56

    4.4 Santurio Nacional de Nossa Senhora Aparecida Aparecida/SP............ 57

    4.5 Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida Braslia ............... 59

    5 OS ESPAOS QUE COMPEM O EDIFCIO IGREJA ................................ 62

    5.1 Presbitrio ................................................................................................. 62

    5.1.1 Altar ........................................................................................................... 62

    5.1.2 Ambo ....................................................................................................... 63

    5.1.3 Sdia ......................................................................................................... 64

    5.1.4 Cruz processional ...................................................................................... 64

    5.1.5 Credncia .................................................................................................. 64

    5.2 Capela da reconciliao ............................................................................ 65

    5.3 Capela do santssimo ................................................................................ 65

    5.4 Tabernculo (sacrrio) .............................................................................. 65

    5.5 Batistrio ................................................................................................... 66

    6 NORMAS E LEGISLAO ........................................................................... 67

    6.1 Cdigo de obras ........................................................................................ 67

    6.2 NBR 9050 .................................................................................................. 67

    6.3 NBR 13434 - Sinalizao de Segurana Contra Incndio e Pnico ........... 68

    6.4 NBR 6492 - Representao de projetos de arquitetura ............................. 68

    6.5 NBR 13.531 - Elaborao de projetos de edificaes ................................ 68

    6.6 Estudos da CNBB N 106 Orientaes para projeto e Construo de Igrejas

    e disposio do Espao Celebrativo ........................................................................ 69

    7 PROPOSTA .................................................................................................. 70

    7.1 Estudo de Caso ......................................................................................... 70

    7.2 Partido Arquitetnico ................................................................................. 72

    7.3 Fachada .................................................................................................... 72

    7.4 Esquadrias ................................................................................................ 73

    7.4.1 Estrutura dos vitrais ................................................................................ 73

    7.4.2 Vedao dos vitrais ................................................................................. 74

    7.4.3 Vitral tipo tradicional ............................................................................... 74

    7.5 Cobertura .................................................................................................. 74

  • 7.6 Piso ........................................................................................................... 75

    7.7 Iluminao ................................................................................................. 75

    7.8 Programa de necessidades ....................................................................... 76

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ........................................................................ 77

    APNDICE .............................................................................................................. 82

  • RESUMO

    Uma edificao necessita satisfazer as necessidades bsicas de seus usurios, assim como cumprir seu objetivo de existir. O mesmo acontecem com edifcios de carter religioso. Existem necessidades a serem cumpridas, tanto da parte da denominao religiosa, como da parte do usurio. Porm a grande maioria das igrejas catlicas existentes, foram construdas por iniciativa dos leigos da comunidade, e assim, deixando a desejar na parte de projeto. Assim como as demais construes pblicas, uma igreja precisa de cuidados especiais, como por exemplo, para com os portadores de necessidades especiais, e para melhor acolher a todos, independentemente da natureza do usurio. Para tal, imprescindvel estudar as necessidades do usurio juntamente com as exigncias da Igreja Catlica quanto a liturgia, juntamente com as questes climticas locais, a acstica do ambiente, iluminao e demais necessidades. Tais exigncias s podero serem atendidas se for realizado um levantamento bibliogrfico, para que assim seja observado as necessidades quanto a liturgia da Igreja e outras igrejas j construdas, observando como foram aplicadas tais situaes. Palavras-chave: Arquitetura. Catolicismo. Religioso.

  • ABSTRACT

    A building needs to meet the basic needs of their users, as well as fulfilling its objective to exist. The same happens with buildings of religious character. There needs to be met by both the religious denomination, as part of the user. But the great majority of Catholic churches were built on the initiative of the lay community, and thus falling short in the project. Like other public buildings, a church needs special care, such as for patients with special needs, and to better welcome everyone, regardless of the nature of the user. For this it is essential to study user needs with the demands of the Catholic Church as the liturgy along with local climate issues, room acoustics, lighting and other needs. These requirements can only be met if a literature is performed, so that the needs as the liturgy of the Church and other churches ever built is observed, noting how such situations were applied.

    Keywords: Architecture. Catholicism. Religious.

  • 14

    INTRODUO

    Um Santurio necessita de infraestrutura adequada para que seus fiis sintam-

    se bem acomodados e acolhidos em um espao de carter religioso pois, ao contrrio

    do que acontece com os centros comerciais, por exemplo, onde so projetadas

    estruturas para atrair pessoas, as comunidades religiosas j possuem tal demanda

    que clama direta e indiretamente por uma infraestrutura adequada.

    As igrejas de modo geral, por se tratarem de ambientes que devem acolher ao

    prximo sem fazer distino de sua classe econmica, social ou se so ou no um

    Portador de Necessidades Especiais (PNE), devem ser acessveis para melhor

    receber a populao.

    Partindo deste princpio, foi observado que o Santurio de Nossa Senhora

    Aparecida em Ouro Preto do Oeste/RO necessita passar por melhorias em suas

    instalaes fsicas para oferecer um espao agradvel, aos seus fiis e que obedea

    as exigncias da Igreja com relao liturgia, fazendo com que os espaos fsicos

    contribuam para o bem estar da populao, tornando-os eficientes para as

    celebraes de cada tempo do ano litrgico, incluindo situaes espordicas, como

    por exemplo, batizados e casamentos.

    Desta forma, o objetivo geral deste trabalho Elaborar um novo projeto para o

    Santurio de Nossa Senhora Aparecida do municpio de Ouro Preto do Oeste/RO.

    Para tanto, os objetivos especficos so: Implantar acessibilidade em toda a

    edificao; Elaborar um projeto fundamentado na arquitetura contempornea;

    Proporcionar um ambiente interno adequado para o vrios tipos de celebraes,

    trabalhando o conforto trmico, lumnico e acstico; Criar uma fachada que seja

    convidativa a populao e ao mesmo tempo preservando as caractersticas da

    arquitetura sacra.

    Para que os resultados esperados sejam alcanados no presente trabalho, ser

    inicialmente realizada Reviso Bibliogrfica, de forma, a aprofundar o conhecimento

    do tema proposto, a fim de obter-se uma maior diversidade acerca de igrejas j

    construdas, para analisar solues que possam vir a ser utilizadas no projeto a ser

    elaborado.

    Ser feito tambm um Estudo de Caso do local escolhido para implantao do

    projeto, bem como do Santurio existente, de forma a observar os condicionantes e

    particularidades locais.

  • 15

    1 DESENVOLVIMENTO DA IGREJA CATLICA

    1.1 A origem e a histria do Catolicismo

    No contexto bblico, o termo igreja pode designar reunio de pessoas, sem

    estar necessariamente associado a uma edificao ou a uma doutrina especfica. A

    palavra vem do grego EKKLESIA (Ek, que significa para fora e klesia que

    significa chamados, ou seja chamados para fora), que tem origem em kaleo

    ("chamo ou convosco"). Na literatura secular, ekklesia referia-se a uma assembleia

    de pessoas, mas no Novo Testamento1 a palavra tem sentido mais especializado

    reunio de crentes cristos para adorar a Cristo. (GOT QUESTIONS, 2002)

    A religio crist, foi constituda por ensinamentos provenientes das ideias de

    Jesus Cristo, fundador do cristianismo. Aps a perseguio e morte de Jesus Cristo,

    Pedro foi o principal apstolo responsvel por difundir o cristianismo. Posteriormente,

    durante o auge da civilizao romana, o apstolo Paulo teve fundamental importncia

    para a expanso do cristianismo e da filosofia crist. A partir da influncia de Paulo, a

    religio desenvolveu-se inicialmente entre os romanos, pois os cultos cristos eram

    proibidos em Roma e, nessa poca, a grande maioria da populao romana era pag.

    (DIAS, 2013)

    Durante o governo do imperador romano Nero (Figura 1), os cristos sofreram

    uma das maiores perseguies em Roma, onde foram torturados, empalados e

    hostilizados nas arenas em espetculos pblicos. No ano de 313 d.C., o imperador

    Constantino2 (Figura 2) deu liberdade de culto aos cristos e, a partir de ento, o

    cristianismo passou a agregar novos adeptos em Roma, tornando-se a religio oficial

    do Imprio Romano em 390 d.C. (LIMA, 2002)

    1 Novo Testamento o nome dado coleo de livros que compe a segunda parte da Bblia crist, cujo contedo foi escrito aps a morte de Jesus Cristo e dirigido explicitamente aos cristos, embora dentro da religio crist tanto o Antigo Testamento (a primeira parte) quanto o Novo Testamento so considerados, em conjunto, Escrituras Sagradas. 2 Flavius Valerius Aurelius Constantinus, conhecido como Constantino I, Constantino Magno ou Constantino, o Grande, foi o primeiro imperador romano cristo da histria.

  • 16

    Figura 1 - Imperador Constantino

    Disponvel em: http://www.sohistoria.com.br/biografias/constant

    ino/

    Figura 2 - Imperador Nero

    Disponvel em: http://tempodoshomens.blogspot.com.br/2010/11/o

    s-senhores-de-roma-nero.html

    Constantino imaginou o Cristianismo como uma religio que poderia unir o

    Imprio Romano, que, naquela altura, comeava a se fragmentar e se dividir. Mesmo

    que isto aparentasse ser um desenvolvimento positivo para a igreja crist, os

    resultados foram negativos. (DIAS, 2013)

    Ele pensou que por ser to grande e vasto, nem todos do Imprio Romano

    concordariam em abandonar seus credos religiosos e abraar o cristianismo, ento

    ele promoveu a cristianizao de crenas pags. Modificou ento, os templos

    pagos, mantendo esculturas e imagens e se recusou a abraar completamente a f

    crist, continuando assim, com muitos de seus credos e prticas anteriores. (GOT

    QUESTIONS, 2002)

    Abandonando a religio pag e aderindo ao Cristianismo, Constantino incorreu

    em sria reprovao por parte do Senado Romano. Eles repudiaram ou, ao menos,

    opuseram-se sua resoluo. Esta oposio resultou finalmente na mudana da sede

    do Imprio de Roma para Bizncio3, uma velha cidade reedificada, que logo depois

    teve o nome mudado para Constantinopla, em honra a Constantino. Como resultado

    surgiram duas capitais para o Imprio Romano: Roma e Constantinopla. Essas duas

    cidades, rivais por vrios sculos, por fim se tomaram o centro da Igreja Catlica

    dividida: Romana e Grega. (LIMA, 2002)

    3 Sua capital era Constantinopla (a atual Istambul) que foi convertida na capital do Imprio Romano do Oriente no ano 330, depois que Constantino I, o Grande, fundou-a no lugar da antiga cidade de Bizncio, dando-lhe seu prprio nome.

  • 17

    Devido a essa atitude, foi prontamente contrariado pelos anabatistas4,

    Indignado, e aliando-se aos cristos com atitudes pags, baniu e perseguiu os fiis

    que no concordaram com sua unificao das igrejas. Comearam as perseguies

    das seitas crists oficiais - protegidas pelo imperador - contra os anabatistas, que se

    mantiveram independentes do governo. Durou mais de mil e trezentos anos, vindo a

    terminar aps a Reforma Protestante5 no sculo XVII. (A IGREJA PRIMITIVA, 2014)

    A hierarquia organizada sob a liderana de Constantino, rapidamente se

    concretizou na Igreja Catlica atual. E a nova Igreja se associou ao governo temporal,

    no mais para ser simplesmente a entidade executiva das leis completas do Novo

    Testamento, mas comeou a ser legislativa, emendando e anulando leis primitivas,

    bem como a criar regras completamente estranhas letra e ao esprito do Novo

    Testamento. (A IGREJA PRIMITIVA, 2014)

    Uma das primeiras aes legislativas da Igreja, e uma das mais subversivas

    quanto aos resultados foi o estabelecimento, por lei, do batismo infantil. Em virtude

    desta lei o batismo infantil tornou-se compulsrio. Ele j existia, em casos esparsos,

    provavelmente, um sculo antes desde decreto. (SANTOS, 2002)

    1.1.1 Cisma do oriente e os conclios ecumnicos

    Entre os sculos I e XI, todos os cristos estavam reunidos em uma mesma

    crena, a catlica. Durante essa poca, as principais autoridades da Igreja eram os

    bispos de Jerusalm, Antiquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. Esses bispos

    eram chamados de patriarcas. (HISTRIA ESPETACULAR, 2011)

    At o sculo IV, enquanto Roma ainda era a capital do Imprio, seu bispo

    exercia maior influncia sobre as decises da Igreja. Ele acreditava que sua

    autoridade provinha de So Pedro, que teria vivido em Roma e considerado o

    primeiro papa. Com o tempo, os bispos do Imprio Bizantino comearam a contestar

    a supremacia do Bispo de Roma. (HISTRIA ESPETACULAR, 2011)

    Os imperadores bizantinos reinventaram o poder de origem crist. E, sobre

    suas bases, reuniram o poder espiritual e o poder poltico nas mos do imperador.

    4 Conhecidos como os re-batizadores, pois no acreditavam no batismo quando criana. Faziam parte da chamada ala radical da Reforma Protestante. 5 A Reforma Protestante foi uma das inmeras Reformas Religiosas ocorridas aps a Idade Mdia e que tinham como base, alm do cunho religioso, a insatisfao com as atitudes da Igreja Catlica e seu distanciamento com relao aos princpios primordiais.

  • 18

    o chamado Cesaropapismo que foi de encontro ao poder do papa romano,

    acentuando e cumulando nas divergncias entre a cristandade ocidental e oriental.

    Devido a esses conflitos, o patriarca de Constantinopla acabou rompendo sua parceria

    com o papa. Essa diviso, conhecida como Grande Cisma ou Cisma do Oriente,

    ocorreu em 1054. Com ela, surgiram duas instituies religiosas totalmente

    independentes: A Igreja Crist Ortodoxa, que tem um patriarca com sua nica funo

    de manter a ordem da igreja, e a Igreja Catlica Apostlica Romana, submetida a

    autoridade papal. (CETICISMO, 2009)

    As Igrejas crists que se separaram aceitam somente os conclios ecumnicos

    que se realizaram antes da sua ruptura. Portanto, a Igreja Ortodoxa no tem

    reconhecido como ecumnico mais nenhum conclio, pois no h mais um

    imperador. De qualquer forma, a Igreja Ortodoxa continua realizando conclios com a

    mesma autoridade dos ecumnicos. A Igreja Catlica continuou a convocar e realizar

    conclios ecumnicos em comunho plena com o Papa. (ORLANDIS, 1993)

    Um conclio ecumnico uma reunio de todos os bispos cristos, convocada

    para discutir assuntos relacionados a rea da f crist e sua prtica, seja ela Moral,

    Pastoral, Espiritual ou Missionria. Dentre os vinte e um Conclios realizados em dois

    mil anos de cristianismo, destacam-se alguns de grande importncia para a Igreja

    crist, como por exemplo, o Conclio de Jerusalm (49 d.C.), de Niceia (325 d.C.), de

    Constantinopla (381d.C.), de Trento (1545-1563 d.C.), Vaticano I (1846-1878 d.C.) e

    Vaticano II (1961-1965 d.C.). (ORLANDIS, 1993)

    1.1.2 Conclio de Trento

    Convocado pelo Papa Paulo III, a fim de estreitar a unio da Igreja e reprimir

    os abusos. O conclio durou dezoito anos e foi finalizado em 1563, quando as decises

    foram promulgadas em sesso pblica. (INFOESCOLA, 2014)

    Algumas das suas decises se baseavam no verdadeiro significado da missa,

    os sacramentos da Igreja, o sacerdcio catlico e a supremacia dos papas ficou

    definitivamente estabelecida. Aps esse conclio a Igreja passou mais de 300 anos

    sem a necessidade de conclios gerais. (CLOFAS, 2014)

  • 19

    1.1.3 Conclio do Vaticano II

    Uma srie de conferncias convocadas no dia 25 de Dezembro de 1961, pelo

    Papa Joo XXIII contando com a presena de 2.540 padres conciliares, nmero este,

    indito para a histria da Igreja. O Conclio, realizado em 4 sesses, s terminou no

    dia 8 de dezembro de 1965, j sob o papado de Paulo VI. (SNPCULTURA, 2014)

    Considerado o grande evento da Igreja Catlica no sculo XX, mas visto como

    um Conclio Pastoral, pois no definiu Dogmas ou novos pontos doutrinrios, mas

    props novas formas de evangelizao. O prprio Papa Joo XXIII teve o cuidado de

    mencionar a diferena e a especificidade deste Conclio:

    "A Igreja sempre se ops a [...] erros; muitas vezes at os condenou com a maior severidade. Agora, porm, a esposa de Cristo prefere usar mais o remdio da misericrdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor s necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenaes". (JOO XIII, 1962)

    Da pauta dessas discusses constavam temas como os rituais da missa, os

    deveres de cada padre, a liberdade religiosa e a relao da Igreja com os fiis e os

    costumes da poca. (MUNDO ESTRANHO, 2014)

    Aps trs anos de encontros, as autoridades catlicas promulgaram 16

    documentos como resultado do Conclio. Entre vrias decises conciliares, destacam-

    se as renovaes na constituio e na pastoral da Igreja, que passou a ser mais

    alicerada na igual dignidade de todos os fiis e a ser mais voltada e aberta para o

    mundo. (LENNON, 2009)

    O papa aceitou dividir parte de seu poder com outros cardeais. E as missas

    passaram a ser rezadas na lngua de cada pas, visto que, at ento eram celebradas

    sempre em latim. (MUNDO ESTRANHO, 2014)

    Impulsionada liberdade religiosa, foi tomada uma nova abordagem ao mundo

    moderno, o ecumenismo, aceitando a ideia de que, por meio de outras religies,

    tambm possvel conhecer Deus e a salvao. Na questo dos costumes, porm, o

    encontro foi pouco liberal. A Igreja continuou no aprovando o sexo antes do

  • 20

    casamento, a uso de preservativos, o aborto e defendendo o celibato6 para os padres.

    (MUNDO ESTRANHO, 2014)

    1.2 A origem da Igreja Catlica no Brasil

    Na ocasio do descobrimento do Brasil, o Cristianismo religio dos portugueses

    lana profundas razes na populao nativa, como pode ser visto na Figura 3. Os

    membros do clero catlico chegaram ao territrio brasileiro simultaneamente ao

    processo de conquista das terras. (SANTOS, 2002)

    Figura 3 - Quadro Victor Meirelles A primeira missa no Brasil, 1861 Disponvel em: http://cultura.culturamix.com/arte/pinturas-de-victor-meirelles

    A presena da Igreja Catlica comeou a se intensificar a partir de 1549, com

    a chegada dos jesutas da Companhia de Jesus, que formaram vilas e cidades. As

    sedes eram construdas em lugares altos, no s para evitar alagamentos e cheias,

    mas pela maior facilidade de observao quanto a possveis agressores ou invasores.

    (PINTO 2014)

    6 O celibato , na sua definio literal, o estado de uma pessoa que se mantm solteira, sem obrigao de manter a virgindade, podendo ter relaes sexuais. No entanto, o termo popularmente usado para descrever uma pessoa que escolhe abster-se de atividades sexuais.

    http://cultura.culturamix.com/arte/pinturas-de-victor-meirelles

  • 21

    Vrios outros grupos de clrigos catlicos vieram tambm colnia portuguesa

    com a misso de evangelizar os indgenas, como as ordens dos franciscanos7 e dos

    carmelitas8, trazendo a doutrina crist. Esse processo se interligou s prprias

    necessidades dos interesses mercantis e polticos europeus no Brasil, como base

    ideolgica da conquista e colonizao das novas terras. As consequncias foram o

    aperfeioamento da cultura das populaes indgenas e os esforos no sentido de

    disciplinar a populao de acordo com os preceitos cristos europeus (SANTOS,

    2002).

    Por volta do sculo XVIII, as relaes entre Igreja Catlica e Estado eram

    estreitas, pois a igreja executava tarefas administrativas e garantia a disciplina social

    dentro de certos limites, que hoje so atribuies do Estado, como registros de

    nascimentos, bitos e casamentos, manuteno de hospitais, se destacando as

    Santas Casas. Porm, o Estado controlava a atividade eclesistica na colnia, sendo

    responsvel pelo sustento da Igreja Catlica, tendo o poder de nomear bispos e

    procos, alm de conceder licenas referentes construo de novos templos

    (PINTO, 2014).

    Com a nomeao do Marqus de Pombal, a influncia da Igreja Catlica na

    administrao do Estado diminuiu drasticamente. Em 1889 com a proclamao da

    Repblica, houve a separao formal entre Estado e Igreja Catlica, garantindo a

    liberdade religiosa. (PINTO, 2014)

    Em 1930, Getlio Vargas influencia a Igreja atravs do projeto

    desenvolvimentista e nacionalista no sentido de valorizao da identidade cultural

    brasileira. Assim, a Igreja expande sua base social para alm das elites, socializando-

    se com camadas mdias e populares. A Constituio de 1934 atende as

    reivindicaes catlicas, como o ensino religioso facultativo na escola pblica e a

    presena do nome de Deus na Constituio. (PORTAL SO FRANCISCO, 2010)

    A partir dos anos de 1980, com o papa Joo Paulo II, comea na Igreja o

    processo da romanizao. O Vaticano controla a atividade e o currculo de seminrios,

    e diminui o poder de algumas dioceses. (PORTAL BRASIL, 2014)

    7 Os franciscanos so religiosos que realizam voto de pobreza, castidade e obedincia. Vivem em fraternidades, que se designam por conventos. Os seus membros nada devem possuir, estando obrigados a viver o mais pobremente possvel, adotando uma vida extremamente simples, em pregao, dando exemplos de humildade e devoo. 8 Ordem Carmelita, tem como propsito viver em Obsquio de Cristo. Significa que so chamados para viver da f, esperana e amor baseados nos ensinamentos de Jesus.

  • 22

    Na hierarquia catlica brasileira do sculo XXI, esto presentes trs vertentes

    principais: o clero tradicionalista, mais conservador e defensor dos dogmas

    tradicionais; os remanescentes da Teologia da Libertao, desde os anos 70 tem

    formado uma espcie de esquerda eclesistica; e os adeptos da Renovao

    Carismtica ou de Comunidades Carismticas, movimentos que tendem a ter uma

    moral conservadora, como no uso dos dons do Esprito Santo e na adoo de posturas

    que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas.(SANTOS, 2002)

    1.3 A origem da Igreja Catlica em Ouro Preto do Oeste

    Segundo informaes colhidas com os participantes da comunidade, a

    instalao da Parquia Nossa Senhora Aparecida aconteceu em maro de 1974. No

    dia 06 de maio de 1974 foi celebrado a 1 missa no barraco de madeira medindo

    10x6 metros construdos no, at ento, distrito de Ouro Preto do Oeste, sendo ele, a

    primeira igreja construda pela parquia.

    Instituiu-se um Conselho Paroquial pelo Padre Camaioni para tratar de vrios

    pontos de interesse da Parquia, especialmente a construo da Igreja Matriz

    (Parquia Nossa Senhora Aparecida). Em meados do ms de novembro do ano de

    1974 foi iniciado o alicerce da Igreja Matriz, tendo sua inaugurao em 12 de outubro

    do ano seguinte. Ao final do ano de 1977 a Parquia j contava com 110 comunidades.

    Figura 4 - Sede da Igreja Matriz - antes do incndio Disponvel em: http://www.paroquiansaparecidaopo.com.br/pnsa/index.php/parquia/histrico.html

  • 23

    No dia 29 do ms de agosto de 1991, em um perodo de forte seca, ocorreu o

    incndio da sede da igreja Matriz. No ano de 1992 foi elaborado o projeto arquitetnico

    de um novo templo para a Parquia Nossa Senhora Aparecida, porm a construo

    da sede da igreja no foi datada. Consta no livro de anotaes da parquia que em

    novembro do ano de 1995, a festa da padroeira arrecadou verba para finalizar a

    implantao do templo e iniciar o projeto da nova secretaria paroquial, mas no h

    informaes anteriores sobre o incio da edificao da Parquia.

    Ao percorrer dos anos, muitas coisas aconteceram na Parquia Nossa Senhora

    Aparecida, entre elas, a mesma recebeu romarias9 das Parquias de Ji-Paran, Jaru,

    Mirante da Serra, Urup e Alvorada do Oeste. Criou-se diversas Pastorais como a

    Familiar, Juventude, Dzimo, Carcerria, Catequese, Criana, Mulher, Infncia

    Missionria, Litrgica, Ministerial, Visitao e Sade.

    Atualmente a Parquia conta com 75 comunidades, sendo 12 localizadas na

    zona urbana e 63 na zona rural.

    1.4 As Igrejas e seus estilos arquitetnicos

    At cerca de 200 anos d.C., no existiam igrejas no sentido em que hoje as

    compreendemos. Um dos motivos que inibiu a construo de igrejas foi o fato do

    cristianismo ter nascido e se desenvolvido num mundo em que a religio, o imprio e

    o patriotismo eram muito ligados. Desenvolveu-se no mago do paganismo imperial,

    da religio estatal e da expressiva lealdade ao imperador. (ECCLESIA, 2013)

    As primeiras igrejas catlicas surgiram quando os cristos comearam a se

    reunir. No incio, os cultos aconteciam em casas. Depois foram adotadas as Baslicas,

    para oferecer condies melhores para seus cultos do que os templos pagos.

    Comearam ento a adapt-los de acordo com seus ensinamentos, dando origem s

    primeiras Igrejas Crists. (ECCLESIA, 2013)

    As primeiras Igrejas Crists (Figura 5) eram, compostas por uma bside, parte

    semicircular onde localiza o altar; um prtico na frente da porta do tempo chamado

    Nrtex, onde ficavam as mulheres, os loucos e os pecadores, que no tinham o

    9 Romaria uma peregrinao religiosa feita por um grupo de pessoas a uma igreja ou local considerado santo, seja para pagar promessas, agradecer ou pedir graas, ou simplesmente por devoo, podendo ser feita a p ou em veculos.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica

  • 24

    direito de entrar no templo; e a nave, de onde os fiis assistiam as celebraes

    (TURNBULL, 2012).

    Figura 5 - Baslica de So Joo Laterano, Roma. Disponvel em: http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/09/22/morfologia-da-igreja-barroca-no-

    brasil-i/

    1.4.1 Romnico

    Com o passar do tempo, comeou a ser utilizado o estilo Romnico entre os

    sculos XI e XIII, (Figura 6), nas igrejas que esse estilo se desenvolveu em toda a sua

    plenitude. Eram os prprios religiosos que comandavam as construes, a partir do

    conhecimento monstico. Suas formas bsicas so facilmente identificveis: que

    caracteriza-se por construes robustas, com paredes grossas e janelas minsculas,

    cuja principal funo era resistir a ataques de exrcitos inimigos, a fachada formada

    por um corpo cbico central, com duas torres de vrios pavimentos nas laterais,

    finalizadas por tetos em coifa. Frisos de arcada de meio ponto estendem-se sobre a

    parede, dividindo as plantas. (TURNBULL, 2012)

    http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/09/22/morfologia-da-igreja-barroca-no-brasil-i/http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/09/22/morfologia-da-igreja-barroca-no-brasil-i/

  • 25

    Figura 6 - Igreja de Notre Dame la Grande, 1140 Disponvel em:

    http://www.rotadoromanico.com/Mobile/Monumentos/Paginas/MosteirodoSalvadordePacodeSousa.aspx

    1.4.2 Gtico

    O estilo Gtico surgiu na Frana durante a Idade Mdia. Recebeu esse nome

    durante o perodo renascentista, quando era considerado, pelos italianos, um "insulto

    arquitetnico". As principais diferenas das igrejas gticas eram: (ROTA DO

    ROMANICO, 2014)

    Alargamento das janelas e aumento da altura dos templos para dar ideia

    de grandeza;

    Construo de grandes torres pontiagudas;

    Utilizao de grgulas e outras esculturas msticas;

    Iluminao especial (vrias aberturas porm o ambiente continua

    escuro);

    Fachadas detalhadas e esculpidas

    Esse estilo foi utilizado para impressionar os fiis (Figura 7, Figura 8 e Figura

    9), assim eles teriam medo de desobedecer Deus e a Igreja.

    Figura 7 - Catedral de Milo, vista frontal. Disponvel em: http://www.destinomundo.pt/2013/11/catedral-de-milao-italia/

    http://www.rotadoromanico.com/Mobile/Monumentos/Paginas/MosteirodoSalvadordePacodeSousa.aspxhttp://www.rotadoromanico.com/Mobile/Monumentos/Paginas/MosteirodoSalvadordePacodeSousa.aspx

  • 26

    Figura 8 - Catedral de Milo detalhes 2 Disponvel em: http://www.destinomundo.pt/2013/11/catedral-de-milao-italia/

    Figura 9 -Santurio de Las Lajas- Colmbia Disponvel em: http://estudantesdearquitetura.com.br/as-8-igrejas-mais-belas-e-famosas-do-mundo/

    1.4.3 Renascentista

    A partir do sculo XIV, a arquitetura sofreu uma revoluo. Adotou-se o estilo

    Renascentista, inspirada na Antiguidade Clssica, ou seja, nos estilos Grego e

    Romano, cujos valores clssicos no foram copiados, mas reinterpretados numa

    concepo naturalista, racionalista e humanista. A utilizao da imagem do homem

    foi uma das principais caractersticas do estilo Renascentista, onde os artistas

    buscavam a perfeio atravs da beleza e do humanismo de suas obras, pois

    consideravam a natureza a maior e mais perfeita criao de Deus, e o homem faz

    parte da natureza.(FREITAS, 2014)

    O estilo Renascentista surgiu na Itlia. O termo renascimento foi empregado

    pela primeira vez em 1855, pelo historiador francs Jules Michelet, para referir-se ao

    http://estudantesdearquitetura.com.br/as-8-igrejas-mais-belas-e-famosas-do-mundo/http://www.brasilescola.com/literatura/humanismo.htm

  • 27

    descobrimento do mundo e do homem no sculo XVI. O historiador suo Jakob

    Burckhardt ampliou este conceito, definindo essa poca como o renascimento da

    humanidade e da conscincia moderna. (FREITAS, 2014)

    As obras arquitetnicas eram baseadas na geometria. A maior parte das

    construes desse perodo tem como base um quadrado, o que deixou as edificaes

    harmnicas e proporcionais. Outra diferena do estilo renascentista a utilizao de

    colunas no lugar dos pilares medievais. (FREITAS, 2014)

    Figura 10 - Capela Sistina Disponvel em: http://sumoeeterno.blogspot.com.br/2010/05/visita-virtual-capela-sistina-vaticano.html

    Figura 11- Interior da Capela Sistina

  • 28

    Fonte: http://sumoeeterno.blogspot.com.br/2010/05/visita-virtual-capela-sistina-vaticano.html

    1.4.4 Barroco

    No sculo XVII, o estilo Renascentista evoluiu para o estilo Barroco. Assim

    como no estilo anterior, a arquitetura Barroca era inspirada nas construes Gregas e

    Romanas. Porm, enquanto o estilo Renascentista buscava maior perfeio e

    harmonia, o estilo Barroco apresentava maior dinamismo, dramaticidade, contrastes

    mais fortes, exuberncia e realismo. Era um estilo mais livre, que no precisava ser

    perfeito como o anterior. (CHRISTINE, 2012)

    A palavra barroco vem do portugus e significa prola imperfeita. Foi adotada

    no fim do perodo em questo por crticos que consideravam que o estilo apresentava

    muitas irregularidades e imperfeies. O estilo Barroco logo se espalhou pela Europa.

    Porm, foi predominantemente Catlico, ento, pases protestantes, como a

    Inglaterra, no apresentam nenhuma construo barroca.

    O estilo barroco chega ao Brasil pelas mos dos colonizadores. Seu

    desenvolvimento pleno se d no sculo XVIII, cem anos aps o surgimento do

    Barroco na Europa, estendendo-se at as duas primeiras dcadas do sculo XIX.

    (CHRISTINE, 2012)

    O barroco acaba se proliferando sobretudo no nordeste e no sudeste do pas,

    e os primeiros edifcios foram erguidos a partir da segunda metade do sculo XVI, a

    populao mais simples empregou a tcnica de pau-a-pique, sendo coberto com

    folhas de palmeiras, mas foram obrigados a usar a taipa de pilo. Nesse perodo no

    havia preocupao com ornamentos, pois a fachada elementar implantava um fronto

    triangular sobre uma base retangular. Com a chegada do frei e arquiteto Francisco

    Dias, em Salvador, houve uma grande mudana nos traos de bom gosto, porque ele

    tinha a misso de dar um refinamento esttico nas igrejas da colnia. (CHRISTINE,

    2012)

  • 29

    Figura 12 -Igreja So Francisco de Assis Ouro Preto/MG Disponvel em: http://www.ouropreto.org.br/port/igrejas.asp

    1.4.5 Neoclssico

    Aconteceu no perodo iluminista, no ano de 1808, final do sculo XIX. Nessa

    poca as pessoas buscavam a intelectualidade, logo, esse estilo apresenta

    construes mais complexas e avanadas. (MONTEZUMA, 2002)

    Algumas caractersticas:

    Utilizao de materiais nobres, como mrmore, granito, etc;

    Aplicao de tcnicas mais avanadas como a utilizao de guarda-

    corpo, platibanda e fronto triangular;

    Construes geomtricas, regulares e simrtricas;

    Interiores mais organizados e decorados de maneira mais formal e

    geomtrica.

    http://www.ouropreto.org.br/port/igrejas.asp

  • 30

    Figura 13 - Catedral Helsinki - Islndia

    Disponvel em: http://www.picoalucinante.com/?p=13

    Figura 14 - Detalhamento de um templo neoclssico

    Disponvel em: http://arquibrasil.wordpress.com/arquitetura-neoclassica/

    1.4.6 Revivalismo

    O sculo XIX foi o auge da arquitetura Revivalista10, que buscava trazer de volta

    os estilos do passado. Foram criados estilos como o Neogtico (Figura 15), o

    Neorromnico (Figura 16), o Neorrenascentista (Figura 17) e o Neobarroco (Figura

    18). Neo significa novo, desta forma, esses estilos eram novas verses das

    arquiteturas antigas e muitas vezes difundidos em uma nica construo. (SANTA

    CRUZ, 2014)

    10 Arquitetura historicista ou revivalista o nome dado a um conjunto de estilos arquitetnicos que centrava seus esforos em recuperar e recriar a arquitetura dos tempos passados.

  • 31

    Figura 15 - Catedral So Joo Batista Disponvel em: http://cidadesinteressemilitar.blogspot.com.br/2012/11/rio-grande-do-sul-santa-cruz-

    do-sul-rs.html

    Figura 16 - Igreja Evanglica de Confisso Luterana de Santa Cruz do Sul Disponvel em: http://www.santacruz.rs.gov.br/municipio/igreja-evangelica

  • 32

    Figura 17 - Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores So Paulo Disponvel em: http://www.casabranca.sp.gov.br/index1.asp?ed=0&c=60

    Figura 18 - Catedral Duomo de Milano Disponvel em: http://estudantesdearquitetura.com.br/as-8-igrejas-mais-belas-e-famosas-do-mundo/

    1.4.7 Modernismo

    O Modernismo foi um movimento artstico e cultural, teve seu na Europa e

    comeou a se conquistar o Brasil a partir da primeira dcada do sculo XX, atravs

    de manifestos de vanguarda, sobretudo em So Paulo, e da Semana da Arte Moderna,

    realizada em 1922. O movimento deu incio a uma nova fase esttica na qual ocorreu

    a integrao de tendncias que j vinham surgindo, baseadas na valorizao da

    realidade nacional, abandonando as tradies que vinham sendo seguidas, tanto na

    http://www.casabranca.sp.gov.br/index1.asp?ed=0&c=60http://estudantesdearquitetura.com.br/as-8-igrejas-mais-belas-e-famosas-do-mundo/

  • 33

    literatura quanto nas artes. Apesar da ampla repercusso que a arquitetura e Arte

    Moderna obtiveram, vale ressaltar que o Movimento Moderno no se limitou a essas

    duas reas. Foi um movimento cultural global que envolvia vrios aspectos, entre eles

    sociais, tecnolgicos, econmicos e artsticos. (PINTO,2014)

    O Modernismo foi introduzido no Brasil atravs da atuao e influncia de

    arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos

    brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo

    conhecido e aceito. Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a Casa

    Modernista (1929-1930), a primeira casa em estilo Moderno construda em So

    Paulo. (PINTO,2014)

    Os arquitetos Modernistas buscavam o racionalismo e funcionalismo em seus

    projetos, sendo que as obras deste estilo apresentavam como caractersticas comuns

    formas geomtricas definidas, sem ornamentos; separao entre estrutura e vedao;

    uso de pilotis a fim de liberar o espao sob o edifcio; panos de vidro contnuos nas

    fachadas ao invs de janelas tradicionais; integrao da arquitetura com o entorno

    pelo paisagismo, e com as outras artes plsticas atravs do emprego de painis de

    azulejo decorado.(PINTO,2014)

    Figura 19 - Igreja de So Francisco de Assis, Pampulha

    Fonte: http://emplastrocubas.files.wordpress.com/2009/02/igreja-da-pampulha.jpg

  • 34

    2 TIPOLOGIA DAS IGREJAS

    H vrios tipos de igrejas catlicas, cada uma tem uma destinao, uma

    posio ou uma finalidade (SCHUBERT, 1978). Sendo que uma mesma igreja pode

    ter mais de uma terminologia.

    2.1 Baslica

    Termo com que antigamente se indicava um edifcio pblico destinado a ser

    lugar de reunies e com o qual se indica hoje o templo cristo dedicado ao culto. No

    direito cannico, considerado como baslica o edifcio destinado ao culto e ao qual,

    independe de sua qualidade de catedral, a autoridade eclesistica conferiu o referido

    ttulo, com os privilgios que lhe so inerentes. Essa atribuio acontece por

    concesso apostlica, mas o ttulo de baslica pode tambm provir de um costume

    imemorivel. Em geral, dado o ttulo de baslica s igrejas que, por sua antiguidade,

    sua beleza e sua importncia, atraem grande nmero de peregrinos ou so objeto de

    particular venerao. Tambm so chamadas de Baslica Maior as mais importantes

    igrejas de Roma, uma delas a de So Pedro no Vaticano. E sob a forma de Baslica

    Menor as igrejas fora de Roma, dado a sua importncia histrica, artstica ou pela

    notvel venerao dada pelos fiis. (SCHUBERT, 1978, p. 9-11).

    Figura 20 -Baslica de Santa Maria Maior, em Roma Disponvel em: http://www.snpcultura.org/basilica_santa_maria_maior_roma.html

  • 35

    Figura 21- Baslica de Santa Maria Maior - Roma7 Disponvel em: http://www.snpcultura.org/basilica_santa_maria_maior_roma.html

    2.2 Catedral

    O nome catedral vem de ctedra, cadeira do bispo, smbolo de magistrio . a

    igreja episcopal, cujo dirigente maior o Bispo que exerce sobre os Procos das

    igrejas de sua diocese, repassando, com sua autoridade eclesistica, as diretrizes

    firmadas pelo Papa. Nas catedrais que so sepultados os bispos de uma

    determinada Diocese e esta a condio para que uma igreja seja designada

    "Catedral" e tambm pode se denominar de duomo11.Na catedral realizam-se

    cerimnias preferencialmente executadas pelo bispo, as funes de ordenao de

    sacerdote, as funes pontificais, sagrao dos santos leos e da crisma.

    (SCHUBERT, 1978)

    Figura 22- Ctedra da Catedral de Santana/BA Disponvel em: http://www.catedraldesantana.com.br/catedral.htm

    11 Significa "casa (de Deus)"

  • 36

    2.3 Santurio

    Refere-se a uma igreja que centro de peregrinaes por causa de uma

    devoo a Deus ou aos Santos. No Santurio considera-se um maior nmero de

    pessoas, o movimento de entrada e sada de fiis muito grande, e todos querem ver

    a imagem a ser venerada. Normalmente as pessoas formam fila para ver ou rezarem

    junto imagem, outras, distribudas na igreja, buscam o silncio para suas oraes

    particulares. (SCHUBERT, 1978)

    Conforme o cdigo de direito cannico:

    Cn. 1230 Pelo nome de santurio entende-se a igreja ou outro lugar sagrado aonde os fiis, por motivo de piedade, em grande nmero acorrem em peregrinao, com a aprovao do Ordinrio do lugar. Cn. 1231 Para que um santurio possa dizer-se nacional, deve ter a aprovao da Conferncia episcopal; para que possa dizer-se internacional, requer-se a aprovao da Santa S. Cn. 1232 l. Para aprovar os estatutos de um santurio diocesano, competente o Ordinrio do lugar; para os estatutos dum santurio nacional, a Conferncia episcopal; para os estatutos de um santurio internacional, somente a Santa S. 2. Nos estatutos determinem-se principalmente o fim, a autoridade do reitor, a propriedade e a administrao dos bens. Cn. 1233 Podero ser concedidos alguns privilgios aos santurios, quando as circunstncias dos lugares, a afluncia dos peregrinos e sobretudo o bem dos fiis paream aconselh-los. Cn. 1234 Nos santurios ponham-se disposio dos fiis meios de salvao mais abundantes, com o anncio cuidadoso da palavra de Deus, o fomento da vida litrgica, principalmente por meio da celebrao da Eucaristia e da penitncia, e ainda com o cultivo de formas aprovadas de piedade popular.

    Figura 23 - Santurio de Guadalupe - Mxico

    Disponvel em: http://blog.cancaonova.com/peregrinacoes/2009/03/06/santuario-de-guadalupe/

  • 37

    2.4 Igreja Paroquial (Matriz)

    um templo catlico, normalmente, com qualidade de Parquia, onde o Vigrio

    ou Proco, confirma e repassa as instrues episcopais aos religiosos ou fiis que

    esto sob sua jurisdio eclesistica.

    Conforme o cdigo de direito cannico:

    Cn. 1214 Pelo nome de igreja entende-se o edifcio sagrado destinado ao culto divino, ao qual os fiis tm o direito de acesso para exercerem, sobretudo publicamente, o culto divino.

    Segundo Mons. Guilherme Schubert (1978, p. 10): "[...] a clula-mater da vida

    comunitrio-religiosa [...]", ainda comenta que o arquiteto que souber projetar uma

    parquia saber tambm projetar outras igrejas porque todas partem do conhecimento

    do funcionamento da igreja Matriz.

    Figura 24 - Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro Disponvel em: http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/igreja-matriz-nossa-senhora-do-desterro

    2.5 Capela

    um templo com dimenses reduzidas, atende a poucas pessoas. Pode ser

    reservada para uma pessoa, para uma famlia, ou aberta ao pblico. Onde acontece

    a celebrao da missa, pode ou no seguir o calendrio litrgico. Sua destinao

    normalmente especfica, localizadas anexas a algumas instituies, como por

    exemplo: colgios, quartis de militares, cemitrio e hospitais. Pode ter ou no acesso

  • 38

    para a rua. Normalmente, s um altar, caracterizada pela sua modesta estrutura fsica,

    onde o padre exerce suas funes, normalmente de forma itinerante, estando

    subordinada e pertencendo a determinada parquia. (SCHUBERT, 1978)

    Conforme o cdigo de direito cannico a capela particular local de culto

    autorizado pelo bispo, e j no mais necessrio que se tenha autorizao da Santa

    S.

    Figura 25 - Capela Sistina, Vaticano Disponvel em: http://lounge.obviousmag.org/arquitetura_do_sagrado/2013/07/o-que-e-basilica-

    catedral-santuario-capela.html

  • 39

    3 REFERNCIAS ARQUITETNICAS INTERNACIONAIS

    3.1 Baslica de So Pedro Vaticano

    De acordo com LINDENBERG (2002),

    A Baslica de So Pedro, na qual so celebradas as mais importantes cerimnias da Igreja Catlica, foi erguida pelo imperador Constantino, entre os anos 324 e 349, uma pequena baslica com o objetivo de honrar o tmulo do primeiro Papa, o apstolo Pedro.

    E que Inicialmente foi projetada por Donato Bramante, a baslica seria erguida

    sob a forma de uma cruz grega, porm aps sua morte em 1514 teve seu projeto

    modificado, o projeto ocupa uma rea de 23 mil metros quadrados e pode abrigar at

    60 mil fiis. Uma comisso, formada por Rafael, Fra Giocondo e Giuliano da Sangallo,

    reprojetou a baslica como uma cruz latina sendo que no cruzeiro existiria uma cpula

    que, localizada sobre o altar, se alinharia com a sepultura do apstolo So Pedro.

    (LINDENBERG, 2002)

    Figura 26 Maquete Eletrnica da Baslica de So Pedro Disponvel em: www.pastoralis.com.br

    Em 1527, Paulo III confiou a Antnio da Sangallo o controle total da obra. Este,

    por sua vez, retomou algumas ideias do plano de Bramante, erguendo uma parede

    divisria entre a nova Baslica e a antiga, ainda em uso. Em 1546, com a morte de

    Sangallo, Paulo III confiou a Michelangelo a chefia da arquitetura. Responsvel pela

  • 40

    abside, pelo transepto e pela cpula, Michelangelo deixou em 1564, ano de sua morte,

    o trabalho todo praticamente completo. (LINDENBERG, 2002)

    A sucesso no cargo de chefe da catedral foi desempenhada por Pirro Ligorio

    e Giacomo da Vignola, os quais finalmente completaram a construo da cpula

    (Figura 26) durante o papado de Sexto V. Mais tarde, sobre a cpula, a qual possua

    um dimetro de 41,9 metros, Domenico Fontana construiu o lanternim e a cruz,

    finalmente construda em 1593, com aproximadamente 138 metros de altura.

    (LINDENBERG.2002)

    Figura 27 Cpula Disponvel em: www.pastoralis.com.br

    O interior da baslica foi preenchido com muitas obras-primas do Renascimento

    e do Barroco. Entre elas, a mais famosa, a escultura denominada "Piet", de

    Michelangelo (Figura 27). O interior da cpula foi decorado com composies de

    mosaicos formando uma figura que ilustra os crculos angelicais do cu, com Deus

    Pai em seu cume. (PASTORALIS, 2014)

    Desta forma a construo da Baslica foi completada por Carlo Maderna em

    1612, com durao de mais de um sculo, originando uma monumental construo,

    sendo sua principal nave aproximadamente 187 metros de comprimento.

    (PASTORALIS, 2014)

  • 41

    Figura 28 Piet Disponvel em: www.pastoralis.com.br

    3.2 Igreja do Jubileu Itlia

    A Igreja do Jubileu, localiza em Roma Itlia, um projeto do arquiteto Richard

    Meier. Esta obra com cerca de 2. 501 m, obteve um andamento tardio na sua

    execuo, pois seu incio est datado em 1996 e sua concluso no ano de 2003. Est

    implantada num terreno triangular e apresenta seu acesso principal na poro leste,

    j em sua poro norte esto os jardins e reas livres destinadas ao lazer. (SERAPIO, 2004)

    Construdo juntamente com um complexo habitacional. A igreja e o centro

    comunitrio esto conectadas por um trio de quatro andares. Nesse projeto

    destacam-se o concreto, o estuco, travertino e o vidro. (SERAPIO, 2004)

  • 42

    Figura 29 - Igreja do Jubileu em Roma Fachada Principal Fonte: Richard Meier(2003)

    Os trs grandes arcos de concreto em forma de concha lembram nas

    inspiraes de meier trs velas em movimento. A cobertura de vidro e claraboias na

    igreja abarcam toda a extenso do edifcio o enchendo de luz e o ambiente lembrando

    seus traos mais marcantes. Durante a noite a luz sai do interior da obra. (AROSIO,

    2005).

    Trs curvas evidenciam a Santssima Trindade e quadrados sagrados. A ala de

    aspecto profano formada por sucessivas sobreposies de quadrados e retngulos,

    bem caractersticos das obras do arquiteto. (AROSIO, 2005)

  • 43

    Figura 30 - Igreja do Jubileu em Roma Fachada Posterior Fonte: Richard Meier(2003)

    A Igreja do Jubileu foi uma obra onde ele buscava o branco puro como retrato

    dela. Em suas pesquisas, ele encontrou uma formula de Pier Luigi Marathi onde o

    concreto era completamente constitudo de materiais branco e assim denominado de

    cimento todo branco. (SERAPIO, 2004)

    Figura 31 - Fachada Frontal Fonte: Richard Meier

  • 44

    3.3 Igreja da Sagrada Famlia Espanha

    Sua construo comeou com um estilo neogtico. No entanto, quando o

    arquiteto Antoni Gaud, com somente 31 anos, assumiu o projeto no ano de 1883, o

    reconfigurou completamente. (GUERRERO, 2014)

    Uma das ideias trazidas por seu projeto foram as elevadas torres cnicas

    circulares que se sobrepem aos portais, e que vo afinando com a altura. Gaud as

    projetou com uma torso parablica, o que deu uma tendncia ascendente a toda a

    fachada, favorecida por muitas janelas que perfuram as torres seguindo as suas

    formas espirais. (GUERRERO, 2014)

    A Sagrada Famlia uma igreja de cinco naves, com cruzeiro de trs naves,

    que formam uma cruz latina. Suas dimenses interiores so: nave e abside, 90 metros;

    cruzeiro, 60 metros; largura da nave central, 15 metros; naves laterais, 7,5 metros

    cada uma (a nave principal tem no total 45 metros); largura do cruzeiro, 30 metros.

    (GUERRERO, 2014)

    Figura 32 Vista Frontal Fonte: www.blogdaanace.com.br

  • 45

    Figura 33 Igreja Sagrada Famlia Terminada Fonte:http://www.hypeness.com.br/2013/10/video-mostra-como-sera-a-catedral-da-sagrada-

    familia-quando-terminada/

    O templo pode ser lido com a seguinte diviso de espaos: a Fachada da

    Natividade, a Fachada da Paixo, a Fachada da Glria com o Batistrio, e a Capela

    de Sacramento, a Cripta, a Abside, as Cpulas e Obeliscos, os Claustros, as

    Sacristias, a Capela da Assuno, o Cruzeiro e o Transepto, as Naves e os Coros, e

    o Altar. Cada janela, coluna e elemento faz referncia a santos, instituies ou

    mistrios da f catlica. (GUERRERO, 2014)

    Em 1926, quando Gaud faleceu, s havia sido construda uma torre. Do projeto

    do edifcio s se tinham os planos e um modelo em gesso que foi seriamente

    danificado durante a Guerra Civil espanhola. Hoje, 129 anos depois, a construo do

    templo segue a ideia original do arquiteto.

    De Acordo com GUERRERO (2014)

    Quando estiver terminada, a igreja ter 18 torres; quatro em cada um dos trs acessos e, como um arranjo de cpula, estaro outras seis torres, com a torre central dedicada a Jesus, de 170 metros de altura, coroada com uma cruz de quatro braos, smbolo de Jesus Cristo, e outras quatro ao redor de esta, dedicadas aos evangelistas, e uma segunda cpula dedicada Virgem.

    3.4 Igreja da Transfigurao Nigria

  • 46

    O escritrio londrino DOS Architects foi recentemente selecionado para

    desenhar a Igreja Catlica da Transfigurao, em Lagos, capital da Nigria. O teto

    ondulante um dos aspectos que mais chama a ateno no projeto da construo.

    (NIGERIA ARCHITECTURE, 2014)

    Os arquitetos usaram arcos de ao em diferentes alturas, espaados entre si

    numa distncia de quatro metros, para dar sustentao, rigidez e leveza ao teto da

    igreja. A construo, que possui mais de 3 mil metros quadrados, conta com um salo

    de congregao de dois andares, todo espelhado na entrada e no final, para dar

    relevncia altura do salo. (NIGERIA ARCHITECTURE, 2014)

    Figura 34 - Vista interna Fonte: www.nigerianarchitecture.blogspot.com.br

    O projeto demonstra que no havia a inteno de produzir qualquer coisa

    relacionado com a cultura ou as tradies dos povos que vivem em Lekki. Assim, este

    edifcio se torna um cone ou marco sim para a igreja e as marcas da igreja. (NIGERIA

    ARCHITECTURE, 2014)

  • 47

    Figura 35 - Vista Frontal Fonte: www.nigerianarchitecture.blogspot.com.br

    Foi colocada a cruz latina no ponto mais alto da estrutura da igreja, que se

    tornar um cone para a cidade de Lekki e lagos como um todo. O acesso principal

    colocado na parte mais estreita e mais baixo do edifcio e leva a um vestbulo do qual

    o visitante tem vistas e acesso claro para ambos os pisos da igreja. O vestbulo de

    entrada, a escadaria principal da igreja se divide em duas metades que so

    visualmente ligadas pelo grande trio na entrada no prdio. (NIGERIA

    ARCHITECTURE, 2014)

    O conceito de arquitetura e forma estrutural so partes integradas com uma

    srie de arcos de diferentes alturas, produzindo a forma escultural do edifcio como

    um todo. Arcos so uma das formas mais antigas e mais eficientes da estrutura,

    utilizando a altura total do edifcio para fornecer a rigidez, resultando em uma estrutura

    relativamente delgada. (NIGERIA ARCHITECTURE, 2014)

    Figura 36 - Planta do primeiro piso Figura 37 - Corte Longitudinal Fonte: www.nigerianarchitecture.blogspot.com.br

  • 48

    Fonte: www.nigerianarchitecture.blogspot.com.br

    3.5 Igreja de Seed China

    A Igreja se encontra em uma das sete montanhas taoistas da China. Embora

    existam vrios tipos de templos taoistas e budistas no distrito, o elemento religioso

    ocidental no foi descoberto ainda. Alm de desenvolver habitaes privadas, o

    cliente tentou criar uma pequena igreja para os habitantes do povoado, a fim de

    ampliar o espectro religioso e cultural. A mensagem cultural e religiosa comunicada

    atravs do jogo de luz e sombra na arquitetura. (MONTEIRO,2013)

    Localizada na Montanha Kuofu, a Igreja tem uma rea de 280m e pode

    acomodar 60 pessoas. O conceito de projeto vem da forma de uma semente, um

    elemento metafrico nas histrias do Evangelho. A linha curva segue o contorno de

    uma semente que delimita os espaos, como um elemento de conteno. A curva

    dividida em 3 partes que formam trs acessos: a sudeste a fachada possu uma

    abertura em forma de cruz que permite a entrada de luz na parte da manh, a oeste

    a fachada slida e bloqueia a luz da tarde, e ao norte a fachada mais espessa para

    acomodar as instalaes sanitrias. Os visitantes podem subir pelo terrao da

    cobertura chegando at um mirante. (MONTEIRO,2013)

    A estrutura principal feita de concreto moldado in loco com uma estrutura de

    bambu. A textura que o bambu deixa no concreto absorvido com as rvores e com

    o verde da paisagem. (MONTEIRO,2013)

    Figura 38 - Vista a longa distncia

    Fonte: Iwan Baan (2013)

  • 49

    Figura 39 - Detalhe do telhado Fonte: Iwan Baan (2013)

  • 50

    4 REFERNCIAS ARQUITETNICAS NACIONAIS

    4.1 Matriz da Sagrada Famlia Bayeux- PB

    Figura 40 - Estudo Volumtrico - Vista Noroeste - Bayeux - PB Disponvel em: www.ricardo-vidal.blogspot.com.br

    Este projeto de reforma e ampliao da Matriz da Sagrada Famlia em Bayeux

    - PB feito pelo Arquiteto Ricardo Vidal, surgiu da necessidade de ampliar a capacidade

    da Igreja e criar um espao mais confortvel e agradvel aos fiis. (VIDAL,2013)

    Remetendo tradio da arquitetura Catlica, a entrada situa-se sob o volume

    do coro para logo aps se abrir a nave com um p-direito de 8,10m. esquerda da

    entrada, est localizado o Batistrio, abaixo da torre (Campanrio). Mais frente, junto

    ao Presbitrio encontra-se o espao reservado para confessionrio bem como o

    Sacrrio. (VIDAL,2013)

    direita da entrada principal com acesso tambm pela nave, est o salo

    paroquial, j existente e utilizado para eventos da comunidade. Seu p-direito tambm

    ser alterado e ele ganhar um mezanino, ao tempo em que ceder rea para uma

    nova bateria de sanitrios e a Sacristia. (VIDAL,2013)

  • 51

    Ser atravs do mezanino do salo que poder se acessar o coro da igreja, e

    a partir deste, os demais pavimentos da torre (reas tcnicas). (VIDAL,2013)

    No fundo do lote encontra-se a casa paroquial, que no ser alterada, com

    exceo de uma ampliao da garagem, hoje subdimensionada. (VIDAL,2013)

    O partido volumtrico, de linhas contemporneas, surgiu da ideia de dar mais

    monumentalidade Igreja. (VIDAL,2013)

    Figura 41 - Estudo Volumtrico - Vista Sudoeste Disponvel em: www.ricardo-vidal.blogspot.com.br

    As aberturas para ventilao e iluminao foram resolvidas de forma a no

    haver a visualizao do espao exterior a partir da nave, para que os fiis possam

    usufruir do espao como um campo sagrado e dedicado exclusivamente reflexo

    sem interferncias externas. (VIDAL,2013)

    http://www.ricardo-vidal.blogspot.com.br/

  • 52

    Figura 42 - Vista Noroeste Atual Disponvel em: www.ricardo-vidal.blogspot.com.br

    Figura 43 - Vista Noroeste Proposta Disponvel em: www.ricardo-vidal.blogspot.com.br

  • 53

    4.2 Interveno Igreja Matriz da Santa Cruz Areias, So Jos, Santa Catarina

    A Igreja catlica tem Cristo como a nica absoluta verdade. Sendo assim, o

    granito macio e de acabamento bruto (levigado) foi o material empregado nas peas.

    (HELM,2013)

    O altar o centro da Liturgia, ele no projeto ganha o destaque que as

    celebraes pedem. Seu desenho possui linhas elegantes, estruturadas na proporo

    urea; nos remetendo ao cenculo; mesa da santa ceia. (HELM,2013)

    A palavra Ambo vem de do grego Anabaino que significa subir, elevar-se, a

    Palavra que vem do reino dos cus. As linhas verticais e a forma que apontam para

    cima, ilustram tal conceito. Nas celebraes o povo Deus est sob a presidncia do

    ministro ordenado, que celebra in Persona Christi. Ele o Cristo cabea que tem na

    assembleia o seu corpo eclesial. Este conceito materializado na Sedia ou Cadeira

    da Presidncia, aqui desenhada com simplicidade formal, porm, com a escala

    necessria para que se alcance os conceitos citados. (HELM,2013)

    Figura 44 - Antes e Depois Fonte: Eduardo Faust

  • 54

    Figura 45 - Pia Batismal Fonte: Eduardo Faust

    Figura 46 Ambo Fonte: Eduardo Faust

    O batistrio foi desenhado em forma octogonal, fazendo referncia ao oitavo

    dia, dia da ressurreio; a nova criao do mundo em Cristo, o novo Ado; todos

    nascemos como Ado e no batismo que somos resgatados. Este octgono est

    inscrito numa Vsica Piscis, um antigo smbolo presente em vrias religies que

    simboliza a criao, a origem. (HELM,2013)

  • 55

    Os patamares do presbitrio focam na hierarquia dos elementos litrgicos. O

    batistrio encontra-se junto assembleia, a capela do santssimo e os santos, a dois

    degraus de altura. No terceiro degrau, que busca o nmero 3, nmero do Deus trino

    da santssima trindade temos altar e ambo. E, finalmente, no patamar mais

    elevado, a Sedia. (HELM,2013)

    O projeto passou por uma reformulao do layout das salas anexas a nave.

    Foram criadas nas laterais do presbitrio: Sacristia, capela do santssimo e sala de

    controle de som e luz. Aos fundos: Capela da reconciliao (o antigo confessionrio),

    sala de dzimo, Sacristia e sala de imagens. (HELM,2013)

    A igreja antes da reforma tinha capacidade para 600 pessoas, foi construdo

    um mezanino ao redor da nave com estrutura metlica, forros acsticos e

    detalhamentos de steel frame dry wall e vidro laminado. Com o mezanino o edifcio

    hoje conta 1000 pessoas sentadas. (HELM,2013)

    Figura 47 - Vista Frontal Fonte: Eduardo Faust

  • 56

    4.3 Santurio de Santa Paulina Nova Trento/SC

    Figura 48 - Escada de acesso ao Santurio Fonte: HS Arquitetos

    cone da edificao religiosa, a cobertura de linhas ascendentes estimula a

    meditao e a busca da espiritualidade, como se fosse um manto que, singelamente

    lanado sobre a construo, abriga a nave principal, capelas e rea de apoio, alm de

    definir os acessos ao santurio. (HS ARQUITETOS, 2014)

    Cobertura modulada a cada 7,5 metros, de caimento em duas guas, com

    desenho que remete visualmente s tradicionais vestimentas de algumas ordens

    religiosas. So trs setores distintos - nave principal, capelas e rea de apoio -, alm

    de circulaes e acessos. (HS ARQUITETOS, 2014)

  • 57

    Figura 49 Interior Fonte: HS Arquitetos (2012)

    Para evitar variaes bruscas de temperatura e minimizar o rudo externo, a

    cobertura termo isolante foi construda com sistema de telha zipada, que oferece duplo

    isolamento termo acstico com l mineral. Na parte inferior da cobertura, chapas de

    alumnio perfuradas funcionam como forro e tambm colaboram com a acstica do

    ambiente. (HS ARQUITETOS, 2014)

    4.4 Santurio Nacional de Nossa Senhora Aparecida Aparecida/SP

    A Baslica de Nossa Senhora Aparecida, tambm conhecido como Santurio

    Nacional de Nossa Senhora da Conceio Aparecida, est localizada na cidade de

    Aparecida, no interior do Estado de So Paulo. Foi solenemente sagrada em 4 de

    julho de 1980, por Joo Paulo II quando ele visitou o Brasil pela primeira vez. Em outra

    de suas visitas, passando por Aparecida, abenoou o Santurio e, em 1984, a

    Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil, elevou a Nova Baslica a Santurio

    Nacional. Localiza-se no centro da cidade, tendo como acesso a "Passarela da F",

    que liga a baslica atual com a antiga, ambas visitadas por romeiros. (A12, 2014)

  • 58

    Em meados da dcada de 1940, os missionrios da Congregao do

    Santssimo Redentor, conhecidos por redentoristas, perceberam a necessidade de se

    erigir um novo templo para venerao e devoo do povo para com Nossa Senhora

    da Conceio Aparecida: era preciso um espao mais amplo, que comportasse mais

    pessoas. Dessa necessidade, surgiu a ideia de se construir no uma qualquer igreja

    maior, mas uma baslica. (A12, 2014)

    Figura 50 - Santurio Nacional de Aparecida Fonte: www.a12.com

    Tambm conhecida por "Baslica Nova", est construda sobre o Morro das

    Pitas, Comeou a ser construda em 11 de novembro de 1955. A torre da baslica

    mede 100 metros de altura, possuindo 18 andares e seu projeto foi elaborado por

    Benedito Calixto de Jesus Neto. O Santurio Nacional de Nossa Senhora da

    Conceio Aparecida visitado anualmente por aproximadamente dez milhes de

    romeiros de todas as partes do Brasil. (A12, 2014)

    Para favorecer as mes com crianas pequenas, a Baslica oferece dois

    fraldrios. Um deles se encontra no subsolo e contm 10 beros e 16 trocadores,

  • 59

    atendendo cerca de 300 crianas por dia. O outro est localizado no Centro de Apoio,

    na asa sul, e possui microondas, duchas higincias, trocadores, aquecedores de

    mamadeiras entre outros servios gratuitos. (A12, 2014)

    No subsolo da Baslica, encontra-se a Sala das Promessas, o fraldrio,

    banheiros, gua potvel, Capela dos Batizados, Salo dos Romeiros (espao para

    refeies) e marcao de missas. Na Torre Braslia, o mirante (100m de altura), o

    Museu Nossa Senhora Aparecida e a central de informaes. No Centro de Apoio, o

    ponto de encontro e central de informaes. No setor externo, a Sala de Imprensa, a

    sala dos motoristas, a segurana patrimonial e o ambulatrio. (A12, 2014)

    4.5 Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida Braslia

    A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, popularmente

    conhecida como Catedral de Braslia foi projetada por Oscar Niemeyer e construda

    entre 1959 e 1970, e faz parte do conjunto inicial de edifcios que compem o Eixo

    Monumental da capital brasileira. (FRACALOSSI,2013)

    O edifcio definido pelos seus dezesseis pilares de concreto em forma de

    bumerangue, que partem de uma planta circular de setenta metros de dimetro,

    rodeada por um espelho dgua, e sobem inclinadamente at tocar uns aos outros. O

    clculo estrutural desse e dos demais edifcios projetados por Oscar Niemeyer para o

    conjunto original de Braslia foi feito por Joaquim Cardozo. (FRACALOSSI,2013)

    A catedral em si est um nvel abaixo do plano de acesso; o edifcio , assim,

    meramente sua coberta. Seu acesso d-se por um caminho criado por quatro

    esculturas, representando os evangelistas, que levam a uma rampa descendente,

    estreita e escura. (FRACALOSSI,2013)

    O contraste entre o que foi visto externamente e o interior que se faz presente

    surpreendente. Os vitrais que fazem os fechamentos entre os pilares dotam a nave

    da catedral de abundante luz (figura 52). (FRACALOSSI,2013)

    Ao lado do edifcio da Catedral est o campanrio, cuja soluo estrutural

    novamente inusitada. Uma barra linear, que apoia sobre ela quatro sinos, sustentada

    por um nico ponto central, que descem formando quatro pilares em suaves curvas

    (figura 50). (FRACALOSSI,2013)

    Do lado oposto est o batistrio, finalizando a estrutura tripartida do conjunto.

    Assim como a Catedral, ele tambm um espao enterrado, mas, ao contrrio

  • 60

    daquela, sua coberta uma casca ovoide opaca, levemente iluminada por aberturas

    laterais. (FRACALOSSI,2013)

    Figura 51 - Catedral de Nossa Senhora Aparecida Disponvel em: www.archdaily.com.br

  • 61

    Figura 52 - Esboo da fachada Fonte: www.archdaily.com.br

    Figura 53 Interior Fonte: www.archdaily.com.br

    http://www.archdaily.com.br/

  • 62

    5 OS ESPAOS QUE COMPEM O EDIFCIO IGREJA

    Para bom xito do programa iconogrfico preciso ter bem claro que toda ao

    que desenvolve nesse espao um Mistrio (sagrado) e, portanto, no um lugar

    simplesmente humano. Depois, a razo desse edifcio a liturgia eucarstica e tudo o

    mais que decorre dessa ao. A noo de sagrado (Mistrio) fundamental, assim

    como a de sacrifcio. No espao sagrado, no vamos ao encontro de ns mesmos,

    mas ao encontro de Deus, que d sentido vida comum do Povo de Deus. (PASTRO,

    2012)

    O programa iconogrfico deve ser considerado desde o incio do projeto arquitetnico, de acordo com as exigncias litrgicas e a cultura local. Deve ser resultado de um trabalho multidisciplinar que envolva arquitetos, liturgistas, artistas e a comunidade. (CNBB. 2013, p.43)

    5.1 Presbitrio

    Segundo PASTRO (2012), este espao precisa o mais amplo possvel. Nele

    ficam dispostos o altar, o altar, a sdia, a cruz processional e a credncia. Tendo como

    centro do presbitrio o altar, preciso deixar em todas as direes um espao em

    torno dele de, no mnimo, 2,50 m. J prevendo os vrios tipos de celebraes que

    podero acontecer no decorrer do ano litrgico: ordenaes, casamentos, funerais,

    etc.

    normal as pessoas chamarem o presbitrio de altar, quando na verdade o

    presbitrio o local que recebe o altar, mesa da celebrao. (PASTRO, 2012)

    5.1.1 Altar

    O altar a mesa do sacrifcio de Cristo, e deve-se o respeito necessrio para

    tal. Iniciando com o material a ser utilizado. Deve ser um material legtimo e slido.

    Normalmente so utilizadas pedras para a confeco do mesmo. (PASTRO 2007)

    Por ser um local de tal significado, no deve se parecer com mesa de buffet de

    festas. Precisa ser simples, uma extenso do mistrio da cruz. (PASTRO, 2007)

    Nenhum objeto simblico mais importante que o altar, por isso no se deve depositar objetos alheios ao ritual ou escond-lo (com toalhas, flores ou

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    cadeiras colocadas sua frente) e nem impedir aos fiis de verem o que se realiza sobre ele. (CNBB, 2013. p. 31)

    Segundo PASTRO (2012) o altar deve ter dimenses sbrias. Altura: 95

    centmetros, e poder ser quadrado com 1,00 m x 1,00 m ou 1,30 m x 1,30 m. No caso

    do mesmo ser retangular, no necessita ter mais do que 1,50m x 0,80 m ou 1,70 m x

    0,80 m, independentemente do tamanho do edifcio.

    5.1.2 Ambo

    Seguindo os mesmos princpios do altar, nas celebraes, o Ambo o lugar

    que precede a liturgia eucarstica. Tornando ento o centro (no fsico) da primeira

    parte da liturgia. (PASTRO 2012)

    Por se tratar de um local de anncio da palavra, o material a ser utilizado deve

    ser, preferencialmente, o mesmo utilizado no altar e na sdia, seguindo o mesmo

    padro. Em si, desnudo, pea alta que anuncia e testemunho o Cristo. No devem

    haver mais que um ambo, pois a palavra de Deus nica. No local para

    comentrios e/ou recados. (PASTRO 2012)

    32. No recinto da igreja, deve existir um lugar elevado, fixo, adequadamente disposto e com a devida nobreza, que ao mesmo tempo corresponda dignidade da Palavra de Deus e recorde aos fiis que na missa se prepara a mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo, e que ajude da melhor maneira possvel a que os fiis ouam bem e estejam atentos durante a liturgia da palavra. Por isso se deve procurar, segundo a estrutura de cada igreja, que haja uma ntima proporo e harmonia entre o ambo e o altar. 33. Convm que o ambo, de acordo com a sua estrutura, seja adornado com sobriedade, ou de maneira permanente ou, ao menos ocasionalmente, nos dias mais solenes. Dado que o ambo o lugar de onde os ministros proclamam a Palavra de Deus, reserva-se por sua natureza s leituras, ao salmo responsorial e ao sermo pascal. A homilia e a orao dos fiis podem ser pronunciadas do ambo, j que esto intimamente ligadas a toda a liturgia da palavra. Mas no conveniente que subam ao ambo outras pessoas, como o comentarista, o cantor, o dirigente do coro. 34. Para que o ambo ajude, da melhor maneira possvel, nas celebraes, deve ser amplo, porque em algumas ocasies tm de estar nele vrios ministros. Alm disso, preciso procurar que os leitores que esto no ambo tenham suficiente luz para ler o texto e, na medida do possvel, bons microfones para que os fiis possam escut-los facilmente. (IELM p. 8)

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    5.1.3 Sdia

    A sdia do presidente ou a ctedra do bispo fecha o conjunto principal do

    edifcio, juntamente com o altar e o ambo. Todos eles so sacramentais, partes de

    um nico mistrio a ser celebrado, o Mistrio Pascal. (CNBB, 2013)

    A sdia , assim como a mesa da Eucaristia e a mesa da Palavra, um dos plos constitutivos do espao da celebrao. A utilizao dos mesmos materiais e estilo nessas peas, ajuda a perceber a unidade entre eles, como sinais do nico Cristo. (CNBB. 2013. p.27)

    5.1.4 Cruz processional

    O Missal Romano orienta sobre o uso da cruz processional em vez de grandes

    crucifixos pendurados nas paredes, para simbolizar que a cruz acompanha o cristo

    em sua caminhada, mas a meta a ressurreio, a glria, a vida. (MILANI, 2006)

    A cruz processional deve apresentar a imagem do crucificado; ser pequena (30

    a 50 cm), feita de material e forma que estejam em harmonia com as demais peas

    do presbitrio. Aps carregada em procisso como sinal do Cristo morto e

    ressuscitado, ela permanece junto ao altar. (MILANI, 2006)

    Segundo a Instruo Geral sobre o Missal Romano:

    308. Haja tambm sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem de Cristo crucificado que seja bem visvel para o povo reunido. Convm que tal cruz, que serve para recordar aos fiis a paixo salutar do Senhor, permanea junto ao altar tambm fora das celebraes litrgicas.

    O documento da CNBB (2013) nmero 106 afirma:

    A cruz com crucificado colocada perto do altar serve para recordar aos fiis a paixo salutar do Senhor tambm fora das celebraes litrgicas. Essa pode ser a cruz processional. Em harmonia com a cruz esto tambm dispostos os castiais com as velas.

    5.1.5 Credncia

    De acordo com a Comisso Arquidiocesana de Arte Sacra da Arquidiocese de

    Porto Alegre, a credncia:

    uma espcie de pequena mesa colocada discretamente no presbitrio para apoiar os objetos necessrios para a missa: o clice, a patena, as galhetas,

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    os livros ou o que mais for necessrio, dependendo da celebrao. No deve sobressair com rendas ou outros ornamentos. bom que sua altura seja inferior do altar. A credncia pode ser colocada encostada na parede lateral do presbitrio ou como um console na parede, fazer parte da prpria parede. A credncia pode ser fixa ou mvel. Na entrada da igreja, podem ser previstas uma ou mais credncias para as ofertas ou folhetos. O material usado deve ser simples e nobre e estar em harmonia com as demais peas do presbitrio.

    5.2 Capela da reconciliao

    Conhecido antigamente como confessionrio. Local destinado ao dilogo entre

    os fiis e o padre para a confisso, sendo que hoje este local pode estar em uma

    capela ou mesmo em um espao reservado na assembleia. (CNBB, 2013)

    5.3 Capela do santssimo

    Segundo PASTRO (2012) um local dentro da igreja destinado ao tabernculo.

    Sendo que a mesma deve estar preparada para receber a orao individual e coletiva

    (comunitria). um espao retirado da nave principal, porm ligada igreja e visvel

    aos fiis.

    Compem esse espao to somente o tabernculo, genuflexrios e cadeiras.

    Nunca dever conter o Crucificado ou qualquer outra imagem, pois um local com a

    presena real do Cristo vivo e ressuscitado. (PASTRO, 2012)

    5.4 Tabernculo (sacrrio)

    Segundo MILANI (2006), o tabernculo, ou tambm chamado de sacrrio, se

    parece com um cofre para que se possam guardar as reservas eucarsticas. Segundo

    a tradio necessrio manter uma lmpada sempre acessa ao lado do sacrrio,

    indicando a presena de Cristo.

    De acordo com PASTRO (2012) esse o local onde se depositam as sagradas

    espcies, o Santssimo. E que o material a ser confeccionado pode ser metal, madeira,

    ou outro material. Depende do local e da segurana para evitar a violo proveniente

    de vandalismo. importante que o