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8/16/2019 Kasey Michaels - Perfeita para amar (txt) (rev).txt http://slidepdf.com/reader/full/kasey-michaels-perfeita-para-amar-txt-revtxt 1/134  PERFEITA PARA AMAR  Kasey Michaels  http://groups-beta.google.com/group/digitalsource  Kasey Michaels  PERFEITA PARA AMAR  TRADUÇÃO Juliana Tejo e Geve  Copyright © 2001 by Kathryn A. Seidick Originalmente publicado em 2001 pe la Kensington Publishing Corp.  PUBLICADO SOB ACORDO com KENSINGTON PUBLISHING CORP.  NY, NY - USA Todos os direitos reservados.  Todos os personagens desta obra são fictícios.  Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.  Título original: Love to Love You Baby  Tradução: Juliana Tejo e Geve  Editora e Publisher: Janice Florido  Editora: Fernanda Cardoso  Editoras de Arte: Ana Suely S. Dobón e Mônica Maldonado  Paginação: Dany Editora Ltda.  EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.  Rua Paes Leme, 524  10º andar CEP 05424-010 - São Paulo - Brasil  Copyright para a língua portuguesa: 2004 EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.  Impressão e acabamento: RR DONNELLEY AMÉRICA LATINA  Tel.: (55 11) 4166-3500  Capítulo I  Há uma expressão na América que resume tudo. Essa expressão é. nunca se sabe Joaquim Andujar, lançador  Tying, ring!   Oh, não...  Ring, ring!  Jack Trehan praguejou novamente e estendeu a mão no escuro, encontrando o  telefone na segunda tentativa. Da primeira vez, quase havia derrubado a luminária , já torta, que sua tia Sadie lhe dera por pura bondade. E tia Sadie não era nada boa .. e era campeã do mau gosto.  com os olhos semicerrados, Jack segurou o aparelho e resmungou:   Não há ninguém em casa. Quando ouvir o sinal, pegue um avião e...   Jack? Jack, querido, é você?
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Kasey Michaels - Perfeita para amar (txt) (rev).txt

Jul 05, 2018

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    PERFEITA PARA AMAR  Kasey Michaels 

    http://groups-beta.google.com/group/digitalsource 

    Kasey Michaels 

    PERFEITA PARA AMAR 

    TRADUÇÃO Juliana Tejo e Geve 

    Copyright © 2001 by Kathryn A. Seidick Originalmente publicado em 2001 pela Kensington Publishing Corp.  PUBLICADO SOB ACORDO com KENSINGTON PUBLISHING CORP.

      NY, NY - USA Todos os direitos reservados.  Todos os personagens desta obra são fictícios.  Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência. 

    Título original: Love to Love You Baby 

    Tradução: Juliana Tejo e Geve  Editora e Publisher: Janice Florido  Editora: Fernanda Cardoso  Editoras de Arte: Ana Suely S. Dobón e Mônica Maldonado  Paginação: Dany Editora Ltda. 

    EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

      Rua Paes Leme, 524  10º andar CEP 05424-010 - São Paulo - Brasil  Copyright para a língua portuguesa: 2004 EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.  Impressão e acabamento: RR DONNELLEY AMÉRICA LATINA  Tel.: (55 11) 4166-3500 

    Capítulo I 

    Há uma expressão na América que resume tudo. Essa expressão é. nunca se sabe  Joaquim Andujar, lançador

      Tying, ring!   Oh, não...  Ring, ring!  Jack Trehan praguejou novamente e estendeu a mão no escuro, encontrando o telefone na segunda tentativa. Da primeira vez, quase havia derrubado a luminária, já torta, que sua tia Sadie lhe dera por pura bondade. E tia Sadie não era nada boa.. e era campeã do mau gosto.  com os olhos semicerrados, Jack segurou o aparelho e resmungou:   Não há ninguém em casa. Quando ouvir o sinal, pegue um avião e...   Jack? Jack, querido, é você?

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      Jack abriu os olhos de uma vez, como se alguém tivesse entrado em seu quarto e jogado água gelada em sua cabeça.  Então, mudou o fone de ouvido, ajeitou os travesseiros atrás de si e puxoua corda da luminária de dançarina de hula-hula com copa de saia franjada rosa-choque, inundando o quarto de luz.   Cecily?   Ah, você se lembrou de minha voz, Jack! Isso é tão sensível de sua parte. Maté aí, eu sempre o vi como uma reencarnação de Wyatt Earp; forte, honesto, excessivamene seguro de si... convencido, até. Por falar em Wyatt Earp, eu adorei aquele filme com Kevin Costner, e...   Cecily?  Jack falou, quase em tom de prece, tentando interromper a voz estridente da prima. Acabara de ver que horas eram. Fazia mais de um ano que não via e nem sabia de Cecily, mas certas pessoas... Bem, certas pessoas deixam uma impressão permanente.  Será que podemos ir direto ao assunto? São duas da manhã.   Mas por que você está preocupado com a hora, Jack? A hora não importa e vocêbe disso. É só um conceito artificial criado por alguém para controlar todas as outras pessoas... E são duas e quinze aqui em Bayonne. Seu relógio deve estar errado, Jack. Por quê? Você sempre foi tão preciso e...   Pelo amor de Deus, Cecily, você está me matando  interrompeu Jack, massageado as têmporas doloridas.  Você está de volta a Bayonne, certo? O mesmo fuso horário aficial que eu. Então, por que não podemos esperar até de manhã? Eu ligo para você.   Ah, desculpe, Jack. Eu sei que me empolgo. Eu sou muito intensa. Blue Rainbow me diz isso o tempo todo.  Ele diz que vou tão fundo em tudo, que às vezes me perco. É um grande desafio

     para mim, mas Blue Rainbow jurou me ensinar a canalizar meu fluxo de energia, a encontrar meu centro cármico. Ele não é um amor?   É. Uma graça.  Jack havia se levantado da cama e estava andando descalço pelo piso de madeira. Blue Rainbow era um homem. com Cecily, sempre havia um homem, mas ele não seria louco de perguntar quem era, porque com certeza Cecily lhe contaria tudo, nos mínimos detalhes e não pararia de falar pelas duas horas seguintes.   Cecily...  disse ele, quando ela fez uma pausa para respirar.  Há algum moivo para você ter me ligado no meio da noite, ou está só querendo conversar?  O silêncio repentino do outro lado da linha indicou a Jack que havia ofendido a prima. E, quando se ofendia, Cecily sempre chorava. Ele odiava quando isso acontecia porque Cecily falava, fungava e soluçava ao mesmo tempo e ficava praticamente impossível entendê-la.

       Cecily? Eu sinto muito, querida  E sentia mesmo. Da última vez que Cecilytivera um ataque de choro, Jack acabara comprando um love de quinhentas ações da Creative Pyrotechnics, empresa do namorado dela. A empresa terminara, ou explodira, menos de seis meses depois, junto com o namorado, em uma pequena comemoração de Quatro de Julho, em uma cidade do interior. Jack soubera depois que Cecily enterrara o namorado em uma urna. Uma urna pequena.   Você sente muito? Isso é fácil de dizer, Jack  Cecily reclamou, num tom choo.  Você sabe ser horrível, quando quer. E... e eu sempre achei que você go... gostass de mim, que fosse uma pé... uma pessoa legal. Foi por isso que eu liguei. Porquevocê sempre compreende e sempre ajuda. Exatamente como... como o Wyatt Earp.  Jack sentou-se na beirada da cama king-size, respirou fundo e tentou controlar-se.   Está bem, Cecily, está bem. Agora, acalme-se e me diga o que aconteceu. Eu

    só quero ajudar, querida, juro.  Porque daí você vai desligar o telefone e eu poderei voltar a dormir. Mas el não chegou a dizer isso.  Esperou Cecily se recompor. Ela soluçou mais umas duas vezes, assoou o nariz perto do telefone e respirou fundo. Jack podia imaginar exatamente a aparência dela quando fazia isso. Parecia bonita. Sempre parecera. Grandes olhos azuis, cabelos loiros e sedosos, um corpo pequeno e cheio de curvas. Tanto por fora e tãopouco por dentro. Ainda assim, ele a amava. Era quase impossível não gostar de alguémcomo Cecily Morretti.   Está bem  disse ela finalmente.  Isso é tão constrangedor. Você se lembr

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     ano passado eu vivi um tempo naquela comunidade no Oregon? Lendo todos aqueleslivros de auto-ajuda? Tentando me educar? Tentando meditar sob as pirâmides de cristal... Aliás, aquelas pirâmides eram...   Cecily, concentre-se querida. Você sabe como.   Bem, não, Jack  respondeu ela, recomeçando a chorar.  Foi exatamente isso. não consegui. De repente, me dei conta de que estava tudo errado. Os livros mandavam entrar em contato com nossa criança interior. Mas eu pensei que fosse com a criança que houvesse dentro de nós. Eu estava completamente errada e isso me brecou, sabe? Quero dizer, o que fazer com a criança interior, quando ela resolve sair? É uma coisa muito difícil, Jack. Muito mesmo.   Certamente  concordou ele, depressa. Concordaria com qualquer coisa queela dissesse, desde que ela parasse de soluçar.  Criança interior, criança que vive detro da gente, que vive fora... Eu entendo que haja uma diferença, mas como posso ajudá-la, Cecily? Eu farei o que for possível para ajudar, juro.  Ela estava chorando de novo. Provavelmente, lágrimas de alegria. Mas mesmo as lágrimas de alegria vinham com soluços.   Ah, obrigada, Jack. Eu sabia que você entenderia e que me ajudaria. Você sempre foi muito gentil. Blue Rainbow insiste em que eu parta com ele amanhã e Joeynão me ajudou em nada. Nem sei por que vim a Bayonne em busca da ajuda dele, Jack. Meu irmão não vale nada!   Ele continua tentando entrar para a Máfia local?  perguntou Jack. Mas Cecily estava quase em transe e não respondeu. Ela simplesmente continuou falando, aspalavras se enrolando umas nas outras, à medida que sua mente parecia funcionar atodo vapor, e isso sempre significava perigo.

       E como alguém pode encontrar seu centro cármico em Bayonne? Francamente, Jack... New Jersey? Eu estava desesperada, mas se você vai me ajudar... Ainda há tempo, desde que Blue Rainbow encontre as chaves de nosso carro alugado.  Ela fez uma pequena pausa, para continuar no mesmo ritmo:   Ah, espere... Aqui estão elas, em meu bolso. Não é o último lugar em que aaria?! Mas é maravilhoso. Conseguiremos chegar lá, voltaremos a New Jersey a tempo e estaremos em nosso vôo matinal para Newark... Você ainda se levanta muito cedo, não é?Provavelmente sim. Ah, eu nem sei como agradecer-lhe, Jack. Nem sei.   Então, nem tente  Jack aparteou, convencido.  Não sabia o que havia dito, mas obviamente dera as respostas certas. Não que fosse abusar da sorte e fazer alguma coisa tola como perguntar para onde diabos ela e Blue Rainbow iam. Aquela mulher não fazia o menor sentido. Ainda assim, se Jack perguntasse, ela provavelmente diria que estava prestes a pegar um balão par

    a Júpiter e ele realmente não estava interessado.   Por que você não me telefona quando voltar?   Pode levar meses. Anos...  Cecily explicou, mas sua voz estava novamente animada, o que significava que estava falando novamente como Betty Boop depoisde inalar gás hélio.  Mas está tudo bem para você? Você tem certeza de que quer faze  Fazer o quê? com o que ele acabara de concordar? Será que efetivamente concordara em fazer alguma coisa? Não fazia a menor idéia do que ela estava falando. Aind assim, a ignorância era uma bênção, e com Cecily, muitas vezes a ignorância era necesspara preservar a sanidade.   Querida, se isso a faz feliz, eu concordo com... o que for  disse Jack,desabando nos travesseiros, mais que disposto a voltar a dormir.  Sonolento, mirou o telefone sobre o caixote que vinha usando como mesa-de-cabeceira e disse, num bocejo:

       Fico feliz em ter podido ajudar.  Keely McBride rolou na cama, socou o travesseiro e gemeu mais uma vez,numa mistura de agonia mental e frustração. Não conseguia dormir. Talvez nunca mais dormisse novamente.  Como as pessoas com insônia conseguiam viver? Por que simplesmente não se matavam e acabavam com tudo de uma vez? O que as pessoas faziam a noite inteira quando não conseguiam dormir? Contavam carneirinhos? Ridículo. Até porque, não funcionava.Keely sabia muito bem, porque já havia tentado.  A televisão portátil no quarto também não ajudara, apesar de Keely ter ficado ssistindo à programação até as duas da manhã, sem encontrar nada interessante. Ainda as

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    , nem um pingo de sono.  Aliás, se ficasse mais acordada que aquilo, poderia parar de perder tempo e limpar os vidros, descongelar a geladeira ou fazer algo útil.  Estava nervosa e assustada demais para dormir. Dera um único tiro, apenas um, que chegaria com uma tal de Sadie Trehan ao nascer do próximo dia. Como poderia dormir? Finalmente, Keely desistiu de fazer o que tentara há cerca de seis horas atrás, quando se deitara. Atirou as cobertas para o lado e foi tomar um banho.  E não havia risco de o barulho do chuveiro acordar mais alguém na casa, porque não havia ninguém. Estava sozinha.  Totalmente. A tia Mary não tinha ninguém em casa, além de um gato rajado e um cachorro de estimação, nervoso, para fazer companhia à sobrinha enquanto a tia passava a lua-de-mel na Grécia. Como não havia muito o que Keely pudesse fazer com um cachorro sonolento e um gato preguiçoso, comprara um hamster. Ele adorava brincar naquela rodinha que havia na gaiola, e ela rangia quando girava... Qualquer coisa para quebrar o silêncio, qualquer coisa com a qual pudesse falar, reclamar, xingar.  Para quem não sabe, Keely estava em Allentown, de volta a Allentown, porque seu querido escritório de design de interiores em Manhattan havia naufragado apenas quinze meses depois de ter aberto as portas.  Keely detestava fracassar, especialmente depois de ouvir seu adorado e único amor declarar, cheio de si, que ela nunca conseguiria sem ele. Keely abandonara sua cama, seu emprego e decidira enfrentar as estatísticas que proclamavam que setenta por cento dos negócios faliam nos primeiros dois anos.  O fato de ela própria ser uma estatística fazia com que odiasse estatísticas. Quase tanto quanto detestava Gregory Fontaine... O que não era bem verdade, porqu

    e para detestar uma pessoa era preciso ter gostado dela em algum momento. E elasabia que não havia nada para se gostar em Gregory Fontaine.  Ele era bonito, claro. E bem-sucedido. E a contratara recém-saída da faculdade, com a tinta do diploma ainda fresca e tendo tia Mary como única referência profissional. Qualquer pessoa, com um mínimo de inteligência, saberia que uma tia dariasempre uma excelente recomendação, mesmo que Keely fosse a pior designer de interiores.  Ah, sim, Gregory Fontaine. Ele era suave, cortês, freqüentava os restaurantes certos, conhecia as pessoas certas e era capaz de citar trechos inteiros de todas as peças de Neil Simon. Ele também roía as unhas dos pés. Ela gostava de se lembra desse detalhe. Sentia-se envolver por uma agradável sensação de vingança.  Keely ergueu a cabeça sob o jato do chuveiro até seus cabelos escuros ficarem praticamente negros. Então, aplicou uma generosa camada de xampu e fez muita es

    puma, tentando livrar-se dos maus pensamentos.  Não funcionou. Nunca funcionava. Nunca se sentia mais acordada, mais viva ou mais disposta só porque lavava os cabelos. E certamente nunca atingira o orgasmo por usar uma nova marca de xampu natural.  Havia muitas coisas na vida nas quais não acreditava. Usar desodorizadores de ambiente nunca transformara sua sala em um jardim. O creme dental nunca a deixara com um sorriso ofuscante, como se seus dentes fossem diamantes. Nunca umgênio saíra do frasco de limpador multiuso e limpara sua cozinha num passe de mágica.E quanto a sua vida sexual? Bem, nunca mais havia tido ninguém, desde que GregoryFontaine saíra de sua vida cerca de um ano e meio atrás.  Sua vida estava em uma longa fase de espiral descendente. Negócios, falidos. Apartamento em Manhattan, perdido. Futuro, nulo. Vida amorosa, bem, nunca havia sido uma maravilha, mas também estava acabada. Bem acabada.

      E ali estava ela de volta a Allentown, de volta a suas raízes, de volta ao mesmo quarto na casa da tia Mary, onde dormira na adolescência, sonhando em conquistar o mundo. Se não fosse pela tia Mary, provavelmente estaria nas ruas, ou vendendo móveis em alguma loja de departamento de shopping center, ganhando nove dólares por hora e uma folga aos sábados, de três em três semanas.   Então, tudo bem  disse Keely a si mesma.  Talvez eu tenha um pouco de sort. Tia Mary está na Grécia, gastando e namorando até o final de agosto, e eu estou administrando a loja. vou ficar com cinqüenta por cento de todas as comissões. Isso não é tmau. Certamente que não é o paraíso, mas nem tudo está perdido. Portanto, ânimo, McBridEscove os dentes de diamante, decida o que vai vestir e esteja pronta para encan

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    tar seu novo cliente em...  Ela voltou para o quarto, enrolada em uma toalha.  ...precisamente sete horas. Oh, Deus, o que vou fazer pelas próximas sete horas?  Às seis e meia, Jack já estava em pé, de banho tomado, barbeado, vestido e acaminho da cozinha para sua primeira xícara de café. Era junho, o sol estava brilhando, o dia já estava quente e devia estar ainda mais quente na Califórnia, onde ele se prepararia para o jogo daquela noite entre os Athletics e os Yankees.  Em vez disso, estava ali, em Whitehall, um lugarzinho nas vizinhanças deAllentown, sem nada para fazer e sem nenhum lugar para ir... e com muito poucasopções para se sentar, considerando que sua mobília se resumia a um colchão, um par de uminárias, um televisor de tela plana e uma cadeira encaroçada.  Ele havia aprendido a usar a cafeteira que sua tia Sadie lhe emprestara. Afinal, Jack Trehan era capaz de fazer qualquer coisa que Joe DiMaggio fizesse, e seu café da manhã estava quente e a sua espera. Ele se encostou no balcão da cozinha e olhou em volta do lugar. Grande. Moderno. Vazio.  A casa inteira estava vazia e cheirava a nova, o que, de certa forma, era. Havia eco por causa do piso de madeira e do pé-direito altíssimo. O sol banhavatudo, através das janelas imensas que iam do chão ao teto.  Não havia nenhuma privacidade, muito pouco conforto e Jack ainda estava arrependido de ter permitido que seu agente, Mortimer Mais e Mais Moore, o tivesseconvencido a comprar aquela mansão ridícula. Na ocasião, Mortimer dissera que seria um excelente negócio para reduzir os impostos.  Bem, talvez...  Na verdade, a casa já tinha um ano, apesar de continuar vazia. Jack imaginara que o lugar ficaria vazio até que ele se aposentasse do beisebol. Ironicament

    e, depois de apenas um ano, ele fora obrigado a abandonar o esporte.  Fora uma mudança drástica, e agora Jack era obrigado a olhar para a casa como uma espécie de castigo que tinha que agüentar. Estava de volta ao lar, à Pensilvânia a Lehigh Valley, que decadência!  Devia ter ficado em Manhattan, onde era dono de seu próprio apartamento,no quadragésimo sétimo andar do endereço mais elegante da cidade. Poderia ter ficado,a não ser pelo fato de que sua permanência em Manhattan o lembraria de que queria estar no Bronx, em campo, treinando seu lançamento de bola curva.  Assim, ele fechara o apartamento e voltara para casa, para a casa que Mort o convencera a comprar, voltara até mesmo para sua tia Sadie, que vivia logo acima da garagem para quatro carros... cinco cômodos aconchegantes que ela chamava, brincando, de a parte da viúva.  Tia Sadie tinha móveis. Tinha vasilhas e panelas e tinha mais de duas toa

    lhas.  Ela também tinha um quarto de hóspedes, mas Jack preferiria dormir num banco de praça do que no quarto de hóspedes de Sadie Trehan, mobiliado num estilo bregae antiquado. A luminária havaiana de dançarina de hula-hula, com copa de saia franjada era uma das coisas mais normais do ambiente.   Está bem, está bem  disse Jack, afastando-se do balcão.  Hoje, meu velho, meiro dia do resto de sua vida, seja lá o que isso signifique... De forma que é melhor você começar a agir.  Agir significava encontrar o decorador que Sadie contratara e torcer para que ele não fosse um seguidor do estilo de Sadie. Agir significava pensar no que faria para ocupar seus dias, suas noites, semanas e anos, agora que perdera obeisebol, seu primeiro e único amor.  Agir, já que estava se sentindo tão mal e que só seria capaz de dar pequenos

    passos de cada vez, significava ir até a porta da frente e torcer para que Sadie tivesse mantido sua palavra e encomendado a entrega do jornal para ele.  Os Yankees estavam excursionando pela Costa Oeste e Jack sabia que as estatísticas do jogo da noite anterior provavelmente ainda não haviam saído no jornal.Assim, pegou o controle remoto e, do balcão que separava a cozinha da sala de estar, mirou a televisão. Nada como as notícias matinais do canal de esportes para fazê-lo perceber o que havia perdido e ter vontade de gritar de desespero.  Uma corrida de carros. Nada de resultados, nem de estatísticas. Jack desligou a televisão, desapontado.   As coisas estão ficando cada vez melhores  grunhiu ele, caminhando mais um

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    a vez para a porta da frente.  O telefone tocou no bar, detendo-o, lembrando-o do telefonema de Cecily no meio da noite. Daquela vez, seria mais esperto. Daquela vez, consultaria o identificador de chamadas antes de atender.   Mort.  Jack ergueu os olhos para o teto, tentando resolver se deveria ou não atender. Da última vez que Mort ligara tentou convencê-lo a fazer um comercial de anti-séptico bucal para um canal de tevê japonesa. Segundo Mort, Jack tinha que agir logo, enquanto ainda estava na mídia, antes que se tornasse notícia do passado.  Mort era um amigão. Alguém que estava sempre a seu lado.  Certo. Ele merecia ser atendido.   bom dia, Mort  disse Jack, atendendo o telefone e caminhando novamente para a porta.  O que vai ser hoje? Pomada para hemorróidas para a Holanda? Algum remédio para disfunção erétil... Ah, eu não faria um desses para ninguém!  A voz trovejante de Mort obrigou Jack a afastar o fone do ouvido.   Boa, Jack! Muito boa! Você sabe que pode ganhar muito dinheiro com quasequalquer coisa, se fizer a coisa certa. De qualquer modo, fico feliz em perceber que você recuperou um pouco de seu velho ânimo.   Isso é um elogio, Mort?  perguntou Jack, preocupado. Afinal, Mort Moore tinha a sensibilidade de um tubarão.   O que você quer?  Eu? Querendo alguma coisa? Ora, ora, Jack. Você sabe que eu só quero o melhor para você. Só queria que soubesse que eu recusei aquele comercial de anti-séptico bucal. Você tinha razão. Não era mesmo seu estilo.   Sei  disse Jack, com a mão na maçaneta da porta.

       E qual é meu estilo?   Corvettes  disse Mort, e Jack quase visualizou o sorriso maldoso no rosto do agente.  Dois dias de filmagem no Arizona... ao ar livre. Você, o carro, uma bela garota no assento ao lado. Algo sobre o melhor do beisebol no melhor carro. Éfraco, eu sei, mas eles estão trabalhando no texto. E você pode ficar com o carro, Jack. E então? O que acha?  Jack tirou a mão da maçaneta e coçou o queixo.   Um Corvette? É infinitamente melhor que um antisséptico bucal, Mort. Está be, mas deixe-me pensar sobre isso. Ainda não sei se é certo entrar direto na publicidade. Tudo bem em colocar meu nome em uma luva, mas não sei se é honesto começar a usar meu nome e meu rosto fora do mundo dos esportes.   Malhe enquanto o ferro está quente, Jack  lembrou Mort.  Nem todo ex-Yanke tem um Mr. Coffee em seu futuro. Agora, escute: eu irei para o sul pela manhã. Pr

    eciso dar uma olhada nesse rapaz da Flórida, que está pensando em entrar mais cedo na Liga Nacional de Futebol. É um grande garoto. Acerta a linha como uma tonelada de tijolos, acaba com a defesa, mas não dá nenhum passo sem que a mãe esteja junto. Por isso, vou até lá bajular a mãe e analisar o garoto. Afinal, eu não gostaria que ninguéirasse vantagem dele, entende?   Você é mesmo um príncipe, Mort  Jack ironizou, meneando a cabeça.  Sua porm do contrato do garoto não significa nada, certo?!   E não se esqueça do bônus sobre a assinatura do contrato  lembrou o agente,ndo.  Por enquanto é isso, Jack. Entrarei em contato com você em alguns dias, ou antes se souber alguma coisa da agência de publicidade. Não se meta em encrencas enquanto eu estiver fora, hein?   Encrencas? Quando eu me meti em... Ah, esqueça  murmurou Jack, desligandoo telefone.  Encrencas...  repetiu, avançando mais uma vez para a maçaneta.  Mort es

    nsando no Trehan errado. Eu não sou Tim. Sou Jack, o gêmeo bonzinho.  Ele girou a maçaeta, abriu a porta da frente e se inclinou para pegar o jornal.  Eu nunca me meto em encrencas. Só me machuquei e tive que me aposentar aos vinte e oito anos, comuma casa vazia e um agente que insiste em dizer que em pouco tempo eu serei passado... Mas, o que é isso?!  Jack baixou os olhos para a grande cesta de vime, colocada no primeirodos três degraus que levavam à porta da frente. Então, olhou para os brinquedos e as roupas que ali estavam e para o assento de plástico ou o que quer que fosse que havia sido colocado no meio da cesta. Finalmente, olhou para a coisa dentro do assento de plástico.

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      Não. Não podia ser. Estava tendo alucinações.  Jack fechou os olhos e abriu-os novamente. Olhou mais uma vez. A coisano assento olhou-o, sorriu, expondo gengivas rosadas e um dentinho minúsculo, e jogou a manta a seus pés.  Oh, Deus!  Seu primeiro instinto foi de voltar correndo para a casa e bater a porta. Mas não adiantaria.  Jack pensou por um momento nos vizinhos, mas a casa fora construída em um terreno de três acres, e o vizinho mais próximo estava a, pelo menos, duas quadrasde distância, de forma que havia pouca chance de alguém vê-lo ali, do lado de fora, olhando para um bebê em uma cesta.  Um bebê em uma cesta?!  Bebê de quem?  Dele?  Jack bateu repetidamente nos próprios braços e olhou para os lados, tentando parecer impassível.  Seu bebê? Aquilo era possível? Ele nunca havia sido um playboy, nunca dormir com as legiões de mulheres que praticamente se atiravam nos braços de todos os jogadores das ligas principais.  Mas também nunca fora um celibatário.  Seu bebê?  Era possível. Tudo era possível, certo? Oh, Deus!  Ele jogou o jornal atrás de si, na varanda, engoliu em seco e bateu os pésalgumas vezes no degrau de cima.

      OhDeus!   Relaxe, relaxe  disse a si mesmo.  Fique calmo, Trehan. Esse bebê pode serde qualquer pessoa. Não precisa ser seu bebê. Mas, só por garantia, desça os degraus,e a criança e entre antes que alguém o veja.  Parecia uma boa idéia. O problema era que os pés de Jack não estavam obedecendo, de forma que ele continuava no degrau de cima e o bebê continuava ali, ao relento, sorrindo para ele.   Sadie.  Jack decidiu. Era isso. Ligaria para Sadie. Sua tia saberia o que fazer.  Não, não. Sadie, não  corrigiu, rapidamente, imaginando a tia e o que ela da.  Não até eu saber o que diabos está havendo.  com isso em mente, Jack desceu os degraus e pegou a cesta. O bebê estendeu os dois bracinhos e tentou segurá-lo pelo nariz, quando Jack ergueu a pesada cesta e levou-a para dentro da casa.

      Depois de fechar a porta com o pé, ele parou no meio do imponente hall, olhando para a sala de visitas vazia. Onde colocaria a cesta? Como se aquilo importasse. O problema era o que havia dentro da cesta.  Jack caminhou com a cesta pela casa, passou pela cozinha e finalmente colocou-a no chão de ladrilhos, inclinando-se junto porque o bebê, com as mãozinhas rosadas, conseguira segurá-lo pela bochecha. Foi um trabalho e tanto tirá-las dali, uma a uma. com uma pegada daquelas, era provável que o bebê conseguisse vergar até ferro.  Aturdido, Jack avistou um envelope branco, colocado estrategicamente na lateral da cesta.  Ah, o inevitável bilhete deixado junto com o bebê, na cesta. O bilhete explicaria tudo, exatamente como nos filmes.   Eu detesto quando isso acontece  resmungou ele, ligeiramente histérico, enquanto abria o envelope.

      As primeiras palavras no envelope foram os três primeiros golpes mortais: Ao querido Jack. Ele reconheceu a letra na mesma hora. Só a prima Cecily fazia coraçinhos nos pingos dos is e cortava os tês com pequenas flechas. O bilhete era curto ouco esclarecedor, já que Cecily escrevia exatamente como falava, dando voltas e ao sabor do vento.  Querido Jack,  Muito obrigada, mesmo, por ter concordado em ficar com a pequena Magenta Moon para mim. Você sempre foi tão querido, ao contrário de Joey, que é um idiota. El tem cerca de seis meses, eu acho, mas ainda não tomou as vacinas porque eu não consegui levá-la... Blue Rainbow disse que você provavelmente sabe disso. Ele também disse

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     que esta carta precisa dizer que eu lhe dou todos os direitos para cuidar dela. Assim, você tem todos os direitos, está bem? Também há uns papéis com cara de oficiaisntro da sacola de fraldas, para o caso de você precisar. Certa vez, Blue Rainbow pensou em ser advogado, mas não deu certo. Foi alguma coisa com os antecedentes dele, ou algo parecido. Ah, ela provavelmente vai ter fome logo. Há algumas mamadeiras para ela em uma das sacolas. Bem, agora eu preciso correr. Imagine só, Jack?! Katmandu!  Beijos,  Cecily (Moon Flower) Morretti   Não pode ser...  Jack sentou-se no chão, ainda com a carta na mão e baixou olhos para Magenta Moon.  A criança interior, a criança que há por dentro. Agora, tudazia sentido. Tarde demais, mas fazia sentido, considerando-se que se tratava de Cecily.   Você nunca consegue fazer nada direito, não é, Cecily?  perguntou ele, ao mo tempo que Magenta Moon começava a chorar. Desesperado, Jack cobriu o rosto com as mãos. 

    Capítulo II 

    Quando você chegara uma bifurcação na estrada, pegue-a.  Yogi Berra  Não são nem oito e meia. Droga. Keely tentou matar o tempo, enquanto dirigia pela estrada estreita que levava para o alto, em uma área de Whitehall antes conhecida como Egito. Na verdade, ainda era conhecida como Egito pelos nativos, damesma forma que outras partes da cidade eram conhecidas como Stiles, Cementon, West Catasauqua, Mickleys e Fullerton.  Eram nomes demais para uma única cidade e as mudanças, feitas principalment

    e por solicitação do correio, haviam sido concluídas com seis avenidas Principais, to em áreas diferentes de Whitehall.  Keely estava dirigindo pelo trecho Egito da avenida Principal, ou pelomenos achava que estava, até que as placas de sinalização mudaram misteriosamente para avenida Principal, depois para Velha Avenida Principal e depois as placas simplesmente sumiram. Era fácil uma pessoa se perder tentando encontrar a quase-mansão de Sadie Trehan.  Fora por esse motivo que Keely acabara se atrasando no dia anterior e era pelo mesmo motivo que estava adiantada naquele dia: havia se lembrado do caminho. Estava em parte orgulhosa de si e em parte imaginando se era melhor estar meia hora atrasada ou meia hora adiantada.  Tinha duas opções: parar na loja de rosquinhas na esquina seguinte e aparecer para a reunião com açúcar e geléia de morango na blusa ou virar à direita na mesma e

    ina e subir a colina para a casa de Sadie Trehan. Nesse caso, chegaria lá antes do horário combinado, para as nove da manhã.  As rosquinhas perderam, e Keely virou à direita, guiando com cuidado o Mercedes preto clássico da tia Mary. Como tudo o que Keely já guiara havia sido seu antigo Mustang e, mais recentemente, os metrôs de Nova York, passava o tempo todo lutando com a sensação de estar pilotando um imenso barco.   Mas um barco que causa uma impressão e tanto nos clientes  lembrou Keely em voz alta, ao mesmo tempo que virava à esquerda e pegava uma estrada íngreme, ladeada de árvores, que terminava na frente da casa de Sadie Trehan.  Claro que nem tanto quanto um decorador de interiores que fala sozinho em voz alta. Assim, cale a

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    boca, Keely, e preste atenção na estrada.  Animada, Keely estacionou o belo carro na frente de uma imensa casa detijolos aparentes, tirou a chave do contato e saiu para examiná-la, tentando descobrir se o objetivo da construção fora aparentar modernidade por meio de um estilo antigo, ou parecer antiga, lançando mão da estética moderna.  As janelas eram imensas, incluindo uma gigantesca janela oval que deixava transparecer um saguão de dois pavimentos, com um lustre de cristal quase do tamanho do Mercedes, visível através do vidro. Havia pelo menos cinco telhados separados, unindo-se aqui e acolá, lembrando o teto das catedrais, provavelmente com diversas clarabóias. A porta da frente era marrom, e as ferragens eram de cobre.  Segundo Sadie Trehan, a casa tinha mais de mil metros quadrados de área construída, divididos em dois pisos e quinze cômodos, todos completamente vazios, prontos para serem decorados.  Tinha muito dinheiro ali. Muito dinheiro. E cinqüenta por cento de dez por centro de muito dinheiro era... muito dinheiro.  Não que Keely não se sentisse atraída pela casa. Não que não estivesse louca p entrar, falar com Sadie Trehan e descobrir o que a proprietária tinha em mente com relação a cores, móveis, tapetes e cortinas. O decorador que vivia dentro de Keely estava animado com a perspectiva de ter sua criatividade desafiada.  Muito, muito, muito dinheiro. Adeus conta dos cartões de crédito, adeus impostos atrasados, adeus contas a pagar... Dinheiro, dinheiro, dinheiro.   Pare com isso  ralhou Keely, enquanto subia os três degraus baixos dianteda agradável entrada da frente.  Concentre-se no trabalho. Vasos com topiárias ficariam ótimos dos dois lados da porta. E talvez uns gerânios para dar cor. E um capacho.

     Por Deus, aquela mulher não tinha nem um capacho? Quanto será que valia cinqüenta poento de dez por cento de um capacho nos dias de hoje?  Keely tocou a campainha, recuou um passo, empertigou os ombros e passou as mãos pelo elegante terninho azul-marinho. A roupa tinha três anos, mas ela ficava bem nele. Parecia profissional, e se tivesse que concordar em pendurar estrelinhas fosforescentes no lustre para alegrar Sadie Trehan, era o que faria, porque não havia a menor possibilidade de abrir mão daquele trabalho.  Naquele momento, a porta da frente se abriu e uma cabeça masculina apareceu. Era um homem de cabelos escuros, com uma mecha um pouco mais clara acima datêmpora esquerda. Os cabelos eram espessos e ligeiramente cacheados. Os olhos eram de um belo tom de azul-cobalto. O nariz era reto e as faces, bronzeadas. E eleestava de boca aberta.   O que você quer?

      Era mais que uma pergunta. Parecia uma acusação, e o homem, apesar de belíssimo, não parecia muito equilibrado.  Incapaz de se conter, Keely recuou mais um passo, com as mãos no peito.   Eu? O que eu quero? Bem... acho que nada. Eu pensei que Sadie Trehan morasse aqui. Devo ter me enganado.  Ela gesticulou para ele.  Por favor, volte a fazer o que estava fazendo. Eu vou indo. Desculpe.  Keely se virou em direção do Mercedes, imaginando se acabara de escapar deum assassino serial ou apenas de um homem que, definitivamente, não gostava de manhãs.   Espere!  Keely parou. Sempre havia sido obediente. Provavelmente um efeito colateral dos três anos passados nos Escoteiros. A tia Mary sempre havia dito que aquilo fora um erro e que perdera uma pequena fortuna comprando os biscoitos que Keel

    y vendia.  Ela se virou lentamente e viu que o homem havia avançado para a varanda.Não era mais apenas uma cabeça com expressão irritada. Era uma cabeça irritada com um crpo alto e esguio preso a ela. E ele estava molhado, ou pelo menos seu ombro esquerdo e a frente da camisa estavam. E ele cheirava mal. Cheirava muito mal.   Eu... eu realmente preciso ir  disse Keely, recuando para o carro.  Tenho uma reunião e vou me atrasar.  Agora, o homem estava na base dos degraus, caminhando para ela, com umdedo apontado para o rosto de Keely.   Eu sei quem você é. Você é a decoradora, certo? Sadie contratou-a.

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       Você...  Keely pigarreou. Torcera tanto para ter anotado o endereço errado.Você conhece a sra. Trehan?  O homem assentiu e disse:   Ela é minha tia e contratou você para me arrumar uns móveis. Mas eu pensei qe você fosse homem.   É mesmo?  comentou Keely, lembrando a si mesma que era uma mulher de fibra, que não se assustava facilmente. Se aquele homem queria conversar, ela conversaria.  Por que um homem? Você acha que só um homem é capaz de decorar a casa de outro? Vcê sempre tira conclusões apressadas?  O rosto harmônico e bronzeado do homem curvou-se num sorriso que fez surgirem covinhas em suas faces.  Eu? Tirar conclusões? Um minuto atrás, moça, eu  aposto que você estava achando que eu ia arrastá-la lá para dentro e praticar meu curso intensivo de anatomia em você.  Aquela conversa, se é que aquilo podia ser definido assim, estava ficando mais esquisita a cada minuto.  - Você é médico?   Ah, outra conclusão. Não, não sou. E por mais que goste de adivinhações, nãotempo para ficar aqui enquanto você tenta descobrir de onde me conhece. Meu ego já está bastante abalado.  Keely suspirou, tentando digerir o que ele havia dito.   Seu ego? Por quê? Eu deveria reconhecê-lo ou algo assim?   Ou algo assim  ele passou a mão pelos cabelos e fez uma careta para uma coisa branca e pegajosa que tirou deles.  Deixe para lá. Para seu governo, Sadie Treh

    an é minha tia e mora em cima das garagens, lá no fundo. Eu sou Jack Trehan, o donoda casa. Esse nome ainda não lhe lembra nada? Mort tem razão, as pessoas esquecem rápido. Que manhã eu estou tendo! Que tal fazermos isso outra hora? Eu... eu estou meio ocupado neste momento.   Pintando o teto?  perguntou Keely.  O que é esse pó todo em você?  Jack Trehan esfregou a mão na calça caqui.   Acredite: você não ia querer saber. Mas, como eu disse, façamos isso outra hra. Talvez daqui a um mês ou dois. Que tal?   Um mês ou... não!  Keely respirou fundo, tentando acalmar-se. Se aquele homm era o dono da casa, então ele era o cliente. Seu único cliente. Mobiliar um lugar cmo aquele daria a ela dinheiro suficiente para sair de Dodge e estava mais do que determinada a sair de Dodge e voltar para Manhattan.  Certamente o senhor não quer viver mais um mês aqui sem móveis, não é, sr. Trehan? Sua tia me disse que a casa est

    azia. Quero dizer, o senhor está mesmo vivendo em uma casa vazia?  Jack Trehan fez uma careta.   Não está tão vazia quanto estava há cerca de uma hora.  disse ele, meneandobeça. Então, olhou-a fixamente e perguntou:  Você quer mesmo este trabalho?  Keely ergueu os olhos para o alto por um momento e então engoliu em seco.   Sim, sr. Trehan. Eu quero mesmo este trabalho. Jack olhou-a por longos momentos.   O que você sabe sobre bebês?  Bebês? Keely quase engoliu a língua. Seus clientes já haviam lhe feito muitas perguntas. Sua experiência profissional, onde se formara, nomes de outros clientes como referências... até se ela se oporia a incluir pequenas câmaras ocultas no quarto de um corretor da bolsa. Keely recusara este último trabalho e depois se recriminara por seu excesso de ética, considerando que, na ocasião, estava com o aluguel at

    rasado havia dois meses.  Mas nunca, nunca, haviam lhe perguntado o que ela sabia sobre bebês.  . Bebês?  repetiu ela depois de um momento.   Como assim?  Sim, srta. McBride  disse Jack, olhando por sobre o ombro para a porta aberta.  Bebês. O que sabe sobre eles?  Keely umedeceu os lábios.   Bem, eles vem em dois sexos, azul e rosa...   Está bem, esqueça.  Jack fez um gesto impaciente. Volte em um mês ou dois, a. McBride, ou nunca mais.

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       Espere!  Era evidente que Jack Trehan não tivera a noção de obediência incutida pelos ecoteiros ou por qualquer outra autoridade, porque ele não esperou. Simplesmente continuou andando em direção à casa.  Keely pegou a maçaneta segundos antes de a porta se fechar e entrou com ele.   Por que você quer saber o que eu sei sobre bebês? Se eu dissesse que sabia, faria alguma diferença?  Ela parou de falar quando Jack girou nos calcanhares e segurou-a pelosbraços, imobilizando-a no lugar. Keely queria olhar em volta para ter uma idéia da vasta amplidão, mas tinha a sensação de que não era uma boa hora para pensar em sedas e eludos.   Você está me machucando  ela avisou. Jack soltou-a.   Desculpe. É que eu não queria que você... bem, não importa. Podemos conversaqui.   Aqui é o hall de entrada  disse Keely, erguendo os olhos para o lustre.  Blo lustre. É uma pena que não dê Para sentar nele. Onde costuma sentar-se, sr. Trehan?   A resposta a isso parece óbvia, srta. McBride  disse Jack, com um sorrisoque subitamente o fez parecer mais com um menino e menos assustador.  Agora, responda à pergunta, por favor. O que você sabe sobre bebês?  Keely ficou com a súbita impressão de que sua resposta determinaria se faria aquele trabalho e ganharia o dinheiro, ou se teria que ficar em seu trabalho medíocre, estalando os dedos e esperando que alguma madame, com mais dinheiro que bom gosto, aparecesse, pedindo a ela para arrumar um pufe de cetim cor de pêssego p

    ara seu cachorrinho de estimação.   Sei o suficiente  respondeu ela, finalmente.  Ganhei uma medalha dos Escoteiros por Cuidados Infantis  Na verdade, havia ganhado apenas duas medalhas, uma por natação e outra por ter feito uma cesta idiota com palitos de sorvete. Mas Jack Trehan não precisava saber disso.  Por quê?  Antes que ele pudesse responder, os dois se viraram ao ouvirem um gemido alto vindo de algum ponto no interior da casa.   Droga!  explodiu Jack, correndo em direção ao som. Keely o seguiu, com os ohos brilhando à medida que olhava para os cômodos imensos e vazios de um lado e de outro. Chegou até mesmo a parar quando viu a área oficialmente destinada à sala de jantar, maravilhando-se com os pilares brancos, o pé-direito altíssimo e a parede inteira de janelas pelas quais se avistavam os jardins da propriedade. As perspectivas para um espaço como aquele eram infinitas! Outro gemido devolveu-a à realidade e el

    a seguiu, entrando na imensa cozinha em tempo de ver Jack Trehan ajoelhado, diante de uma grande cesta de vime, dizendo:   Ora, vamos lá. Não chore, MM, por favor, não chore. Em silêncio, Keely aproxu-se e espiou por sobre o ombro de Jack para ver a criança corada e profundamenteinfeliz, enfiada em um assento dentro da cesta. Agora ela sabia por que a camisa dele estava úmida e ele cheirava tão mal. O bebê estava igualmente molhado e cheirava duas vezes pior.   Quando a gente acha que já viu tudo...  disse ela, meneando a cabeça.  É s  Jack virou-se e ergueu os olhos azuis para ela, em uma atitude ameaçadora.   Não. Não é minha. E pare de rir porque não tem a menor graça.   Tem, sim  contradisse Keely.  Quero dizer, é engraçado, acredite. Ela tem  pulmões fortes, não é? Estou imaginando que seja uma menina por causa do cobertor cor

    de-rosa. Onde está a mãe dela?   Infelizmente, fora de alcance  resmungou Jack, tentando enfiar uma chupeta na boquinha rosada e escancarada.  Droga! Eu já a peguei no colo, já a alimentei.Qual é o problema?  Keely não tinha uma grande experiência com crianças. Era filha única, ficara óedo e fora criada por sua tia Mary, que só se casara duas semanas atrás, aos cinqüenta e sete anos. Keely havia feito bicos como baby-sitter, uma ou duas vezes, há alguns anos, mas nunca para um bebê.   Talvez ela esteja molhada.  disse, num esforço.   É... Bem, eu procurei um babador ou algo assim, mas não achei, e ela fica t

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    entando comer as toalhas de papel.   Não esse tipo de molhada. Estou vendo que o vestidinho dela está úmido...ntou-se: por que alguém vestiria um bebê de roxo-escuro?  Eu quis dizer, a outra pon   A outra... ah!  Sem soltar a chupeta, Jack sentou-se nos calcanhares, pronto para fazer uma pausa ou para bater em retirada.  Ah, isso não é ótimo?  ele erguos olhos para Keely.  O quanto você quer esse trabalho, srta. McBride?  Keely já estava com a impressão de que aquela pergunta viria e já sabia exatamente o que responder.   Deixe-me ver se eu entendi: o senhor está dizendo que vai me julgar por minhas capacidades de babá e não por meu currículo?  A expressão divertida dele tornava uma resposta desnecessária, mas, mesmo assim, Jack disse:   Precisamente.  com isso, ele se levantou e se afastou da cesta.  Esta é miha priminha, Magenta Moon... Eu a chamo de MM, o que é bem estranho, mas nada é tão estranho quanto Magenta Moon. Ela chegou há cerca de uma hora. Eu... eu vou ficar tomando conta dela por um tempo.  MM recomeçou a chorar e Keely estremeceu.   Você vai tomar conta dela? Até parece.  O rosto bronzeado de Jack ficou vermelho de raiva, como se estivesse prestes a se unir ao bebê no escândalo.   Quer saber de uma coisa, srta. McBride? Você é uma espertinha, e eu acho que não gosto de você. Portanto, esqueça.  Eu retiro a oferta. vou simplesmente chamar algum... algum serviço ou coisa que o valha.

       Não faça isso!  disse Keely, inclinando-se depressa para tirar MM do assent e pegá-la no colo, enquanto tentava recuperar a sanidade, antes que conseguisse se lembrar de que morria de medo de bebês.  Veja... Eu estou tomando conta dela  falou, sacudindo a menina para cima e para baixo, a uma distância segura.  Não estou, pequena?  perguntou ela.  Um segundo depois, MM sorriu, arrotou e golfou o leite que havia tomado no terninho e nas pernas de Keely. Só os sapatos escaparam.  Keely arregalou os olhos para Jack Trehan, horrorizada.   Veja o que ela fez!   Sim, estou vendo. Bela pontaria, hein?  ele sorriu.  E imagine que alguém o mundo gosta dela. Bem-vinda a meu mundo, srta. McBride. Limpe-a, e a si, e estará contratada.  Keely colocou MM de volta no assento e começou a procurar em volta por to

    alhas de papel, até encontrar um rolo perto da pia.   Ah, que sorte a minha  murmurou Keely por entre os dentes, limpando o blazer com as toalhas úmidas  Oh, não... Tem sujeira embaixo de minhas unhas. Oh, não! O, não!   Divirta-se srta. McBride. Eu vou tomar um banho. Acho que você também deveestar querendo tomar um, mas eu moro aqui, de forma que tomarei primeiro. A vida é mesmo injusta, não é?  Jack ironizou, girando nos calcanhares e deixando a cozinha.   Jack Trehan? Um idiota, isso sim  Keely desabafou, baixinho, ao vê-lo se afastar, sabendo que a presença dele ali de nada adiantaria. Então, baixou os olhos para MM, que voltara a chorar.  Se você acha que eu vou ficar comovida, desista, menina  alertou ela, abrindo os braços ao se aproximar da cesta.  Esta é... era minha mehor roupa.  MM parou de chorar. Ergueu os olhinhos para Keely e sorriu.

       E não adianta ser simpática  alertou Keely, apontando um dedo para o bebê. esse seu cheiro, sua simpatia não vai ajudar em nada, mocinha.  MM pegou um pezinho com as mãos gordinhas e colocou-o na boca, encarandoKeely com seus grandes olhos azuis.   Está bem, eu admito. Você é bonitinha. Mas isso não é nada demais, portante convencida, está bem? Porque você tem um longo caminho a percorrer antes de eu meesquecer do que houve com a roupa. Isso é apenas um trabalho e, para mim, você não passa de um meio para atingir meu objetivo.  Keely, suspirando, ajoelhou-se no chão. Então, olhou resignada para MM, tentando decidir qual extremidade limpar primeiro.

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     gêmeo.  Beisebol. Aquilo fora a vida de ambos por tanto tempo quanto Jack conseguia se lembrar. Haviam jogado futebol e basquete no colegial, mas fora o beisebol que os cativara. Desde os cinco ou seis anos, havia sido Jack atirando a bola e Tim pegando; Jack atirando a bola e Tim rebatendo. Hora após hora, dia após dia,ano após ano. Haviam construído uma base de beisebol no quintal dos fundos e improvisado um campo.  Beisebol, beisebol, beisebol.  Havia sido a vida deles.  Ainda era a vida de Tim, seu irmão, agora em sua oitava temporada como apanhador dos Phillies, liderando o time Para as semifinais e finais e provavelmente caminhando para um prêmio Golden Glove.  Mas não era a vida de Jack. Não mais. Não desde a última cirurgia no ombro no nverno passado e de uma péssima temporada de treinos, que culminou em sua aposentadoria antes que os Yankees o demitissem. Ele havia chorado durante a coletiva de imprensa no canal ESPN, depois fora para seu condomínio e se escondera. Agora, estava escondido em Whitehall, ainda lambendo as feridas, enquanto seu irmão era o segundo colocado na votação geral para o jogo AllStar.  Dizer a Tim que ele acabara de herdar a filha de Cecily sabe-se Deus por quanto tempo? Essa não. Era muito pouco provável.   O que me deixa com a espertinha do andar de baixo  disse Jack ao seu reflexo, antes de virar-se para o closet para pegar uma camiseta limpa.  Como era mesmo o nome dela? Kathy? Karen? Não... Keely. Era isso. Que tipo de nome era Keely?  Enquanto vestia a camiseta, Jack deu-se conta de que não sabia absolutame

    nte nada sobre aquela mulher. Havia deixado MM com uma estranha escolhida pela tia Sadie, rainha das malucas.  E ele havia dito que Cecily era doida? E ele? Era o quê?  Desesperado. Definitivamente.  Jack olhou para o relógio sobre o caixote ao lado da cama. Nove e meia. Não devia ser, pelo menos, meio-dia? Ou talvez setembro? Porque aquelas haviam sido as duas horas mais longas de sua vida.  Mas eram apenas nove e meia, e ele não podia passar o resto do dia escondido ali. Tinha que descer, ver a mulher, o bebê e resolver o que fazer com ambas.  Preferiria estar enfrentando Mark McGwire em um jogo entre as Ligas, no final do nono tempo, com o placar empatado e as bases ocupadas.  Resignado, ele desceu as escadas para a cozinha, parando, petrificado,ao ver o bebê na pia, com a mulher segurando a torneira sobre a cabecinha rosada.

       O que diabos você está fazendo? Tentando afogar a criança?  Assustada com o grito de Jack, Keely virou-se abruptamente, soltando sem querer a criança, que escorregou mais para dentro da pia.   Oh, Deus! Olhe o que você me fez fazer!  gritou ela, agarrando MM com as duas mãos e puxando-a novamente para cima.  Ela está tão escorregadia!  MM recomeçara a chorar, com os cabelinhos claros grudados na cabeça e os olhinhos cheios de água, por causa da água que escorria pelo rosto.   Ela está bem?  perguntou Jack, aproximando-se da pia com relutância.   Acho que sim. Ela está gritando, não está?  respondeu Keely, segurando o bra criança com uma mão e usando a outra para enxugar o rostinho com toalhas de papel.   Mas estava gostando, até você aparecer.  Keely jogou as toalhas úmidas no b e tirou MM da pia, segurando-a com as duas mãos. As perninhas e os bracinhos da menina se agitaram, realçando ainda mais o corpinho rosado e roliço.  Aqui  disse Keel

    , estendendo a menina para Jack.   Segure-a enquanto eu pego mais toalhas.   Segurá-la?  Ele recuou rapidamente.  Você ficou maluca? Acabou de dizer qula está escorregadia!  Keely ficou segurando enquanto MM ria e se agitava, tentando agarrar tudo.   Bem, então, se você não vai segurá-la, pelo menos vá pegar as toalhas de papliás, que tipo de cozinha é essa que não tem panos de prato, nem copos, louça, uma canea...? Que coisa lamentável!  Jack ignorou as reclamações, concentrando-se em sua nova tarefa: conseguir

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    mais toalhas de papel. Era capaz de fazer aquilo. Afinal, havia ganhado dois prêmios Cy Young. Determinado, ele passou por Keely e pegou o rolo que estava em cima do balcão.   O que mais?   Seque-a  disse Keely, revirando os olhos.  E apresse-se, pois ela deve estar com fome.  Secá-la? Jack hesitou, segurando várias folhas de toalhas de papel. Como faria aquilo? Aproximou-se lentamente e começou a enrolar o papel no corpinho nu deMM.  Uma volta, duas, três, até MM virar quase uma múmia envolta em papel, e Keely dizer:   Isso deve bastar. Obrigada. Agora, pode segurá-la que ela não vai mais escorregar.   Ela ainda está molhada  comentou Jack, arrancando mais umas folhas de toalha para enxugar a cabecinha da criança. MM se sacudiu, meneou a cabeça e a toalha caiu no chão.  Droga! Ela não está cooperando.   Não pragueje na frente dela  censurou Keely, sacudindo MM para ele, para obrigá-lo a segurá-la. Então, respirou fundo, empertigou-se e alisou a frente da blusaque já fora branca.  Tenho que arrumar alguma coisa para ela vestir. Deve haver alguma coisa dentro da cesta.   Qual é o problema com a roupa que ela estava antes?  perguntou Jack, sentando-se com cuidado no chão, porque assim MM teria menos chance de se machucar se escorregasse de suas mãos e caísse.   Você está brincando? Aquela roupa está toda molhada... e fedida. O que não s

     pela boquinha dela naquela hora saiu logo em seguida por baixo. Minha única saída foi colocá-la sob o jato da torneira da pia.  Jack ergueu os olhos e deu-se conta de que o mau cheiro que sentira quando entrara na cozinha vinha de uma pilha de roupas no chão e do que parecia ser uma fralda descartável cheia.   Deixe-me entender direito - disse ele, um momento depois.  MM fez... fezalguma coisa na fralda e por isso, você resolveu limpá-la na pia da cozinha? Justo da cozinha?! E se eu quiser colocar louça aí?  Keely havia tirado duas grandes sacolas cor-de-rosa da cesta e as examinava, em busca de peças de roupa.   Ora, fique quieto!  repreendeu-o, enquanto pegava uma fralda descartável da sacola, arrumando-a junto com uma camiseta, um vestidinho e um par de meias minúsculas. Isso deve bastar. Nossa! Que peças pequenas! Parecem de boneca! Que boniti

    nho!   Está se divertindo, srta. McBride?  perguntou Jack, tentando segurar MM enquanto as toalhas de papel começavam a se desfazer e a criança tentava agarrá-lo novamente pela bochecha.  Ótimo. Porque eu não estou. Não estou mesmo. Eu não gosto de bebêm dos bonitinhos!   Ela é bonitinha, não é?  inquiriu Keely, estendendo o cobertor cor-de-rosa chão, tirando-a dos braços de Jack e estendendo-a na superfície macia.  Parece muito cm as bonecas que eu costumava brincar, exceto que ela se mexe muito mais. Acho que consigo vesti-la. Eu me lembro de como fazia...  Então, pegou a fralda descartável, virou-a de um lado e do outro e franziu o cenho.  Está bem. Talvez não de uma vez.Mas eu darei um jeito.   Ótimo. Faça isso  Jack levantou-se.  vou ver os resultados dos jogos de on à noite na ESPN.

       Faz sentido  Keely sussurrou. Mas estava falando com MM e não com Jack.  Fz o filho, veste a calça e vai ver a ESPN. Lembre-se disso, querida: os homens são todos iguais.   Ela... não é... minha filha  disse Jack, pronunciando lentamente cada palava.  É filha de minha prima. O que diabos eu poderia fazer?  Keely prendeu novamente as fitas adesivas da fralda e sentou-se, admirando seu trabalho.   Pronto. Isso deve segurar.  Ela tirou um cacho dos cabelos escuros do rosto e ergueu os olhos para Jack.  O que você poderia fazer? Bem, se aceita uma suges, sr. Trehan, eu diria que deve descobrir como prender o assento dela no banco d

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    e trás de seu carro, para podermos ir às compras.  Ele olhou-a, preocupado.   Comprar o quê? Keely revirou os olhos.   As coisas de MM, é claro. Quero dizer, você pode esperar pelos seus móveis, as ela não. Ou você está pensando em colocá-la para dormir no assento? Aliás, já resolval vai ser o quarto dela? Eu preciso saber para poder tirar as medidas e então sairmos. Passaremos na loja de minha tia, eu aproveitarei para trocar de roupa porque moro em cima da loja. Aí, pegaremos a caminhonete e traremos tudo conosco. Eu jádecorei um quarto de bebê antes, sabe? Estava pensando em cerejeira clara e num bercinho de dossel, com tecido branco, e num trocador combinando, numa cadeira debalanço, é claro e...  Jack inclinou-se, pegou a cadeirinha e foi para o carro, praguejando em japonês. 

    Capítulo III 

    Eu não vou comprar uma enciclopédia para meus filhos. Deixe-os ir para a escola como eu fui.  Yogi Berra  No fim, como o carro esporte de Jack só tinha duas portas, eles pegaram o

     Mercedes da tia Mary porque, se ele continuasse batendo com a cabeça no capo toda vez que tirasse a menina do assento, MM acabaria aprendendo termos que criança nenhuma devia aprender.   Belo carro  Jack elogiou, enquanto rodavam pela avenida Principal, se dirigindo à rua MacArthur, a principal artéria da cidade e, dela, para a via que conduzia direto a Allentown.  Decoração de interiores deve ser um ótimo negócio. O que me lra... qual é seu preço, srta. McBride?   Nem perto do que você imagina  disse Keely, apertando no colo a sacola branca com seu blazer arruinado dentro. Então, endireitou-se no banco e olhou para MM.  Olhe só para isso. Ela está dormindo!  Virou-se novamente para a frente sentindo-s, se não competente, pelo menos com sorte.  Ela é um bebê muito bonito.   E todos os bebês não são?  perguntou Jack, espiando pelo retrovisor.   Acho que para os pais são  Keely falou, pensativa.  Mas minha amiga Sheila

    .. Quando nasceu o bebê dela, ele parecia o Woody Allen, juro. Se bem que, felizmente, ele já superou essa fase. Sheila mora em Wisconsin e me mandou um vídeo do pequeno Justin logo que ele nasceu. Um horror. Mas MM é uma belezinha. Esses cabelinhos loiros... Você sabia que ficou cacheado quando eu molhei? Aposto que em pouco tempo ela terá belos cachos e mais tarde vai detestá-los como eu detestava os meus. Eaqueles olhos azuis imensos com cílios longos... Quando ela crescer, você vai ter queafastar os rapazes com uma espingarda.   Eu não vou estar por perto quando ela crescer  lembrou Jack, mudando paraa faixa da direita para pegar o acesso a Allentown.   Ah, sim. É mesmo. Ela não é sua. Eu me esqueço disso o tempo todo. Deve ser

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     causa dos olhos azuis que vocês dois têm.   E não pode haver duas pessoas no mundo com os olhos azuis, srta. McBride?  questionou Jack.  Eu já lhe disse que MM é filha de uma prima. Ela... ah, quem vai creditar em mim? Digamos apenas que Cecily está fora da cidade por algum tempo, eque eu estou cuidando da menina. Correção: você está.  Keely ficou em silêncio por alguns minutos e finalmente assentiu.   Está bem, e me desculpe por provocá-lo. Eu sei que ela não é sua. Encontrei arta de sua prima quando estava limpando a cozinha. Você não acha que deveria avisar à polícia? Quero dizer, parece que ela está abandonando MM e não apenas deixando-a aor uns dias, a menos que Katmandu seja na Pensilvânia, e nós dois sabemos que não é. E uem é Joey? O pai?  Keely percebeu a contração muscular perto dos lábios de Jack.   Vocês não se dão muito bem, não é? Ah, vire ali à direita, na Tilghman. A lo entre a décima primeira e a décima segunda, do lado esquerdo. Há um estacionamento atrás. Ei, pegue logo a pista da direita, não espere o último minuto.  Jack pisou no acelerador, ultrapassou quatro carros e entrou rapidamente na pista da direita para fazer a conversão.   Isso foi divertido  disse Keely, voltando a abrir os olhos.  Acho que devia ter ficado de boca fechada. Mas pelo menos agora eu sei que, quando quiser alguma coisa, é só pedir para você não fazer.  Ele deu um sorriso que fez surgir duas covinhas muito sensuais no rosto.   Até que enfim, uma mulher que me entende. Porque eu realmente adoro mulheres que ficam de boca fechada.

       Sim. E, de preferência, com o cérebro paralisado, não?  murmurou ela.  Eu  o tipo. E, então, você vai me contar sobre esse tal de Joey, ou eu devo esperar até que você esteja disposto a me informar?  Nos três quarteirões seguintes, o interior do carro ficou gelado, não apenaspor causa do ar-condicionado. Finalmente, Jack disse:   Joey é o irmão de Cecily, como eu já lhe disse. Joey e Cecily são de Bayonneew Jersey.   Eu sei onde fica Bayonne  interrompeu Keely.  Só que nunca conheci ninguéme morasse lá. Ai, me desculpe. Eu não pretendia interromper o fluxo de seu discurso.  Jack suspirou e parou o carro em um farol vermelho na décima nona.   Joey acha que devia pertencer à Máfia.   À Máfia?  Keely estava de queixo caído.  À Máfia mesmo? E Cecily queria  ele?

       Relaxe, srta. McBride. Joey não é da Máfia. Ele viu todos os filmes do Poderso Chefão, mas isso foi o máximo que fez. Eu não gosto dele porque é um idiota e não poe tenho medo que me mate com um picador de gelo.   Ah...  disse Keely, relaxando um pouco enquanto viravam à esquerda e depois à direita, até a entrada da loja da tia, que funcionava em uma casa de tijolos aparentes.  Nesse caso, fico feliz por Cecily ter deixado MM com você.   Ela abriu a porta do carro e voltou os olhos para o bebê.   Continua dormindo. Por que você não espera aqui? Eu não vou demorar, só prec trocar de roupa e pegar as chaves da caminhonete.   E fazer a mala  acrescentou Jack. Ao ouvi-lo, Keely parou antes de fechar a porta.   O quê?  perguntou, enfiando a cabeça novamente no carro.  O que você quer  com isso?

       E se você tiver um saco de dormir, talvez queira trazê-lo também, pelo menos até comprarmos mais camas. Ou você pensou que eu fosse ficar sozinho com a menina na casa, enquanto você trabalhava das nove às cinco?   Eu... eu...  Keely olhou para o assento no banco traseiro, para o bebê adormecido e finalmente para Jack.  Eu...   Certo. É exatamente como eu me sinto, srta. McBride. Agora, mexa-se, está bem? Quem sabe por quanto tempo ela vai dormir?   Eu odeio você  disse Keely finalmente. Por sorte, só quando já estava subina escada que levava ao quarto que dividia com a tia.  Odeio, odeio, odeio você, JackTrehan  repetiu, enquanto vestia rapidamente uma saia de brim e uma camiseta fina

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     de malha. Então, foi até o closet, pegou uma grande mala, atirou-a na cama e abriuo zíper.   Odeio, desprezo, não suporto você, Jack Trehan!  continuou, enquanto abria s gavetas, atirando as roupas mais ou menos na direção da mala. Depois, colocou alguns itens de toalete em outra bolsa com zíper e completou com desodorante, pasta de dentes, o secador de cabelos e a pequena bolsa de maquiagem.   As coisas que não fazemos por dinheiro  disse Keely, dirigindo-se ao própri reflexo, sobre a pia.  Que vergonha!  Ela jogou tudo dentro da mesma mala, fechou o zíper, tirou o travesseiroe o cobertor da cama e desceu as escadas mais uma vez, com o cobertor arrastando no chão. Só parou ao ver a luz da secretária eletrônica da tia piscando.  Talvez houvesse mensagens lá embaixo, na secretária eletrônica da loja, mas Keely sabia que não tinha tempo para verificar. Tia Mary havia concluído a maior parte de seus projetos antes de se casar, de forma que não havia muitos negócios inacabados com os quais Keely precisasse lidar, o que a fez dar piruetas de alegria quando recebera o telefonema de Sadie Trehan. Se houvesse mensagens no andar de baixo, elas poderiam esperar. Mas ela não se apressaria, deixaria Jack Trehan esperando-a um pouco mais e verificaria se a tia Mary havia ligado.  Determinada, Keely largou o cobertor e o travesseiro e apertou o botão das mensagens, sorrindo ao antecipar que ouviria a voz da tia Mary. Ela telefonava quase todos os dias para contar sobre as maravilhas da Grécia e dos sagrados laçosdo matrimônio.   Olá, Keely, que pena que você não está. Escute, eu sei que faz muito tempo, rida, mas eu...

      Keely apertou o botão de parar, desesperada para interromper a voz de Gregory Fontaine. O que ele queria? Não que se importasse. Certamente, nem ligava. Irritada, mordeu o lábio e tamborilou os dedos em cima da mesa, enquanto imaginava aspossibilidades. Ele a queria de volta; a amava. Não podia viver sem ela. Ainda não encontrara a elegante trena que ela surrupiara a título de último pagamento e queriasaber se Keely sabia onde estava.   Vamos lá!  exclamou, apertando o botão ligar novamente.  É melhor acabarisso.   ...achei que era melhor você ouvir isso de minha boca. Acabei de alugar seu espaço. Você sabe que eu vinha pensando em ampliar os negócios e tem de admitir que foi uma sorte para você conseguir aquele lugar na Sessenta e Sete por aquele preço. E sei que Leibowitz disse que o seguraria para você por mais seis meses, desde que continuasse págando o aluguel, coisa que você não fez. pois já está três semanas em a

    . Assim... Bem, eu assumi o aluguel. Agora, o escritório Fontaine está nos lados leste e oeste de Manhattan... e você é bem-vinda para voltar. Quando quiser. Você poderia cuidar da filial para mim, exatamente onde era sua antiga loja, ou melhor, minha nova loja. Acho que a gente pode resolver as coisas, Keely, de verdade. Ei, eu preciso desligar. Shavonna quer me mostrar os esboços de um projeto que estamos fazendo lá na ilha. Bem, cuide-se, seja boazinha, e não me odeie, Keely. Eu a amo, queridinha, mas negócios são negócios, certo?  Keely ficou ali, olhando para a secretária eletrônica e ouvindo a voz gravada que dizia fim das mensagens. Foi preciso certo esforço para lutar contra o impulso de arrancar a máquina da tomada e jogá-la na parede.   Seu desgraçado! três semanas? Gregory Fontaine, você é um infeliz desprezíve malditas semanas!   Algum problema... queridinha?

      Keely girou rapidamente sobre os calcanhares. com o movimento, enganchou os pés no cobertor caído e desabou, sobre quatro apoios.   Você!  acusou, olhando para Jack Trehan.  O que faz... como ousa... onde etá MM?   Continua dormindo profundamente na cadeirinha. Não se preocupe. Eu tranquei o carro, mas deixei o motor ligado, para manter o ar-condicionado funcionando.   Ah... está bem  disse Keely, levantando-se.  Acho que... espere aí: você tu o carro? Onde estão as chaves?   Ora, vamos lá. Você não acha realmente que eu...

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       Mostre-me... as... chaves.  Jack enfiou a mão no bolso da calça. Em seguida, enfiou a outra mão no outrobolso. Por fim, franziu o cenho com um olhar inocente.   Bem...  Ele tirou as mãos vazias dos bolsos e estendeu-as.  A culpa é sua,be? Se você se mexesse em vez de ficar ouvindo seus recados e fazendo sabe-Deus-mais-oquê, eu não teria precisado...   Seu imbecil!  Keely quase tropeçou novamente no cobertor, enquanto avançavapara a escrivaninha da tia e abria a gaveta do meio. Ali estavam as chaves da caminhonete e o segundo jogo de chaves do Mercedes. Irritada, ela pegou as duas efoi para a escada.   Pegue essas coisas, seu gênio, e siga-me.  Como era possível que a prima tivesse confiado seu bebê a ele? Não se podia confiar nem um urso de pelúcia àquele homem, quanto mais uma criança pequena e indefesa. Não que ela fosse muito melhor, certamente, mas não era preciso muito para ser melhor que Jack Trehan.  Keely desceu os degraus depressa, com Jack seguindo-a de perto.   Eu estava brincando, droga!  gritou ele.  Olhe, aqui estão as chaves. Eu ntrancaria as chaves dentro do carro. Você acha que eu sou burro?  Keely parou na base da escada e ergueu os olhos para ele.   Nunca pergunte o óbvio  grunhiu ela, disparando para fora da casa e deixando Jack sozinho para sair com a mala, o cobertor e o travesseiro.  Aflita, Keely correu até o carro e olhou pela janela de trás, só para ver que MM continuava profundamente adormecida, com a chupeta na boca.   Ela está bem  disse Keely, desabando, aliviada, na lateral do carro. Naque

    le momento, Jack apertou o botão da chave para destravar o porta-malas.   É claro que ela está bem  ele retrucou, meneando a cabeça.  O que você pen ela faria? Sairia do carro e iria até o bar, tomar uma cerveja?  Keely nem se incomodou em responder, limitou-se a olhá-lo friamente e a se dirigir para a caminhonete. Gregory Fontaine, Jack Trehan, todos os homens! Eram todos péssimos, sem exceção.   Siga-me, está bem?  ela falou.  Voltaremos à Tilghman. De lá, pegaremos a a, viraremos à esquerda, à direita na Washington e depois à esquerda na Sétima, que noscolocará novamente na rua MacArthur. na direção da loja que eu tenho em mente. Entendeu?   Srta. McBride, eu cresci aqui  disse Jack, abrindo a porta do Mercedes.  Conheço perfeitamente bem todos os caminhos e agradeceria se você parasse de me tratar como se eu fosse estúpido.

       E eu agradeceria se você parasse de agir como um  disparou ela, quebrandoa unha ao tentar abrir a porta da caminhonete.  Droga! Veja o que você me fez fazer!   Daqui, de onde estou? Alguém já lhe disse, srta. McBride, que você não é muia da cabeça?   Eu sei disso. Devo ser louca!  gritou ela, com raiva.   Afinal, estou trabalhando para você, lembra?  Só então se deu conta de que esposta mais provável que ele daria seria sim, mas não por muito tempo. Assim, Keely ntrou depressa na caminhonete, engatou a marcha ré e preparou-se para a primeira investida na conta bancária de Jack Trehan, e para o começo da recuperação de sua conta.  Jack preferiria estar preso dentro de um ônibus velho, numa estrada vicinal dos Estados Unidos, enquanto o motorista trocava o pneu do ônibus para que pudessem continuar a viagem de cinco horas para mais um jogo diante de um bando de e

    spectadores que estava lá mais por causa das corridas de cachorro que aconteceriam depois do quinto tempo. Preferiria estar em qualquer lugar que não fosse ali, enfiado no meio de uma loja infantil.   Aonde você vai?  perguntou, ao vê-la caminhar em direção aos carrinhos.   vou pegar um carrinho de supermercado. O que lhe parece que estou fazendo?   Para o berço? E você acha que vai caber?  disparou ele, observando-a ajeita MM ainda adormecida, em uma espécie de assento acoplado ao carrinho. Aproveitou o momento para admirar as longas pernas de Keely que se estendiam além da barra dasaia de brim para, em seguida, menear a cabeça. Será que estava maluco? Aquela mulhe

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    r era venenosa!  Keely manobrou o carrinho e entrou na loja pelas portas automáticas. O lugar tinha aproximadamente o dobro do tamanho de um campo de futebol.   Essa loja é só de coisas de bebê?  perguntou Jack, olhando em volta, impresnado.  Essa criança não deve ter mais de sete quilos, não sabe andar, nem falar, tem sm um dente... de quanta coisa ela pode precisar?  Ficou evidente que Keely não estava escutando.   Eu acredito firmemente em ter um plano para lugares assim  disse ela, voltando o carrinho para a direita. ] Começamos pelo começo e vamos avançando, corredor or; corredor. Aqui... o que é isso?  Jack viu um dos vendedores sorrindo para ele, como se dissesse: ora, umbom papai indo às compras com seu bebê e tratou de virar-se depressa para pegar a caixa que Keely apontava.   Eu não sei. Aqui diz alguma coisa sobre... não! Eles só podem estar brincand. Quem faria uma coisa dessas?  Keely pegou a caixa e virou-a, olhando para os desenhos na parte de trás.   Ah, não é bonitinho? Dá para fazer moldes de gesso dos pezinhos e mãozinhas MM. Olhe, eles incluem até uma moldura para pendurar o resultado na parede. Vamoscomprar.   Não vamos, não  disse Jack, tirando a caixa das mãos de Keely e recolocandona prateleira.  Eu prefiro mandar dar um banho de bronze nela. É mais fácil.  Keely revirou os olhos e pegou a caixa novamente, colocando-a no carrinho.   Você não vai mesmo se permitir desfrutar isso, não é?

       O que você acha?  respondeu Jack, tenso, olhando-a pegar mais uma caixa.  ocê vai querer olhar tudo? Desse jeito, vamos passar horas e horas aqui.   Provavelmente, dias  concordou Keely, colocando no carrinho um álbum chamado de Lembranças da Primeira Infância, uma Cápsula no Tempo.  Certo. Vamos para o próx corredor.   Próximo corredor, próximo corredor  resmungou Jack, mas como o atendente votara a olhá-lo, preferiu seguir Keely.  Segurança infantil?  perguntou, olhando a plaa sobre o corredor.  O que é isso?  Keely entregou a ele um saquinho com protetores de tomada.   Há muito mais  disse ela, com um brilho perigoso nos olhos, enquanto examinava as prateleiras.  Trancas para armários, protetores de porta para ela não prender os dedinhos. Ah, veja só isso, eu adoro quinquilharias! Uma caixinha para guardar as chupetas de MM e dá até para prendê-la no carrinho ou na sacola de fraldas. Ah, ve

    ja! E também vamos precisar de um deste  apontou ela, colocando a caixinha no carrinho e pegando outro volume.  Jack viu um pedaço de tecido atoalhado dentro de um pacote de plástico e leu a descrição por sobre o ombro de Keely.   Joelheiras? Para quê? Por acaso, MM vai patinar amanhã e esqueceram de me avisar?   Essas são para quando ela começar a engatinhar, para proteger aqueles joelhinhos tão macios.   Engatinhar?  repetiu ele, confuso.  Ela vai começar a engatinhar? Quando?   Não faço a menor idéia. Sou uma decoradora de interiores, não o sr. Spock.   Hum... Eu não tenho bem certeza, mas não seria doutor  Spock? Sr. Spock erquele personagem do Jornada nas Estrelas. Aquele com as orelhas pontudas.   Que seja  disse Keely, desinteressada, colocando uma imensa sucessão de pa

    cotes dentro da cesta, para os quais Jack nem ousava pedir explicação. Depois do segundo corredor, o carrinho já estava quase cheio.  Mas temos que estar preparados, não é? Katmandu é muito longe e quem sabe quando sua prima voltará?   Eu estou tentando não pensar nisso, srta. McBride  Jack respondeu com honestidade. Keely não conhecia Cecily como ele, mas provavelmente a carta lhe dera uma boa idéia do espírito avoado da prima. Naquele momento, Jack lembrou-se de uma ocasião em sua infância em que Cecily pedira a todos que se escondessem para, em seguida, perder o interesse na brincadeira e ir para a cama, sem procurar ninguém. Determinado, Jack ficara escondido até as luzes da rua se acenderem e então voltara paracasa soluçando.

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      Entraram em outro corredor, e Jack parou e pegou uma caixa na prateleira, simplesmente tentando fazer sua parte.!   Você precisa de um desses?  perguntou, solícito, olhando para algo que pareia uma garrafa com um funil preso em cima.  Keely pegou a caixa dele e recolocou-a na prateleira.   Não vamos precisar disso. Próximo corredor.   Mas você não comprou nada neste. Depois que passarmos, eu não vou mais volta, hein?  Jack pegou novamente a caixa e leu o rótulo: Bomba para extrair leite. Havi uma variedade de modelos nas prateleiras, todos diferentes, mas concebidos para o mesmo propósito. Aturdido, Jack fechou os olhos, tentando imaginar o propósito de uma coisa daquelas.  O carrinho estava definitivamente se enchendo. Pontos de luz noturna. Protetores para os vidros do carro. Um pequeno espelho retrovisor para prender abaixo do espelho do carro, para ver melhor o bebê no banco de trás. Fitas de videocassete sobre segurança e primeiros socorros. Um termômetro de orelha. Outro para... Jack recolocou este último no carrinho, tentando bloquear mentalmente a realidade. Uma máquina para quartos de bebê que reproduzia sons de batidas de coração, balbucios, pos de passarinhos e chuva caindo. Um protetor plástico para ser colocado em cima dos controles da televisão. Certo, ele bem que gostara daquele último.  Keely chamou-o de um display com pelo menos quinze tipos diferentes dechupetas, para mostrar seu último tesouro.   Olhe, um monitor de tevê para o quarto de MM. Poderemos vê-la, ouvi-la e depois se tornaria um pequeno aparelho de tevê, só para ela. Não é incrível?  Jack espiou a etiqueta de preço.

       Incrível  concordou, estremecendo.  A caixa foi para o carrinho e lá se foram eles novamente, parando em um corredor repleto de mamadeiras.  - Essas são da mesma marca que MM já tem  disse Keely, colocando meia dúzia tro do carrinho, junto com uma caixa de enxertos de plástico, sem saber o que isso significava. Então, ela escolheu alguns acessórios, mostrando a ele um pacote de bicos de seios realmente repulsivos, de uma cor alaranjada, explicando:   Aqui diz que é a coisa mais parecida com uma mãe. O que você acha?   Você está fazendo isso de propósito, não é? Está se vingando por alguma coischa que eu tenha feito  acusou Jack, sentindo o rosto aquecer-se e as mãos esfriarem.  Compre logo esta porcaria e vamos embora daqui.  Ela comprou. Escovas para lavar mamadeiras, escovas para bicos de mamadeira, mais chupetas, creme dental e uma escova de dentes... para um único dente. U

    ma borrachinha para massagear as gengivas. Xampu, pomada, loção, um kit de primeiros socorros. Duas caixas da mesma marca de leite que Keely encontrara na cesta deMM.  Babadores. Jack escolhera os babadores. Uma dúzia deles.  O próximo item foi um pequeno microondas para o quarto do bebê, para aquecer as mamadeiras no meio da noite sem ter de ir ao andar de baixo. O que mais poderia haver?  Um momento depois, Jack descobriu. O que compraram em seguida foi uma cesta de lixo mágica, para fechar e descartar fraldas sujas, mantendo-as fora da vista. A ilustração representando o interior da cesta mostrava uma quantidade de fraldas, todas enroladas individualmente em casulos plásticos, em uma espécie de saco perolado que mais parecia uma jibóia gigante que acabara de engolir diversos animaisde pequeno porte. Jack quis comprar dois, só para poder brincar com um deles, mas

    Keely revirou os olhos e ele desistiu da idéia e foi para a frente da loja para buscar outro carrinho.  O primeiro item a entrar no novo carrinho foi um umidificador em formade patinho. Ele nem questionou. Depois, uma banheira. Um assento para ser colocado dentro da banheira. Brinquedos para o banho, uma sacola de tela para guardaros brinquedos de banho. Um estranho assento para Um adulto ajoelhar-se confortavelmente enquanto banhava a criança. Toalhas, lenços umedecidos... Ele insistiu em que comprassem muitas toalhas.   Interessante  disse Keely, depois de percorrer dois corredores inteirossem pegar absolutamente nada.  Diz aqui para apertar o botão para testar o produto.

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      Jack ficou observando enquanto Keely estendia um ursinho de pelúcia e mostrava o botão nas costas do bichinho. Ele esperava ouvir uma cantiga de ninar, mas quando Keely apertou o botão, ele ouviu algo parecido com as batidas de um coração, vindas de dentro do bichinho.   Sons do útero  disse Keely.  Imagino se há um com ruídos de digestão. Cert.. o urso é bonitinho  ela admitiu, colocando a caixa no carrinho.  Eu poderia decorar o quarto inteiro com motivo de ursinhos. Acho que fica mais bonitinho do quecom flores. Flores são delicadas, mas... Bem, acho que prefiro os ursinhos.   Faça isso.  Jack gostou da idéia..  Eu sempre apreciei animais de grande pe.   Engraçadinho  disse Keely, guiando o carrinho para o corredor seguinte.  Ela jogou várias embalagens de lenços umedecidos e um aquecedor de lenços umedecidos no carrinho, mas aquilo era apenas parte do aquecimento porque, naquelemomento, haviam chegado ao principal.   Ela tem um desses  apontou Jack quando Keely passou por um grande corredor abarrotado de modelos de assentos para carro. Impressionado, Jack reparou emum assento que certamente seria capaz de suportar um lançamento em uma nave espacial.  Isso é brincadeira, não é? Assentos de carro com grife?  Keely recuou um pouco e olhou para o assento que Jack apontava.   Pegue um desses panfletos  disse ela.  Basta apresentá-lo no caixa e eles os entregarão um assento igual. Afinal, precisamos ter dois, certo? Um para seu carro, e um para o meu.   Ela não precisa de dois assentos, droga!  disse Jack, cruzando os braços sore o peito, preparando-se para lutar até a morte contra aquilo. Ele não era um homem

     pobre, mas Keely McBride estava se tornando uma rival da dívida pública nacional.  Irritada, Keely bateu com o punho cerrado no quadril.   Está bem. Imagine só: eu tenho que ir a algum lugar enquanto MM está dormind e, de repente, você precisa sair com ela por algum motivo: ou ela se engasgou, ou acabaram as fraldas, ou você sentiu um impulso irresistível de comprar Chicken McNuggets. Imagine que eu estou com o assento, com o único assento. O que você faz, gê  Furioso, Jack pegou o panfleto.  Depois disso, tudo se tornou uma espécie de transe.  Dois suportes para bebê: um que, de certa forma, manteria MM presa ao peito de Keely e outra para Jack usar nas costas, provavelmente quando resolvesse escalar o Everest.  Berço, protetores para berço, cômoda, trocador, lençóis, fronhas, cobertores, tetores de parede, mobiles, luminária combinando, faixa para a parede, cortinas e

    travesseiros. Um carrinho com uma roda imensa na frente e duas atrás, para que MMpudesse acompanhá-lo na corrida matinal, como se aquilo fosse acontecer. Lençol protetor para o carrinho, suporte de copos para a manopla do carrinho, capa protetora de chuva para o carrinho, rede antiinsetos também para o carrinho...  Cadeirão, cadeirinha, cadeira de balanço, andador, cadeirinha suspensa para pendurar na porta, balanço, cercadinho, berço portátil. Tudo com as cores combinando. E com os devidos acessórios para acompanhar.  Novas bolsas para fraldas para combinar com o motivo de ursinhos de todo o resto. Enfeites de parede fofinhos, incluindo um de um ursinho vestido com uniforme de beisebol que Jack insistiu em comprar.   Você é sexista ou é puro preconceito? MM não pode gostar de beisebol?  perga ele quando Keely protestara. O ursinho com roupa de beisebol ficou, assim como uma bola macia que Jack encontrou, rosa, com espaço para anotar o peso inicial, est

    o de origem e primeira temporada de MM. Keely achou a peça adorável e Jack sentiu vode de beijá-la.  MM, que havia dormido durante toda a orgia de compras, começou a se mexer quando eles empurraram os dois carrinhos lotados para o caixa. A pequena abriuos imensos olhos azuis, olhou em volta e seu lábio inferior começou a tremer. Um momento depois, estava berrando, a plenos pulmões.   Qual é o problema com ela?  perguntou Jack, um POUCO confuso.  Keely deu de ombros.   Será que ela está com fome de novo?   Como é que eu vou saber?  disparou ele.  Você é a encarregada, lembra?

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     que tivesse dito que conhecia bebês.   É? Pois adivinhe só: eu menti!  gritou Keely, para fazer-se ouvir acima dosgritos de MM.  Você trouxe alguma mamadeira?  Jack bateu com a mão na cabeça.   Não, não trouxe. Este é seu trabalho, moça!   Ah... É mesmo.  Keely enfiou a mão na bolsa imensa e pegou uma embalagem depreparo de leite instantâneo.  Eu me esqueci. Isso estava com as coisas dela  Ela abriu a embalagem e preparou o leite ali mesmo.  Aqui, pequena  disse, colocando o bico na boca de MM.   Primeiro, você precisa sacudir a mamadeira para misturar bem o leite  disse alguém atrás deles, e tanto Jack quanto Keely baixaram os olhos e viram uma menina que não devia ter mais de sete anos. Ótimo. Sete anos de idade e sabia mais que ambos. Fazia sentido. Jack imaginou se a menina aceitaria ser contratada por hora.   Aqui. Deixem que eu mostro.  A menina pegou a mamadeira da mão de Keely, sacudiu e recolocou o bico na boquinha de MM.  No mês passado, minha mãe teve gêmeos e la me deixa ajudar  explicou a criança.  Pronto. Será que agora vocês conseguem se vi?   Menina esperta  murmurou Keely depois de agradecer e de vê-la se afastar para unir-se à mãe.  Hoje em dia, todo mundo é especialista.  Menos você  comentou Jack, ácido.  Será que agora podemos ir embora daqui? M é a única que está com fome.   E o que tenho a ver com isso? Eu não vou cozinhar para você.   Eu não estou pedindo.   E é melhor não pedir porque...

       Jack Trehan! Oh, meu Deus, Sally, olhe! É Jack Trehan!  Keely franziu o cenho sem terminar a frase que provavelmente causaria sua demissão e virou-se para olhar para o homem que se aproximava deles, com a mão estendida.   Eu estou certo, não estou? Você é Jack Trehan? Lançador dos Yankees? Dois pr Cy Young? Rapaz, que dureza isso que aconteceu com seu braço! Bem, azar dos Yankees, sorte nossa. Eu sou Bill Hunsberger e também joguei beisebol, mas nada que secomparasse a você. Seja bem-vindo ao lar, Jack, e obrigado por todos os jogos maravilhosos.   De nada  disse Jack, apertando a mão do homem.  É bom estar de volta.  Elava morto de vontade de olhar para Keely, de vê-la ali, espantada, com a boca aberta e os olhos arregalados. Talvez ela não o conhecesse, mas o resto do mundo conhecia, droga!

       Sally?  O homem chamou alguém por cima do ombro, sem soltar a mão de Jack.ally, você é sempre tão lenta. Venha cá, pelo amor de Deus. Eu tinha razão. É mesmo Jn. Dê-me logo essa lista de compras e pare de fazer essa cara, como se eu estivesse fazendo algo errado.  Ele virou-se novamente para Jack.  Você se incomodaria de auografar a lista de Sally? É para meu filho, Sean.  Ele só tem dois meses, mas um dia vai valorizar muito este autógrafo.  Sally aproximou-se, com uma criança e vários pacotes de fraldas nos braços, mais uma grande bolsa infantil pendurada no ombro. Keely já vira burros de carga menos carregados, mas Bill, que estava de mãos vazias, continuava acenando impaciente para a mulher.   Você não quer ajudá-la?perguntou Keely, enquanto Sally tentava equilibrar oacotes de fraldas entre os joelhos e vasculhava a bolsa em busca de papel e caneta.

       Não. Ela se vira  disse Bill, sem tirar os olhos de Jack.   Homens!  exclamou Keely, fazendo um sinal par que Jack segurasse a mamadeira enquanto ela ia ajudar Sally.  Vocês são todos uns idiotas.   Qual é o problema com sua esposa, Jack?perguntou Bill Hunsberger, apontando para Keely.  A minha é igualzinha. O médico disse que é depressão pós-parto, mas eu que é frescura. Afinal, as mulheres têm filhos desde o início dos tempos.   É verdade  concordou Jack, baixinho. Tinha a sensação de que, se Keely o ouse, ele pagaria pelo comentário.  E ela não é minha esposa. E a criança não é nem minh.  Ele não sabia ao certo porque se sentia inclinado a dividir aquele tipo d

  • 8/16/2019 Kasey Michaels - Perfeita para amar (txt) (rev).txt

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    e informação com um estranho, mas por algum motivo achava importante. Bill, por outro lado, parecia nem ligar.   Como vai seu irmão, Jack? O braço de Tim, o Tigre, está bem, não? Quero dizeeste problema com o braço não é coisa de gêmeo, certo? Ele continua bem? Quero dizer, ee continua jogando maravilhosamente até agora, não é?   Sim. Maravilhosamente.  Jack cerrou os dentes enquanto autografava o pedaço de papel que Sally lhe dera.  Bem, Bill, foi um prazer conhecê-lo, mas nós temos qe ir, levar a mocinha para casa e tudo o mais. Keely? Está pronta para passar pelo caixa?   Talvez seja melhor colocá-la para arrotar  Sally disse, apontando para MM.   É sua vez, herói, sr. Egocêntrico, sr. Orgulho, sr. Eu-Não-Acredito-Que-Voonheça... como se eu estivesse interessada  Keely continuou, pegando um dos carrinho e rumando direto para o caixa.  Ah, e se lhe interessa saber, eu sou fã dos Mets e odeio os Yankees.   Ah, é mesmo, queridinha, então, adivinha só: você está despedida!  Ela girou sobre os calcanhares para encará-lo.   Ah, ótimo. Agora, eu vou para casa e você vai poder ficar com MM só para vocDivirta-se. Parece que ela enche as fraldas assim que mama.  Jack abriu a boca para mandá-la para o inferno, mas reconsiderou seu sentimento quando as palavras enche as fraldas penetraram em seu cérebro.   Não me provoque, moça  alertou ele.   E não me chame de queridinha  respondeu Keely, igualmente furiosa.   Feito!  grunhiu Jack, odiando a si mesmo.   Feito!  repetiu Keely.  Mas ainda assim, é sua vez de fazê-la arrotar. Eu

     passar as compras pelo caixa.  Jack olhou para Keely e baixou os olhos para MM q continuava sugando obico anatômico e descartável de látex atóxico.   Meu Deus  gemeu, baixinho, pensando na conversa que acabara de ter com Cecily.  Eu devia ter dito apenas que não.   Eu conheço a sensação  disse Sally Hunsberger, passando por ele.  Ah, e conheço! 

    Capítulo IV 

    Eu vi o futuro e vi que se parece muito com o presente, só que mais longo.  Dan Quisenbeny, la