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Gemas, Amuletos e Talismãs (Ernesto Bozzano)

Apr 18, 2017

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  • Ernesto Bozzano

    Gemas, Amuletos e Talisms

    A propsito das experincias

    de William Stainton Moses

    Contm

    Relao cronolgica das

    principais obras de Ernesto Bozzano

    Paul Srusier

    O Talism

  • Contedo resumido

    A presente obra contm uma pequena monografia de Ernesto Bozzano, que foi publicada em Reformador, rgo da Federa-

    o Esprita Brasileira, nos meses de abril e maio de 1937.

    Trata-se de um estudo sobre a validade ou no da crena se-gundo a qual certos objetos gemas, amuletos e talisms

    podem influenciar, benfica ou maleficamente, o seu possuidor. Para esse trabalho, Bozzano valeu-se das excepcionais faculda-

    des medinicas do pastor Stainton Moses.

    O autor relutou antes de publicar o presente estudo, que ele prprio considerava escabroso e, em princpio, baseado em

    supersties ingnuas. Alm disso, este um dos assuntos que no campo do psiquismo se conservavam menos elucidados.

    Mas a sua deciso de public-lo se deu pela simples razo de que o objetivo da Cincia a busca da verdade, independente de

    ser o assunto polmico, estranho, bem-visto ou no.

  • Sumrio

    Introduo .................................................................................... 4

    Captulo I ...................................................................................... 6

    Captulo II .................................................................................. 16

    Captulo III ................................................................................. 23

    ERNESTO BOZZANO Relao cronolgica de suas principais obras ......................... 30

  • Introduo

    este, talvez, um dos assuntos que, no campo do psiquismo,

    se conservam menos elucidados, seno em profunda

    obscuridade, razo naturalmente pela qual tambm o que d lugar a opinies ou crenas mais extremadas, que vo desde a

    negao absoluta at a aceitao integral e sem reservas de todas

    as lendas e romances que se ho tecido em torno da eficcia desses objetos a que, vai para muitos sculos, se atribuem as

    mais variadas e portentosas virtudes. Mesmo entre os que no so inteiramente hspedes no terreno da fenomenologia psquica,

    diversificam-se muitssimo os pareceres, o que at certo ponto

    no se deve estranhar, dado que esse um dos pontos sobre os quais menos explcitos se mostraram os Espritos reveladores,

    nas instrues, revelaes e esclarecimentos que transmitiram ao

    mestre Allan Kardec, o qual tambm pouco se demorou em coment-lo na obra bsica da sua codificao O Livro dos

    Espritos.

    Tudo isso, parece-nos, justifica bem o qualificativo de escabroso que, decidindo-se a explan-lo, lhe deu Ernesto

    Bozzano e explica que haja hesitado em submet-lo sua anlise sempre potente e jamais falha.

    Felizmente, porm, no obstante a escabrosidade que lhe notou, o grande pensador e filsofo venceu a hesitao que essa

    escabrosidade lhe criava e entrou na questo, resolvido a elucid-

    la, em sucessivos artigos, pelas colunas da Revue Spirite, at onde lhe permitissem os elementos que logrou reunir para

    assento do seu estudo analtico.

    De certo, no haver quem, entre os verdadeiramente estudiosos, no se rejubile, como ns nos rejubilamos, com a

    deciso que tomou o eminente sbio italiano, de aclarar, com a sua lgica de analista insupervel, o assunto em apreo, sobre o

    qual paira ainda tanta obscuridade. Desse jbilo forosamente

    partilharo todos quantos j se familiarizaram com os trabalhos do grande e fecundo escritor, todos quantos desejam e procuram

    sinceramente conhecer a verdade do moderno espiritualismo e

  • que, pela sua mesma sinceridade, vo pesquis-la nas fontes

    puras e no nas obras, j de sobejo desarticuladas, de pseudo-

    sbios ou de autores que por interesse ho tentado denegri-la, sem, contudo, nunca o terem logrado, nem por instantes, no juzo

    dos que no trazem mais ou menos obliterado o raciocnio.

    Conscientes, portanto, estamos de prestar um bom servio causa que propugnamos, transplantando, com a devida vnia,

    para as nossas colunas, convenientemente traduzidos, os artigos a que nos referimos e que, provavelmente, vo formar mais uma

    das formidveis monografias com que Bozzano tem enriquecido

    as letras espritas.

    Acresce que, ainda quando de seu estudo atual no resultasse

    a elucidao proveitosa de um assunto interessantssimo, e tanto mais interessante quanto se estende at aos fundamentos de

    algumas prticas de cujo corrente uso costumam os adversrios

    do Espiritismo tirar armas para combat-lo, baseando, na existncia delas, a negao das altssimas e imarcescveis

    finalidades da Doutrina dos Espritos, razo bastante haveria

    para a transcrio que vamos fazer.

    que, apoiando-se neles, o estudo de Ernesto Bozzano

    divulga novamente grande nmero de fenmenos obtidos graas s excepcionais faculdades medinicas do notabilssimo mdium

    que foi o reverendo pastor William Stainton Moses, fenmenos

    esses que, no estando, que me lembre de momento, publicados em obra editada no nosso idioma, so desconhecidos,

    porventura, da maioria dos mais modernos apreciadores da

    fenomenologia psquica, ou, ento, da Doutrina Esprita.

    Dito isso, com o intuito de chamar a ateno dos leitores para

    a nova srie de artigos do inspirado Bozzano, apresentamos-lhes o primeiro deles.

    Reformador, 16/04/1937

  • Captulo I

    Por longo tempo hesitei, antes que me resolvesse a tratar do

    assunto que o ttulo deste estudo indica e que se pode qualificar

    de escabroso. Trata-se das propriedades, benfazejas ou malfazejas, atribudas a certos dixes, especialmente os que se

    conhecem pelos nomes de amuletos e talisms, aos quais se

    acham ligadas crenas supersticiosas e milenrias, muito espalhadas durante a Idade Mdia e que chegaram aos nossos

    dias atravs de todos os povos civilizados, brbaros ou selvagens. Estive muito tempo perplexo, se bem tudo concorra

    para que se reconhea que no mundo dessas deplorveis

    aberraes da ignorncia popular, do mesmo modo que no fundo de qualquer outra forma de superstio, h de haver uma parcela

    de verdade, deformada ou desfigurada sob um monto de lendas

    mais ou menos vulgares ou monstruosas, acabando todas na magia negra, na magia branca, em Satans e nos santos.

    Entretanto, decido-me, afinal, a falar disso por achar que, se uma

    parcela de verdade existe nas crenas tradicionais em questo, mais vale procur-la, para analisar, delimitar, lanando um

    pouco de luz sobre esse obscuro assunto de discusso. F-lo-ei

    ocupando-me, de modo especial, com as memorveis experincias do Reverendo William Stainton Moses, no curso

    das quais foi conseguido o trazimento 1 de pedrarias de toda

    espcie, para fins teraputicos e espirituais.

    Todavia, antes de entrar na questo, preciso insistir na

    legitimidade cientfica da pesquisa que empreendo. Lembrarei, pois, que j foi assinalada a circunstncia de recentes descobertas

    cientficas, que podiam esclarecer e mesmo legitimar, dentro de

    certos limites, algumas antigas supersties populares, graas s novas propriedades fsicas, eltricas e magnticas que se ho

    observado nos corpos, ou graas s faculdades psquicas

    supranormais que se conservaram ignoradas at hoje.

    Assim, por exemplo, a descoberta e o estudo da fascinao

    hipntica nos revelou que havia um fundo de verdade nas lendas da Idade Mdia.

  • Ainda hoje no se narra a histria do famoso Velho da Montanha, que, para dar sua jovem esposa uma demonstrao

    do seu poder mgico, a conduziu ao cimo da torre do seu castelo e ordenou a um de seus seides que se atirasse dali embaixo, o

    que o homem fez imediatamente, indo espatifar-se nas pedras, ao

    p do edifcio? Pretendia-se, diz a lenda, que os poderes mgicos do Velho da Montanha Satans quem lhos tinha conferido.

    Tirante a parte da exagerao popular, pode-se dizer que essa

    lenda continha um pouco de verdade, porquanto provinha da observao de que, na sociedade humana, se encontram

    indivduos que possuem uma fascinao inteiramente misteriosa,

    capaz de subjugar.

    Outro tanto se pode dizer da lenda da Pitonisa de Endor,

    que fez aparecer a sombra do profeta Samuel ao rei Saul, lenda que nos dias atuais se realiza experimentalmente, graas s

    materializaes de fantasmas nas sesses medinicas. -se assim

    levado a reconhecer que nem tudo era fantstico nas supostas formas supersticiosas que as lendas dos povos assumiam.

    O mesmo se d com os Orculos da Antigidade, alis to maltratados, nos quais se viam Pitias absolutamente anlogas

    aos mdiuns de hoje, e que, portanto, possivelmente,

    possuam, em fugazes relmpagos, reais faculdades de clarividncia.

    Tambm por largo tempo se falou dos alquimistas e das suas pesquisas para a descoberta da pedra filosofal, como de

    uma superstio que parecia provir da crassa ignorncia reinante

    naquelas pocas. Tratava-se, ao contrrio, de uma intuio de precursores. Com efeito, um conhecimento mais aprofundado da

    estrutura atmica e ultra-atmica da matria leva presentemente

    a reconhecer-se a possibilidade de transformar um metal em outro, como j se chegou a transformar uma substncia qumica

    noutra substncia qumica.

    Tudo, em suma, nos induz a supor que a imaginao dos povos jamais criou uma onda que no tivesse por fundamento uma dada observao. Quando esta se apresenta maravilhosa s

    mentalidades que a comprovam, transforma-se em um ncleo

    dnamo-psquico, que engendra interpretaes fantsticas. Ora,

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