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FENOMENOLOGIA ORGÂNICA E PSÍQUICA DA MEDIUNIDADE Prof.(ª) Sérgio Felipe de Oliveira sergiofelipe@uniespirito.com.br Tópico 1 » Os estados de transe ou fenômenos mediúnicos Estudamos dentro deste tema - Fenomenologia Orgânica e Psíquica da Mediunidade - os estados de transe ou fenômenos mediúnicos. Cremos que as hipóteses levantadas aqui e as pesquisas já efetuadas ressaltam a importância do tema no contexto da saúde e o colocam dentro de uma área mais ampla da medicina, a da neuroanatomia funcional e transpessoal. Sentimo-nos à vontade para abordá-lo, porque o Código Internacional de Doenças (CID) no. 10 (F 44.3) já reconhece os estados de transe e possessão por espíritos; do mesmo modo que o Tra- tado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, da Universidade de Nova York, no capítulo sobre Teori- as da Personalidade faz menção ao assunto; e Carl Gustav Jung, em sua primeira obra, analisa o caso de uma médium, uma moça, "possuída" por um espírito, no estudo que fez dos fenômenos ocultos. Aliás, esse termo - possessão por espíritos - é usado pela Associação Americana de Psi- quiatria, no DSM4 - Casos Clínicos. A moça estudada por Jung ficava possuída por espíritos e apresentava crises, do tipo hísteroepi- leptiformes, ou seja, uma mistura de histeria e epilepsia, uma alteração complexa de comporta- mento. Em sessão mediúnica, ela manifestava a personalidade de um espírito conhecido, um fa- miliar dos assistentes. Após os ataques espirituais, apresentava fortes dores de cabeça que eram amenizadas por um ritual desenvolvido por ela mesma, o do autopasse, que a imantava de ener- gia, através de movimentos dos braços. Hahnemannn, o fundador da Homeopatia, usou esse ter- mo - passe - no Organon; Jung, também, em suas obras. Os fenômenos mediúnicos são muito ricos, tanto podem aparecer na forma de sintomas orgâni- cos e psíquicos, quanto de fenômenos ocultos ou paranormais. Para enfocá-los, vamos partir do pensamento contemporâneo da Ciência. A primeira hipótese a ser estudada é a da existência do mundo espiritual, a existência de dimen- sões ou Universos Paralelos. A Física atual tem apresentado várias teorias, na tentativa de unificar todas as forças físicas co- nhecidas, uma delas é Teoria das Supercordas que pressupõe a existência de 11 dimensões, tam- bém conhecidas como universos paralelos, coincidindo com a revelação espírita sobre os vários planos da vida espiritual. De forma muito simplificada, podemos dizer que a Teoria das Supercordas trabalha com a hipótese de que as partículas atômicas sejam como cordas de energia; assim, se esquematizássemos um elétron, o veríamos como uma corda, com uma vibração numa extremida- de; se fosse um nêutron, seria a mesma corda só que teria, por exemplo, uma vibração na posição interme- diária, um próton vibraria na outra extremidade. As- sim, essas três partículas do átomo, seriam cordas, car- regariam a mesma estrutura, mas teriam vibrações di- ferentes. Somente essas oscilações peculiares seriam responsáveis pela configuração delas. Dessa forma, consegue-se unificar tudo, chegar a uma partícula essencial, que poderíamos cha- mar de supercorda simples.
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Nov 08, 2018

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  • FENOMENOLOGIA ORGNICA E PSQUICA DA MEDIUNIDADE Prof.() Srgio Felipe de Oliveira sergiofelipe@uniespirito.com.br

    Tpico 1 Os estados de transe ou fenmenos medinicos Estudamos dentro deste tema - Fenomenologia Orgnica e Psquica da Mediunidade - os estados de transe ou fenmenos medinicos. Cremos que as hipteses levantadas aqui e as pesquisas j efetuadas ressaltam a importncia do tema no contexto da sade e o colocam dentro de uma rea mais ampla da medicina, a da neuroanatomia funcional e transpessoal. Sentimo-nos vontade para abord-lo, porque o Cdigo Internacional de Doenas (CID) no. 10 (F 44.3) j reconhece os estados de transe e possesso por espritos; do mesmo modo que o Tra-tado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, da Universidade de Nova York, no captulo sobre Teori-as da Personalidade faz meno ao assunto; e Carl Gustav Jung, em sua primeira obra, analisa o caso de uma mdium, uma moa, "possuda" por um esprito, no estudo que fez dos fenmenos ocultos. Alis, esse termo - possesso por espritos - usado pela Associao Americana de Psi-quiatria, no DSM4 - Casos Clnicos. A moa estudada por Jung ficava possuda por espritos e apresentava crises, do tipo hsteroepi-leptiformes, ou seja, uma mistura de histeria e epilepsia, uma alterao complexa de comporta-mento. Em sesso medinica, ela manifestava a personalidade de um esprito conhecido, um fa-miliar dos assistentes. Aps os ataques espirituais, apresentava fortes dores de cabea que eram amenizadas por um ritual desenvolvido por ela mesma, o do autopasse, que a imantava de ener-gia, atravs de movimentos dos braos. Hahnemannn, o fundador da Homeopatia, usou esse ter-mo - passe - no Organon; Jung, tambm, em suas obras. Os fenmenos medinicos so muito ricos, tanto podem aparecer na forma de sintomas orgni-cos e psquicos, quanto de fenmenos ocultos ou paranormais. Para enfoc-los, vamos partir do pensamento contemporneo da Cincia. A primeira hiptese a ser estudada a da existncia do mundo espiritual, a existncia de dimen-ses ou Universos Paralelos. A Fsica atual tem apresentado vrias teorias, na tentativa de unificar todas as foras fsicas co-nhecidas, uma delas Teoria das Supercordas que pressupe a existncia de 11 dimenses, tam-bm conhecidas como universos paralelos, coincidindo com a revelao esprita sobre os vrios planos da vida espiritual.

    De forma muito simplificada, podemos dizer que a Teoria das Supercordas trabalha com a hiptese de que as partculas atmicas sejam como cordas de energia; assim, se esquematizssemos um eltron, o veramos como uma corda, com uma vibrao numa extremida-de; se fosse um nutron, seria a mesma corda s que teria, por exemplo, uma vibrao na posio interme-diria, um prton vibraria na outra extremidade. As-sim, essas trs partculas do tomo, seriam cordas, car-regariam a mesma estrutura, mas teriam vibraes di-ferentes. Somente essas oscilaes peculiares seriam responsveis pela configurao delas.

    Dessa forma, consegue-se unificar tudo, chegar a uma partcula essencial, que poderamos cha-mar de supercorda simples.

  • Embora ainda no tenhamos uma comprovao final dessa teoria, interessante acompanharmos os seus estudos na compreenso do macrocosmo. Seriam as super cordas o fluido csmico uni-versal de Kardec? Dizemos isso porque, para estudarmos a origem do universo, precisamos pes-quisar a fonte de onde vieram as partculas e subpartculas atmicas, porque, afinal, tudo come-ou num ponto menor do que a cabea de um alfinete. Ento, as formas e os padres existentes no microcosmo seriam reproduzidos no macrocosmo. Ser que o universo seria tambm uma grande corda de energia? Vamos tentar utilizar essa ideia para a compreenso da forma do uni-verso. Imaginemos que a nossa dimenso seja uma grande corda de energia, um tapete. Conti-nuemos o raciocnio: o nosso espao tridi-mensional, curvo. Sabemos disso porque se tentarmos fazer uma triangulao de trs estrelas no firmamento, vamos constatar o seguinte: essas trs estrelas formam um tri-ngulo, este possui a soma dos ngulos in-ternos maior que cento e oitenta graus. E is-to s possvel se esse tringulo estiver de-senhado sobre um espao curvo.

    Analisemos agora o seguinte, quando se tem um plano bidimensional, como uma folha de papel, por exemplo, no momento em que ela se curvar, o far para a terceira dimenso. Assim, o objeto, antes plano, torna-se um cilindro, passa de duas para trs dimenses.

    O mesmo acontece com o nosso espa-o de trs dimenses, como ele curvo, po-demos dizer, ento, que se curva para a quar-ta dimenso. E, assim, sucessivamente. A quarta dimenso um espao que se chama espao-tempo. Mas o tempo tambm curvo, por ra-zes que no caberiam ser discutidas aqui, ento, sendo curvo ele se curva para a quinta dimenso e assim sucessivamente, de forma que, para os clculos complexos da Teoria das Supercordas, chega-se a onze dimenses. Seria, portanto, o mesmo tapete, imaginado, inicialmente, curvado, um plano sobre outro.

    o mesmo universo, s que dobrado em vrias dimenses, essas seriam os universos paralelos, que corresponderiam aquilo que ns chamamos de planos espirituais ou Espiritualidade. De sorte

  • que estamos indagando o seguinte: ser que nesses universos paralelos, no haveria a continui-dade da vida? Se isto possvel, depois da terceira dimenso, onde nos encontramos, deixamos o corpo fsico e partimos para outra. Seria o fenmeno da morte, seguido de um renascimento para uma nova vida.

    Vamos supor dois personagens: Joo e Maria vivendo em um plano bidimensional; eles teriam a possibili-dade de visualizar tudo o que est compreendido em duas dimenses, porque tm estrutura sensorial ade-quada para isso. Ns que estamos na terceira dimen-so podemos enxergar Joo e Maria, mas eles no tm condies de nos ver, a no ser que saiam do mundo em que esto e nos alcancem.

    O mesmo raciocnio vlido para a quarta, quinta, sexta e demais dimenses, tambm chamadas de universos paralelos. Isto ocorre sempre, se existe algum em uma dimenso acima da nossa, ele pode nos ver, mas ns s conseguiremos enxerg-lo, se sairmos do corpo, atravs do desdo-bramento ou Experincia Fora do Corpo (EFC ou OOBE), e adentrarmos o mundo em que ele est. Muito bem, analisado esse conceito, preciso estudar a estrutura fsica que compe as dimen-ses espirituais. Vejamos, ento, algo sobre a constituio da matria. A primeira questo que a matria, como ns a percebemos, como a sentimos, constituda de tomos, compostos, por sua vez, por prtons, nutrons e a eletrosfera ou a nuvem de eltrons. Ento, toda a matria tem, por assim dizer, na sua superfcie, uma quantidade de eltrons, que so partculas de carga negativa.

    Quando aproximamos dois corpos materiais, na verdade, estamos juntando camadas de eltrons, isto o mesmo que aproximar ims da mesma polaridade, o que provoca uma repulso, porque a atrao, como sabemos, s possvel se houver polos contrrios. No caso da matria, a sua ca-mada superficial formada por eltrons, o que implica em repulso e esta que d a impresso ttil. O que ns sentimos, ao pegar um objeto, a repulso dos eltrons.

    Se fosse possvel tocar a matria, conforme se imagina no senso comum, ento, essa camada de eltrons entraria em outra, de modo a produzir uma verdadeira fuso atmica. E isso daria uma grande exploso. Assim, um aperto de mo, um abrao, seria uma exploso que poderia, talvez, destruir o mundo. Com isso se conclui que a matria intangvel. Outro fato interessante tambm o seguinte: Para que um objeto possa ser visto, h a necessida-de de que ele esteja iluminado, desse modo, o que enxergamos no o objeto, mas a luz refletida nele. Ento a matria invisvel, e tambm intangvel. Coisa curiosa, porque normalmente o materialista acredita na matria com consistncia concreta, mas, na realidade, ela no o . Outro aspecto importante: possvel tocar-se uma pessoa abra-la, beij-la, e no se sentir nada. Ao mesmo tempo, h a possibilidade de existir uma pessoa distante, que pode ser evocada, por uma lembrana, um cheiro, um objeto qualquer, e a gente se emocionar. De uma forma potica, podemos dizer que o que toca o esprito, a alma, a matria no, ela apenas intermedeia a rela-o entre as pessoas e entre as pessoas e os objetos. Outra questo tambm: o tomo. A maior parte dele vazia. Quer dizer, a essncia da matria constituda de vcuo. E este significa ausncia absoluta de matria.

  • Ocorre o seguinte, Einstein, atravs de clcu-los matemticos j havia presumido que, no vcuo do tomo, teramos uma energia de-nominada por ele de energia flutuante qunti-ca do vcuo. Posteriormente, Paul Dirac, ganhador do Prmio Nobel de Fsica, trabalhou essa ques-to do vcuo atmico, afirmando que existe um mar de partculas, subjacente a ele. Como entender esse mar de partculas? Elas vibrari-am numa velocidade infinita, tornando-se, ento, invisveis, como acontece com as ps de um ventilador ou as hlices de um avio, que oscilam muito rpido, e por isso no se consegue enxerg-las. Assim, as partculas com vibrao muito rpida tornam-se invis-veis aos sensores da nossa cincia, que no tem tecnologia para detect-las.

    Temos, ento, um mar invisvel. O que acontece? Quando uma partcula se choca com outra, vinda desse universo subjacente ao vcuo, ela perde um tanto da sua velocidade, que fica semelhante da luz e aparece no vcuo. Isto, no entanto, momentneo, porque novamente ela decai para o mar de partculas. como se fosse uma pedra que se atira para cima, vai at um certo ponto e, depois, volta. Na verdade, a energia flutuante quntica do vcuo representada por partculas de matria ou de antimatria de velocidade, presumivelmente, superior da luz, que poderiam, eventualmente, aparecer no vcuo atmico, aos nossos sensores, voltando, depois, a cair no mar de partculas. Dessa forma, o vazio, a ausncia de matria no existiria. Curiosamente, na Universidade de So Paulo, no Instituto de Fsica, o Laboratrio de Pesquisa de Hadrons vem se baseando na ideia de que o vcuo, na verdade, aonde existe a maior parte da estrutura da matria, subjacente a ele, existiria um universo de partculas que ainda no foi avistado. A respeito do trabalho dos cientistas h, no Brasil uma interessante obra psicografada por Fran-cisco Cndido Xavier, "Nos domnios da mediunidade", que faz parte de uma coleo de catorze volumes, do tipo romanceado, que trazem muitas revelaes cientficas e explicam a questo da relao entre o mundo espiritual e o fsico. Nesse livro, na sua introduo, o Esprito Protetor do mdium, Emmanuel, afirma que os cientistas materialistas so tambm de Deus, porque, ao in-vestigarem a estrutura da matria, vo chegar concluso de que ela no existe e perdero o ob-jeto de sua prpria convico. E no isso o que est acontecendo, desde o advento da fsica quntica? Na verdade, o termo matria precisa ser amplificado, porque ela no somente esse tipo que ns conseguimos apalpar, mas tambm o que entra na constituio desses universos paralelos ou planos espirituais, que seriam dotados de outros dos seus padres, que vibram em outra frequn-cia, em outra dimenso. Assim, em tese, nas diversas dimenses, ela no deixaria de ter consis-tncia para os habitantes de cada uma delas. Desse modo, o plano espiritual no seria constitudo por figuras virtuais ou fantasmas etreos, mas por entidades de consistncia fsica slida, com grande expresso de cores, formas, sons, compostos por outros padres de matria desconhecidos ainda da nossa Cincia contempornea, mas, j presumidos pelos estudos da fsica terica ou da fsica matemtica. Como traduzir tudo isso em equaes? Nessa tentativa, preciso analisar a relao entre massa e energia.

  • Se tomarmos a frmula de Einstein, energia diretamente proporcional ao produto da massa pela velocidade da luz ao quadrado; dividido por raiz quadrada de um menos a velocidade da partcula estudada, sobre a velocidade da luz ao quadrado com a velocidade da partcu-la tendente a velocidade da luz.

    Essa equao de Einstein leva a uma partcula, que tem quase a velocidade da luz, ento essa fra-o V/C quase um, um menos quase um, d um nmero muito pequeno, zero vrgula zero, ze-ro, zero, zero, um. Produto da massa pela velocidade da luz ao quadrado, dividido por zero, vr-gula, zero, zero, zero, zero, zero, zero, zero, zero, um vai dar numa energia elevada, detectvel pelos nossos aparelhos, essa equao, ela vai retratar todo o nosso universo biolgico, material biolgico, a nossa biosfera, ento, responderia a essa equao, o corpo fsico, ou melhor, biol-gico e tambm o nosso duplo etrico.

    O que o duplo etrico?

    So todas as radiaes fsicas do nosso corpo, por exemplo, a el-trica. Se fazemos um eletrocardiogra-ma, detectamos a radiao do co-rao; um eletroencefalograma a do crebro. Podemos tambm detectar a radi-ao magntica, atravs da resso-nncia nuclear magntica de nos-so corpo, transformada em ima-gem. Quer dizer, o nosso corpo, tem uma radiao eletromagnti-ca, assim como a radiao de ca-lor, todas elas pertenceriam ao corpo orgnico, a partir do duplo etrico.

  • Com a morte do corpo biolgico, este corpo sutil tambm perece. A equao de Einstein responderia pelos fenmenos biofsicos que ocorrem no corpo biolgico e no duplo etrico. Essa equao de funo quadrtica, sendo assim ela fornece duas respostas, a outra seria representada por uma outra equao, que seria a seguinte:

    A energia diretamente proporcional massa inicial pela velocidade da luz ao quadrado, sobre raiz qua-drada da velocidade da partcula estudada sobre a ve-locidade da luz ao quadrado menos um, sendo a velo-cidade da partcula estudada tendente ao infinito.

    Conclumos, assim, que a vibrao da partcula estudada seria infinita, no se limitaria, portanto, aos 300 mil Km/s da velocidade da luz. Esta outra resposta, foi como que deixada de escanteio pelos estudos da Fsica, porque ela derroga a Lei da Causalidade. Se tivermos uma partcula que supere a velocidade da luz, ela regrediria no tempo e teramos, ento, uma derrogao da lei da causalidade. Isto causa um certo mal estar entre os fsicos porque eles teriam que modificar os paradigmas da prpria Fsica e at mesmo os que servem de modelo e guia ao nosso cotidiano. O fato que essa equao existe. E h pesquisadores que esto em busca de uma representao fsica dessa equao e acreditam que ela possa representar uma outra realidade fsica. Acredita-mos que essa equao possa ser aproveitada. Nela, infinito dividido por velocidade da luz infi-nito, menos um infinito. Vemos, ento, que a velocidade da partcula estudada pode ser infinito. O produto da massa pela velocidade da luz ao quadrado dividido por infinito vai dar um nmero infinitamente pequeno, uma energia muito pequena que poderamos chamar de energia sutil. Essa energia seria a vital, prpria do perisprito, do corpo bioplasmtico ou da matria do plano espiritual. A equao res-ponderia a essa questo.

  • Isto quer dizer que as partculas teriam vibrao to intensa que se tornariam indetectveis aos nossos sensrios e aos aparelhos que a Cincia detm hoje em termos de tecnologia. Muito bem, veja que coisa curiosa, vamos fazer um grfico ilustrativo dessas equaes.

    Se ns pegarmos a primeira equao correspondente ao corpo biolgico, E igual m zero c ao quadrado sobre raiz quadrada de um menos v sobre c ao quadrado, v tendente a c, ns tera-mos um grfico assim.

    Agora vamos ver a outra equao cor-respondente ao perisprito, aos corpos sutis: energia, m zero c ao quadrado so-bre raiz quadrada de v sobre c ao qua-drado menos um com v tendente ao in-finito. Ento vamos tentar ver como fi-caria o grfico dessa condio, ficaria assim.

    Podemos construir uma metfora, mas para traduzir um conceito verdadeiro. Imaginemos que aqui ns teremos o universo fsico, e aqui o universo mental. Ento de acordo com essa formula-o, o universo fsico e o mental, no teriam ponto de contato, o universo mental seria uma reali-dade virtual do universo fsico como a imagem de um espelho. Ento a ideia de que a imagina-o, que o pensamento seriam coisas virtuais, destitudos de representatividade fsica, estaria en-quadrado dentro deste tipo de equao. Agora aqui, os dois universos interceptam-se, acasalam-se, eles se tocam. como se Alice tives-se transfixado o espelho, vamos dizer assim. Ento o universo mental ou psquico ou o universo da alma, tem uma relao com o universo f-sico. A imaginao e o pensamento, teriam um ponto de contato real e concreto com o universo fsico.

    Os estudos recentes de tomografias por emis-so de psitron e ressonncias funcionais, vm mostrando que o ato de pensar consome oxignio e glicose, e diversos padres do pen-samento, como os da memria ou imaginao, por exemplo, vo provocar um aumento da microcirculao cerebral, em reas especficas do crebro que esto ligados a esses padres.

  • Ento a medicina vem demonstrando que o pensamento uma energia. Por que? Porque se o ato de pensar gasta oxignio e glicose, realiza trabalho. Entendendo-se por trabalho, o produto da fora pelo deslocamento da matria; podemos concluir que o pensamento uma fora que con-some oxignio e glicose, e, como tal, desloca matria, realiza trabalho, ento, energia. uma energia que causa impacto sobre a matria. Resta um grande questionamento: o crebro secreta o pensamento ou este produzido por um outro sistema e o nosso corpo seria um transdutor desse pensamento? Afinal, o crebro o pro-dutor ou veiculador do pensamento? Para buscar respostas, precisamos entrar um pouco na matemtica de Gdel, esse eminente ma-temtico que trabalhou com Einstein. Vou tentar traduzir a minha compreenso sobre a comple-xa elaborao mental do Teorema de Gdel. A ideia bsica seria a seguinte: Um sistema no capaz de deter autoconscincia. Como seria isso? Imaginemos uma equao matemtica por exemplo: ax2 + bx + c = 0. Ento essa equao vai chegar a um resultado, xI, e xII. Dois resultados alis. Essa equao explica o resultado, mas o modo como essa equao funciona somente poder ser explicada por uma outra equao que vem de fora. Vamos pensar tambm num computador: ele pode ser o mais elaborado do mundo, ultrarrpido, quase dotado de conscincia prpria, quase, porque ele depende de um programador que vem de fora. Se no h um programador ele no pode funcionar, no tem como gerenciar a sua prpria existncia. Imaginemos que esse computador seja o nosso crebro, o mais perfeito j construdo. Sem um programador, esse computador no seria capaz de ter autoconscincia. A conscincia, portanto, teria de vir de fora, de um programador que no pertencesse sua estru-tura. Assim, segundo o Teorema de Gdel, um sistema no capaz de autoconscincia, esta tem de vir de fora.

    Roger Penrose

    O nosso crebro sendo um computador, a conscincia, cer-tamente, no vem dele, est num programador que est fora dele, isto , em um metasistema, distinto dele. Para ns, esse metasistema o esprito, alma ou psiquismo. Assim, o cre-bro seria um arquivador, uma CPU, um computador que viria de um programador que o esprito. Essa ideia revolucionria na rea da neurocincia. Na ver-dade, a nossa conscincia no vem do corpo, mas este seria um transdutor dela, porque a sua origem viria de um meta-sistema ou Esprito.

    Tpico 2 Se morre o corpo, o Esprito sobrevive? Na falta de uma resposta definitiva, vamos trabalhar com essa hiptese - a personalidade, a iden-tidade da pessoa vem do Esprito. Morre o corpo, mas o Esprito sobrevive e vai habitar os uni-versos paralelos, as dimenses espirituais. Plato na sua obra A Repblica relata o episdio de Er, um indivduo que saiu do corpo fsico e foi visitar o mundo espiritual, relatando na volta, do ponto de vista fsico, esse outro plano. Na obra de Dante Alighieri A Divina Comdia, vemos a descrio do cu, do inferno e do pur-gatrio, com base nas visitas que o autor fez s diversas dimenses da espiritualidade, num relato do que constituiria o espao fsico e a vida nesses locais. Temos tambm as obras codificadas por Allan Kardec, por exemplo, o livro O cu e o inferno, relatos de espritos, ou pessoas que j partiram para o plano espiritual, mas que mantiveram a sua inteligncia, a sua individualidade, aps a morte do corpo biolgico. Contaram tambm, atravs do fenmeno medinico, como a conscincia fsica do plano em que esto, quais seus sentimentos e sensaes e as consequncias dos atos que praticaram na existncia terrena.

  • Nesse particular muito interessante ler obras de Francisco Candido Xavier que contam sobre experincias de pessoas mortas no mundo espiritual e que depois enviaram mensagens aos fami-liares, atravs dele. Essas psicografias de Chico Xavier foram estudadas numa pesquisa da Asso-ciao Mdico Esprita de So Paulo, mormente coordenada pela doutora Marlene Nobre e pelo senhor Paulo Rossi Severino, que foi publicada em uma obra muito interessante - A Vida Triunfa - que contm, alm de 45 mensagens, um estudo estatstico sobre as psicografias de Chico Xavi-er, baseado nos relatos dos prprios familiares que responderam a questionrios especialmente preparados. Temos tambm as investigaes no campo das Experincias de Quase Morte (Near death Expe-rience- NDE ou Experiences aux frontires de la Mort), como, por exemplo, as estudadas pelo dr Peter Fenwick, da Inglaterra,e muitos outros pesquisadores norte-americanos. So os relatos de pessoas que no ato da morte, da parada cardiorrespiratria, visitaram o mundo espiritual e guar-daram a lembrana disso. O esprito sobrevive morte do corpo biolgico e habita nos universos paralelos. Esse tipo de vida pode ser concebido, pela cincia, como hiptese de trabalho. Afirmo que vou trabalhar com essa hiptese, se est certa ou no, s o avano da cincia respon-der. Se estiver correta, ser comprovada pelo progresso cientfico, se no, teremos de buscar a Verdade onde quer que ela se encontre, como no-lo ensinou Allan Kardec. As religies devem acompanhar o progresso da cincia, procurando respaldar, nela, os seus pos-tulados e sua fundamentao. Por recomendao de Allan Kardec, isso que acontece com o Es-piritismo. H uma questo tambm sobre a realidade do esprito. A hiptese da existncia do esprito e de sua sobrevivncia aps a morte, no um recurso destitudo de fora paradigmtica. A matem-tica, j utiliza tais recursos.

    Por exemplo, se levarmos em considerao este nmero: raiz quadrada de menos dois; pelo conjunto dos nmeros reais, voc no re-solve essa equao. Ento a matemtica in-ventou um nmero: i ao quadrado, que foi chamado, nmero imaginrio. Assim ficou que i ao quadrado igual a menos um, sendo assim, raiz quadrada de menos dois seria raiz quadrada de i ao quadrado vezes dois que igual a i raiz de dois. Dessa forma, ficou re-solvida a equao.

    Ocorreu ento que a matemtica, com o nmero imaginrio, introduziu um universo de nmeros, os chamados nmeros complexos. Com isso, foi possvel a execuo de grandes trabalhos da tecnologia, como o envio de foguetes para a Lua, sondas para Marte, e assim por diante. Mesmo sendo um nmero imaginrio, no deixou de ser constitudo de representao concreta. Se a matemtica criou esse nmero imaginrio para resolver seus problemas, ser que a gente no pode presumir a existncia do Esprito como sendo um recurso de raciocnio para tentar en-tender a neurofisiologia, a neuropsicologia, a sociologia das relaes humanas? Ser que no po-demos trabalhar com essa hiptese, a da existncia do Esprito, do ser enquanto individualidade, tentando traduzir os fenmenos neuropsicolgicos, neurofisiolgicos e at sociolgicos para en-tend-los melhor? Acredito, portanto, que no estamos, cometendo uma heresia cientfica ao usar esse recurso, o de presumir a existncia da alma, para tentar entender o fenmeno. assim que ns vamos trabalhar o nosso raciocnio ao longo da explanao desse curso. Vamos presumir a seguinte ideia: existem muitos planos espirituais que so as diferentes dimen-ses ou universos paralelos. interessante lembrar tambm as pesquisas do psiquiatra Stanislav Grof.

  • Curiosamente, na dcada de 50, um qumico do Laboratrio Sandoz descobriu uma substncia chamada cido lisrgico e no se sabia exatamente quais seriam, em sua totalidade, as conse-quncias da ingesto dela. Sabia-se apenas que atuava na rea do sistema nervoso. Foram cha-mados psiquiatras voluntrios para ingerirem a tal substncia e Stanislav Grof apresentou-se co-mo um deles. Bem, ao ingeri-la - desaconselho isso a qualquer pessoa - Stanislav Grof teve uma viso do mun-do espiritual, segundo seus relatos, no livro "Alm do Crebro". Temos observado esses mesmos relatos entre os usurios dos mais variados tipos de drogas, que tambm so totalmente desacon-selhveis. Essas drogas podem remeter a pessoa s mais variadas dimenses espirituais, sejam elas os umbrais tenebrosos ou os planos paradisacos. Na observao de pacientes usurios de drogas, temos encontrado algum ponto de coincidncia com as experincias relatadas por Stanis-lav Grof. Posteriormente, quando se averiguou que essas drogas so lesivas ao crebro, Grof passou a uti-lizar tcnicas para entrar em estados de transe, de forma a no precisar do uso de nenhuma subs-tncia psicoativa, como a que obtm atravs da msica, e da hiperpnia, que a respirao rpi-da. Dessa forma, a pessoa entra em estados alterados de conscincia, tambm chamados estados holotrpicos. A pessoa pode estar centrada no seu universo biolgico, deslocada para o espiritual ou para o seu subconsciente. como se ela estivesse aderida ao prprio corpo, semideslocada dele ou submer-sa dentro de sua alma, do seu psiquismo, do seu subconsciente. Por exemplo, quando voc observa uma pessoa, no momento em que ela est tentando se lembrar de um fato que ocorreu com ela, parece que o seu olhar se vira para dentro de si mesma. uma impresso subjetiva, como se o olhar se tornasse vago, e a pessoa estivesse penetrando dentro de si, desliga-se do ambiente; percebe-se no olhar dela essa alterao; h como que um mergulho no espao subconsciente ou no inconsciente.

    Quando uma pessoa est com a ateno alerta, no caso em que espera al-gum entrar na sala, ou vai atravessar uma rua, ela est centrada no corpo biolgico. Se est sentada num sof, meio sonolenta, entra numa fase hipnaggica, desloca-se do corpo e tem vises, ouve e v coisas, ela no est nem dormindo nem tampouco acordada, num estado de semitranse, va-mos dizer assim, ela est na dimenso es-piritual.

    H casos de relatos de fenmenos de desdobramento em que a pessoa se desloca verdadeiramen-te e tem acesso s informaes do mundo espiritual. O que tudo isso quer dizer? Que a nossa conscincia, nem sempre est centrada aqui no biolgi-co, ela oscila. Ora ela est deslocada para o mundo espiritual, ora est submersa no subconscien-te, ora no mundo material em estado de alerta. Ento a nossa conscincia age como uma funo de onda, que oscila, do modo de uma senide. A cada timo de segundo como se ns vibrsse-mos, sassemos do corpo, submergssemos no nosso subconsciente e nos centrssemos. Essa os-cilao contnua, de forma que a nossa viso de realidade aqui na biosfera, no biolgico, des-contnua.

  • Voc j deve ter observado isso. Por exemplo, quando voc vai assistir a uma pea de teatro, concentra-se, mas no so todas as frases, as palavras, os jeitos, os trejeitos que voc observa. Algum diz assim: - Voc viu quando o ator fez tal e qual coisa? - Puxa, esta parte eu no vi. - U, voc estava olhando, como que voc no viu? O outro fala: - Voc viu tal coisa? - Ah! isso eu no vi. Quer dizer, h uma viso descontnua da realidade, porque a nossa conscincia, oscila os nveis de concentrao. s vezes uma pessoa passa na sua frente e voc no v; porque a nossa consci-ncia oscila, a nossa viso de realidade fragmentria. Tpico 3 A nossa conscincia uma funo de onda Muito bem, ento a nossa conscincia uma funo de onda, que possui uma frequncia e uma amplitude. Se uma pessoa estiver num estado alterado de conscincia, ou por uso de drogas, ou por que est entrando numa psicose ou outra situao de desequilbrio, ela vai mudar a frequncia da ampli-tude de onda da conscincia. Com isso, ficar mais projetada na dimenso espiritual, na rea subconsciente, e mais distante, da biolgica; estar mais voltada abordagem espiritual, para a interatividade com o alm, ou para o subconsciente, perdendo a definio de imagem da realida-de biolgica. Nessa posio, a pessoa vai ter dificuldade de manter o raciocnio lgico coerente, na verdade, h uma mistura de aspectos que ela capta da dimenso espiritual, do seu inconsciente e da sua realidade biolgica. Assim, ela vai trazer para a sua realidade, elementos do discurso da vivncia espiritual, subcons-ciente e biolgica. H pouca definio de imagem com uma fragmentao do discurso, prprio dos transtornos dissociativos, dos quadros psicticos ou popularmente chamados quadros de lou-cura. Ento, aqui, ela recebe uma interferncia de personalidades intrusas, outros Espritos ou entida-des, tem uma vivncia toda prpria da dimenso espiritual, ou elementos de suas vivncias pas-sadas, do seu prprio subconsciente, tudo isso somado a uma viso fragmentada da realidade. Nisso se constitui o discurso da loucura: pseudoilgico. Digo pseudoilgico porque, nesse discurso, se voc consegue discriminar do fraseado tudo o que a pessoa diz, separando o que influncia espiritual, do que da dimenso subconsciente e da biolgica, voc entende a lgica do que est acontecendo com a pessoa.

    O paciente ansioso, por exemplo, tem um fenmeno interessante: um aumento muito grande da frequncia e consequente aumento de contato com a dimenso espiritual e subconsciente, ao mesmo tempo em que grande a definio de imagem da realidade biolgica.

  • O que acontece? H uma sobrecarga sensorial, uma confuso, e, depois de um tempo, ela no tem mais energia para se sustentar; entra em depresso. O que pretendemos ressaltar que a nos-sa conscincia oscila. Vou mostrar o exemplo de um paciente que est oscilando de acordo com estas caractersticas. Esse paciente pintou estes quadros que se seguem. Pedi que, em cada estado, ele desenhasse e pintasse uma tela, j que era habilidoso nisso. Vamos observar alguns detalhes dos quadros. Observe esses prdios: o paciente est em cima de um deles, indicando, inclusive, uma tendncia suicdica. Veja como ele es-t se enxergando: fora do corpo, porque es-t voando, enquanto o corpo est em cima do prdio. A viso de realidade dele psi-codlica, colorida, florida, delirante. Te-mos, aqui, um estado de transe, uma altera-o de estado de conscincia, e elementos do universo subconsciente, traduzidos por delrios e uma vivncia espiritual que o deslocamento do seu corpo.

    Essa, ele viveu a dimenso espiritual prpria dos es-tados de transe, ele vive a dimenso espiritual.

    Muito bem, aps um perodo de tratamento em que ele recebeu medicao, tratamento psicolgi-co e espiritual, ele entrou numa segunda fase. Queremos ressaltar o valor das medicaes, quan-do indicadas de forma correta, porque elas ajudam o paciente a ancorar-se na realidade biolgica, bloqueiam o fenmeno de transe.

    Aqui tambm, da mesma forma, ele vive a dimenso espiritu-al, a conscincia est mergulhada no espiritual e no subcons-ciente. Veja, aqui, o relato de como ele se entrega ao trata-mento.

    Observe essa figura, ela mostra como ele est buscando ajuda e se entrega ao tratamento. V-se que ele est deitado como se fosse num bero ou no colo, in-teiramente entregue ao trata-mento. Muito bem, o que ele v? V luzes aproximando-se dele, referindo-se ao tratamento espiritual. Ao mesmo tempo, v-se saindo de si ou sendo dis-secado, descreve rostos que se-riam Espritos que o possuam, que o estavam perturbando. Es-pritos obsessores, conforme o seu relato.

  • Dando continuidade ao tratamento, o pacien-te passa por uma outra fase, em que ele j se centraliza na vida biolgica, apenas no est encontrando a sua identidade: quem sou eu, afinal de contas? Est em busca de uma iden-tidade, quer dizer, ele j est se centrando mais na dimenso biolgica, apenas ainda no focalizou com perfeio, a busca da sua identidade. Aqui ele j procura se centrar, procura um foco na dimenso biolgica.

    Finalmente, na continuidade do tratamento, vamos ter uma fase em quem que o paciente se centraliza, passa a vivenciar a experincia bi-olgica no universo corporal. No plano de fundo, os retalhos de tudo o que passou e um grande questio-namento: o que aconteceu comi-go? E aqui ele consegue se centralizar, vamos dizer assim, ele se centrali-za, a funo de onda de conscin-cia se centraliza aqui mais prxi-mo da dimenso biolgica.

    Ento o que est acontecendo? O que est havendo? Em nossa vida percorremos os diversos espaos das nossas dimenses: a interior, a espiritual e a biolgica. A variao dos padres de oscilao vo caracterizar os diversos estados alterados de conscincia, inclusive os patolgicos, as diversas doenas. O que ns vamos estudar como que tudo isso se processa dentro do nosso crebro, no nosso psiquismo. Como que se do os fenmenos da nossa ligao com o mundo espiritual, e o que que alteram em termos de comportamento, o que mediunidade. Tpico 4 Mediunidade

  • Mediunidade uma funo de senso percepo. E como toda funo de senso percepo precisa de um rgo sensorial que capte a mensagem; uma rea cortical do crebro que a interprete e elementos do psiquismo que faam o julgamento. O rgo do sentido capta, projeta para a rea cortical do crebro e o psiquismo, esprito ou alma, faz o juzo crtico daquela situao. Para explicarmos essa questo, tomemos um pouco da anatomia do crebro. Vamos procurar mostrar como a glndula pineal na sua forma, em algumas fotografias, atravs de uma lupa. A forma varia conforme o crebro. Parece que no h uma pessoa com uma pineal igual a outra. So vrios encfalos que foram estudados em autpsia.

  • Na radiografia e na tomografia, o que temos um ponto branco, bem no centro do encfalo: a pineal.

    Ren Descartes dizia que a pineal o ponto onde o esprito se liga ao crebro. Ser que a afirma-o dele era verdadeira? Estamos tentando encontrar uma fundamentao biofsica para essa hi-ptese. Se o esprito liga-se ao crebro pela pineal, como no existem duas pessoas iguais, reflexamente tambm no vo existir duas pineais iguais. De fato o que a gente observa. As pineais, de um e outro encfalo so bem diferentes. E por que est a pineal aparece aqui, nestas tomografias, como um ponto branco? Porque est in-crustada de cristais de apatita, pelo processo de biomineralizao. H pessoas, no entanto, que no apresentam essa caracterstica, no h uma incrustao de cristais de apatita em quantidade suficiente para provocar uma imagem radiopaca. Portanto h pineais que apresentam cristais de apatita em grande quantidade, e outras que no, e no depende da idade. Temos crianas que apresentam grande quantidade de cristais de apatita e pessoas adultas que no os apresentam em quantidade que possa ser vista na tomografia ou aos raios-X. Pesquisamos a microscopia da pineal para tentarmos entender quais os elementos que existiriam dentro dela, que poderiam ser responsveis pelo processo de regulao da captao magntica, de ondas que, em tese, viriam do mundo espiritual ou de recursos da telepatia. Ser que existem estruturas na glndula pineal que poderiam responder por esse fenmeno de captao? Ns a fotografamos internamente; observamos aspectos da pineal cortada ao meio e utilizamos o microscpio eletrnico de varredura do Instituto de Cincias Biomdicas da Univer-sidade de So Paulo.

  • Vemos aqui pequenas esferas, que parecem amoras, incrustadas em diversos pontos da estrutura interna da glndula. Podemos observar essas estruturas, que aparecem de forma radiopaca na to-mografia, um ponto branco no meio do crebro. Quando a pessoa apresenta grande quantidade dessas estruturas, que so os cristais, eles apare-cem de forma radiopaca, caso contrrio, tero consistncia carnosa. E isso depende de caracters-ticas muito peculiares que ns estudamos de pessoa a pessoa. Tudo indica que os cristais so estruturas previstas no campo morfogentico da pessoa, quer di-zer, cada pessoa deve nascer com a pr-disposio a ter um nmero de casulos dentro da glndu-la, onde se aninham os cristais de apatita. Vamos ver uma figura mais detalhada. Supondo que se frature um cristal, nesse caso, tem-se a viso da estrutura interna dele, que formada por lamelas concntricas, como quando voc corta um tronco de determinadas rvores e as v.

    Quanto mais velha a pessoa, mais lamelas ela vai apresentar, em cada um desses cristais. Antigamente, pensava-se que a glndula pineal, calcificava-se e perdia a funo, a partir de de-terminada idade. Hoje, sabe-se que no, que na verdade o processo de calcificao, melhor dizendo, de biominera-lizao, est implicado com uma grande funo da glndula, a sua capacidade metablica. Esses cristais, no so, portanto, estruturas mortas.

  • Inclusive, fizemos uma fotografia, tambm ao microscpio eletrnico, demonstrando a existncia nesses cristais, de microcirculao sangunea. Isso quer dizer que eles so metabolicamente ati-vos, estruturas vivas. A calcificao no representa a morte da glndula, pelo contrrio, h um metabolismo intenso nessas estruturas que so diamagnticas. Fizemos um estudo analisando a estrutura interna desses cristais, a substncia da qual so feitos - a apatita - utilizando, para isso, a difrao de raios-X. Constatamos no s que so cristais, pelos picos que formam a partir da difrao, mas tambm que tm propriedades diamagnticas, repe-lem fracamente o campo magntico.

    Numa linguagem simples, podemos dizer que como se a onda batesse num cristal e fosse rico-chetada para outro, desse para outro, e assim sucessivamente. Desse modo, o campo magntico sequestrado pela glndula. Quanto mais cristais a pessoa apresenta na glndula, maior a capacidade de captar esse campo magntico, e isso caracterizaria o fenmeno medinico propriamente dito, o que vem da dimen-so espiritual, dos universos paralelos, fenmeno de incorporao, e assim tambm o de telepa-tia, que seria a comunicao que vem da nossa dimenso, das pessoas que esto encarnadas. Ela captaria determinados planos do mundo espiritual que estariam em sintonia ou ressonncia com o tipo de onda que a pessoa produz ou elege para seu prprio clima mental. Dessa forma, a pineal funcionaria como uma caixa de ressonncia das ondas mentais, seria capaz de intermediar o fenmeno medinico. Em nossa hiptese de trabalho, portanto, a glndula pineal o rgo sensorial da mediunidade. Tal como um telefone celular, capta as ondas do espectro eletromagntico que vm da dimenso espiritual. O lobo frontal o substrato cortical do juzo crtico da mensagem, auxiliado pelas de-mais reas enceflicas. Tpico 5 Cristais de apatita Temos entendido que, quando h cristais de apatita h uma captura do campo magntico, prprio dos fenmenos de estados de transe como a psicofonia, a psicografia, ou os transes de posses-so.

    Se a pessoa no apresenta esses cristais de apatita, em quantidade suficiente para se tor-narem radiopacos na tomografia, tenho en-tendido que so pessoas cujo contato com a espiritualidade se d por desdobramento, ou a chamada mediunidade anmica. Quer dizer, a pessoa se desloca do corpo e esse desloca-mento provoca um contato com a espirituali-dade, mais direto, de esprito a esprito.

    J num fenmeno medinico propriamente dito, como prprio dos que tm bastante cristal de apatita, a comunicao se d por sequestro do campo magntico e como se a entidade comuni-

  • cante se aproveitasse do aparelho medinico da pessoa para traduzir a sua comunicao, para ex-pressar-se. Qual a importncia de se discriminar entre esses dois padres de fenmenos? porque, clinicamente, os sintomas de um caso e de outro so diferentes. Vou detalhar o que observamos, porque pode ser que isso seja objeto de pesquisa por parte daqueles que queiram dar continuidade a essas ideias, na busca da verdade. Temos observado que a pessoa que possui desdobramento, apresenta algumas caractersticas cu-riosas, como por exemplo, distrbios do sono, estados de sonambulismo ou variantes, tais como, terror noturno, contraturas musculares e agitao, durante o sono, como o bruxismo. Fenmenos durante o sono so comuns nas pessoas que tm desdobramento. Estas tambm costumam refe-rir-se, muitas vezes, ansiedade e, s vezes, at fobia. A pessoa entra em desdobramento e no tem conscincia do que est acontecendo; capta elemen-tos do mundo espiritual e tambm subconscientes, em quantidade, de modo que no compreende o que est acontecendo. Ento h uma afetao, uma sobrecarga de senso percepo, isso levaria a um estado de hiperestesia ou de ansiedade, e, por estar lidando com sensaes desconhecidas, fobia. Inclusive uma fobia inexplicvel que a pessoa acaba projetando para alguma coisa mais concreta que ela possa explicar: medo de elevador, medo de inseto, medo de avio... na verdade ela est dando uma justificativa mais concreta, mais visvel para ela de um universo de fenme-nos que esto ocorrendo por uma hipercaptao, porque o estado de desdobramento provoca um alargamento da senso percepo. Esse tipo de estado prprio dos iogues. Eles entram em desdobramento, tm uma percepo mais alargada do ambiente, s que isso de forma consciente e disciplinada, e tambm aumen-tam a capacidade de entrar dentro de si.

    Imaginemos uma pessoa, que tem esse desdo-bramento, mas no sabe o que est acontecen-do, ela tem um alargamento da senso percep-o, mas no sabe o que vai buscar. No h uma objetividade, o campo fica aberto para a captao de elementos do universo, do espao espiritual, e tambm do seu subconsciente, mas no tem objetivo, fica, ento merc do que vier, do que for captado. Desse modo, a pessoa fica com uma sobrecarga de estmulos e levada ansiedade, fica aterrorizada por um medo de no se sabe o que, e fica com uma autocrtica muito intensa porque mergu-lha dentro de si sem objetividade, absorvendo coisas de dentro de si que muitas vezes no in-teressam mais, j so elementos do passado ou coisas assim.

    Isso provoca na pessoa um desgaste imenso, e ela costuma ter quedas de energia. Ela oscila, en-to, entre a ansiedade e a depresso, a fobia e a depresso; h queda de energia e se voc for pes-quisar elementos no psiquismo da pessoa, voc no encontra consistncia no psicodiagnstico que justifique a dimenso dos sintomas. Jung chamava isso de acausalidade, a pessoa apresenta um volume de sintomas desproporcional quilo que voc observa no seu psiquismo. A pessoa que tem desdobramento (EFC experincias fora do corpo - ou OBE out of body experiencies), precisa ter objetivos de vida muito claros para que a sua senso percepo seja diri-gida para a conquista deles, de forma que o gasto de energia seja compensado pela atividade construtiva, inclusive no mergulho dentro de si mesma. Dessa forma, a pessoa no fica perdendo tempo com indagaes internas que no tem sentido, apenas a desgastam.

  • Tenho observado tambm, que essas pessoas que tm desdobramento, apresentam fenmenos orgnicos colinrgicos, ou seja, incremento da atividade do aparelho digestivo e diminuio da presso arterial. Curiosamente, os mdiuns de ectoplasmia, que produzem energia de cura ou materializao, so de desdobramento tambm. Parece que o desdobramento, talvez por ter um incremento de ativi-dade sensorial, provoca na pessoa uma grande profuso de produo de ectoplasma. Ento o m-dium de desdobramento bom mdium de materializao e cura.

    Andr Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, relata exatamente esse fato, que os mdiuns de materializao tm um incremento do peristal-tismo , da produo cloridropptica do apare-lho digestivo que uma funo colinrgica. Parece que a observao clnica, est de acor-do com essa observao.

    Este tipo de mediunidade, portanto, nem sempre se manifesta de forma fenomnica. Muitas ve-zes, a pessoa tem muitos sintomas psicolgicos, tais como depresso, fobia, ansiedade, ou org-nicos, como digestivos e outros, que exigem da pessoa o desenvolvimento medinico, ou seja, o conhecimento de seus padres sensoriais para que possa dominar e usufruir isso de forma cons-trutiva.

    Resultados parciais de nossas pesquisas tem demonstrado que a pessoa que apresenta os cristais de apatita em grande quantidade, nor-malmente, so mdiuns, tm alteraes do es-tado de transe, apresentam fenmenos orgni-cos e psquicos um pouco mais diferenciados. H uma ativao adrenrgica, a pessoa sente taquicardia (acelerao cardaca), uma dimi-nuio do funcionamento do aparelho digesti-vo, aumento do fluxo renal e tambm do fluxo sanguneo da cabea e diminuio da circula-o perifrica.

  • Assim, a interferncia espiritual no aparelho medinico provoca fenme-nos adrenrgicos e a pessoa, muitas vezes, pode ter uma perda de controle de determinados comportamentos. Quais deles? Comportamentos psicobiolgicos ou orgnicos: a fome, a sexualidade, o sono, a agressividade. Neste ltimo, distinguimos a autoa-gressividade, que a depresso e a fobia, e a heteroagressividade que a irritabilidade e a violncia. So com-portamentos que esto situados no hipotlamo.

    A pessoa capta pela pineal a onda do espectro magntico, prprio da comunicao medinica e muitas vezes no tem conscincia disso; pode ser um fenmeno inconsciente. E essa captao, vai amplificar os fenmenos que ocorrem nesta outra rea do crebro que o hipotlamo: a fo-me, a sexualidade, a agressividade e o sono. A pessoa que recebe uma influncia espiritual, pode, portanto, ter uma alterao e uma perda de controle cclica desses comportamentos, ou da fome, como as bulimias, a obesidade, as anorexias ou do sono, com os diversos padres de transtorno do sono, ou da sexualidade e a ns diramos, a dificuldade de formar vnculos, ou a agressividade, a autoagressividade, a depresso, fobias, que so formas autoagressivas ou heteroagressividade, a irritabilidade. A pessoa perde o controle desses comportamentos. Ela afirma que no consegue controlar suas tendncias no que diz respeito a um ou mais desses comportamentos, por exemplo, a irritabilida-de, ela desproporcional ao estmulo. Assim, tem fome, sem precisar de se alimentar, grandes dificuldades de formao de vnculos nos relacionamentos referentes sexualidade e o sono, a pessoa no consegue ter um sono reparador, repousante, tem dificuldades nesse sentido. Alm disso, h o aumento, o incremento do sistema nervoso autnomo adrenrgico que predis-pe a pessoa a doenas. Se h um aumento do fluxo renal, predispe formao de pedras no rim porque h um aumento do fluxo sem a correspondente ingesto hdrica. Ento h uma ten-dncia de formar pedras, diminui o peristaltismo no aparelho digestivo que tambm favoreceria a formao de pedras na vescula. O aumento do fluxo sanguneo da cabea favorece os diversos distrbios, as cefaleias, as enxa-quecas. H tambm um aumento da frequncia cardaca que pode levar a arritmias cardacas, aumento da presso arterial sistlica (hipertenso), ento esses estmulos do impacto medinico, uma vez sem controle e de forma destrutiva, podem levar a padres de alteraes orgnicas. A interferncia espiritual, por se dar num rgo cerebral, vai ter impactos sobre o organismo, e, se h uma alterao do psiquismo, vai se dar nos comportamentos psicobiolgicos. No h sentido, portanto, em perguntar se um problema espiritual ou orgnico? Na verdade, toda influncia espiritual atinge o organismo, produzindo alteraes no sistema nervoso autno-mo, como acabamos de relatar. Assim sendo, h uma conjugao de elementos. A pessoa pode ter a mediunidade, at ostensiva, mas no ter clarividncia, nem clariaudincia, no ter nenhum desses fenmenos paranormais, pois tudo isso pode estar vertido para um outro sintoma. Pode haver alteraes psiquitricas, au-tonmicas, orgnicas, hormonais, porque se mexe com o hipotlamo, uma estrutura responsvel pela regulao hormonal.

  • A fenomenologia medinica rica de clnica, vamos dizer assim, e nem sempre se manifesta na forma de fenmenos paranormais. muito provvel que voc at tenha se localizado num desses sintomas. Vale a pena estudar essa questo. Eu diria que esses achados da observao clnica, devem ser encarados muito mais como um campo de pesquisa a ser desvendado do que como alguma coisa j francamente estabelecida. So hipteses calcadas em cima de elementos concretos da observao clnica, mas a merecer uma investigao mais aprofundada sobre o assunto. Tpico 6 Fenmenos paranormais Temos observado que, nem sempre, a mediunidade manifesta-se na forma de fenmeno, ou seja, de estados de transe excepcionais, do tipo clarividncia ou clariaudincia, por exemplo. Na mai-or parte das vezes, sobretudo no nosso cotidiano, o fenmeno medinico manifesta-se na forma de sintoma. No dia-a-dia, o que temos observado nas pessoas so alteraes de comportamentos psicobiolgicos, associados a alteraes do estado de transe. Vamos tentar entender isso na ana-tomia do crebro. No fenmeno medinico, trabalhamos com a hiptese de que o rgo sensorial a glndula pi-neal. J dissemos que todo fenmeno de senso percepo, envolve um rgo sensorial que capta o estmulo e uma rea do crtex cerebral que processa a informao, tornando esse estmulo acessvel razo, ao autodomnio. Por exemplo, os olhos, como rgos sensoriais, captam a imagem e esta processada no crtex occipital, que a rea de percepo cortical.

    Assim tambm, no caso da pineal, ela captaria o estmulo medinico, atravs de ondas magnti-cas vindas do universo paralelo ou mundo espiritual, e esse estmulo seria enviado ao lobo fron-tal, que se incumbiria das conexes necessrias, a fim de que o indivduo assumisse o domnio sobre esse intercmbio, entre o seu universo mental e cerebral e o mundo espiritual. Mas no dessa forma que acontece, na maior parte das vezes. Por qu? Pelo seguinte: para que voc utilize o lobo frontal, usufrua de seus recursos, como elemento pro-cessador das captaes medinicas, vindas da pineal, voc precisa ter um treinamento, um de-senvolvimento de sua estrutura psquica. Assim sendo, o indivduo que desenvolve e alimenta dentro de si a transcendncia, a capacidade de amar, de tolerar, de resolver problemas, expande essas reas do lobo frontal. Sem essas quali-dades psicolgicas, no h desenvolvimento dessa importante regio do seu crebro. Se no hou-ver interesse pela transcendncia, no h um processamento cognitivo da captao medinica. Ento o que acontece? Essa captao vai ser drenada para reas mais interiores do crebro, mais primitivas, como a do hipotlamo. Desse modo, o indivduo, fora do circuito da compreenso da sua capacidade de elaborar aquilo que absorve da Espiritualidade, no usa a percepo medini-ca, no se interessa em usufruir dos benefcios que ela pode oferecer. Como consequncia, toda a captao realizada pela pineal drenada para as estruturas adjacentes do crtex, mormente o hi-potlamo.

  • O que ocorre, ento? No hipotlamo temos a sede dos comportamentos psicobiolgicos, nele, es-to as reas da fome, da sexualidade, da agressividade e por ele transita o sistema reticular ativa-dor ascendente, responsvel pelo estado de sono e viglia. Assim, o fenmeno medinico pode trazer transtornos nessas reas. Ora veja, que coisa interessante! Esses comportamentos, que so inerentes a essa rea do cre-bro, o hipotlamo, fazem parte do que poderamos chamar de psicologia biolgica. No preciso aprender, j se nasce sabendo dormir e acordar, j se tem instinto sexual e de preservao da vi-da, onde a fome est includa. Do mesmo modo, j existem pulses agressivas, seja para a cora-gem, que seria uma elaborao positiva da agressividade, seja para a irritabilidade. Um beb fica irritvel, no mesmo? Os estados depressivo e fbico tambm so comuns, inclusive nos ani-mais, assim como os estados agressivos violentos. Podemos ter, portanto, a autoagressividade que todo um processo psquico de autoanulao, que se expressa pela depresso ou fobia, e a heteroagressividade que irritabilidade e violncia. Ento o que acontece? Se o indivduo no usa a sua capacidade de transcendncia, de fazer juzo de valor, de contatar esse universo paralelo que nos cerca, que a espiritualidade, ele fica com o lobo frontal paralisado. A captao da pineal , ento, dirigida para o hipotlamo, potencializan-do esses comportamentos. Que conceitos tiramos da? Que o fenmeno medinico nem sempre se manifesta na forma de fenmeno paranormal. Boa parte das vezes, se expressa na exacerba-o de sintomas. Como que isso se verifica? Da seguinte forma: ondas magnticas, que vm da influncia espiri-tual, so captadas pela pineal, como acontece no telefone celular, e essa energia jogada para o hipotlamo, circula nesse territrio, atuando nas reas responsveis por esses comportamentos psicobiolgicos, potencializando os seus efeitos. Com isso, o indivduo pode ter uma fome incr-vel, que no se justifica por suas necessidades metablicas, ou anorexia; alteraes do sono: mui-ta sonolncia ou ausncia dele; alteraes do estado de humor: torna-se irritvel, agressivo, de-pressivo, fbico ou at mesmo violento; ou ainda ter problemas na rea da sexualidade, sobretu-do a dificuldade para formar vnculos. Como essa interferncia externa, no vem de dentro do indivduo, apenas este estabelece a pr-disposio, a sintonia para receber aquela influncia, por similaridade ou ressonncia, emitindo uma funo de onda aliada a um padro de comportamento que, por sua vez, vai se sintonizar com as ondas do espectro eletromagntico vindas da espiritualidade de mesmo padro. Assim, o indivduo determina o padro de onda que recebe, o tipo de comunicao medinica que chega at ele. Uma vez, porm, que captada pela pineal, perde o controle da situao. Esta uma das caractersticas da fenomenologia medinica: o efeito superlativo sobre determinados aspectos que a pessoa focaliza dentro de si. H perda de controle. Por qu? Porque, naquele comportamento, est havendo a coparticipao da entidade espiritual, que o est influenciando. Assim, no seu modo de proceder no detm responsabilidade exclusiva. Tpico 7 O meu problema espiritual, psicolgico ou biolgico? Muitas vezes a pessoa pergunta: O meu problema espiritual, psicolgico ou biolgico? um problema mdico, que se deve tratar biologicamente? Para respondermos, preciso pensar no seguinte: a influncia espiritual uma funo de senso percepo, atinge o crebro, e vai ter, a partir da, influncias orgnicas, como os comportamentos psicobiolgicos, por exemplo. E essa a principal questo: no tem sentido dizer que o problema orgnico ou espiritual, porque os dois esto imbricados. Acompanhamos diversos casos de neurocirurgias de hipfise e constatamos que o indivduo tem um alargamento da capacidade de interatividade medinica aps a cirurgia. Ele comea a viver, ento, toda uma fenomenologia de estados de transe, bastante intensa, que chega aos domnios psiquitricos. Quando se mexe nos circuitos cerebrais, seja cirrgica ou quimicamente, como acontece no caso de drogas psicoativas, particularmente ativadoras da mediunidade, como a maconha, a cocana, o cido lisrgico, podemos interferir no crebro e alargar o campo medinico. Por qu? Porque a

  • interferncia espiritual vai ocorrer num substrato orgnico, aberto pela ingesto de substncias qumicas. Assim, mexer no orgnico, significa tambm mexer no medinico. Muitos pacientes usurios de cido lisrgico, de canabis, tm um alargamento do campo medi-nico, veem os umbrais da Terra e interagem com eles. As anotaes que fao desses relatos mos-tram que muitas dessas vises coincidem com as descries do Inferno de Dante, em A Divina Comdia. Isto faz parte do universo psicodlico do usurio de droga. Curiosamente, j o dissemos, o eminente psiquiatra tcheco, naturalizado americano, Stanislav Grof, um dos fundadores da psiquiatria transpessoal, participou, como voluntrio, de experin-cias feitas pelo laboratrio Sandoz, para testar o cido lisrgico, que havia sido descoberto por Alfred Hofman. Depois de passar por ela, relatou o mundo espiritual. Queremos reafirmar que desaconselhamos qualquer uso de drogas, estamos, simplesmente, foca-lizando o assunto do ponto de vista cientfico. Tanto assim que esses ensaios com drogas foram substitudos pelo prprio Grof, por exerccios respiratrios, que so indutores dos estados de transe e de outras tcnicas ligadas aos padres hipnticos. Mexe-se no crebro, seja cirrgica ou quimicamente, abre-se a mediunidade. Pode-se usar um medicamento e obter o efeito inverso. Se usarmos um neurolptico, por exem-plo, a impresso que d que dificulta o estado de transe, como se houvesse um fechamento da mediunidade, possibilitando ao indivduo centrar-se melhor. Como a mediunidade, no apenas uma funo orgnica, lida tambm com a orientao do uni-verso psquico, o estado emocional e a direo do pensamento que a pessoa imprime ao seu ro-teiro de vida vai interferir tambm naquilo que ela focaliza, que sintoniza em termos de relacio-namento medinico. A tomografia por emisso de psitrons comprova: o ato de pensar consome oxignio e glicose, ento, o pensamento, provoca, nas suas diversas tonalidades, o incremento da microcirculao cerebral, nas reas especficas, pertinentes quele modelo de pensamento. Assim, possvel constatar que, quando o indivduo se esfora para se lembrar de algo, na tomografia vai aparecer o incremento da microcirculao cerebral no territrio da memria. Do mesmo modo, quando o foco o raciocnio mais aguado vai haver o incremento da microcirculao em reas pr-frontais, se na viso, vai estimular o lobo occipital, e assim por diante. Vemos, dessa forma, que o psiquismo tambm interfere diretamente na dinmica cerebral. O padro dos pensamentos e das emoes recondiciona a qumica do crebro, como um medi-camento, da o valor de se trabalhar o psiquismo, a transformao do pensamento. Quando ns temos o reflexo de alguma situao em nossa vida, aquilo foi iniciado a partir de uma parte da estrutura de nosso pensamento que foi acionada pela vontade. Atravs desta, surge a ideia, esta plasmada, quimicamente, no crebro, possibilitando toda a gama de senso percepo e de atividade motora, com isso, transforma-se aquela ideia em ao e a ao produz reflexos. Nada nos acontece por acaso. Alis, este um dos paradigmas da psicanlise, que Freud traba-lhou muito tempo: tudo que nos ocorre surge a partir de uma vontade subconsciente. Por lgica dedutiva, podemos trabalhar com o inverso. Se estamos com uma consequncia nega-tiva envolvendo a nossa vida, possvel recondicionar a vontade para uma direo construtiva. Para isso, preciso plasmar ideias de equilbrio, que configurem a qumica do nosso crebro, de tal modo que se desenvolvam reas que nos levem a uma senso percepo e a uma motricidade que desencadeie o ato ou a ao que nos leva melhora. Santo Agostinho dizia: uma vez dado o consentimento da vontade, por ignorncia ou fraqueza, o mal est feito. O que ele estava querendo dizer? Que o indivduo alimenta a vontade e ela d o consentimento. O plasmar da ideia configura o crebro, este reage, e depois a pessoa no tem domnio sobre as consequncias. isso que ocorre no vcio. A pessoa vai reverberar o mesmo ato, porque no tem domnio sobre si mesma, entregou a vontade ao vcio, ela plasmou a ideia, configurou-a no crebro. Este, como est condicionado a acionar aquele padro de comportamento a todo estmulo indutor, foi pro-gramado para garantir o vcio, vai continuar fazendo o mesmo. por essa razo que o maior problema do vcio a falta do exerccio da vontade para se libertar dele. Isso anula todas as for-as da alma.

  • Vemos que a estrutura psquica tem larga influncia nesse universo sensorial que a mediunida-de. Curiosamente, quando estudamos o eletroencefalograma de mdiuns em transe, constatamos que a eletricidade cerebral se modifica quando h interferncia espiritual.

    O eminente psicanalista Carl Gustav Jung quando descreve a acausalidade, afirma que o indivduo apresenta um sintoma, cuja dimen-so no se justifica por aquilo que se analisa no seu psiquismo. Nesses casos, os testes psi-colgicos e o psicodiagnstico, no explicam toda a amplitude de sintomas que a pessoa est sofrendo. Esse fenmeno da acausalidade uma das caractersticas da interferncia espiri-tual.

    Tpico 8 Estados de transe e possesso por espritos Estados de transe e possesso por espritos so diagnsticos mdicos, conforme o Cdigo Inter-nacional de Doenas (CID 10), no item F44.3. Nele, vemos que o estado de transe considerado doena, quando acontece involuntariamente, de forma que a pessoa no tem domnio sobre ele. J quando a pessoa participa de atividades religiosas em que esses estados de transe so coorde-nados, vamos dizer assim, voluntrios, ento isso no configura doena. Importante essa colocao do Cdigo Internacional de Doenas, porque h obras de autores fran-ceses que disseminam a falsa ideia da existncia de uma paranoia esprita. Afirmam que toda a vivncia esprita, compreendendo-se nela, a prtica, o estudo e a crena na questo espiritual, se-ria uma paranoia, configuraria um estado de alucinao. Isso demonstra uma grande ignorncia no que diz respeito ao que representa senso percepo e diagnstico em psiquiatria. So obras de fundamentao equivocada, que trazem uma ideia com-pletamente desatualizada daquilo que a medicina vem alcanando no entendimento dessas ques-tes. Curiosamente, h pacientes que trazem sintomas ao consultrio que muitas vezes se confundem com crises epilticas. Quando se presencia uma delas, observa-se que no exatamente uma cri-se epiltica, no se configura como tal, o que se tem so traos de aspectos conversivos. Andr Luiz, em uma de suas obras psicografadas por Chico Xavier, tem um termo que talvez de-fina com bastante propriedade esse quadro: alteraes histeroepileptiformes. Nesses casos, o pa-ciente tem uma crise semelhante convulsiva, mas, quando avaliada do ponto de vista neurol-gico, apresenta um aspecto conversivo. Na alterao histeroepileptiforme h uma sntese de dois conceitos: a converso histrica, que foi muito bem estudada por Charcot, na Salpetrire, e as crises epilpticas. No nem uma coisa, nem outra, mas um estado alterado de conscincia que leva perda de controle das funes mo-toras e ao aparecimento, no eletroencefalograma, de um padro de onda denominado onda fan-tasma, o que no configura exatamente uma anormalidade. D-se um alentecimento de ondas nos lobos frontal e pr-frontal, o que no justifica a proporo da crise pela qual a pessoa passa. Nos nossos experimentos em eletroencefalografia e mapeamento cerebral de mdiuns em transe psicofnico, ocorre a mesma alterao com o alentecimento de ondas ao eletroencefalograma do lobo frontal e pr-frontal. Curiosamente, esse alentecimento acontece nos estados de sonolncia, no momento em que o indivduo vai dormir, perder a sua capacidade de expresso.

  • No entanto, o mdium em transe, tem ondas mais lentas no lobo frontal e pr-frontal, de forma semelhante ao que ocorre nos estados de sonolncia, s que, inversamente, ele tem uma hiperca-pacitao de expresso, fala coisas alm da sua capacidade, com grande traquejo de linguagem, s vezes com alterao, inclusive, do padro de personalidade ou de comportamento, num mo-vimento intenso, muitas vezes at muscular, e, no entanto, ele no est dormindo. Tudo indica que a fenomenologia do sono alberga, em sua estrutura, a fenomenologia medinica. A medicina vem estudando particularmente essas questes. Ns temos duas fases do sono muito curiosas: a fase hipnaggica e a fase hipnopmpica. Por uma questo de facilidade pedaggica, vou chamar as duas fases de hipnaggica, porque o termo traduz muito bem o que desejo explicar. A pessoa, naquela fase em que est em trnsito para dormir, nem acordada, nem dormindo, pode comear a alucinar. a fase hipnaggica. Nesse estado, pode ter vises, ideias, pensamentos, que sejam, inclusive, alheios ao seu universo imaginrio, mas isso no chamado de alucinao, pois ocorre durante a fase hipnaggica do sono, e conhecido como pseudoalucinao. Parece, portanto, que os aspectos fenomnicos da mediunidade so parecidos com essa fase hipnaggica, configurando uma pseudo ou falsa alucinao. Na alucinao verdadeira, h falta de coerncia lgica. Na pseudoalucinao, que ocorre na fe-nomenologia medinica, existe essa coerncia lgica e, muitas vezes, a imagens, palavras ou fra-seado que vm so de coisas desconhecidas da pessoa ou at contrariam as suas prprias ideias. O paciente, muitas vezes, diz assim: Doutor, como se eu ouvisse algum me sugerindo matar, me matar, ou fazer tal ou qual coisa, e eu luto contra essas vozes que me falam isso. E muitas vezes, o paciente relata, com riqueza de detalhes, o universo do discurso que chega sua mente. De um outro lado, existem pessoas que dizem: Ouvi uma voz que me disse, faa desse jeito ou de outro e ento eu fiz, exerci aquele ato de acordo com a induo daquela voz e percebi que fui levado a uma situao muito positiva a que eu no imaginava chegar, ou fui salvo de tal ou qual contexto. Nesse caso, uma voz que expressa algo coerente com o que aconteceu. possvel que voc ou algum de seu relacionamento j tenha passado por isso. Uma voz ou uma ideia interna que no veio de voc, pode salv-lo ou induzi-lo a uma determinada situao, ou outra coisa. Isso do senso comum das pessoas e diferente de alucinao. Temos tambm a fase em que a pessoa dorme, e ao acordar, no mesmo estado intermedirio en-tre o sono e a viglia, passa por uma fase hipnaggica. E pode ter tambm um estado semelhante aos estados de transe. Particularmente, temos encontrado relatos de um tipo de transe que chamado de desdobramen-to, mais conhecido como experincia fora do corpo (EFC). A pessoa, ao despertar, muitas vezes, relata que est acordada, quer levantar, gritar, falar, mas no consegue movimentar o corpo. Est consciente da situao, mas ainda no est plenamente no estado de viglia, no assumiu o comando das funes estreo-espaciais do seu corpo, mas j est acordada, lcida. Este o estado hipnaggico. Nesse estado, a pessoa sente-se um tanto quanto desesperada, porque pode perdurar algum tempo e psicologicamente impactante. Esses dados eletroencefalogrficos que demonstram uma alterao, mas que no justificam a di-menso dos sintomas da pessoa, normalmente so resultados interessantes para serem estudados do ponto de vista da fenomenologia medinica. Tpico 9 Tlamo Mas h tambm outras reas do crebro, importantes no processo medinico, como o tlamo. Nesta rea chegam todos os estmulos sensoriais exceto o olfato, que tem uma outra circuitaria e motivo de uma outra conversa. Os nossos rgos do sentido levam informaes ao tlamo, e este as envia para a crtex, atravs da via cortio-talmica. Uma vez enviada a informao para a superfcie, isto para a crtex, o indivduo assume conscincia daquilo que ele absorveu. Se isso no se der, ele capta o estmulo sensorial, mas no tem conscincia do que est acontecendo. Em tese, os estmulos sensoriais, vindos ou captados pela pineal, so necessariamente dirigidos para o tlamo e nele ficam arquivados. Qual a concluso disso? Que no temos conscincia da maior parte de toda a captao que nos chega do mundo espiritual, do universo paralelo. As in-

  • formaes chegam ao tlamo e ficam ali, principalmente se no existe interesse da pessoa de resgatar esses estmulos armazenados. A falta de treinamento leva no percepo da situao. Para entender melhor, imaginemos a seguinte situao: voc vai assistir ao concerto de uma or-questra, junto com um amigo seu que msico. Ao final, ele lamenta que o som do violino esti-vesse desafinado, e voc responde: Nossa! Eu ouvi o mesmo violino, achei lindo; no percebi nenhuma desafinao. Os dois ouviram o mesmo violino, s que aquele que era msico aprendeu a extrair todos os detalhes da sonoridade, recolheu, ali, do tlamo, e trouxe para o crtex cere-bral. Conseguiu fazer isso porque se educou para tal. Como, de maneira geral, a nossa sociedade destituda do trato com a mediunidade, tem pouca experincia na rea da espiritualidade, no consegue perceber, praticamente, nada do que se pas-sa nela. Ns no desenvolvemos reas do crebro de percepo espiritual. Esta situao diferente em certas comunidades, como por exemplo, na ndia, ou entre tribos africanas e indgenas, em que essa ligao com o espiritual j vem da infncia, ocorrendo, assim, um maior desenvolvimento da percepo desse universo. A falta da abordagem desse assunto pela nossa sociedade, a ausncia desse tipo de educao, le-va ao mnimo desenvolvimento da nossa capacidade de ligao com o plano espiritual. No h coerncia, a cincia fala uma coisa, a religio outra. Da a grande importncia de estabelecermos atravs de recursos pedaggicos, uma ligao entre cincia e espiritualidade, para que as nossas crianas, quem sabe os nossos netos, possam ter na escola uma formao em que tanto o espiritual quanto o cientfico, tenham uma linha de racioc-nio coerente.

  • Se a criana for educada, aberta recepo dos estmulos espirituais, vai, naturalmente, conse-guir a mielinizao das vias nervosas, o caminho para o amadurecimento das reas corticais de percepo. Assim, pois, a pineal capta o estmulo, manda para o tlamo, este arquiva, e voc pode ou no acessar a informao. Se voc no acessar - a maior parte delas ns no acessamos mesmo - en-to aquilo ali vai se espraiar para outras reas. Ora, o que est nas proximidades do tlamo? O Sistema lmbico, por exemplo. Neste, est a rea das emoes. O indivduo recebe um estmulo, atravs da pineal, desta drenado para o tlamo, deste parte para as reas do sistema lmbico. Temos, assim, uma influncia do nosso universo emocional, sem que a gente saiba de onde veio. comum recebermos pessoas que dizem o seguinte: "eu choro, e no sei porque eu choro", ou, "eu tenho uma angstia no peito e no sei de onde vem", "tenho uma saudade e no sei de que". Ou, ento, a pessoa tem alteraes, flutuaes emocionais injustificveis. Fala-se na pessoa que de lua, que altera muito as emoes e no se sabe qual a razo. Ou, en-to, pode-se dar que voc tenha um sentimento por uma pessoa e daqui a pouco no tenha mais e isto pode continuar se alternando. O que est acontecendo, nesse caso? Est havendo uma inter-ceptao no seu universo emocional, confundindo as emoes. Isto difcil, porque a confuso do raciocnio, at a gente consegue driblar, mas a das emoes uma coisa mais complicada, no ? Nem sempre aquilo que a cabea pensa, o corao sente. s vezes voc queria sentir alguma coisa, mas aquele corao no responde quilo que voc deseja, ele fala diferente. Ento, a cabea manda, mas o corao desmanda, no assim que funciona? A coordenao das emoes est muito fora dos domnios da humanidade presente. Ns no ti-vemos em nossas escolas nenhuma disciplina, para nos ensinar, por exemplo, como lidar com as emoes no namoro, no lar, entre amigos. Como trabalhar com o sentimento de apego, de afeto. Tivemos aulas de fsica, matemtica, histria, geografia, mas ningum aprendeu a se instrumen-talizar para a emoo. No se discutiu esse assunto. Desse modo, a nossa sociedade forma adul-tos infantis. Diz-se que nossas neuroses so crianas que dormem dentro de ns. Crianas, que dormem, que gritam, que choram. Ento, os nossos grandes problemas so de enfoque emocional, os mesmos da infncia que en-frentamos at hoje na vida adulta e s vezes desencarnamos com as mesmas neuroses sem resol-v-las. E por qu?

  • H falta do desenvolvimento emocional desde criana. Tendo em vista as pesquisas de psiquis-mo fetal, eu diria, desde a vida intrauterina. Ento, a falta de amadurecimento emocional leva ausncia de domnio sobre si mesmo. Ora, se a interferncia medinica, vinda pela pineal, chega ao tlamo e se desloca para o sistema lmbico, a rea emocional, que j um territrio sobre o qual ns no temos domnio, o que acontece? Como dizemos aqui no Brasil: vira um balaio de gato. Tpico 10 Alteraes emocionais do nosso cotidiano De tudo isso, fica claro para ns que a questo da fenomenologia medinica se envolve profun-damente com as alteraes emocionais do nosso cotidiano. Poderamos dizer que estudar a me-diunidade no apenas procurar conhecer mais sobre fenmenos paranormais, mas, principal-mente, vivenciar mais o cotidiano, compreender melhor a dinmica equilibrada do nosso com-portamento, seja o emocional, sejam os bsicos, de autodomnio. Dessa forma, aprender a equili-brar a sexualidade, o sono, a alimentao, as pulses agressivas, transformando estas, por exem-plo, em pulses de coragem, de fora de vida, o que exigiria o uso do lobo frontal, porque so-mente este geraria um domnio positivo sobre as reas mais primitivas. Em sntese, o fenmeno medinico compreende: a captao pela pineal, o arquivamento dessas informaes no tlamo (inconsciente), a potencializao dos comportamentos hipotalmicos, a influncia no sistema lmbico, nas emoes, e a necessidade de domnio na nossa capacidade de decidir, de pensar, a partir do lobo frontal. Temos, a, a dinmica neurofisiolgica do fenmeno medinico. O que curioso que a maior parte de todas essas questes ocorre de forma subconsciente. No nos apercebemos desses domnios. E fica at difcil estudar algo do qual no nos apercebemos, mas se no o fizermos, no despertaremos a conscincia para a importncia dessa questo. Diz-se o seguinte: necessrio crer para ver. O cientista vai buscar o resultado de uma experin-cia, porque acredita que exista, ali, determinada molcula. Ele vai atrs dela, busca localiz-la, faz isso porque acreditou nela, teve interesse. Da mesma forma, para que ns possamos desenvolver a capacidade de percepo espiritual e dominar esse contexto a benefcio do bem e da vida, precisamos primeiro estudar a melhor ma-neira de despertar a nossa mente, para melhor perceber e a partir da, descortinar a realidade. H um fator determinante, que ns temos de considerar, nosso crebro no apenas formado por neurnios, tem tambm um extenso sistema microvascular, que to desenvolvido e intenso, quanto a rede de neurnios. Afinal de contas, estes dependem da microcirculao que lhes aporta oxignio e glicose para a sua sobrevivncia. Os hormnios, os fatores trfico-neuronais chegam tambm pelo sistema microcirculatrio, que formado a partir do sistema cardiovascular. Ento ns temos que os primeiros vinte dias aps a fecundao, num desenvolvimento embrion-rio, vamos ter uma rea no embrio que um campo morfogentico do sistema cardiovascular. Desse campo morfogentico, brotam os vasos sanguneos que vo permitir que os neurnios se desenvolvam. Na evoluo das espcies, houve o aparecimento do sistema carotdeo, que deu origem artria cerebral anterior. Com isso, foi possvel o desenvolvimento de todo o territrio cerebral do lobo frontal e pr-frontal. Sem ela, no haveria essa parte mais superior do crebro. Assim tambm, sem a artria cerebral posterior, irrigando as reas posteriores do crebro, e a artria cerebral m-dia, a poro dienceflica, no existiriam as reas prprias dos comportamentos subconscientes. Usando uma fora de expresso, o campo morfogentico cardaco, na verdade, forma o leito, o campo, onde se desenvolve o crebro. Deduz-se da que o crebro est previsto no corao.

  • Curiosamente, vinte um dias depois da fecundao, o corao est formado e batendo, na posio mais ceflica, a cabea do embrio o corao, depois que ele desce e se acesta na regio tor-cica, mas num estgio inicial a posio mais ceflica. Que concluso tiramos da, do ponto de vista neuropsicolgico? Que no existe raciocnio sem emoo. Ns tivemos duas grandes escolas de estudo psicopedaggico, a de Piaget e a de Wallon. Segun-do Piaget, preciso desenvolver a inteligncia para que haja desenvolvimento da emoo; j Wallon afirmava que so emoes e sentimentos que ensejam a possibilidade de desenvolvimen-to da inteligncia. Obviamente, h um feedback de controle, regulao e equilbrio desses sistemas, no entanto, concordamos que a base a emoo. por isso que todo mecanismo de aprendizado deve come-ar por um trabalho de equilbrio da emoo, a h uma potencializao da inteligncia. Depreende-se, desse fato, que o desenvolvimento da nossa capacidade de percepo pode orien-tar caminhos do nosso prprio aperfeioamento existencial. A descoberta do esprito a partir de uma amplificao da nossa capacidade de pensar, de compreender, leva ao desenvolvimento da nossa capacidade emocional. Ento, quando voc tem um discurso como o de Jesus Cristo, resgatando dos talmudes judaicos a essncia da base dos comportamentos humanos, agregados ou filiados capacidade de amar que o refinamento da emoo, ele estava trazendo a base que nos permitiria o desenvolvimento da capacidade de transcender. Enfim, nenhum elemento da circuitaria medinica funciona de forma a nos levar transcendn-cia, se o corao no estiver batendo, filiado fora do amor. O desenvolvimento medinico de-pende sim do nosso interesse pelo estudo, mas sobretudo em desenvolvermos a capacidade de amar. Tpico 11 Destinos humanos

  • No possvel compreender qualquer coisa, no que diz respeito aos destinos humanos, se no formos capazes de amar. Sem amor, no h irrigao sangunea. E at diria, no h a construo da prpria identidade do indivduo. Porque ns nos identificamos pelo corao. Eu estou aqui, no pelo crebro. uma sensao bi-oenergtica, de forma que, ao estudar a circuitaria nervosa que constri um instrumento de trans-cendncia, ou seja, os instrumentos cerebrais da mediunidade, jamais poderemos esquecer que o corao tem a base da participao de qualquer zona, ou qualquer territrio cerebral que funciona como sensrio da mediunidade. Esse sistema forma uma gangorra: o corao e o crebro: um tem comando sobre o outro e vice-versa. No h uma hierarquia de domnio e eixo o entre os dois, o Esprito. Ns trabalhamos com a hiptese de que o Esprito sobrevive e mantm a sua identidade aps a morte do corpo biolgico. uma heresia cientfica? No, porque a cincia nunca provou, em quatrocentos anos, depois de Ren Descartes, que a pessoa seja o seu corpo. Nunca foi provado isso, pelo contrrio. A partir dos argumentos do Teorema de Gdel, Roger Penrose utiliza, como fora de argumento, o fato de o crebro ser comparvel a um grande computador: ele jamais seria capaz de ser dotado de autossuficincia. Para o seu funcionamento, h a necessidade de um programador e este tem que vir de fora, de um outro sistema, chamado de metassistema. O nosso crebro um computador, mas a programao dele tem de vir de um programador, de fora, de um metassistema. So as concluses a que inmeros neurocientistas vm chegando. Assim, falar de cincia e espiritualidade no a tentativa pattica de alinhar dois universos dis-tantes, mas muito pelo contrrio, ao entender a espiritualidade de acordo com os argumentos da cincia que ns vamos entender de forma mais congruente o funcionamento do nosso organis-mo, do nosso comportamento e de nossas relaes. Se a matemtica criou o nmero imaginrio - i2 - para resolver a radiciao negativa, por que no podemos dizer para a Cincia que existe a hiptese de que a pessoa seja o esprito? Vamos pesquisar de acordo com essa hiptese, porque o argumento interessante. Se ela for verdadeira, vai explicar inmeros fenmenos humanos que hoje so inexplicveis... Diramos at que o sistema judicirio est na frente. Ora veja, nascem gmeos univitelinos, por-tanto clones humanos, a gentica idntica de um e de outro, corpos idnticos e conferido a cada um, uma personalidade jurdica diferente, um CIC e um RG diferente. Se os corpos so idnticos, onde est a diferena? Ento o Estado considera a pessoa como sendo o esprito. Para concluir essa questo, posso ao menos pensar que tudo que foi colocado ao longo desse cur-so material interessante para ser pesquisado, janelas que podem ser abertas para novos horizon-tes, para que possamos resolver, quem sabe, os problemas mais prementes da nossa humanidade. Fica aqui o convite de integrao entre Cincia e Espiritualidade, lembrando a importncia do amor, como o que configura a base tica do que deveria ser a nossa Cincia. FIM