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BOLETIM INFORMATIVO DA AFAGO - ASSOCI- AÇÃO DOS …Palavras do Vice-Presidente No mês de outubro, precisamente, no dia 15, homenageam-se os professores. AAfago respeita e homenagea

May 25, 2020

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  • Editorial

    BOLETIM INFORMATIVO DA AFAGO - ASSOCI-AÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DA GOUVEIA -

    ANO III N° 05 - SETEMBRO OUTUBRO 2010

    Palavras do Vice-PresidenteNo mês de outubro, precisamente, no dia 15, homenageam-se os professores.A Afago respeita e homenagea a classe, mesmo porque, muitosde seus associados exercem ou exerceram esta nobreprofissão. Mas, o faz através dos estudantes, os bonsestudantes, que são resultado do trabalho do professor.Assim, nesta edição do Boletim Informativo, publica-se aprodução literária de estudantes selecionados na Olimpíadade Língua Portuguesa, das escolas públicas, de Gouveia. Sãoquatro jovens autores, selecionados nas categorias: Crônica,Memórias, Poemas e Artigos de Opinião. Destaca-se, pelotema abordado, o trabalho de Vinicius Hilário sob o título:Adeus Gouveia ... voltarei um dia! O autor, compropriedade, aborda a questão dos migrantes de Gouveiaque deixam a família, os amigos e a terra natal em busca deoportunidades que não encontram em Gouveia. Choram,trincam os dentes e quase que heroicamente, prosseguem. Otema já foi abordado, em artigos publicados neste boletiminformativo, mas agora é a voz do jovem que está sentindo,na pele, o momento e a dor da partida. É importante que aselites: intelectual e empresarial, de Gouveia, se esforcem nosentido de solucionar o problema. Sabe-se que, no regimecapitalista, a finalidade precípua do empreendedor é o lucro,é o retorno do seu investimento. Então, a solução, a serencontrada, tem que satisfazer à condição de sustentabilidade.Nesta mesma edição, publica-se entrevista sob o tituloMeninos de Camilinho realizada por Raimundo Nonato,numa conversa amistosa com estudantes da Escola Municipal“João Baiano” vitoriosos na primeira etapa das Olimpíadasdas Escolas Públicas. Neste trabalho em que se registraminformações e opiniões dos estudantes o entrevistador fazcomentários sobre a necessidade de se oferecer aosestudantes da zona rural as mesmas condições disponíveisaos estudantes da zona urbana.Ainda, sob a égide da educação, a seção Utilidades eInutilidades traz o caso da professora acusada de bater emcriança. Quando intimada, na delegacia, assumiu que empurroua criança e, então, é advertida pelo delegado dizendo que elanão podia assumir a culpa. Pergunta-se como fica a situaçãoquando um professor, com a responsabilidade de educar detransmitir à criança o respeito à verdade e, diante do poder

    repressor do estado, tem que mentir? No mínimo, é algopara se pensar.Aborda-se, agora, o saber popular: por que a estória deCipriano o capador? Por que as benzeções? Por que nãopode urinar no fogo? E as crenças e orações dosmineradores? Muito desta cultura está sendo explicadopelo sociólogo José Moreira de Souza. E isto é apenas oprincipio.A Afago usa dois veículos de comunicação: o BoletimInformativo e o sitio www.afagouveia.org.br para interagircom o associado em particular, e, com o gouveiano emgeral. Estes veículos se auxiliam mutuamente, portanto,faz-se aqui algum comentário sobre o sitio.Tem-se procurado divulgar Gouveia: as comunidades, aadministração, as entidades da sociedade civil, a cultura eos costumes. Criou-se também duas páginas de mensagensde retorno, com o objetivo de abrir ao internauta,associado ou não, a possibilidade de fazer críticas esugestões, como forma de orientar a manutenção do sitio,proporcionando, assim, melhorar a forma de servir. Tem-se inclusive usado uma técnica de provocação. Quandose publica matéria sobre Camilinho não há intuito dediferenciar a comunidade, é também, a provocação paraque Pedro Pereira, Engenho da Bilia ou outra comunidadereaja e envie, para publicação, a sua história, os seuscausos, as suas festas. Ainda sobre o sitio, quando a Afago,ou alguém da Afago realiza um determinado trabalho ele,normalmente, recebe cumprimentos que lhe são enviadosatravés de correios eletrônicos. Isto é muito bom, todosgostam de receber afago, mas, a menos que ele divulgue,ninguém mais fica sabendo. Pergunta-se por que nãocolocar a mensagem na página de retorno do sitio. Nestecaso matam-se dois coelhos: divulga a ação e parabenizao autor.Raimundo Nonato Miranda Chaves

  • Boletim Informativo da AFAGO página 2

    No dia 12 de novembro de 1910, nascia em Gouveiauma criança que recebeu na pia batismal o nome deFloripes Catarina. Veio ao mundo cercada pelossaberes da época, saberes da medicina popular. Uma

    parteira assistiu sua mãe, com velas e orações.Saudou o nascimento da menina e o comunicouincontinenti ao pai.

    Ninguém imaginava, naquele momento que vinha aomundo uma criança capaz de enfrentar todas assituações adversas. Com efeito, até os anos cinqüenta,nascer era uma aventura carregada de riscos. Emprimeiro lugar, a criança teria que vencer o “mal desete dias”, essa ameaça de tétano resultante daassepsia desconhecida pelas parteiras. Teria tambémde se deparar com os desafios da desnutrição e dos“miasmas” que varriam os ares e traziam doençasrespiratórias, febres de mau caráter, colerina, varíola,catapora, sarampo, coqueluche, caxumba, paralisia

    infantil, meningite e crupe. Não havia recurso médico para nenhumdesses males, a não ser o do saber popular; apenas a varíola contavacom a prática da vacina já empregada há mais de um século. Acriança deveria também estar livre dos “maus olhados”,

    manifestaçãoda invejas e m p r eameaçadora.O remédio erarezar, benzer econfiar emraízes, plantase, até mesmoexcrementos,como o“jasmim decachor ro” ,e s t r u m ebovino outitica degalinha. Nãob a s t a s s e mt a n t o sdesafios quetransformavamlindas criançasem anjinhos,no ano de1 9 1 8 ,Gouveia foivisitada pelafamosa e detriste memória“ G r i p eEspanhola”.Nos grandes

    centros urbanos, essa gripe foi um terror. Em Gouveia, foi maiscondescendente, mesmo assim deixou algumas famílias enlutadas.Não bastasse vencer tantas adversidades, os moradores estavamexpostos às picadas dos “bicudos”, os “tripanosoma cruzi”, osbarbeiros que sugavam o sangue inocente sem discriminar sexoou idade e inoculavam em sua corrente sanguínea uma bombarelógio. As cruzes ao longo das estradas denunciavam a açãodesses agentes maléficos.Uma súplica desesperada de uma mãe ficou na memória da família:- Estrela do Céu, Josino! Mais vale bosta de boi, São Sebastião!Esse comentário sintetiza três recursos do saber popular paravencer os males das pestes. A primeira lembrança é à “Estrela doCéu”, uma oração afixada na porta casa para ser rezadadiariamente, antes de qualquer pessoa ir de encontro aos perigos

    Homenagem

    Floripes e seu centenário

  • Boletim Informativo da AFAGO página 3

    da rua. Em seguida, lembra-se dos poderes profiláticoscontidos nos excrementos bovinos – a bosta de boi. Eramutilizados como defumadores domésticos para afastar osmiasmas malignos. Estrume era também componente doreboco das casas e misturado para caiar o assoalho dechão batido. Atualizava, em nosso meio, os hábitosmilenares de culto à vaca sagrada da Índia. Por último, ogrande advogado contra a peste, a fome e a guerra, oglorioso mártir São Sebastião.Na infância, Floripes pôde contar também com algunsrecursos modernos. Havia a farmácia de Joaquim Taioba,herdada posteriormente por Augusto Taioba, osentendidos, Juca Prudente, que residia na chácara do Lava-pés, e o famoso Luiz Ponciano de Souza – Lulu Ponciano.Essas pessoas mais instruídas socorriam as famílias emsituações para as quais o saber popular se tornavaimpotente. Fora isso, em casos limites, médicos diplomadossó em Diamantina, ou contar com a sorte de o doutor Telesde Menezes se encontrar em seu retiro na estação do Barãode Guaicuí. A epidemia da gripe trouxe para Gouveia ummédico de nome Zózimo Ramos Couto. Esse médicodiagnosticou corretamente que para os males que afetam

    a saúde, o principal remédio seria a emancipação política.Gouveia se tornar cidade. Pagou caro, foi expulso deGouveia.Vencer na vida para continuar vivendo, como se vê,dependia em primeiro lugar de um saber popularincorporado na casa. Saber benzer, conhecer as rezas forteseram os primeiros recursos. Em seguida, dominar o poderde raízes e ervas. Contar com a igreja e o padre comodetentores maiores de um saber mágico. Esse saber seexpressava nas procissões de cinzas na quarta feira apóso carnaval, no domingo de ramos, onde se recolhia a palhabenta, na procissão do Enterro, onde moedas eramtrocadas junto ao esquife do Senhor da Boa Morte, ervas,colocadas e retiradas para os chás, no pão de SantoAntônio, nas medalhas do Divino e do Rosário, ladainhasde Todos os Santos, terços cantados e, finalmente, nasfolhas de café que adornavam o andor de São Sebastião.

    Vivia-se num povoado sem água encanada e as casassem latrinas. Penico e bananeira eram vasos sanitários.Consequencia disso eram as verminoses. Não havia filtrose a água era buscada nos chafarizes – invenção modernaapós a República -, na fonte dos quartéis ou na de SantoAntônio.Por tudo isso, Floripes é uma vitoriosa. Veja, prezadoleitor, premiada pela herança genética, teve que encararum meio adverso. Risco de ser picada por cobras,

    escorpiões e aracnídeos, de apanhar cobreiro, de seacidentar no árduo trabalho de coletar lenha, lavar roupanos córregos, plantar roça, respirar diariamente a fuligemdos fogões a lenha.Para viver cem anos, submeteu-se às inúmeras benzeçõescontra quebranto, espinhela caída, vento virado, malolhado, cobreiros de toda espécie e carne quebrada. Issoela aprendeu e partilhou generosamente com as pessoasque buscaram seu auxílio. Seu irmão, Manuel da Cruz,foi mais longe. Aprendeu ritos avançados desse sabercurar, combatido pela medicina oficial e também pelosaber teológico.Floripes é filha de João Ferreira da Cruz e Maria Gomesda Silva (Mamona). Seus ancentrais paternos sãooriginários do arraial do Pouso Alto, posteriormente,Tijucal, hoje, Presidente Kubitschek. Vicente e FelicianoFerreira da Cruz compunham o destacamento de vigilânciados registros do Distrito de Diamantino – gente braba!Da parte de mãe, os Mamona eram procedentes doCamilinho/Mandaçaia, onde residiam os Moreira deSouza, os Oliveira Carvalho e os Gomes da Silva(entrevista realizada no dia 27 de agosto de 2010).Com a memória tão acesa, no dia 12 de novembro de2010, Gouveia festejará com missa solene e serestas ocentenário dessa vencedora, sábia abençoadora dascrianças, aconselhadora de esposas aflitas e mãesdesesperadas, guardiã de eternas recordações.

    José Moreira de Souza

  • Peixe fotografado por Ismar Antunes de Oliveira

    Boletim Informativo da AFAGO página 4

    Notícias

    ENTREGA DOS CERTIFICADOS EMVALORES HUMANOSTranscorreu com muito brilho e simplicidade a entregados Certificados em ValoresHumanos(Paz,Amor,Verdade,Retidão e Não-Violência) aos 54 professores da rêde municipal deensino,com duração de 06 meses.O local foi o salão

    paroquial da Matriz de Santo Antonio.Participou damesa nossa vereadora Luzia Trindade.Iniciou-se os trabalhos com Maisa do NascimentoDória,dando boas vindas e com agradecimentos atodos os facilitadores pela generosidade de umtrabalho voluntário feito com tanto amor e dedicaçãoem pról da nobre causa que é a formação do caráterde nossas crianças e jovens.São eles:AlexandrosMasralis,Monica Di Nunzio,Marcelo e Gizelli

    Sartuff,Paulo Augusto Porto,Geraldo Augusto Silva eJosé Carlos Finelli.O ponto alto foi a apresentação do Conservatório“Lobo de Mesquita”com crianças de 6 e jovens até

    14 anos.Com flautas e violões encantaram a todos,tendo a bonitapresença dos pais.Foram apresentadas peças infantis pelas criançase “Garota de Ipanema” pelos jovens.Harmoniozamente flautas e

    violões se juntaram e executaram “Cachoeira de SãoRoberto”.Ficou tão bonitoque todos os instrumentosse juntaram e foi repetidoagora com um coralmisto,do qual participei juntocom a bela voz de Francisco(Chico)Norroes e o jovemmaestro DavidCassimiro.Chico foi ocoordenador juntamentecom Jaqueline Miranda eLourdes Pinto,aos quaisa g r a d e c e m o s . B o n i t apresenças dasm a e s t r i n a s : E d e v a n iS e i x a s , P a t r i c i aAngélica(dirigiu as crianças

    com seu violão e uma beleza marcante e muita leveza).David esteao violão.Ainda tivemos as crianças do ballet da professoraFernanda Alvarenga.Toda esta beleza cultural herdamos dos nossosantepassados ao qual agradecemos,sempre fomos assim.

    Falei em nome daAFAGO(Associaçãodos Filhos deGouveia)agradecendo.por ter patrocinado eapoiado todo esteevento.Todos osf a c i l i t a d o r e spuderam ressaltar abeleza da nossacultura e pelaoportunidade quelhes foi dada empoder servir ao povobom de

    GOUVEIA.Alguns professores da comunidade contaram suasesperiências com o curso e como estavam colocando emprática.Prosseguindo foi feita a entrega dos certificados e um bonitotroféu aos facilitadores.Sob a direção de nosso colega José CarlosFINELLI ao violão todos cantaram “Tocando em frente” de AlmirSáter e Renato teixeira,seguido de lanche.

    OBBRIGADO GOUVEIA,A SEMENTE ESTÁPLANTADA.OBRIGADO GOUVEIA PELAOPRTUNIDADE DE SERVI-LOS.

    Geraldo Augusto Silva

  • Boletim Informativo da AFAGO página 5

    ComentáriosGouveia. Meu caríssimo amigo Professor José Moreirade Souza, estive ontem em visita a um amigo em uma cidadeda grande BH e lá encontrei duas jovens senhoras gouveianas,residentes em Gouveia, figuras exponenciais da cidade, cujosnomes vou omitir uma vez que não as pedi autorização paratornar pública a nossa conversa, mas cujo teor deixou-meprofundamente angustiado. Disseram-me, entre outrasconsiderações preocupantes: “Gouveia hoje está totalmentedependente de Diamantina. Gouveia passou a ser o maior bairrode Diamantina, de onde recebe nada, a não ser gozação.Inclusive em Gouveia não há mais registro de nascimento.Como o hospital não faz parto todo gouveiano nasce emDiamantina, mas os registros de óbitos são em Gouveia. Algunsgouveianos se estabelecem comercialmente em Diamantinasabendo que a sua maior clientela será de gouveianos quepara lá se dirigem diariamente. Em Gouveia não se encontraquem queira fazer faxina, trabalhar como doméstica, auxiliarde construção, ou coisa parecida, porque o governo federalpaga para essas pessoas a famigerada bolsa família e elespreferem viver com essa renda, em média R$ 112,00, porfamília e ainda fazem apologia do governo federal, comosalvador da pátria. Segundo elas, não acreditam que o hospitalmunicipal possa trazer algum benefício para a população, porfalta de profissionais habilitados. A Gouveia do seu tempo(disse-me uma delas) tinha apenas uma facção política e todostrabalhavam para o bem comum. Hoje os partidos sãomúltiplos e basta você se filiar a uma agremiação partidáriapara que os seus amigos e parentes passem a considerá-locomo inimigo mortal. Ninguém quer trabalhar para acomunidade, a menos que essa comunidade esteja restritaaos seus amigos e parentes partidários”. Fiquei com umasensação de impotência, de orfandade e um gosto amargo dedesilusão, imaginando que os nossos ideais, talvez, nunca sejamsuficientes para contribuir com algum progresso da terra quetanto amamos.

    Adilson NascimentoVale a pena freqüentar os seguintes endereços:WWW.bibliotecadigital.mg.gov.brBIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. www.wdl.org

    Nosso colaborador, doutor Francisco Reis Bastos, escritore angiologista, lançou, no dia 24 de agosto, a obra A vida deJosé Antônio Bastos. O livro relata um momento em que osmineiros imigravam para São Paulo, José Antônio Bastos emOliveira –MG, em 1930-40, promovia um progresso socialprovando a capacidade do ser humano de transformar arealidade mineira. O estudo aborda também o pioneirismo dasjardineiras e o gasogênio naqueles tempos difíceis.

    Afrânio Gomes - em 18 de agosto, escreveu:Gouveia sofre de uma doença grave: “Rotulagem Partidária”As instituições comerciais sociais e inclusive sites na Internete meios de comunicação permitem esse rótulo. Isso é muitoclaro para os indivíduos que dependem desses estabelecimen-tos Ficam a mercê desses interesses, e, com medo de retali-ações, acabam sendo envolvidos. Pior, sua negativa para qual-quer um dos lados significa estar do outro. É dura essa vidado Gouveiano que em épocas de campanha. Emporcalham a

    cidade , pintam todos os muros, provocam brigas , entopemos arquivos dos foros com processos ridículos , monitoramos eleitores e se aproveitam deles. Com freqüência ouvimos“fulano é nosso, sicrano é deles”. Fico pensando em meusdevaneios: Melhor seria que Gouveia fosse divida ao meiocom um prefeito de cada lado. Na competição entre ambos,lucraríamos com produtividade e geração de empregos e qua-lidade de vida. Tenho certeza que essa minha crítica não pas-saria pelo crivo da censura de todos os sites de Gouveia. Vouapelar para AFAGO. Afinal ela ainda não se contaminou. Ain-da bem que tenho a minha carta de alforria!

    Jaqueline Nara Cardoso Chaves respondeu:Afrânio ... faço de suas palavras as minhas . Há anos , o papai( João Lucas Chaves )diz aos eleitores : “ Por que é que Gouveianão tem a união dos dois partidos , para que assim , juntospossam resolver os problemas da cidade ?? “ Ficam nessedevaneio colocando uns contra os outros . Pra quê isso ?? ps: minha irmã Ana Carolina , participou do Caminhos da Serraquando morávamos em Gouveia , lembra ?? Saudade de to-dos da cidade - um abraço !!

    Afrânio Gomes - 19 08 convida:Vejam em (DIÁRIO DE UM CAMINHANTE) Novoscapítulos de nossas andanças .Nossa viagem de Gouveia aPassa Quatro na divisa com São Paulo. Endereço abaixo.http://afranio-caminhantesdegouveia.blogspot.com/

    Vamos Colaborar com a APAE de Gouveia.Nosso diretor, Haroldo Ribas se encarregou de divulgar aCampanha de Doação de cimento para a construção daApae de Gouveia. Para melhores informações,apaegouveia@hotmail.com ou apaegouveia@citel.com ouacesse gouveia.apaebrasil.org.br. Telefax (0xx) 3835432163.Solicite o código da conta bancária e faça seu depósitogeneroso.

    Terreno no Espinho de Baixo – 12 alqueires à venda.A senhora Leonor informou que está à venda um terrenocom casa e doze alqueires localizado no Espinho. ValorR$100.000,00. O terreno era propriedade de JoaquimJerônimo de Souza, pai da informante.A AFAGO recomenda que o comprador tenha consciênciade preservar a memória local, posto que a região do Espinhodeve ser considerada reserva patrimonial tendo em vistasua história.

    Roni Machado, homem empreendedor e deelevada espiritualidade, após sofrer inúmeros revezes,fechou sua tradicionalpadaria e está colocandoo Hotel Mitra Varuna àvenda.Aguardem entrevista napróxima edição.

  • Boletim Informativo da AFAGO página 6

    Caderno de PoesiasPoemas de Raquel LuizaCoisas de valor. Queres mesmo saber o valor das coisas que trago comigo?Algumas preservei e não se perderam por ai,Guardei-as acreditando que um dia poderiam servir,Talvez não a mim, talvez não a ti,Talvez a alguém que de longe venha,Ou de perto se aproxima,Apenas para saber o valor das coisas que trago comigo,São tão pequeninas que talvez não as perceba,Comecei por apresentar-te a gentileza,Ela chegou antes de mim,Abriu a porta e o acolheu,Talvez nem a notara,Mas ela pacientemente lhe fizera sala,E agora estás á falar com a simplicidade,Porque abrindo estou a minha pequena casa,Esta que costumo chamar de eu,Deixando que visite cada cômodo, sem incômodo,E agora sem que notasse, apresentei-lhe a humildade,Despindo minha carapaça totalmente humana,Para conhecer a essência que de mim emana,E o diálogo, tomou forma por mim,Tão perdido ás vezes,Que se tornou comum sua timidez,Mas ele não se desfez,E agora entre nós se firma a sabedoria,Não minha, não tua,Mas nossa, de tal forma...Que teu silêncio ao me ouvir faz de ti tão sábio quanto eu,Que trago tais coisas de valor comigo,Porque o verdadeiro sábio deixa perder as palavras...Para apenas descobrir os valores de um ser humano que faz desi simples abrigo de valores perdidos.

    Tudo e nada.

    Hoje peguei-me a vislumbrar a nuvem do nada á minha frente,Um vazio proporcional ao que eu, mais ninguém sente,Já me disseram que é loucura,Outros que tem cura,Afinal, porque existe o vazio dentro da gente?Uma lacuna que fica ali...Escondida,Impregnada no peito, como se sua solidão fosse algo sem jeito.E a nuvem, puramente feita de nada, fica á minha frente,Esperando ser preenchida por tudo que não sei se encontrarei,Procurando pequenas coisas para dar vazão ao que meincomoda,Um vazio sem lógica,E então acabo por descobrir que o tudo e o nada fazem parte demim,Sensação imperceptível pela razão,E a nuvem de nada perde-se e torna-se alada,Quando eu apenas abro os olhos e descubro que o tudo sódepende de como vejo o nada.

    Poemas de Auxiliadora de PaulaRibeiroTrês meses sem você, Noel!

    Noel, hoje faz 03 meses que você partiu.São 90 dias de uma saudade tão doída!O Tempo, lépido, cruel, inexorável e frio, passou...Porém, por que o mesmo Tempo que o afastou de mim,levando a minha proteção e meu orgulho de irmã, nãominimiza esta dor, não seca o meu pranto e não traz devolta o meu sorriso?Jamais, imaginei que a sua partida me traria tanta dor,meu irmão!Na infância, fomos companheiros, cúmplices em nossosassuntos fraternos, parceiros nos jogos, embora, fosseeu, a única garota entre os meninos.Em casa, éramos cinco e. nós dois, os irmãos do meio,éramos bem distantes dos primeiros e longe de João,muito criança, para nos acompanhar nos folguedos.Quanto à Maria, esta não havia nascido.Ah, meu irmão, sem você a vida perdeu o sentido paramim, que de muitas coisas desgostei!Com quem falarei das colinas, dos riachos, dos vales, dopovo, das ruas de nossa Gouveia Antiga se, apenas nósdois, a conhecíamos muito bem?Rua do Carrapicho!Rua do Sabão!Rua das Dores!Rua do Rosário!Rua do Galo! Como redescobri-las, sem você, já que o Progresso lhasdeu novos e pomposos nomes, desfigurando-as de nossamemória infantil?-Onde está você, agora, meu único irmão?Soltando pipas no campo de futebol de nossa terra-natal?Jogando finco na Rua da Frente?Ou...Quem sabe, você está na Rua de Trás, jogando bolinhasde gude e rodando piões?Nos meus pensamentos, você foi dar um passeio parareencontrar a nossa infância, na terra que nos serviu deberço!Já que sempre fomos bons amigos, não entendo porquevocê não me convidou!Foi, então, que a voz triste, mas imperiosa de umaRealidade Cruel me gritou:- Chega Auxiliadora!Você ainda não entendeu?Há três meses, seu irmão, Noel, para a vida, feneceu!E...Movida por meu pranto, consolando-me, também, medisse:-Saiba que lá do Céu, Noel não a esqueceu...

    Curvelo, 01 de outubro de 2010.

    Maria Auxiliadora de Paula Ribeiro

  • Poemas da Escola Estadual Joviano Aguiar - professora Sueli

    Boletim Informativo da AFAGO página 7

    Poemas de Rosemary LimaPoesiaSou poeta porque choroOs momentos de euforia,Do amor que ignoro,Que me fez feliz um dia,

    Dores que dilaceram,Lágrimas de martírio,Poemas apaixonados,Velhos temas de idílios.

    Saudade é laço eterno,Felicidade alguns momentos,Enlaçando a alegriaDe viver seus pensamentos.

    Desilusão acontece,A esperança se esvai,O amor é uma preceQue alivia os meus ais.

    ExóticoEu quero sentirSua presença santa,Tal como uma brisa mansa,Ou o calor dos nossos corpos,Numa noite de verão.

    E num ímpeto quase louco,Sentir seu corpo desejar o meu,Ver você se aproximar aos poucos,Tão sedento de carinhos,Mergulhamos neste marInfinito de mistérios.

    E neste momentoÉ inexplicável a força quenos une,Mente...Corpos...Pensamentos...

    É como se fossem duasalmasProcurando a mesmasatisfação,E neste êxtase de loucuras,Tão divina doação,Tornando uma, duas vidas,Nesta hora de paixão.

    A terra dos ipêsLaura Lima Oliveira – 5ª B1Do alto da capelaVemos a terra inteira,Da serra de Santo AntônioAté a cachoeira.

    Nosso município é especialAgrada a todos com suabelezaE no coração dos moradoresNão há lugar pra tristeza.

    Os ipês bem coloridosAs praças já estão a enfeitarE sua flores multicoresEspalham perfume no ar.

    No município tem várias festasA Kobufest e a de SantoAntônioPara nós gouveianosNossa história é nossopatrimônio.

    Gouveia é uma terra queridaGouveia mora no meu coraçãoViver nessa cidadezinhaÉ meu orgulho, minhasatisfação!

    Contos de GouveiaIzabela Alves – 5ª B2Apesar da minha pouca idadeOuço contar os mais velhosQue com alegria e paciênciaFalam de suas experiências.

    Contam que muitos aqui já sofreramNa época do árduo garimpoQuando os homens tremendo de frioBuscavam ouro e diamante no rio.

    Mas o homem com sua ganânciaA natureza foi destruindoOs nossos grandes rios foram poluídosE o garimpo foi proibido.

    O crescimento da cidade diminuiuMuitos foram emboraPra buscar o seu sustentoE não deixar faltar alimento.

    Hoje, muita coisa mudouA cidade voltou a crescerVemos muitas facções da funcionarPara o jovem poder trabalhar.

    Outra grande novidadeTransformada em alegriaFoi a torre de celularQue chegou outro dia.

    Sinto grande orgulho tambémDa religiosidade e da féO nosso grande patrimônioÉ amar Santo Antônio.

    Foi a nossa cidadeA primeira a criarUm Ano AntonianoPara a ele homenagear.

  • Olimpíadas de Língua Portuguesa

    Boletim Informativo da AFAGO página 8

    Lourdinha Dumontse apresenta com seus poemas:Oi, leitores, sou Maria de Lourdes Dumont,professora na E E Aurélio Pires.Atualmenteexercendo a função de professor no uso dabiblioteca. Estudei no Colégio Nossa Senhora daConceição, Serro. Tenho 2 filhos e 1 neto.Adoro ler e escrever. Meus poemas foramescritos em 2 situações: a pedido de alguémou em momento de solidão e dor.Sou uma pessoa temente a Deus, procurosempre colocá-lo em primeiro lugar emminha vida .Família para mim é a base de nossaformação como pessoa e atribuo aos meuspais tudo que sou hoje .Foi um prazer para mim compor o Hino daminha escola, a pedido da diretora e amigaAlice. Cursei o ensino fundamental e lá estouaté hoje.

    HINO DA E E AURÉLIO

    Começaste pequeninaNo antigo arraialHoje és grande e altaneiraÉs altiva sem igual.

    Construíste tua históriaCom grande ostentação.Entre luta e vitóriaCumprindo bela missão.

    Tua missão de educarAlicerçada no amor.Preparando teus alunosCom afinco e muito amor.

    Teu valor, Aurélio Pires,Ninguém pode olvidar,Minha escola tão queridaO teu lema é amar.

    Na história desta terraTeu nome vem aflorar.Cresceste junto com elaVendo o progresso brotar.

    Hoje és tão onipotenteOrgulho dos filhos teus.Trabalhando consciente,Sob a proteção de Deus.

    Um dia para o bem

    Tayná Souza Duque

    Seis horas, começando o dia, um dia que parecia ser normal, como todosos outros, exceto pelas coisas que viriam a acontecer pelas horasseguintes...Tudo começou como um mero acaso, enquanto saia da escola, que é umpouco afastada do centro, havia um aglomerado de pessoas. Parecia teracontecido ma briga ali, mas não era, acredito que se fosse as pessoasnão estariam se juntando e sim, saindo correndo, todavia ão existia aquelaexpressão de espanto em seus rostos, era mais um tom de calma,tranqüilidade e seus olhos expressavam um desejo de sensibilizar às pessoaspela causa que lutavam.Foi quando percebi que era uma passeata em defesa dos rios da cidade edas belas cachoeiras que aqui existem, me juntei a eles, pois é semprebom fazer um bem à natureza, mesmo que seja só alertando às pessoassobre os males que a afetam, não só as águas, como pensando assim,toda a cidade de modo geral.Saímos (eu e todas as pessoas que acompanhavam a passeata), andandopor várias ruas e becos, chegando aos bairros mais afastados e tambémao lugar onde vivo. Uma rua cheia de vizinhos animados, varias árvores(não só na minha rua, mas em toda a cidade) que deixam o ar mais puropara ser respirado e o lindo céu azul límpido acima de nossas cabeças.Aspectos que tornam Gouveia um lugar melhor apara se viver.Não paramos, subimos a rua na direção da Capelinha, linda igreja criadapor escravos, reformada a pouco tempo. Seguimos para o centro, napraça Padre José Machado à frente da Matriz de Santo Antonio, a multidãose dispersou de repente, do mesmo modo que surgiu.Voltei pra casa com um sorriso no rosto e a emoção de dever cumprido,afinal é mais um dia que dedico para o bem. E assim os gouveianostiveram a oportunidade de sensibilizar as pessoas sobre a importância dapreservação das riquezas naturais da nossa idade.Categoria 3 Crônica. Escola Estadual Augusto Aires da MataMachado, aluna do 9º. Ano. Professor: Luciano dos Santos.

    Adeus Gouveia, voltarei um dia!

    Vinícius Hilário Morais Silva

    Por entre montanhas e sob uma paisagem inigualável, se esconde minhapequena e pacata cidade. Da brisa matinal à neblina da noite, seus camposdeclaram vigorosa alegria de poder tê-la contemplado por mais um diaSua paz transmite uma identidade construída há mais de 50 anos, desdeque fora emancipada, pelas mãos de um célebre guerreiro, Efigênio GomesPereira. Sua busca incansável pela independência do lugarejo que um diaMaria Gouveia e seus escravos cobus começaram a construir, foialcançada com grande sucesso, sendo contemplado pela ajuda de JK e éclaro do santo padroeiro, Antônio.Muitas histórias e vidas por aqui passaram, deixando cada uma sua marcanas suas casas, praças, igrejas ... Hoje, o antigo Arraial de Santo Antônio,deixa clara sua cultura viva e acesa, no coração de cada gouveiano.Além da cultura marcante, nos orgulhamos da vasta diversidade turísticaque nosso município oferece. Cachoeiras, rios, trilhas, serras, deixam invejaem quem as conhece, e a certeza de que nunca serão esquecidas.

  • Olimpíadas de Língua Portuguesa

    Boletim Informativo da AFAGO página 9

    Mas essa riqueza e vivência, não são pontos suficientespara uma vida estável para quem deseja de alguma forma“crescer na vida”. Gouveia não oferece alternativas paraaqueles que saem do 3º. Ano e querem fazer umafaculdade, ou para quem procura emprego, lazer, como ocinema, teatro, arte. Enfim a intensa migração degouveianos que vão em busca de algo a mais fora domunicípio é um a questão que deve ser discutida. A faltade oportunidade é uma marca das idades pequenas,sobretudo do interior, mas não podemos continuar debaços cruzados, assistindo esses migrantes, sobretudojovens que muitos vezes saem daqui por não terem outraopção, deixando sua moradia, família e costumes paratrás.Estamos cada vez mais acomodados com a realidade.Todos nós desejamos viver num mundo melhor maispacífico, fraterno e ecológico. O problema é que aspessoas sempre esperam que esse mundo melhor comeceno outro. É comum ouvirmos pessoas falando que têmboa vontade para ajudar, mas como ninguém as convidapara nada, nem se organizam, então não podem contribuircomo gostariam. Pessoas assim acabam achando maisfácil reclamar que ninguém faz nada, ou a que a culpa édo “sistema”; dos governantes ou empresas, mas não seperguntam se estão fazendo a parte que lhes cabe.Ao migrar das cidades do interior para os grandes centrosurbanos, além de todos os problemas que acarretam como crescimento das cidades, as pessoas perdem muito desua identidade cultural, sua memória. Se no interior, apesardas dificuldades, as pessoas tinham nome e sobrenome,eram conhecidas, nas cidades estão isoladas. Semidentidade cultural, importa muito pouco saber quepatrimônio da coletividade, seja ambiental, sejaarquitetônico, histórico, cultural, a própria rua, a praçaestá ameaçado ou destruído. À medida que essa gentenão se sente dona desses espaços coletivos, que sãoconsiderados como terra de ninguém ou comopertencentes aos governos dos quais não gosta, também,não se mobilizam em sua defesa.Infelizmente para muitos dessa terra, Gouveia se tornaum lugar de visitas nas épocas de férias e feriados duranteo ano, onde os parentes são revistos, as novidades sãocontadas e aquela vida monótona que um dia fez partede muitos, é observada na vida de quem cresce aqui. Àsvezes notam que mudou alguma coisa aqui, outra ali, masnada que cause a esperança de um dia voltar a seacostumar com a tranqüilidade, a monotonia e lentidãocom que a cidade se desenvolve.Confesso que também me tornarei um migrante, para irem busca de vôos mais altos e da oportunidade de poderrealizar meus sonhos. Será inevitável o aperto no peito, asaudade, as lagrimas, mas sobretudo a certeza de quenunca esquecerei os momentos vividos e as experiênciascompartilhadas.Assim como muitos gouveianos, quero contribuir para quenossa cidade cresça cada vez mais e que as oportunidadesvenham em busca de sonhadores.

    Voltarei para poder contemplar as belezas do lugar onde vivi esentir-me, como os campos, a vigorosa alegria de poder tê-lacontemplado mais um dia

    Categoria 4 Artigo de Opinião. Escola Estadual Jovianode Aguiar, aluno do 3º. Ano Médio. Professora: IsabelCristina Otone de Avila

    Minha Rua

    Rosana Aparecida de Almeida

    Quero falar da minha rualá no bairro Capelinhapois foi onde eu nascina casa da minha vozinha.

    Meu pai também nasceu láe ali também se crioumais tarde com minha mãemuito feliz se casou.

    Meus pais tiveram dois filhoseu e meu irmãocom grande amor e alegriae muita dedicação.

    Minha rua tem muitas casasluz e asfalto tambéme para comigo brincarminha prima sempre vem.

    As casas da minha ruaeu não acho nenhuma feiapois nasci e moro lána rua Maria Gouveia.

    Moro perto da Capelinhae longe da solidãopois eu corro, pulo e brincoe assisto televisão

    A noite já bem cansadana cama vou me ditaresperar o outro diapara tudo recomeçar.

    Categoria 1 Poema Escola Estadual Aurélio Pires, alunodo 6º. Ano. Professora: Sumara Kênia Leão de OliveiraMarques.

  • Boletim Informativo da AFAGO página 10

    Olimpíadas de Língua Portuguesa

    Tudo por amor – uma história realBeatriz de Almeida Reis

    Há doze anos, chega ao mundo Beatriz de Almeida Reis,filha adotiva de José Geraldo de Moura da Silva, nasci nosétimo mês de gestação e precisei ficar trinta dias em umaincubadora. Eu era uma criança muito fraquinha e doenteque tinha dores de ouvido e brotos pelo corpo, precisava demuitos cuidados e medicamentos.Minha mãe biológica era uma mulher muito batalhadora,sendo considerado por todos que a conhecia como umapessoa boa que amava muito seus filhos. Ela tinha seismeninas e dois meninos e ainda uma recém-nascida. Mesmoassim, trabalhava na horta, no quintal e em casa o quedeixava sua vida corrida e difícil. Mas, minha mãe tinhauma irmã, Maria Natividade de Almeida da Silva, que aajudava muito: dava banho nas crianças, lavava roupa e atéajudava a limpar a casaPassado um tempo, já com oito meses de idade essa minhatia pediu a minha mãe que deixasse eu morar com ela, poisacreditava que sua irmã estava tendo dificuldades em cuidarde duas crianças pequenas. Mesmo com o coraçãoapertado, ela aceitou a proposta porque sabia que minha tiatinha razão.Logo depois que fui adotada aconteceu um fato triste! Minhamãe veio a falecer, deixando todos seus filhos inconsoláveis,menos eu, que nem cheguei a conhecê-la direito!Todas as pessoas que viram aquela menina pequena, frágile doente diziam que seria muito difícil para a tia criá-la. Erealmente foi! Até o irmão adotivo teve que começar atrabalhar para ajudar no sustento da casa, pois minha novamãe já tinha três filhos e eu seria mais uma filha para elacuidar e sustentar.Minha prima começou a ter mais trabalho, além de limpar acasa e cozinhar tinha que cuidar de mim e quando eucomeçava a chorar ela também porque não sabia mais oque fazer.Quando eu já estava maior com uns cinco aninhos e já nãotinha mais dores de ouvido ou brotos sobre o corpo, já bemespertinha, chega o meu pai biológico dizendo que me queriade volta. Então, toda a minha nova família ficou revoltada!Poi,s já fazia parte da família e era muito amada por todos!Mesmo assim, ele me pega no colo e tenta ir embora, mascomeço a saltitar em seus braços chorando muito! Meucomportamento não era por não amá-lo, mas porque já haviaacostumado a chamar minha tia de mãe e meu tio de pai,Minha mãe percebeu que eu não poderia ser levada daquelaforma. Então foi até meu pai e pegou-me em seu colodizendo: É isso que você realmente quer? Então, volte anoite para buscá-la enquanto ela estiver dormindo. Eleconcordou e foi embora, porém ele nunca mais voltou parbuscar-me. Muitos o aconselharam que aquela era a melhorsolução a fazer para a felicidade de sua filha.

    Hoje somos uma grande família. Minhas irmãs biológicaschamam minha mãe adotiva pelo estranho e carinhosoapelido de tia Dadade. Entretanto, fico pensando que a vidaé engraçada porque todos os filhos desse casal foramembora e eles estariam morando sozinhos, se não fosse eu,aquela criança que eles adotaram com tanto sofrimento,agora sirvo de companhia para eles. E se depender de nósessa realidade continuará para sempre.

    Categoria 2 Memórias literárias. Escola MunicipalJoão Baiano, aluna do 7º. Ano. Professora: GeraldaEunice Moreira e Rocha

  • ARTIGOS

    Boletim Informativo da AFAGO página 11

    Úlcera de perna e celofaneFrancisco Reis Bastos (1)Mariane Gandra (2)

    A úlcera de perna é definida como qualquer ferimentoabaixo do joelho que não cicatriza menos de seis semanas.Dentre alguns fatores, a ulcera é geralmente causada pelamá circulação do sangue dentro das veias. Encontramostratamentos para melhorar a circulação e assim ter acicatrização da úlcera, como a escleroterapia de espuma,curativos, remédios. Em todos tratamentos é necessárioalgum tipo de curativo que é usado para proteger as feridasabertas no ser humano. Curativo é todo material colocadosobre uma ferida para facilitar a cicatrização, reduzirinfecção, absorver todos os líquidos que saem da ferida.Os curativos podem ser abertos ou fechados. Os fechadossão divididos em úmidos e secos. Os curativos úmidostêm por finalidade: reduzir o processo inflamatório; limpara pele , crostas e escamas através da produção de célulasque mantêm assim a drenagem das áreas infectadas,promovendo a cicatrização pela facilitação o crescimentode células de crescimento. Um dos curativos que podemser usado é o papel celofane que é encontrado facilmente,econômico, protege a ferida e cria um ambiente melhorpara a cicatrização. O celofane é derivado da celulose. Éfino, transparente, flexível e resistente a esforços. Oprocesso de produção do celofane se dá a partir de fibrasde celulose de madeira, algodão, cânhamo. Por ser produtonatural (celulose), o celofane é bem aceito. Ele não deixaescapar os líquidos que saem das feridas. Agregamos aoscurativos medicamentos via pós, loções, cremes, géis,pastas, pomadas, sprays, aerossóis. Tudo visando criarum ambiente melhor para a cicatrização da ferida. Ao fazercurativo devemos: remover o curativo antigo, limpar comantisséptico, colocar pomada ou creme antibiótico.Recomenda-se trocar os curativos várias vezes ao dia,segundo a quantidade de líquidos que sae da ferida.Cobertura com gaze ou papel celofane? A gaze, apesar deusada, diminui a umidade necessária à cicatrização da feridae rouba a pomada. A boa umidade aumenta a taxa de célulasque defendem o nosso corpo. O celofane mantém essemeio úmido. Pode ser fixado com Micropore. Ele permiteo uso associado com as meias medicinais elásticas quedeslizam sobre o papel facilitando a sua colocação. Umbom curativo deve respeitar o papel da pele e procurarsubstituir a pele perdida, ser barato, prático e ser bemtolerado. Celofane – o papel da pele.

    Referência: Bastos, FR.Varizes, conhecer para prevenir. Terceira edição2007. Ed do autor.

    (1)Ex Professor Assistente de Anatomia Médica da UFMGAngiologista e cirurgião vascularRepresentante para o Brasil da Sociedade Francesa deFlebologia

    Ex-presidente e diretor da SBACV-MGAutor do livro: “Varizes, conhecer para prevenir” Terceira edição.drfrbastos@hotmail.com(2)Acadêmica de Enfermagem PUCMG – Betimenfermeiragandra@gmail.com Rua dos Otoni, 909, sala 411 CEP: 30150270 - Belo Horizonte Telefones: 32730511/32730610/32131393

    O CÍRCULO VIRTUOSO

    Francisco Reis Bastos *

    Tem coisas estranhas na vida da gente. Você faz enão sabe porque faz. Não gosta, mas faz assim mesmo. Entradia, sai dia, entra mês, sai mês, entra ano, sai ano e a gente vairepetindo. A gente não quer, mas acaba fazendo tudo igual. É o“moto-contínuo” . É o danado do circulo vicioso. Parece quetem alguma relação com a baixa estima. Seria uma relação depouco amor com a gente mesmo. Você não gosta mas continuafazendo algo que não é bom para você, numa repetição terrível.Isso constitui umas das piores coisas de vida. Até parece que agente não tem livre arbítrio. Gente escrava. Gente que nem édona do próprio nariz. Aí não dá! É coisa ruim. É viciomesmo!

    Em meu consultório acontece uma coisa interessante.O inverso. Como sou angiologista, sou procurado paratratamento das varizes. Muita gente cultiva por décadas a tal dadoença. Sofre com suas dores, cãibras, eczema e até úlcerasou tromboembolismo.

    Um dia, ocorre uma mudança! Dá-se uma coisainteressante que explica o que falei acima. O que verifico é quemuitas pacientes vêm animadas. Invertem o comportamento.Começam a fazer coisas boas. Elas souberam, através deamigas felizes, já tratadas, que o tratamento de varizes podeser feito com um novo método antigo. Um aprimoramento deum tratamento de mais de 160 anos. É a ecoescleroterapia comespuma, um tratamento sem cirurgia. Com novas tecnologias:ecodopler colorido e venoscópio de luz LED. Elas chegamalegres, animadas, algumas já fizeram até cirurgia plástica.Outras fizeram um implante de um dente novo. Até mesmouma pintura de cabelo. Enfim, querem fazer o tratamento e atéum belo regime para emagrecer. Não serão mais sedentárias.Vão entrar para uma hidroginástica, fazer drenagem linfáticadas pernas, uma academia ou simplesmente, resolveram fazercaminhadas diárias.

    Cheguei à conclusão que o tratamento de varizespode ser, senão o começo, pelo menos uma peça fundamentalno circulo virtuoso na vida destas pessoas. Uma coisa puxa aoutra. Resgata a auto-estima. Estimula a pessoa a se cuidar.

    Nada melhor que contrapor ao circulo vicioso ocirculo virtuoso.

    *Angiologista e cirurgião vascularem Belo Horizonte

  • Boletim Informativo da AFAGO página 12

    ARTIGOS

    Gouveia no contexto do vale do Jequitinhonha

    Luís Santiago

    Sem dúvida, há diferença entre tipos de solo, de relevo, devegetação e existe uma forma natural de se dividir as regiões, quesão as bacias hidrográficas, com limites nos divisores de águas, ouseja, se a água corre para um determinado córrego, pertence àquelabacia, ou sub-bacia, se corre para outra, a outra bacia. Entretanto,quando o elemento humano entra em cena bagunça tudo. Aí asregiões podem ser divididas pela forma de ocupação do solo, pelaregião administrativa (país, estado, município, distrito, propriedadeparticular), pela religião, língua, tradições culturais, desempenhoeconômico, aproveitamento escolar, atendimento à saúde, pelashegemonias políticas, etc. Com todas essas informações, no fimdas contas, a divisão das regiões acaba sendo arbitrária, obedecendoa critérios, ou caprichos, das autoridades encarregadas deestabelecer limites entre elas. E nem as bacias hidrográficas estãolivres dessa arbitrariedade administrativa, assim as fronteiras dovale do Jequitinhonha, desbordam para as cidades do Serro (quefica na bacia do rio Doce), Bocaiúva (bacia do São Francisco),Santo Antônio do Jacinto (na bacia do Buranhém, rio que deságuaem Porto Seguro), Taiobeiras (na bacia do rio Pardo) e Gouveia,que fica na bacia do rio São Francisco.

    Toda localidade, todo logradouro, pode, portanto, ser incluídoem mais de uma região. Gouveia, por exemplo, pode ser incluídaem cinco ou seis regiões pelo menos:

    1) Vale do São Francisco, em cuja bacia hidrográfica seencontra; a cidade pólo dessa região é Montes Claros, mas BeloHorizonte é a maior da bacia, embora esteja na sub-bacia do riodas Velhas (afluente do Velho Chico).

    2) Região central de Minas; cidade pólo: Curvelo.3) Região mineradora de Diamantina.4) Vale do Jequitinhonha, ou, mais especificamente, Alto

    Jequitinhonha, com cidade pólo também em Diamantina.5) Vale do rio Doce, também pela vizinhança, com cidades

    pólos no Serro, Guanhães e Conceição do Mato Dentro, e, maisdistantes, Ipatinga e Governador Valadares.

    6) Vale do rio das Velhas, cujas cidades pólos são BeloHorizonte e, secundariamente, Sete Lagoas.

    Todas essas cidades pólos (com exceção talvez de Valadarese Ipatinga), de uma forma ou de outra, fazem intercâmbio Gouveia,seja no aspecto econômico, populacional, administrativo, cultural,linguístico, religioso ou turístico. A ligação de Gouveia com o valedo Jequitinhonha, conforme se vê, realiza-se, sobretudo, atravésde Diamantina, município ao qual pertencia até 1953, quandoconquistou sua emancipação político-administrativa.

    Embora Diamantina seja a cidade principal, o AltoJequitinhonha pode ser dividido em, pelo menos, três regiões, emtorno das cidades do Serro, Minas Novas e da própria Diamantina.O Jequitinhonha, como todo, tem, além do Alto, outras regiões; oJequitinhonha propriamente dito, o chamado “vale da miséria”, comsua riquíssima cultura, é o Médio Jequitinhonha, polarizado na cidadede Araçuaí; o Baixo Jequitinhonha tem como cidade pólo Almenara,tem a parte baiana do vale do Jequitinhonha (as pessoas não selembram que o rio Jequitinhonha deságua no mar, portanto tem

    tanto uma parte mineira quanto uma parte baiana), comBelmonte, Itapebi e Itagimirim, cidades vizinhas deEunápolis e Porto Seguro; tem ainda a região do valedo Jequitinhonha, que se mistura com o norte de Minas,aí estão Salinas e Bocaiúva (este último município,embora seja banhado pelo rio Jequitinhonha, tem suasede, como já foi dito, na bacia do São Frascisco), massão cidades que nos aspectos cultural, econômico emesmo religioso giram em torno da metrópole norte-mineira, Montes Claros.

    Meu interesse pela história do vale doJequitinhonha como um todo, surgiu em 1995, quandopesquisava a história de Pedra Azul (cidade onderesido). Vi então que não há uma história do vale doJequitinhonha. Existem muitos estudos sobre região,mas são, sobretudo, de cunho cultural, mineralógico,agrícola, econômico, assistencial ou educacional.Existem estudos históricos sobre regiões específicas,acerca de Diamantina, sobretudo, aí incluindo muitasvezes Gouveia, mas também sobre o Serro e sobre acolonização do Baixo Jequitinhonha. A academia(conjunto das universidades) desconhece a história dovale do Jequitinhonha, entendido como um todo.Mesmo, fora da academia, o que encontramos foiapenas o estudo de Mário Martins de Freitas publicadoem diferentes edições do Minas Gerais (órgão oficial),nos anos de 1960 e 1961, com o título de “Bacia doJequitinhonha – Estudo histórico, social e político dosmunicípios da bacia”. Fora isso, relatos de viajantes doinício do século XIX (o francês Auguste Saint Hilaire,por exemplo, nos dá uma visão bem ampla da região),as preliminares históricas de estudos econômicos,culturais e sociais, além das histórias de municípios ede pessoas, na maioria das vezes não-acadêmicas.

    Pois bem, pronto o livro sobre a história de PedraAzul (Pedra Azul – Cinco visões de uma cidade)não consegui publicá-lo, naquele ano de 1995, masapenas no ano seguinte, foi então que dei início àpesquisa e redação de um livro sobre a história do valedo Jequitinhonha (O vale dos boqueirões). Já no iníciodo trabalho veio a dúvida quanto a incluir os municípiosbaianos de Santa Cruz Cabrália, Canavieiras eEunápolis. Em Santa Cruz Cabrália, há uma lagoa, alagoa dos Cocos, cujas águas correm para oJequitinhonha; Canavieiras, nas grandes enchentes,recebe as águas barrentas do Jequitinhonha, que misturaentão sua foz com a dos rios Salsa e Pardo, e a cidadede Eunápolis se encontra a cerca de dez quilômetrosdo leito do rio Jequitinhonha. Assim também com váriosmunicípios do vale do Mucuri (Águas Formosas,Fronteira dos Vales e Machacalis, entre outros, maisrecentes), que foram colonizados a partir de localidadesdo vale do Jequitinhonha; assim também com Gouveia,com o Serro, Bocaiúva, Taiobeira, Porteirinha, ÁguasVermelhas, Catuji, etc.

    Mesmo incluindo tantas cidades, ainda não tinhame ocorrido que o trabalho ocuparia mais que um

  • Boletim Informativo da AFAGO página 13

    ARTIGOS

    volume, mas, quando estava terminando os estudos sobre acultura do vale do Jequitinhonha, compreendi que suapublicação em um único tomo seria impraticável. Quando oprimeiro livro da série foi publicado, imaginava que haveriaquatro outros (um para cada tipo de relevo: litoral, serras,vales, margens do rio e planalto), mas chegando à bemdocumentada história do Serro e de Diamantina, percebi quemesmo cinco seriam insuficientes. Sem contar com apoiopara pesquisa, o trabalho vai se estendendo ao longo dosanos. Até agora foram escritos e publicados quatro livros: oprimeiro apenas com o título da série, O vale dos boqueirões– História do vale do Jequitinhonha – volume 1 (1999);o segundo e o terceiro, com os subtítulos de Serro e serrania(2004) e Serro – Política, geografia e cultura (2006), sãosobre o município do Serro, embora no segundo haja umaespécie de preâmbulo sobre a região geográfica dasserranias, e o quarto sobre Diamantina colonial, intituladoTejuco – Arraial setecentista (publicado em junho desteano). Espero escrever mais um ou dois livros sobre a históriade Diamantina e, depois, um outro, sobre os demaismunicípios do Alto Jequitinhonha, entre eles Gouveia, isto é,se assim Deus permitir.

    Pedra Azul, sábado, 25 de setembro de 2010(Luís Santiago é autor de O Vale dos Boqueirões, obraapresentada ao leitor na edição anterior deste Boletim)

    Meninos de CamilinhoRaimundo Nonato M. Chaves

    A Secretaria Municipal de Educação informou os resultadosalcançados por estudantes, de Gouveia, que concorrem nasOlimpíadas das Escolas Públicas. Tudo está publicado nositio www.afagogouveia.org.br e está sendo publicadotambém na presente edição deste Boletim Informativo.Dentre os estudantes que ultrapassaram a primeira etapa doconcurso estão representantes da Escola Municipal JoãoBaiano, de Camilinho. São quatro aprovados em Matemáticae um em Língua Portuguesa.Eu estava em Camilinho, e me propus a entrevistar osestudantes, até como estímulo para que continuem comoestudantes de ponta. Foi assim que, às oito horas do dia 23de setembro, me reuni com quatro matemáticos e umaescritora, - trinca de valetes e par de damas, sem dúvida,um bom jogo -, assistidos, gentilmente, pela atenciosa diretoraprofessora Michele.Devo esclarecer que uma entrevista padrão sempre há umapersonalidade e muitos entrevistadores, no caso, havia umentrevistador e muitas personalidades. Muitas respostas sãoiguais ou muito semelhantes, além disso, eu usava o celularpara fazer as gravações e confesso que perdi alguma fala.Portanto, apresentarei, algumas vezes, mantendo a fidelidade,mas com palavras minhas.Ali, naquela varanda onde é servida a merenda escolar,avistando a sede da fazenda Camilinho, onde nasci; àesquerda, o prédio rústico onde cursei os três anos do primário;e à frente, a quadra poliesportiva que leva meu nome, que,até emocionado, iniciei a conversa com aqueles jovens esimpáticos estudantes, agora identificados: Olimpíadas dematemática – Amarildo Henrique, Paulo, Samira e Henrique,respectivamente, cursando 9º. , 8º, 7º. e 6º. anos Olimpíadasde língua portuguesa – Beatriz, aluna do 7º. ano.A Entrevista:P. A primeira questão versava sobre o inicio das tarefasdiárias. Pedi que me informassem a que horas se levantam?Como se locomovem de casa até a escola? Quanto tempoou quantos quilômetros percorridos de casa à escola ou decasa ao ponto do transporte escolar? Recebem algumalimento, ainda, na residência?R. Levantam-se no entorno de seis horas e tomam café emcasa, quase sempre puro. Paulo, residente na Contagem;Samira e Henrique, na Água Parada; Beatriz, nos Mourautilizam transporte escolar e demoram entre dez e quinzeminutos para atingirem o ponto de embarque. Amarildo residena fazenda Camilinho - parte leste -, e percorre, a cavalo, otrecho até a escola; demorando cerca de quinze minutos.P. O período de trabalho, na escola, entre 7:00 horas 11:25horas, quando são ministradas cinco aulas de cinqüentaminutos, com quinze de intervalo para merenda escolar.Comentei, com os entrevistados, que há escolas trabalhandoem regime de tempo integral, quando os alunos têmoportunidade de praticar esportes e atividades culturais, comaulas de música, dança, pintura e outras. Alem disto têm

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    oportunidade de fazer os trabalhos escolares. Pedi, então, quecada um deles opinasse sobre a duração do tempo de aulas:curto, suficiente, muito longo? Qual a opinião sobre o regime deescola em tempo integral?R. Samira respondeu que o tempo é suficiente, além disso, eladeve auxiliar sua mãe nas tarefas de casa, portanto, não concordacom a escola em tempo integral. Paulo e Beatriz apóiam aargumentação de Samira. Amarildo concorda que o tempo ésuficiente e ele prefere completar os estudos em casa. Henrique,o caçula do grupo, também concorda que o tempo é bastante enão opinou sobre a escola em tempo integral.P. Questionei sobre o relacionamento com as professoras e ocomportamento delas. Vocês entendem tudo que as professorasensinam? Quando não entendem, podem pedir explicações? As

    professoras respondem com delicadeza? Vocês sentem que asprofessoras são amigas de vocês?R. Os cinco estudantes responderam positivamente, com elogiosao trabalho das professoras. Eu concordo porque conheço,pessoalmente, o grupo de professoras. São jovens, graduadas, edemonstram interesse e dedicação ao trabalho que realizam.P. Ainda, com enfoque na atividade acadêmica, perguntei sobrea complementação do trabalho na residência, o chamado “paracasa”. Vocês contam com algum auxilio, na residência, paratirar duvidas sobre exercícios mais difíceis? Contam com ajudados pais ou irmãos para sanar dúvidas? Vocês têm, em casa,livros para pesquisa? Quando não podem contar com ajuda vocêsentram em pânico?R. Amarildo se socorre com a mãe Rute; Beatriz pede auxilio àirmã, mais velha e mais adiantada nos estudos; Paulo, traz suasdúvidas para discutir com a professora, na próxima oportunidade.P. Salientei a importância da vitoria que conquistaram ao vencera primeira etapa das olimpíadas e gostaria de saber: Esteresultado aumentou a auto-estima? Querem continuar comoalunos de ponta? Os pais tomaram conhecimento e osparabenizaram? Qual a reação dos colegas e dos professores?

    R. As respostas foram sempre positivas; os colegase professores demonstraram alegria; os pais ficaramfelizes. Saliento a resposta de Beatriz, que recebeuos parabéns não só dos pais adotivos, mas tambémdo pai biológico, senhor Vanir, e ela repetiu isto maisde uma vez; E o comentário do mascote Henrique,ao dizer que a prova foi difícil, mas a vitóriacompensou.P. Antes de encerrar a entrevista, comentei que aoterminarem o ensino fundamental, na E.M.JoãoBaiano, eles farão, em Gouveia, o segundo grau e,posteriormente, irão se matricular em algumauniversidade para o curso superior. Lembrei, noentanto, que o curso superior é importante, mas nãoé fundamental. Eles que são estudantes vitoriosos

    podem ser vitoriosos como chefe de umarepartição pública, como gerente de umaempresa, como um produtor rural de sucesso,como oficial da polícia. E podem, também, fazercursos profissionalizantes não, necessariamente,de nível superior. e ser um profissional desucesso. Após a preleção perguntei: qual ocaminho que pretendem seguir?R. Amarildo Henrique pretende estudarmedicina; Paulo quer ser chefe d o sCorreios; Samira, Beatriz e Henrique vãocontinuar estudando, mas ainda não definirama carreira que pretendem seguir.Dei por terminada a entrevista e convidei osestudantes para uma fotografia, mas a diretoracomunicou que eles queriam agradecer o meuempenho em divulgar o feito deles. E, então,cada um por sua vez, agradeceu, de formaconvincente e amável, tanto que, a diretora,discretamente, me perguntou sobre os meus

    olhos lacrimejando.Devo ressaltar que os agradecimentos foram feitosantes da distribuição de caixas de bombons quelevara para presentear aqueles garotos.Ao agradecer, Samira frizou que entrevistá-los epublicar a entrevista é, também, uma forma deparabenizá-los; Henrique gostou de saber dapreocupação do entrevistador com eles; Paulo disseque estava feliz ao reconhecer que, mesmo na zonarural, tem alguém que se preocupa com a gente;Beatriz se sentia valorizada com a entrevista porqueera uma forma de reconhecimento da inteligênciadeles; Amarildo Henrique reconhecia o esforçodo entrevistador, ao sair de Belo Horizonte paraentrevistá-los e isto valorizava o trabalho deles.Particularmente, eu gosto de enaltecer a vitória,.No caso do aluno, quando vitorioso no inicio de suacarreira, enaltecer o seu feito é poderoso estimulopara que ele continue mantendo o status de bomestudante. Mas, quero ressaltar, também, que umdos objetivos da divulgação é lembrar que nasescolas rurais, também, há estudantes com grande

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    Boletim Informativo da AFAGO página 15

    potencial e nós, sociedade e governo, temos o dever de dara eles a oportunidade de crescer.

    Os pais estão felizes e, certamente, contribuíram para osucesso destes estudantes, por isso registro o nome deles:Pais de Amarildo Henrique: Amarildo Alves e Rute ChavesAlves; Pais de Beatriz: José Geraldo Moura da Silva e MariaNatividade Almeida da Silva (adotivos); Vanir (pai biológico)a mãe biológica, irmã de Maria de Natividade, já faleceu;Pais de Henrique: Messias Alves da Silva e Silvia AparecidaMendes; Pais de Paulo: Geraldo Serafim de Almeida e VanjaAparecida; Pais de Samira: Francisco Rosário dos Santos eRosilene Maria da Silva. Os alunos entrevistados - o par de damas e a trinca devaletes -, não representam o aluno médio da E.M.JoãoBaiano. Eles não constituem amostra que satisfaça aoscritérios estatísticos, portanto, não representam a população.Estive falando, até aqui, de cinco estudantes de umapopulação de cem, que representam a elite da escola. Agora,falarei do aluno médio que ao terminar o ensino fundamentaldeverá se matricular na E.E.Joviano de Aguiar, em Gouveia,para cursar o segundo grau. Ora, sabe-se que a proficiênciado aluno da escola urbana é maior do que a do aluno daescola rural. Na Joviano de Aguiar, os alunos da escola ruralsão programados para o turno da noite, onde terão comocolegas estudantes da periferia que normalmente trabalhamdurante o dia e estudam à noite, possivelmente, com o nívelbaixo de proficiência. Há, também a condição de transporte.Pelo menos, três dias em cada semana, os estudantes deCamilinho embarcam às 15:30 horas, para assistirem aprimeira aula, em Gouveia, pouco antes das 19:00 horas,donde resulta uma grande perda de tempo. Resultado detudo isto, o estudante inicia o segundo grau defasado etermina mais defasado ainda. Então, surge o inesperado.

    Para continuar os estudos, passar ao terceiro grau ou aonível superior há a barreira do vestibular, o gargalo paraseleção dos melhores; diz-se o fatídico vestibular.

    Deve-se perguntar o vestibular é difícil ou oestudante édespreparado? Será coincidência que algunsestudantes, muitas vezes, se submetem aovestibular em meia dúzia de faculdades e sãoaprovados em todas elas, enquanto outros, como mesmo número de tentativas, passam emnenhuma?A solução será a política de cotas? O erronão está lá no curso fundamental, napreparação do aluno desde o inicio? Eu jáescrevi e já falei bastante sobre a deficiênciadas escolas rurais em relação às urbanas e adeficiência destas em relação às particulares.Estou mostrando, neste artigo, que há, nasescolas rurais, professores e estudantescompetentes, o problema é equipar e manteras escolas da mesma forma que são equipadase mantidas as escolas urbanas e estou mereferindo, tão somente, às escolas públicas.Minhas argumentações não têm sido

    apreciadas, por isso, utilizarei, aqui, argumentos de pessoasmais gradas.Biblioteca - O Diário Oficial da União do dia 25 de maio,publica a lei 1244/2010, determinando que todas as escolasbrasileiras, em dez anos, tenham uma biblioteca com acervode pelo menos um título por aluno matriculado.Palavras do senador Cristovam Buarque, relator do projetoque aprovado e sancionado tornou-se a lei citada; Esteprojeto só tem dois defeitos: demorou tantas décadaspara ser aprovado e estabelece um prazo longo parasua execução. Os sistemas de ensino poderiam reduzirde 10 para cinco anos o prazo de instalação dasbibliotecas.E continuou o senador, fazendo a comparação: A verdadeé que as classes educadas do Brasil já estão chegandoà época digital, com os e-books, (livros eletrônicos)enquanto as camadas sem acesso à educação aindanão entraram no tempo de Gutenberg, quase 600 anosdepois que ele inventou a imprensaInternet - A cerimônia de lançamento do Banda Larganas escolas foi realizada em abril de 2008, no Palácio doPlanalto, em Brasília, e contou com a presença dopresidente da República, dos ministros da Educação, daCasa Civil, das Comunicações e do presidente da Anatel.Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, a internetnas escolas é um fator que pode diminuir a desigualdade.Essa iniciativa representa uma equalização dasoportunidades educacionais no país. No Brasil,os desafios para a educação são mais uma questão deeqüidade que de igualdade O ministro, ainda, lançou o

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    desafio de levar a internet também às escolas rurais. Acidadania não pode estar limitada ao âmbito dascidades. Precisamos de laboratórios também nas escolasrurais

    Desigualdade Social - Os dados são de uma pesquisaapresentada pela Confederação da Agricultura e Pecuáriado Brasil - CNA que avaliou a situação das escolas ruraisde dez estados brasileiros. Mais de 50% dos alunos daescola rural são das classes D e E. Quase um terço dospais desses alunos nunca estudou ou não chegou a completara 4ª série do ensino fundamental. Apesar das condiçõesdesfavoráveis, 56% das famílias acreditam que o aluno vaichegar ao ensino superior e 99% dos alunos disseram queseus pais falavam para ir para a escola e não faltar àsaulas É o exemplo de pessoas com baixo nível deescolaridade, acreditando na educação e na forma dediminuir a desigualdade social, pela educação.

    ARTIGOSGeraldo Príncipe e o Saber Popular em GouveiaJosé Moreira de SouzaGeraldo José do Nascimento, mais comumente conhecidocomo Geraldo Leocádio, foi para mim uma pessoa muitoespecial, admirado por todas as crianças de minha rua, a ruado Cruzeiro, antigamente dos Coqueiros e, atualmente, doutorLaurindo Ferreira.Geraldo é filho de José Leocádio e Claudiana Hilária doNascimento. Seu avô paterno era conhecido como Juca(José) Prudente do Nascimento, proprietário da chácara doLava-pés. Seu Juca Prudente era “entendido”, o que traduzidopara a linguagem atual quer dizer era um médico entendidoem raízes e ervas. Lia, é claro, o Chernoviz e poderia ser umpersonagem do romance Inocência do visconde de Taunay.Seu Juca era também músico e seu nome consta dos livrosde festas da Gouveia, juntamente com Modesto AntônioFerreira – o autor de “É a ti flor do céu que me refiro”,Xisto, que foi mestre de música de José Maria de Souza, e

    Antônio Dionísio Gomes Pereira – pai de Mário Gomes eavô de Efigênio Gomes Pereira.José Leocádio, por sua vez, era um teimoso garimpeiro, ávidode enricar com a descoberta de uma pedra preciosa ebrilhante. O sonho acabou no final de uma tarde, quando umbarranco o soterrou num serviço que desenvolvia nas Lages,localizada após a Vargem Grande, hoje município de Datas.Geraldo foi criado na chácara do Lava-pés, na antiga estradade Gouveia para Diamantina, inaugurada no ano de 1790.Com a morte do Juca Prudente, a chácara foi dividida emduas partes. Uma delas ficou com Tercília – casada comOlariano - e a outra, com Claudiana e Cotinha. A porção deTercília se tornou conhecida como “chácara do Olariano” ea das duas irmãs manteve o nome original. Criado com adedicação da mãe e da tia, Geraldo foi uma criança mimada.Certa vez, sua tia se inscreveu e foi escolhida rainha de NossaSenhora do Rosário. Coube a Geraldo ser o príncipe da festa.Contam que a zelosa tia foi a Diamantina escolher os tecidospara ornar seu príncipe. “Quero que seja príncipe de gala” –ela repetia em cada casa comercial. Encerrou sua jornadana Casa Mota e Companhia, então a mais luxuosa.Geraldo se tornou príncipe por toda a vida. Guardou a fofocade seda, traje com o qual percorreu solenemente as ruas de

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    Gouveia, ao som da “Quadrilha do Rosário” executada pelabanda de música, até que, casado, contemplou seu primeirofilho – José – em fevereiro de 1941. Incontinenti, passoupara o filho a sagrada fofoca de príncipe. Passou as vestes,mas ficou com o título. Enquanto, Geraldo foi semprereconhecido como príncipe de Gala, seu filho herdou o nomede Zé de Beló – nome de sua mãe.Ao se casar, em 1940, ou pouco antes, a família de Diana -como era conhecida Claudiana, vendeu a chácara do Lava-pés e se mudou para a rua do Cruzeiro. Geraldo haviaaprendido alguns ofícios. Carpinteiro, marceneiro, ferreiro,armeiro, relojoeiro foram algumas de suas habilidades, semdesprezar a de garimpeiro herdada tanto do lado paternoquanto materno.Detendo tantos saberes, Geraldo sintetiza o saber fazertradicional de Gouveia. Tinha mais, sabia costurar comoalfaiate e plantar. Afinal, nenhum garimpeiro seria completose não cuidasse de sua rocinha para garantir o sonho dapedra brilhante. “Saco vazio não pára em pé”, é componentedo saber garimpar. Sem mantimento garantido, o sonho nãose sustenta.O sonho do garimpeiro é mantido por uma profundareligiosidade. A “Estrela do Céu” afixada na parte internada porta da rua, o respeito ao “sinal da cruz”, o “louvadoseja Nosso Senhor Jesus Cristo” são três componentesmágico religiosos do saber fazer no garimpo. A isso se devejuntar uma estatueta de chumbo de Santo Onofre.Na hora de apurar a bateia, após reunir montanhas decascalho, seguindo os veios indicativos pela pedra Santana,“crisota” e outras sendas, santo Onofre terá lugar privilegiadono fundo da bateia ou do carumbé.Geraldo seguia o caminho atento a todas as cruzes. Para oscruzeiros e as cruzes da estrada, o chapéu deveria serretirado, e para gravetos e galhos ressequidos, curiosamentecruzados, a cruz deveria ser desfeita para que nenhumpassante desatento calcasse aos pés o sinal sagrado, símbolode todas as esperanças.Residindo na rua do Cruzeiro, todas as vezes que chegasseà soleira da rua, Geraldo se impunha um ritual, ir até acalçada, contemplar o cruzeiro, retirar o chapéu, insinuaruma reflexão e benzer-se.Conhecedor da medicina, dispensava farmácia e médicos.Sabia preparar o “curdiá” – cordial, como registrou Taunay.Pé de pomba, papaconha, velame, arnica, assa peixe, gervão,ruibarbo, gengibre, lágrima de Nossa Senhora, carrapichinho,dom Bernardo, quebra-pedra, levante, poejo, quina, poaia,lanceta, pau d’óleo, chapéu de couro, funcho, guiné, arruda,japecanga, jalapa, iniciavam uma longa lista da floramedicinal; forma de colher, conservar e preparar eramsegredos partilhados com quem quisesse aprender.Certa vez, sua mãe manifestava fortes sintomas depneumonia indicados pelo estado febril. Cruzelina, sua prima,disse assuntada:- Geraldo, sua mãe precisa de um médico. Vamos dar umbanho e levá-la.- Banho? Cruzelina, ocê quer matar minha mãe?Incontinenti, tomou uma enxada, um saco de aniagem e sedirigiu para os lados do Lava-pés. Ultrapassado o córrego,

    foi ao “pasto de Landulfo” – fundo da fazenda da Reserva.Colheu raízes, preparou uma beberagem para Diana. Três diasdepois, a velha estava forte e saudável.- Não disse? Eles queriam era matar minha mãe.Mas, minha maior admiração por Geraldo Príncipe, advém docarinho que ele tinha por todas as crianças, pela porta sempreaberta e pelos casos que contava. Registro apenas um. Trata-se da técnica de comprar. Acho que sintetiza o saber do mineiroda gema.Em Diamantina havia sido inaugurada a “Casa São Paulo”, alina praça da Catedral. Geraldo resolveu comprar um corte depano para fazer terno. Foi. No caminho, decidiu: “querocomprar o melhor pelo menor preço”.Subiu os degraus, chegou ao balcão. Um dos sócios o atendeucom aquele sotaque de estrangeiro mais estrangeirado. EGeraldo:- Eu quero ver as fazendas que o senhor tem para terno deroupa.O turco – de fato era grego – desceu da prateleira algumaspeças. Geraldo logo viu a que queria e imaginou: “Essa é carae é a que me serve”. Em voz alta:- Meu senhor – disse apontando para uma outra de baixaqualidade -, acho que essa é que interessa. Que tecido! Quequalidade! Acho que é essa que vou levar. Pera aí, se o senhorfizer um preço ao meu alcance, eu vou levar.Olhando agora para a que queria realmente:- Essa aqui é muito inferior. Não vai me satisfazer. O senhorfaz um desconto naquele que eu gostei?E o grego-turco:- Nessa aqui, até que eu poderia te dar um desconto, mas,como o senhor mesmo disse, essa outra é especial. É a maisprocurada por toda gente importante.Conversa vai, conversa vem... e- Qual é o desconto que o senhor faria nessa?- Nessa aqui, não tem desconto, como falei. Cinco mil reis ometro. Agora, essa outra, eu vendo até por dois mil reis.- O senhor tem razão. Ela vale os cinco mil reis. Mas, pensandobem, eu vou ficar é com essa outra. Me dá dois cortes dela.O grego não teve outro jeito. Quis lograr e saiu logrado.Não era apenas esse saber “inútil” que nos divertia. Geraldoera também preocupado com a história de Gouveia. Certavez, decidiu provar que a mineração de ouro em Gouveia teveinício no que se chamava, então rua do Sabão, nas proximidadesdo que é, hoje, a escola estadual Joviano Aguiar. Havia acabadode chover e a enxurrada acumulara em frente à porta de suacasa areia e cascalho retirados do gorgulho da parte alta.De posse de enxada e carumbé, Geraldo se pôs a faiscar.Juntou o saibro, montou o paiol, encheu o carumbé, dirigiu-seao chafariz que existia em frente à casa e foi decantando,como sabe todo garimpeiro e faiscador a areia depositada. Aofim, exibiu o resultado. No fundo do carumbé, uma mínimamancha amarelo-brilhante comprovava sua tese.Após passar carinhosamente o dedo indicador sobre a porçãode ouro em pó, afirmou triunfante:- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Eu não disse? Oouro vem lá de riba! A mineração foi proibida, mas ali aindahá ouro!

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    UTILIDADES E INUTILIDADES

    Professor é único que diz a verdadeUm delegado da Infância e da Adolescência recebeu denúncia deque uma professora havia espancado um aluno na escola. Aprofessora foi intimada. O delegado leu para ela a reclamação damãe.- Senhor doutor delegado – disse a professora – eu não espanqueia criança. Foi só um puxãozinho que lhe dei pelo braço. O meninocuspiu na minha cara.E o delegado.- Estou vendo que a senhora foi mal instruída. Professor é único adizer a verdade. Vocês desconhecem a lei, não sabem nada deDireito. O acusado tem que negar sempre, sempre para se defender.Não pode jamais admitir qualquer culpa, puxãozinho, ou puxãozãotudo isto é agressão punível pelo Estatuto da Criança e doAdolescente. Veja a enrascada em que se meteu? Escreva aíescrivão: “A acusada confessou ter agredido fisicamente a criançana escola”[Isto aconteceu aqui em Belo Horizonte. Conto apenas o milagre.Não posso revelar o nome do santo. Viva a Lei.]

    Folclore em Gouveia Agosto é o mês do Folclore, o dia 22 de agosto é diaMundial do Folclore. Nosso conterrâneo MaurícioMiranda alertou a AFAGO a indicar alguns aspectosdo Folclore em Gouveia. O Doutor Raimundo Nonatorespondeu imediatamente à mensagem dando início aodiálogo retratado nesta seção.

    Raimundo Nonato:Fins do século XIX ou inicio do XX, a precisão, no caso, não é omais importante. O esporte preferido, lá pelas minhas bandas, eraa caçada. Caçavam-se aves: perdizes, codornas, alguns nhambus;um homem e seu cão, bem treinado, raça perdigueira. Este - o cão-, seguia o rastro da ave, usando o olfato, quando via a ave eleestacava, isto é, ficava totalmente imóvel com uma das patas dian-teiras no ar, parece que sabendo: mais um passo alertaria a ave. Erao tempo do caçador - o homem -, engatilhar a espingarda e dar osinal com um simples movimento de cabeça. Ato contínuo, o cãose movia, a ave alçava vôo e era abatida. Caçavam-se pacas, distri-buindo espigas de milho em local apropriado, na trilha usada peloanimal. O processo era conhecido como cevar a paca. Caçavam-semocós – um bichinho parecido com o porquinho da índia-, quehabitam os lajedos e se entocam nas locas entre as pedras. Ospequenos animais, ao nascer do sol, se põem sobre as pedras parase aquecerem. Então, a disputa entre caça e caçador é quem vê ooutro primeiro. O caçador não conta com a ajuda de cão. Um ins-tante de atraso pode significar um guisado, ou não. Também caça-vam veados - os mais ricos -, ação que dependia de uma matilha decães e maiores deslocamentos. A caçada era esporte que atendia atodos, exceto a Cipriano. Caboclo raçudo, atrevido, saco roxo,matar bichinho indefeso não era bem a sua praia; a adrenalinasubia com ações mais excitantes. Cipriano, precursor dos espor-tes radicais, decidiu fazer seu próprio esporte: Capar o seu seme-lhante (para quem está mais enferrujado, capar é sinônimo de cas-trar, emascular). Cipriano que atuava pelos lados da Mandassaia,Gurutuba, Capitão Felizardo, ora numa ora noutra banda do RioParaúna, sempre montado no seu cavalo tordilho de nome pisa-pinto. Cavalo nervoso, agitado como o dono, destes que não fi-cam parados, andam de lado, andam de roda, cavam a terra, animalindócil. Certo dia, Cipriano, cavalgando pisa-pinto, se encontracom um viajante, montado numa égua pampa que, gentilmente,segurava a porteira para o senhor Cipriano. Cipriano para, bem emfrente à porteira aberta, e abre o jogo: hoje eu sai de casa decidido

    a capar o primeiro que encontrasse. Ao ouvir aquilo o moço – o daégua pampa -, soltou a porteira, atingindo pisa-pinto bem na cara,e, saiu em disparada campo a fora. Pisa-pinto se recuperou daporteirada e iniciou a perseguição. O moço, estimulando sua mon-taria, gritava: - me salva minha eguinha que eu te forro (concedoalforria). Cipriano ouvia e gritava, também – pega pisa-pinto pranós capar. O pega, não pega, continuava quando de repente sur-ge um grotão, bem na frente dos contendores. O moço da éguapampa, decidido a morrer inteiro, incentivou sua montaria a fazero salto. Ele não tinha alternativa. A pampa, animal valoroso, voousobre o grotão e atingiu o lado oposto, com duas patas da frentee uma das traseiras. A outra escorregou no barranco, mas numesforço supremo conseguiu se erguer e continuar a corrida. Pisa-pinto saltaria também, era mais vigoroso e mais ágil, mas a pampa,enquanto se erguia, impedia o salto de pisa-pinto que diminuindoa velocidade perdeu impulso e, ao saltar, atingiu o outro lado,apenas, com as patas dianteiras. Perdeu o equilíbrio e rolou riban-ceira abaixo, levando Cipriano de roldão. Ambos caíram sobrearvores secas e pontiagudas no fundo do grotão. Há muitos causosde Cipriano, o Capador. Estes causos se tornaram mais importan-tes, para mim, a partir da semana passada quando encontrei meuamigo professor Guido Araujo. Guido estava alegre porque haviaadiantado sua pesquisa por antepassados, com a ajuda do pro-fessor José Moreira., havia identificado: José Joaquim de Araujoe Cipriano. Ao ouvir o nome famoso eu, sem ouvir o resto dahistória, perguntei: Trata-se de Cipriano o Capador? E, Guido,originário da comunidade do Espadeiro, confirmou que é descen-dente da fera. Portanto, pelo menos enquanto não se descreve ogenoma humano, que permitirá identificar quais genes tinha oCipriano, convém ficar atento com o Guido.Adilson Nascimento:Bom conselho, Professor Raimundo! Dizem que conselho se fos-se bom ninguém dava; vendia. Porém, a partir de agora, sempreque eu encontrar com o meu amigo Guido vou estar atento ao queele possa ter nas mãos e, jamais, vou brincar com ele que eu fuicolega de fábrica e vizinho de sua irmã China, conhecida na intimi-dade como China de Mané Branco. Vá que ele não goste do ape-lido e resolva exercer sua índole ...José Moreira:Doutor Raimundo, Você tocou num dos pontos mais elevados doFolclore em Gouveia: as crenças populares incrustadas em con-tos e lendas. É um repertório sem fim e você o vem explorandocom mestria, melhor, com doutoria. O medo da castração criou oCipriano Capador. Esse medo era inculcado nos meninos já naprimeira infância. As mães deixavam os meninos-homem sem cal-ça, às vezes até cinco anos de idade. Logo vinha um adulto gaiatoameaçando capá-los. As senhoras mais velhas viam oportunida-de de tocar-lhes a genitália pedindo pó. Educar o filho homempara ser macho, machão era preservá-lo da ameaça de castração,um tema preferido pela Psicanálise de Freud. Juntamente com acastração, Gouveia trabalhava muito bem uma outra questãocrucial abordada no “Mal estar na Civilização” de Freud, a ques-tão anal, ou seja, do controle dos excrementos. Certa vez umapessoa que vivia sozinha sem parentes, alugou um dos cômodosde Hermano Chaves. O cômodo dava para a rua e ficava no becoconhecido pelo nome de “Beco do João Câncio”. O inquilino nãotinha onde depositar suas fezes e utilizava o beco de Mindota oude Seu Nápio para tal. Duca de Aprígio Martins que morava naponta desse beco – hoje é a casa de Ponteiro, se incomodou comisso e disse em voz bem alta na hora em que o referido necessita-do transitava pela rua: “Eu vou colocar um caco de brasas bemacesas nessa sujeira. Vou tampar para sempre a bunda desse su-jeito. Ele nunca mais vai c.. em meu beco.” Amedrontado, o autordo feito resmungou: “Com minha bosta ninguém vai fazer essa

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    UTILIDADES E INUTILIDADESmaldade”. Correu, arranjou um papel, juntou seus resíduos sóli-dos e jogou-os no mato bem longe. Estas eram formas de controlesocial que mantinham os logradouros públicos bem limpos. Nóspodemos colecionar histórias como essas para reabrir a seção de“Utilidades e Inutilidades” em nosso Boletim da AFAGO e contri-buir para ampliar o estudo do Folclore em Gouveia tal como pro-pôs nosso amigo Maurício Miranda. Casos de caçadores sãoótimos exemplos de uma outra área de estudo, do modo de sub-sistência numa economia popular. Os saberes de adestramentode cães – viadeiros, perdigueiros, paqueiros, - os ritmos da vidacotidiana determinados pela caça. O saber caçar tatus, codornas,jacus. Procedimentos para evitar ataques de teiú, calangos,camaleões, curar cobreiro não são apenas crendices como acusao preconceito. São saberes preciosos para uma época que osvalorizava.Adilson Nascimento:Senhores Professores, Doutores José Moreira de Souza eRaimundo Nonato Miranda Chaves: ainda bem que sou amigodos senhores e posso, às vezes, desfrutar desse folclore ao vivo.Lendo a história do capador, do Raimundo e a do cagão, do JoséMoreira, consigo dar boas gargalhadas mesmo depois de ter queaturar o programa de propaganda eleitoral, na televisão. Concebi-do, talvez para ser um momento de esclarecimento do eleitorado omalfadado não passa de uma sessão ridícula de humor negro, dapior espécie. Espero que vocês desfiem outros “causos”, comoaquele do João de Pacífico, sabe, o “João Muchiba” para os ínti-mos, casado com a minha tia materna Jocundina, que depois delevar um tremendo tombo quando caçava mocó na Serra de SantoAntônio passou a mostrar para todo mundo os hematomas e asferidas que em forma de cicatrizes marcaram o seu corpo peloresto da vida, que aquilo fora fruto de uma luta desigual que elehavia travado com uma onça “deste tamanho”, mas que ela,tambén, saira bastante machucada e fugira faminta e espantadacom a capacidade de reação que ele tivera. Ele contava com tantaconvicção que a sua mentira passou a ser uma verdade absoluta. José Moreira:Adilson, síntese dos executivos competentes! Bom que vocêentrou nessa roda, a ciranda que você mesmo inventou e crioupara o Boletim da AFAGO. Vale retomar o Folclore em Gouveia.Interessam-me os ditos populares, provérbios e ditados. Ditospopulares, regra geral, escondem contos e casos paradigmáticos.Em Gouveia, ninguém pode cometer o menor engano que se tornacentro de histórias resumidas em um dito popular. Já os provérbiostêm circulação mais ampla, são quase universais. Há tambémexpressões que se fixam e perdem o contexto que as gerou. Fixoessas últimas: “Deus te ajude”, todos nós dizemos após ouvir umespirro, longo ou curto: aaaa.....tché, ou tché pura e simplesmente.O “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo” é obrigatório paratodo garimpeiro que vislumbre no fundo da bateia o luzir de umdiamante.“Vamos ao Deus te ajude”: Numa obra publicada no ano de 1390,ou seja, há mais de 700 anos, Jacopo de Varazze data o costume dedesejar “Deus te ajude” aos tempos de São Gregório. O que querdizer que o hábito prevalece há quase mil e quinhentos anos.Segundo ele, Roma foi palco de uma peste [uma gripe suína?].“Esta peste era tão violenta que os homens morriam subitamente,nas estradas, à mesa, durante as diversões e as conversas, emuitas vezes ao espirrar exalava-se o espírito. Por isso, quando seouvia alguém espirrar, logo se exclamava: ‘Deus o ajude!’ a alguémque espirra. Conta-se que era frequente, logo depois de alguémbocejar, o espírito sair pela boca. Daí o costume ainda hoje [1390]em uso de, de ao sentir vontade de bocejar, logo se fazer o sinal-da-cruz.” [Legenda Áurea. Página 425].Há que concluir que todo hábito lingüístico permanente repousanum instante que funda um mito narrado em uma lenda.

    Caminhemos para uma expressão regional e com ela eu toco emsituações espinhosas: “Tô tourada”, diziam as mulheres emsituações nas quais se sentiam amedrontadas. Seguramente,nenhuma delas vivenciou o espetáculo das touradas, companheirosdas cavalhadas. Tourada é a encenação da luta da natureza contraa cultura, encenada como síntese da civilização ibérica. Tourada ecavalhada são irmãs gêmeas e encenam o orgulho de vencer anatureza, - enfrentar o touro - de um lado, e o inimigo – o mouro – deoutro, na cavalhada.Essa expressão na boca das mulheres denuncia a ameaça constantede estupro presente nas relações em um mundo de selvageria. Mostraque a vida sexual em Gouveia e na região do diamante em geral, eracarregada de violência. A expressão não terminava aí. Ele secompletava com “tô tourada com o picuá de ... [nome de alguém quetivesse o mais avantajado órgão sexual].” Ora, picuá, deveria serum artefato necessário num museu de diamante. É um saco de courolongo e estreito utilizado para guardar as pedras preciosas. Vê-se aassociação entre picuá – instrumento de trabalho do garimpeiro – oórgão sexual e o a violência das touradas.Tenho como projeto desvendar os segredos do sofrimento mentalem Gouveia e vejo que o caminho dos provérbios, ditos populares,ditados e demais expressões oferecem sendas importantes para umapolítica pública de atenção ao sofrimento mental. Vou tratar dissoao me referir aos amuletos guardados em saquinhos cosidos ependurados ao pescoço para livrar de maus olhados, manter o corpofechado e trazer felicidade.“Beber e coçar, é só começar!”Adilson Nascimento:Professor José Moreira de Souza: corroborando com a sua afirma-ção de que certas lendas do folclore não são apenas crendicesvenho lhe citar o caso real vivido por mim, lá pelo idos de 1959.Ainda menino, 12 anos, eu tinha a responsabilidade de todo sába-do fazer a limpeza do piso e dos assentos do clbe social da fábrica,para que à noite o meu pai o abrisse para aquelas famosas sessõesde baile, onde pontificava as moças do pensionato da D. Inhá.Desempenhando essa tarefa, certa feita, ao passar um pano limponas cadeiras eu senti uma ferroada no polegar direito, parecendouma agulhada de injeção. Ao ver que do meu dedo brotavam gotasde sangue corri para casa e mostrei ao meu pai. Ele, então, foi comi-go até ao clube e ao verificar o pano descobriu agarrado ali um“baita” escorpião de costa preta. Primeira providência: matar o bi-cho; segunda providência: mandar que eu procurasse o PedroBaiano, pintor de parede da fábrica, em sua casa, para que ele ben-zesse o local. Lembro que o Pedro Baiano perguntou-me: seu pailevou você à farmácia? Eu respondi: não senhor. Ele então fêz lá assuas orações e a dor que era “de matar” foi amenizando e em poucotempo sumiu. Depois de alguns dias a pele do dedo que haviaficado escura foi-se escamando e caindo sendo substituída poruma nova, sem cicatriz e sem mancha. Meu pai mandou que eumostrasse ao Pedro Baiano e o agradecesse. Ele não quis olhar edisse: eu sabia que a pele ia ser trocada; você é mais forte que o“danado”. Até hoje eu estou ai, para testemunhar e falar besteira.Guido Araújo:Meu caro José Moreira, gostei de suas mensagens dos dias 31/8/10e 1/9/10. No meu tempo de menino no garimpo de Palmital, escutan-do conversas e casos indiscretos dos garimpeiros e curioso sobrea atividade sexual, o verbo tourar, que uns pronunciavam “tôrar” eoutros, “tórar”, foi o primeiro e durante muito tempo o único verboque nomeou esta ação. O picuá era cabeça de bacalhau. Do quevocê descreve, algumas pessoas o tinham guardado e escondido.O garimpeiro comum também possuia o seu, mas retirado de umaespecie de cascalho ruim. Era uma pedra amarela da grossura ecomprimento de um dedo, ocada. Nela se colocava uma tampa ourolha e a esperança de enchê-la de diamante.

  • Boletim da AFAGOÓrgão Informativo da Associação do Filhos e Amigos daGouveiaAno III – N ° 05-10 - SETEMBRO-OUTUBRO 2010.

    Diretor Responsável – Waldir de Almeida RibasEditoração Gráfica: José Moreira de SouzaFotos: Raimundo Nonato Miranda Chaves, José Moreira deSouza, Geraldo Augusto Silva, Departamento de Cultura daPrefeitura Municipal de Gouveia - 2008

    Diretoria da AFAGOPresidente: Waldir de Almeida RibasVice-presidente: Raimundo Nonato Miranda ChavesSecretário: Guido de Oliveira AraújoTesoureiro: Adilson Nascimento

    REMETENTEAFAGO - Associação dos Filhose Amigos da GouveiaAvenida Amazonas 115 - sala1709

    CEP: 30.180 - 000 - BELO HORIZON-TE - MG

    Aniversariantes:OutubroCleuber Alves Monteiro Júnior – 5 Luiz Flávio Cardoso de Oliveira - 5Maria Terezinha Santos – 7Neuber Rodrigo Pereira – 10Clemilson Alves Monteiro – 15Audrey Regina P. Carvalho Oliveira – 17Raul Martins de Oliveira – 22Laenne Oliveira Santos - 28Terezinha Rosa Ferreira - 29Geraldo Fabiano Chaves - 31

    Aniversariantes:NovembroSerafim Antônio de Souza 1Rita Alves Ferreira (Dona Ritinha) -1Carolina Albuquerque Oliveira – 3Claudinei Almeida Oliveira – 4Ivone de Lourdes de Oliveira – 7Maria Claudia Ribas – 9Juanna Carvalho Oliveira – 14Dalva Ribas – 17Neuza de Miranda Ribas – 20Alvanir Alves de Lima – 22Rosely - 28

    Atas de Reuniões da Diretoria da AFAGO no sitiowww.afagouveia.com.brDando inicio à implantação do projeto, de autoria do nosso diretorde finanças - Adilson do Nascimento -, disponibilizamos, no sitio,extratos de cinco ata

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